1.
Há quatro anos, trabalho com crianças pequenas e até bebês. Isso me inspirou a ajudar minha irmã mais velha, que abriu uma creche perto de casa quando eu tinha 18 anos, na Califórnia.
Eu morava em Cleveland, minha cidade natal, mas me mudei para cá só por causa desse emprego. Tenho 25 anos agora, e este é o trabalho dos meus sonhos: cuidar de crianças. É também meu primeiro dia, e são 8 da manhã.
Os pais chegarão em três... dois... um. “Srta. Lopes!?” Uma mulher aparece com um bebê no colo.
Apareci antes que ela entrasse em pânico. “Sou a irmã mais nova dela”, tranquilizei-a. Ela sorriu ao me entregar o filho, que agora chorava.
“Jeffrey, por favor, nem começa”, ela resmungou. Eu dei uma risadinha antes de fazer algo que fez Jeffrey parar de chorar na hora.
Ela ficou ofegante. “O que foi isso?” Ela me entrega as coisas do menino e eu dou de ombros. “Tenho um sobrinho que adora carinho nas costas, então imaginei que esse garotinho também fosse gostar”, digo, brincando com ele enquanto ele dá risadinhas.
“Bem, essa é uma maneira nova de silenciá-lo. Obrigada pela ajuda.” Ela deu um beijo de despedida no filho antes de ir embora de carro.
Minha irmã, Diane, tira Jeffrey dos meus braços e me pede para cuidar dele enquanto ela busca as outras crianças.
Fiz o que ela pediu e peguei seus brinquedos para ele se distrair. Ele diz algo que não entendi direito, mas sabia que ele estava pedindo o caminhão monstro.
Eu entrego para ele e ouço minha irmã conversando com um homem. “Bem, bem-vindo à Califórnia, Sr. Ramirez.” Levantei-me rapidamente e vi uma garotinha com cabelos castanhos, volumosos e cacheados, e olhos verdes, entrando saltitante com sua boneca Barbie na mão.
“Jamie”, minha irmã me chamou. “Esta é Natalie Ramirez. O pai dela, Mateo Ramirez, acabou de deixá-la aqui. Eles são novos na área, vieram de Los Angeles.”
Natalie veio me mostrar sua boneca. Agacho-me na frente dela, e ela começa a me contar quem a comprou para ela. A mãe. Obviamente.
“Ela é muito fofa”, digo, pegando-a no colo. “E você precisava ver o pai dela. Um cara bonito com uma barriguinha.”
Essas são as palavras-chave que me deixaram curiosa. “O quão bonito estamos falando?”, pergunto, colocando Natalie no berço. “Ele parece um Leonardo DiCaprio hispânico, alto e gordinho.”
Tento imaginar na minha cabeça e falho, mas pelo menos já tenho uma ideia de como ele é até que ele venha buscá-la.
Mais 10 crianças chegaram e, antes que percebêssemos, já estávamos cuidando de todas.
Ajudei com cinco e Diane cuidou do resto. Seguimos a rotina delas: alimentação, banho, ensinar o básico, hora de brincar, alimentação de novo e hora da soneca. E, claro, dar banho nelas outra vez.
“Sabe, o Kai sente muito a sua falta.”
Levantei o olhar da limpeza e sorri ao ouvir sobre o filho de Diane. “Eu também sinto falta dele. Vou visitá-lo no domingo.”
Diane deu um sorriso largo. “Ele vai adorar. Não para de perguntar por você.”
Dei uma risadinha, balançando a cabeça. “Não sei quando ele vai parar de me amar. Não que eu esteja reclamando.”
Diane riu baixinho. “Ele sempre te adorou. Você é a tia favorita dele.”
“Bem, eu mimo ele um pouquinho”, admiti, pensando nas pequenas surpresas que sempre levava para Kai.
“É isso que faz de você a melhor”, disse Diane.
Este é apenas o primeiro dia e parece que está tudo bem, mas, por outro lado, ainda tenho muitos dias pela frente para sentir o estresse de lidar com as crianças.
Agora falta uma hora para o horário de saída, então, como sou jovem, decidi propor um jogo para os pequenos.
Escolhemos "Pato, Pato, Ganso", e fiz a Natalie ser a responsável por chamar o "pato, pato, ganso" apenas por hoje.
Ela ficou nas nuvens quando me tocou e disse "Ganso", para que eu pudesse persegui-la, fazendo com que todas as crianças quisessem ser o pegador.
“Ok, tudo bem, todos podem ser o pegador até a hora da saída”, digo, e eles gritam, mas Diane faz um sinal de silêncio para eles imediatamente.
Brincamos até a mãe do Jeffrey chegar para buscá-lo. Ele estava dormindo e ela me agradeceu muito.
“Por favor, me conta o seu segredo, porque é um inferno quando ele acorda.”
Eu rio. “Ok, está bem. Limpe a orelha dele com um cotonete antes dele dormir à noite. Faça com delicadeza, como se estivesse massageando o interior da orelha.”
Ela ficou estática. “Simples, mas ok, como você sabe que funciona? Você tem filhos?” Balancei a cabeça negativamente.
“Não, apenas sobrinhos. Como eu disse, meu sobrinho adorava quando eu limpava a orelha dele. Normalmente eles odeiam, mas você só precisa pegá-los como um ratinho.”
Eu suspiro, e ela faz um som de concordância. “Ok, estou indo. Diga à Diane que mandei um oi.” Ela sai, coloca o filho na cadeirinha e vai embora de carro.
À medida que os minutos finais do dia passam, começo a organizar a área de recreação. As crianças estão ficando mais calmas; mais três já foram buscadas.
Diane se aproximou de mim, sorrindo. “Você foi ótima hoje, Jamie. Eu sabia que levaria jeito.”
Olho para ela, sorrindo de volta, um pouco cansada. “Obrigada, Diane. Deu trabalho, mas adorei.”
Diane concorda. “Sempre dá, mas vale a pena. As crianças já te adoram.”
Nesse momento, vi uma figura familiar passar pela porta. Era Mateo Ramirez, ali para buscar sua filha, Natalie.
Ele era exatamente como minha irmã descreveu: um cara alto e bonito que parecia um Leonardo DiCaprio hispânico, com um pouco de barriga. Sem falar nos cabelos castanhos volumosos e no bigode. Senti um frio na barriga.
Ele olhou em volta e nos viu. “Olá, vim buscar a Natalie.”
Sorri calorosamente ao me aproximar, sentindo um nervosismo. “Oi, Sr. Ramirez. Sou a Jamie, irmã mais nova da Diane. Natalie se comportou muito bem hoje.”
Ele sorri de volta, com o olhar suavizando ao ver a filha. “Prazer em conhecê-la, Jamie. Obrigado por cuidar tão bem dela.”
Natalie corre animada até o pai, segurando sua boneca. “Papai! A Srta. Jamie fez a gente brincar de Pato, Pato, Ganso!”
Mateo se ajoelhou para abraçá-la, rindo baixinho. “É mesmo? Parece ter sido divertido.”
Quando ele olhou para mim, comecei a me sentir estranha. “Foi um prazer. É uma alegria tê-la por aqui.”
Mateo franziu a testa. “Então, ela não se comportou mal... nem um pouco?”
Sorrindo, assegurei-lhe: “Ela foi maravilhosa. Estou exausta agora, porque você sabe como as crianças fazem bagunça, mas fora isso, sua filha foi um anjo.”
Ele sorria orgulhoso. “Ela puxou a mãe. Ainda estou aprendendo a lidar com tudo isso sozinho.”
Depois de ouvir que ele é pai solteiro, eu o encorajei. “Você está indo muito bem, Mateo. É evidente o quanto você se importa com ela.”
Ele fez uma pausa, olhando-me com um interesse genuíno. “Obrigado, Jamie. Isso significa muito.”
Houve um momento de silêncio confortável entre nós antes que ele falasse novamente.
Ele me examina com curiosidade. “Então, sua irmã me disse mais cedo que você morava em Cleveland. O que te trouxe para a Califórnia? Foi apenas para ajudar na creche?”
Concordo: “Sim, mudei-me de Cleveland para apoiar minha irmã e seguir meu sonho de trabalhar com crianças. É algo que sempre amei.”
Mateo sorriu calorosamente. “Isso é admirável. Não é fácil fazer uma mudança tão grande.”
Dei de ombros levemente. “Vale a pena quando você faz algo que ama.”
Mateo levantou-se, dando-me um olhar demorado enquanto sua estatura me envolvia. Eu nem tinha percebido o quão alto ele realmente era até agora. “Bem, nos vemos amanhã, então. Tenha uma boa noite.”
Continuei sorrindo, com o coração disparado, porque a diferença de altura estava me deixando levemente nervosa. “Você também, Sr. Ramirez.”
Enquanto Mateo e Natalie saíam, Diane caminhou até mim com um sorriso malicioso no rosto.
Diane me cutucou, provocando. “Então, o que achou do ‘Leonardo DiCaprio hispânico e gordinho’?”
Rindo e um pouco sem jeito, escondo o rosto. “Você não estava brincando. Ele é um espetáculo.”
Diane deu um tapinha no meu ombro. “Leve um dia de cada vez. Você está indo muito bem.”
“Ele parece legal. E ama a filha.” Suspiro enquanto ele vai embora.
Diane sorriu. “Acho que ele pode estar interessado em algo além da creche.”
Ri baixinho. “Veremos, Diane. Veremos.”