Sealed Hearts: Um Romance de Diferença de Idade

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Resumo

Lockwood Creek Livro Um O coração do cardiologista Adam Matthews parou de bater no dia em que ele perdeu sua esposa... sua Emma. Afastando-se da vida cotidiana, ele se dedicou ao que conhecia melhor: seu trabalho. Mas uma noite de embriaguez muda tudo. Será que ele consegue libertar seu coração e cumprir sua promessa? Desapontamento... essa palavra persegue Riley Jo Lockwood. Ela ouviu isso a vida toda. Sempre comparada à sua gêmea, Maddy, que é a "perfeita". Agora, três anos depois de deixar sua cidade natal, ela está retornando para o casamento do ano. Ela só precisa aguentar firme por um mês e não se meter em encrenca. Mas a encrenca tem o hábito de encontrar Riley Jo.

Status
Completo
Capítulos
44
Classificação
4.9 47 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

~ ~ Dr. Adam Matthews ~ ~

Março

Jesus. Eram momentos assim que eu, estupidamente, desejava ter começado a fumar. Esfreguei a testa, olhando para além das árvores ao longe, com os olhos fixos nas nuvens brancas que se dissipavam lentamente e em pedaços de céu azul que espreitavam entre elas.

Seria mais um dia lindo. Mas não para mim; hoje acordei com um frio nos ossos que não conseguia espantar. Será que hoje seria o último dia dela? Será que hoje seria o dia em que o meu mundo mergulharia numa miséria perpétua?

“Ei, Adam.”

Não desviei a atenção da vista, apenas meti as mãos nos bolsos. Tinha saído do quarto rapidamente, precisando de um minuto para respirar quando o Dr. Chris Chambers entrou para verificar os sinais vitais da Emma.

“Hematócrito 16, SMA 20... alguns níveis estão como esperávamos—” Chris pausou. A sua voz era profissional, mas não me enganou. A derrota falava alto a cada palavra proferida.

Tinham desistido todos. “Estamos a viver com tempo emprestado agora.” Ele ficou comigo por um momento, ombro a ombro, ambos perdidos nos nossos pensamentos. “O melhor que podemos fazer é deixá-la confortável, Adam.”

Mudando a prancheta de mão, pousou a mão livre no meu ombro, apertando com firmeza.

O Chris era o meu melhor amigo desde a faculdade e meu colega no Mercy Heights nos últimos seis anos. Ele sabia perfeitamente que isto me estava a matar aos poucos, dia após dia. À medida que a Emma ficava mais fraca, eu ficava mais cansado. As palavras que ele repetia agora eram banais no nosso trabalho, mas hoje eu não conseguia ouvi-las. Eram demasiado próximas — demasiado reais.

E eu não estava pronto para a realidade.

Afrouxando o aperto, a sua mão desceu e ele soltou um suspiro enquanto me dava duas palmadinhas nas costas. “Apenas fica com ela, Adam.”

Como se eu pudesse estar em qualquer outro lugar.

“O Danny está a caminho?”

Danny era o filho da Emma do seu primeiro casamento. “Sim, deve chegar a qualquer momento.” Falei com ele mais cedo, apanhando-o antes de sair para o trabalho.

“Como é que ele está a lidar com isto?”

Como é que alguém deveria lidar com isto? “Ele não está. Ele não quer falar comigo sobre o assunto.” Tentei, mas, tal como eu, ele fechou-se em copas, engolindo a sua dor e a sua raiva por ser pouco ou nada útil para impedir o que estava para vir.

“A Emma orgulha-se dele.”

Ela orgulhava-se. Ela amava o Danny. Mas eu sabia que a forma dele lidar com isto era enterrar-se na sua residência, já no terceiro de cinco anos de anestesiologia.

Ouvi o pager do Chris apitar enquanto ele o tirava do bolso. “Preciso de ir. Se precisares de alguma coisa, já sabes onde me encontrar.”

Virando a cabeça, observei-o afastar-se. Eu também já fizera o mesmo, entregando as notícias inevitáveis a uma família de coração partido e depois indo embora... para o próximo paciente.

Suspirando e forçando os pés a moverem-se, virei-me e voltei sorrateiramente para o quarto da Emma. Estava silencioso, tirando o som dos monitores, mas, felizmente, ela estava ligada apenas a dois agora, embora isso ainda a deixasse louca.

Isto era ainda mais difícil de lidar para ela. Ela também estava habituada a estar deste lado da cama, a cuidar de outra pessoa.

Um livro, o seu favorito, estava virado para baixo, aberto. Ela custava a segurá-lo por muito tempo e já faziam quarenta e oito horas desde a última vez que pusera os pés fora da cama. A falta de ar e o edema dependente impediam-no. E a minha orgulhosa rapariga recusava-se a usar uma cadeira de rodas.

Teimosa como sempre... teimosa e linda.

Mas hoje... hoje ela parecia tão pálida e frágil, e eu sentia falta daquela vivacidade rosada natural nas suas bochechas. Os seus olhos azuis, que antes transbordavam vida, estavam agora baços e pareciam quase vazios. Eu tinha a certeza de que, na sua cabeça, ela estava em qualquer lugar menos aqui, já que mal respondia à minha presença.

Mas nada diminuía o meu amor por aquela mulher.

“Que tal eu ler para ti, querida?”

Como se a luz se tivesse acendido novamente, os seus olhos brilharam um pouco quando me viu. Aquilo perfurou-me o coração.

“Vem.” Ela sorriu brevemente, movendo a mão com algum esforço para dar palmadinhas na cama. “Senta-te comigo, Adam.”

Engoli o nó na garganta. Ele caiu para se juntar ao peso de tijolos que sentia no estômago. Tive o cuidado de não bater no suporte do soro ou nos monitores.

Sentando-me, segurei a sua mão pálida na minha. A fragilidade era um lembrete cruel de que não nos restava muito tempo, mas isso não tornava o momento menos verdadeiro. Levei a mão dela aos lábios e beijei-a.

Emma inspirou lentamente. “Preferia pirar-me daqui?”

Essa é a minha rapariga, sempre a tentar aliviar a situação. “Tens a certeza de que não queres sobremesa, Madame?”

Ela entrou no jogo. “Ora, não obrigada, Senhor.”

“Apenas a conta, então, Madame?”

“Ah-ham.”

“E para onde é que vai hoje?”

Ambos sabíamos que ela não ia a lado nenhum... não a menos que um milagre acontecesse. Infelizmente, para que esse milagre ocorresse, alguém tinha de morrer para que a minha linda rapariga pudesse viver.

A culpa habitual roía-me por dentro; a ideia de alguém morrer para salvar outro era cruel. Eu era médico... cirurgião. O meu trabalho era salvar vidas.

No entanto, eu viveria com a culpa se isso me permitisse ficar com a minha Emma. Mas a minha esperança partiu com o meu sentido de justiça há cerca de três meses.

“As montanhas”, pausa. “—A minha cabana”, murmurou ela sem fôlego, enquanto os seus olhos se perdiam novamente e eu sabia para onde a sua mente a tinha levado.

As montanhas. Ela amava as montanhas. Lá no alto, livre.

Conheci a Emma quando tinha vinte e três anos; ela tinha trinta e um e era chefe do Departamento de Cardiotorácica. A chefe de departamento mais jovem a percorrer os corredores do Mercy Heights.

Ela era uma génia fora do comum e tão cheia de vida. Linda, com uma graça serena. Sem uma ponta de arrogância, o que era praticamente inédito na nossa profissão.

Sempre que ela entrava numa sala, todos paravam e gravitavam na sua direção. Eu nem precisava de dizer uma palavra para sentir uma ligação; a necessidade de a conhecer, de a tornar minha, era uma força tão forte quanto a gravidade.

O Chris tinha tentado demover-me, dizendo que era suicídio profissional tentar conquistar uma mulher na sua posição de autoridade.

Eu avancei, não parecia errado, e apaixonei-me profundamente. Mas a Emma já tinha sofrido perdas, perdendo o seu marido num acidente de carro e ficando sozinha a criar o Danny.

Só que eu soube, desde aquele primeiro sorriso, que ela era a minha outra metade. No entanto, levou um ano até ela alinhar na minha forma de pensar e aceitar um encontro. Três meses depois, ajoelhei-me, armado com o maior diamante que pude pagar, e pedi-a em casamento.

Os meus amigos acharam que eu estava louco por me casar com uma mulher com um filho aos vinte e cinco anos, mas nada tinha parecido tão certo na minha vida.

“Cabana? Queres companhia? Dizem que tenho jeito com as mãos.”

Os seus lábios curvaram-se num sorriso pleno desta vez. “Tenho a certeza de que podia aproveitar um homem como tu”, provocou ela.

Pisquei o olho enquanto nos mantínhamos em contacto visual, mas o sorriso no meu rosto desvaneceu-se. Estava a tornar-se tão difícil manter-me no limite do desespero onde caminhava todos os dias.

“Ei—” ela recuperou o fôlego. “Nada de caras tristes hoje.” Outra respiração. “O Danny chegará em breve.” Ela tentou apertar a minha mão. “Ajuda-me a ficar bonita.”

“Não precisas de ajuda nenhuma, querida. Tu fazes com que a palavra 'linda' pareça pouco.” Inclinei-me e beijei-lhe a testa antes de pegar na sua escova e pentear suavemente o cabelo ruivo que eu tanto adorava.

“Tu também tens muito jeito com a boca.” Ela tossiu e os meus ombros ficaram tensos.

“Estás bem?”

Ela assentiu e eu relaxei, voltando a atenção para o seu cabelo.

“Promete-me — Adam.”

Fiquei imóvel. “Qualquer coisa, querida.”

“Não... não pares de viver, quando eu me for.”

Com a escova na mão, o meu coração parou. Morreu mesmo ali, na caixa torácica. “Por favor, Emma, não fales, isso esgota-te, e o Danny chega a qualquer minuto.” Eu não podia fazer isto. Não podia ter esta conversa. Eu não queria esta conversa. Nunca!

“Encontra o amor outra vez.”

Uma carga elétrica percorreu-me o corpo, forçando o meu coração a arrancar, batendo tão rápido, como um pássaro enjaulado.

Se eu pudesse dar-lhe o meu... fá-lo-ia num piscar de olhos.

“Promete-me, Adam.” Afastei-me quando ela inclinou a cabeça para encontrar a minha. Os seus olhos imploravam.

Eu sangrava de emoção. Ela não fazia ideia do que me estava a pedir. Porque é que ela não entendia que não se encontra um amor como o nosso todos os dias?

Mordi a língua para não dar a resposta honesta. “Está bem, Emma”, murmurei.

“Não... eu preciso de—” ela engoli em seco, puxando o ar em respirações curtas e rápidas. “Diz.”

Apertei o cabo da escova, sabendo que falar aumentava o seu cansaço. “Está bem. Está bem. Eu prometo. Vou continuar a viver.” Eu prometeria qualquer coisa para, egoisticamente, a manter aqui, apenas por mais um pouco.

Ao terminar de arrumar o seu cabelo, morrendo um pouco mais por dentro, ajudei-a a sentar-se, ajustei a cama e afofei as suas almofadas. “Precisas de alguma coisa, querida?”

“Água.”

Peguei no copo de papel com água e dobrei a palhinha para a boca da Emma. Os seus lábios pareciam secos. Ela sugou um pouco, mas cada movimento exigia um esforço enorme.

Poucos momentos depois, ela relaxou a cabeça na almofada e eu coloquei o copo de lado.

“Agora fica aí quieta, enquanto eu leio.”

Ela não discutiu.

Quinze minutos depois, o Danny chegou com um enorme ramo de flores. Eu estava farto de ver flores. Já parecia que uma florista tinha vomitado ali dentro. Mas forcei um sorriso.

Ele olhou para mim e eu abanei levemente a cabeça. Ele já sabia que podia acontecer a qualquer momento.

Embora eu não estivesse pronto — nunca estaria.

E eu sabia que, no segundo em que o coração dela parasse de bater, o meu também pararia, e qualquer promessa seria enterrada com ela e com o meu coração.