Chapter 1
Lila Mae Thompson apertou as rédeas enquanto cavalgava pelas planícies ensolaradas de Whispering Pines Mountain, na Carolina do Norte. O vento soprava através de seus cabelos ruivos, trazendo consigo o perfume das flores do campo e do pinheiro. Seu coração batia forte com uma mistura de empolgação e receio. Ela retornara àquela terra de memórias e mágoas com a missão de salvar o rancho de sua família. No entanto, no fundo, ela sabia que havia outra razão para ter voltado — um motivo com olhos azuis penetrantes e um charme rústico que o tempo só fez aumentar. Jackson "Jax" McCoy, o cowboy que ela amou e deixou para trás, ainda estava lá, e a história inacabada deles estava prestes a ser reescrita.
Mas, do jeito que ela partiu há alguns anos, depois da faculdade, será que ele ainda estaria interessado? Lily Mae acariciou o pescoço de sua égua, uma linda égua baia chamada Princess, e jogou o cabelo ruivo sobre os ombros. Ela honestamente pensou que, ao se mudar para a cidade grande, seus sentimentos por Jax diminuiriam. Mas estar de volta, tendo que vir para casa para ajudar seus pais no rancho e organizar seu evento beneficente de rodeio local, trouxe de volta todos os sentimentos que ela tinha pelo garoto que amava desde que tinha seis anos de idade.
"Ei, garota." Ela ouviu a voz de seu pai enquanto ele cavalgava em sua direção em seu garanhão árabe, Hercules. "Teve um bom passeio com a Princess?" Seu pai, com seus olhos verdes rodeados por pés de galinha na pele bronzeada pelo tempo passado sob o sol, deu à sua filha caçula um sorriso vitorioso. Ele era tudo para ela.
"É muito bom estar de volta, papai. Bom demais. Eu senti falta da Princess. Voltar apenas para um fim de semana perdido ou nos feriados, bem, não é a mesma coisa."
"Não, não é. Sua mãe e eu estamos tão felizes por ter você de volta. E com esse evento beneficente de rodeio que você está planejando, bem, estamos muito orgulhosos de você, Lily Mae. Orgulhosos pra caralho." Ela realmente achou que o peito de seu pai estava se estufando. Um nó se formou em sua garganta.
"Como está o Jax?" As palavras saíram antes que ela tivesse tempo de segurá-las. Seu pai riu.
"Ainda mantendo viva a chama por aquele rapaz, é, Lily Mae?"
"Não. Claro que não. Já se passaram seis anos, eu fui embora quando tinha dezoito, papai. Muita coisa aconteceu desde então. Tenho comandado uma empresa de eventos de sucesso e subido na hierarquia corporativa. Eu saí com outras pessoas." Ela não precisava dar detalhes ao pai sobre sua vida amorosa. Até agora, tinha se mostrado monótona e fracassada.
Não que Lily Mae não tivesse saído com ninguém, mas ninguém conseguia fazer com ela o que Jax conseguia com suas mãos grandes de cowboy e, bem, sem mencionar outras partes da anatomia dele. Ela balançou a cabeça.
"Ele está bem, ocupado como sempre aqui no rancho. Está pensando em comprar um pedaço de terra e começar por conta própria com o dinheiro que os pais dele deixaram. Uma história triste, sem dúvida," seu pai lhe contou.
Lily Mae tinha ouvido como os pais dele foram atingidos por um caminhão na estrada principal há cerca de um ano. O pai dele morreu na hora; a mãe ainda resistiu alguns dias no hospital, mas os ferimentos foram demais para ela. Lily Mae suspeitava que, ao saber que o amor de sua vida tinha morrido instantaneamente, a mãe de Jax não quis continuar a viver sem ele e desistiu. Deixando Jax para trás, o mais velho dos três filhos que eles tiveram.
Jax sendo o mais velho agora com vinte e quatro anos, a mesma idade de Lily Mae, e seu irmão mais novo, Ralph, que agora teria vinte e dois, e Rose, a irmã caçula. Lily Mae supôs que Rose estivesse com uns dezoito ou dezenove anos agora. Ela costumava ser babá dela quando Rose era pequena, às vezes, e os meninos iam cuidar da própria vida. Isso ajudou Lily Mae a economizar para ir para a cidade e começar uma nova vida com eventos, subindo de cargo até se tornar gerente.
Agora seus pais precisavam dela aqui para ajudar, já que seu pai só conseguia fazer um tanto por dia, e também porque ela precisa colocar em prática esse rodeio beneficente que prometeu ao gerente que conseguiria cuidar. É um grande desafio, mas se alguém pode fazer isso, Lily Mae é a garota certa para realizar o trabalho.
"Vamos voltar, querida. Sua mãe terá o café da manhã nos esperando."
"Fantástico, estou ansiosa por panquecas." Ambos direcionaram seus cavalos em direção à grande casa do rancho. Lily Mae observava as montanhas que dominavam a paisagem. Ela estava em casa e a sensação era boa enquanto ela respirava fundo o ar puro e fresco da montanha. Ali, em Whispering Pines Mountain, era o ar mais limpo e puro que você poderia encontrar.
Eles conduziram os cavalos para os estábulos e Lily Mae tirou uma cenoura do bolso para dar à Princess, que acariciou seu pescoço antes de aceitá-la. "Essa é a minha garota," ela disse e deu um beijo no focinho de sua linda égua.
"Pronto quando você estiver," seu pai, Jake Thompson, disse enquanto dava um último tapinha em seu garanhão. Eles viriam escovar os cavalos mais tarde e limpar as baias; mesmo tendo funcionários para isso, Jake gostava de cuidar do seu cavalo especial.
Lily Mae subiu os quatro degraus que levavam à grande casa do rancho, um edifício espaçoso de dois andares, abriu a porta e colidiu com algo firme e duro como pedra. Ela olhou para cima e foi recebida pelos olhos mais azuis que uma garota já viu. Suas pernas quase cederam com a fraqueza que sentiu. Seu coração disparou e sua boca ficou seca.
"Ora, ora, ora. Lily Mae está de volta à cidade. Soube que você chegou." Jax disse enquanto segurava seus ombros e a observava bem, como se estivesse bebendo um longo e lento gole de água.
"Er, sim. Na noite passada, na verdade." Ela parecia confusa? Ela certamente soou confusa para Jax, e corando também. Bem, ele nunca pensou que veria Lily Mae, a garota de lábia fácil, confusa ou sem palavras.
"Você está bem aí, Lily Mae?" Ele riu, seu olhar não deixando os olhos dela por um segundo. Ele sabia o que estava fazendo, mas ainda assim não conseguia se controlar. Mesmo sendo a garota que partiu seu coração ao ir para a cidade grande. Algo que ele nunca conseguiria entender.
"Claro que estou bem. Honestamente, eu não te vi, e por que você está bloqueando a porta, de qualquer maneira? Deixe-me passar." Ela bufou e o empurrou para o lado. Seu pai apenas ergueu as sobrancelhas para Jax e deu de ombros.
"Acho que ela não está tão feliz em me ver, né, Sr. Thompson?"
"Nunca se sabe com essa menina, Jax. Acho que ela está só um pouco confusa, é só isso." Os homens seguiram para a grande cozinha, com seus armários de carvalho e uma enorme mesa de pinho dominando o centro do espaço. A Sra. Eliza Thompson, vestida com seu habitual jeans de mãe, uma camiseta rosa e seu cabelo ruivo da mesma cor que o da filha preso em um rabo de cavalo alto, virou-se do fogão.
"Pessoal, vocês chegaram. Eu não ouvi a porta ranger." Ela foi até lá e deu um beijo na bochecha de Jake. Ele deu um tapinha na bunda dela. Fofo, pensou Lily Mae. Seus pais tinham o relacionamento mais próximo de todos que ela conhecia, especialmente as pessoas da cidade. Parecia para ela que eles se casavam e se divorciavam antes mesmo de a tinta secar nos papéis.
"É tão bom ver minha Lily Mae de volta a esta cozinha e com o Jax. Que maneira maravilhosa de começar meu dia." A voz de sua mãe estava cheia das alegrias desta estação de primavera.
Lily Mae cruzou os braços na frente do peito. "Nós não estamos juntos, mãe." Ela disse e sentou-se à mesa.
"Ainda," murmurou Jax.
"O que foi isso?" Perguntou Lily Mae.
"Ah, nada. Eu estava apenas dizendo como o cheiro das panquecas e do café da manhã está bom," ele respondeu.
Lily Mae estreitou os olhos para ele. Parte dela ainda estava brava por ele ter a deixado ir anos atrás; ela tinha esperança de que ele implorasse para ela ficar, mas Jax nunca fez isso.
Ele se sentou ao lado dela, esticando suas pernas longas e colocando seu chapéu de cowboy sobre a mesa. Ela notou como seus antebraços se flexionavam, as veias que saltavam enquanto ele fazia isso, e aquelas pernas musculosas faziam seu pulso acelerar. Ela podia sentir a proximidade dele e notou que ele tinha ficado mais forte com o passar dos anos; sua mandíbula quadrada tinha barba por fazer o suficiente para ser sexy pra caralho, e seu coração estava tendo leves palpitações com a proximidade dele.
"Você sempre vem aqui tomar café da manhã?" Seu tom foi direto. Jax virou-se para olhá-la.
"Hã? Por que eu não viria?"
"Você ainda é o peão do rancho, certo?" Lily Mae estava com uma perna cruzada sobre a outra, a perna de cima balançando.
"E o que isso deveria significar, Lily Mae? Você tem algo a dizer?"
"Não, só perguntando, é só isso."
"Ei, pare com isso. Jax é bem-vindo nesta casa sempre que quiser. Ele é mais do que um peão por aqui, você mais do que ninguém deveria saber disso, Lily Mae." Sua mãe interveio. "Não ligue para ela, Jax, querido. Acho que essa garota esqueceu seus modos na cidade."
Jax riu e olhou para Lily Mae, com a boca curvada. Lily Mae bufou e virou o rosto.
Bem, ele pensou. Vai ser desse jeito então, é?