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Leiloada ao Bilionário

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Resumo

Santana Miller passou a vida inteira apenas sobrevivendo. Sem família. Sem rede de segurança. Sem dinheiro. Sem um lar que durasse tempo suficiente para parecer seu. Por isso, quando ela sobe ao palco do leilão no The Night Lovers Club, não está procurando amor. Ela está procurando uma noite em que possa escolher a fantasia, as regras e o homem poderoso o suficiente para fazê-la esquecer tudo do que está fugindo. Trent Harrison não acredita em amor. Ele é o dono do clube. Ele controla o ambiente. Ele entende de desejo, mulheres, prazer e poder. Mas, quando Santana entra em seu palco vestida de esmeralda e fogo, cada regra que ele sempre seguiu começa a ruir. Ele compra uma hora. Ela se certifica de que ele entenda que não a comprou. O que começa como uma fantasia perigosa se transforma em confissões tarde da noite, promessas obscenas e um amor que nenhum dos dois sabe como sobreviver. Mas Santana esconde um segredo que pode destruir o futuro que Trent está apenas começando a desejar. E quando a verdade finalmente vier à tona, dinheiro, controle e poder não serão suficientes para salvá-la. Trent um dia pensou que o amor fosse a única coisa de que ele não precisava. Então Santana o ensinou que o "para sempre" não é algo que se possui. É algo que se escolhe.

Status
Completo
Capítulos
51
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 — Trent

Acordei com uma ressaca de matar, cinco mulheres na minha cama e uma boca no meu pau.

Pois é.

Os quarenta estavam indo muito bem.

Por alguns segundos, não abri os olhos. Fiquei exatamente onde estava, de costas, um braço jogado sobre a cabeça, os lençóis enrolados nos quadris e meu pulso martelando como se alguém tivesse contratado uma equipe de obra para reformar o interior do meu crânio.

Lábios quentes se moviam sobre mim.

Uma mão macia deslizou pela minha coxa.

Alguém deu uma risadinha perto do meu ombro esquerdo.

Outra mulher se mexeu ao meu lado, pele nua deslizando sobre pele nua, e o perfume de sexo, uísque, baunilha e um arrependimento caro preenchia o meu quarto.

Jesus Cristo.

Meu quarto.

Só isso já deveria ter me deixado sóbrio na hora.

Eu nunca deixo mulheres passarem a noite.

Essa era uma das minhas regras. Eu organizava o transporte e me certificava de que todas chegassem em casa em segurança.

Prazer, sim.

Confusão, não.

Intimidade na manhã seguinte? Porra nenhuma.

E ainda assim, lá estava eu, na minha própria cama, com corpos por toda parte e a boca de uma mulher me trabalhando como se ela tivesse acordado com uma missão.

Meu pau estava extremamente interessado.

Meu cérebro não.

Fragmentos da noite anterior surgiam, quebrados e vívidos. Meu aniversário de quarenta anos. O Lucky’s lotado. Aaron sorrindo como o diabo enquanto pedia doses. Callum me chamando de velho bastardo. Rory rindo com sua bebida. Mulheres. Música. Uísque. Angela em um vestido preto, sorrindo como se soubesse exatamente há quanto tempo eu esperava para finalmente tê-la sob mim.

Angela. A boca dela contra meu ouvido e unhas em meu peito.

Soltei um fôlego pesado, e a boca no meu pau me levou mais fundo.

Meus quadris deram um solavanco.

“Porra”, murmurei.

Alguém riu baixinho. “Ainda mandão de manhã, hein.”

Meus olhos se abriram num salto.

A voz não pertencia a Angela.

O mundo ficou nítido em um segundo violento.

Meu quarto estava destruído. Travesseiros no chão. Um sutiã pendurado na luminária. Minha gravata enrolada no pé da cama. Um salto alto preto perto da porta do banheiro. Lençóis emaranhados em pernas nuas e quadris nus. Angela dormia meio de bruços perto da beira do colchão. Uma loira que eu vagamente me lembrava da sala privativa estava encolhida perto do meu lado esquerdo. Outra mulher com unhas vermelhas estava jogada no pé da cama. Mais dois corpos se mexiam sob os lençóis pretos.

E entre as minhas coxas, cabelos escuros se espalhavam sobre minha barriga.

Não.

A mulher levantou a cabeça.

Olhos verdes. Maquiagem borrada. Lábios inchados.

Lilah McKnight.

Irmã de Eloise. Cunhada de Callum.

Família.

Muito nua.

Lambendo os lábios enquanto meu pau ainda descansava na mão dela.

Eu me sentei tão rápido que minha cabeça quase explodiu.

“Porra.”

Lilah piscou, assustada, seus dedos relaxando imediatamente. “Nossa. Bom dia para você também.”

Puxei o lençol para me cobrir como se a dignidade tivesse decidido voltar ao quarto doze horas atrasada. Meu coração batia mais forte do que a dor de cabeça agora.

“Que porra você está fazendo?”

Assim que as palavras saíram, vi o rosto dela mudar.

Magoo, primeiro.

Depois, raiva.

E então, aquela elevação orgulhosa do queixo que parecia muito com a de Eloise quando alguém a irritava.

“Você me convidou”, ela disse.

Meu estômago afundou.

Ao nosso redor, as outras mulheres começaram a se mexer. Angela levantou a cabeça do travesseiro, cabelo bagunçado, boca curvada com um divertimento preguiçoso.

“Pânico do aniversariante?”, ela murmurou.

“Todo mundo de pé”, eu disse, com a voz rouca.

A loira gemeu. “Já?”

“Sim. Agora. De pé.”

Angela rolou para as costas e se espreguiçou como uma gata satisfeita. “Não foi assim que você falou ontem à noite.”

“A noite passada está sob revisão.”

Unhas Vermelhas riu do pé da cama. “Ele é fofo quando está horrorizado.”

“Eu não estou horrorizado”, disparei.

Lilah arqueou uma sobrancelha.

Olhei para ela e imediatamente me arrependi da mentira.

Todas naquela sala sabiam exatamente em que tipo de desastre de aniversário estavam entrando. A noite passada não foi um erro porque os corpos queriam o que queriam.

Foi um erro porque eu deixei o meu levar uma pessoa da família para a cama.

Balancei as pernas para fora da cama, mantendo o lençol sobre o meu colo, porque aparentemente meu pau não recebeu o memorando da crise moral e ainda estava meio duro.

Traidor.

“As roupas estão onde quer que as tenhamos jogado”, eu disse, esfregando o rosto com a mão. “Tem café na cozinha, se precisarem. Meu motorista pode levar todas para casa.”

Angela sentou-se, despreocupada, o lençol escorregando até a cintura. “Isso significa que não vou ganhar café da manhã de aniversário?”

“Você ganhou sobremesa de aniversário.”

Ela sorriu. “Várias vezes.”

Uma das mulheres riu. Outra xingou baixinho enquanto procurava roupas íntimas debaixo da cama. O quarto se transformou em uma lenta caça ao tesouro pós-festa, com todas nuas, enquanto eu ficava ali desejando que meu crânio se partisse e me poupasse do resto da manhã.

Lilah não se moveu.

Ela permaneceu ajoelhada na cama, envolta apenas em cabelos emaranhados, uma mão descansando no lençol, observando-me como se eu tivesse me tornado alguém que ela não reconhecia.

Isso era justo.

Eu também não me reconhecia.

Eu era o dono do The Night Lovers Club. Eu construí um império baseado no prazer com regras.

Eu vivia seguindo limites e fazia com que os outros respeitassem esses limites.

E, de alguma forma, no meu aniversário de quarenta anos, eu tinha acordado com a boca de Lilah McKnight em mim e não fazia a menor ideia de como explicar isso ao meu irmão sem que houvesse sangue.

As mulheres saíram uma a uma, rindo, provocando, beijando bochechas, pegando sapatos e telefones na bandeja trancada na minha entrada, porque mesmo na minha própria cobertura eu não brincava com privacidade. Angela demorou o suficiente para beijar meu maxilar.

“Feliz aniversário, Trent”, ela sussurrou.

Uma risada rouca escapou de mim. “Vá embora antes que eu tenha mais consequências.”

Ela piscou e saiu.

A porta do quarto se fechou com um clique e então éramos apenas eu e Lilah.

O silêncio era pior do que a dor de cabeça.

Ela desceu da cama, pegou um lençol e se enrolou nele. “Você parece que vai vomitar.”

“Pode ser.”

“Por minha causa?”

Levantei-me, encontrei minhas cuecas no chão e as vesti de costas. Eu só precisava de três segundos em que o rosto dela não estivesse ali me lembrando do que eu tinha feito.

“Não”, eu disse. “Não por sua causa.”

“Poderia ter me enganado.”

Eu me virei.

Ela estava perto da cadeira onde seu vestido estava pendurado, o lençol apertado contra o corpo, o rímel borrado sob os olhos. Linda. Ferida. Irritada.

Porra.

“Lilah.”

“Não.” A voz dela estalou como um chicote. “Não diga meu nome como se eu tivesse entrado aqui e violado seu precioso santuário de solteirão. Você me beijou primeiro e disse que, se eu achasse que conseguia acompanhar, deveria provar.” Seus olhos brilharam. “Eu provei.”

A memória preencheu as lacunas agora que o pânico tinha parado de arrombar as portas da minha cabeça.

Lilah fora do Lucky’s com seus amigos. Eu rindo, meio solto pelo uísque, mas não bêbado. Ela me provocando por eu ser velho. Eu dizendo que ela não aguentava o meu tipo de festa. Ela chegando perto, olhos brilhantes, boca maliciosa, e dizendo: “Tente-me”.

O carro.

O elevador.

Ela me beijando como se estivesse pensando nisso há mais tempo do que qualquer um de nós queria admitir.

O quarto. A risada.

Mãos.

Bocas.

Lilah de joelhos, depois embaixo de mim, depois ao meu lado, olhando para mim no escuro como se aquilo significasse algo mais perigoso para ela do que era permitido significar.

Passei as duas mãos pelo cabelo. — Eu sei.

— Sabe mesmo?

— Sim. — Soltei o ar com força. — Eu sei que você escolheu estar aqui. Eu sei que eu também escolhi. Eu sei que ninguém forçou nada. Não é isso que estou dizendo.

— Então o que você está dizendo?

— Estou dizendo que prometi a Callum e Eloise que manteria minhas mãos longe de você.

A boca dela se contraiu. — Eu prometi a Eloise que manteria as minhas longe de você.

— Bem. — Olhei para a cama. — Nós dois somos uma merda para cumprir promessas.

Um sorriso minúsculo e relutante surgiu no canto da boca dela.

Então desapareceu.

— Você se arrepende? — perguntou ela.

Essa pergunta teria sido fácil de responder meses atrás.

Olhei para a cama. Os destroços. A prova da vida que todos esperavam de mim. Barulho. Sexo. Sem apego. Sem amarras. Sem sentimentos que não pudessem ser lavados da pele ao meio-dia.

— Não — eu disse.

Lilah ficou imóvel.

Olhei de volta para ela. — Eu me arrependo de ter bebido tanto. Me arrependo de ter deixado a festa acabar aqui. Me arrependo de ter acordado e feito você se sentir como se fosse o problema. — Minha voz ficou áspera. — Eu não me arrependo de ter desejado você.

Os olhos dela brilharam.

Dei um passo à frente, mas não a toquei. — É por isso que isso tem que acabar aqui.

Ela riu, amargurada. — Porque você me desejou?

— Porque você não é apenas alguém de uma festa de aniversário. Você é irmã da Eloise. Você faz parte do nosso círculo agora, gostemos ou não do quanto isso complica as coisas.

— Eu não sou uma criança.

— Eu sei disso.

— Então pare de agir como se eu precisasse de uma autorização da minha irmã para tomar decisões ruins.

— Não estou preocupado com sua permissão. — Meu maxilar travou. — Estou preocupado com as consequências. Eloise ama você. Callum ama Eloise. Eu amo meu irmão. E não vou transformar todo jantar em família em uma porra de cena de crime só porque não consegui manter meu pau longe de um lugar onde ele não tinha nada que estar.

A expressão dela suavizou, depois endureceu novamente. — Talvez eu quisesse que ele estivesse lá.

Meu pau se contraiu porque o universo me odiava.

Por um momento, nenhum de nós se moveu.

— Tudo bem. — Ela soltou o lençol e pegou seu vestido.

Virei-me para lhe dar privacidade.

O tecido farfalhou. Um zíper deslizou. O silêncio parecia pesado o suficiente para machucar.

Quando olhei para trás, ela já estava vestida.

— Por favor, não conte detalhes para a Eloise — disse ela.

— Não vou.

— Nem para o Callum.

Lançei um olhar para ela.

Ela suspirou. — Está bem. Ele provavelmente já sabe.

— Callum tem um sexto sentido para as minhas escolhas ruins.

— Ele apita?

— Geralmente ele arromba minha porta com uma criança a tiracolo.

Isso arrancou a menor das risadas dela.

Ela caminhou até mim, ficou na ponta dos pés e beijou meu rosto. Suave. — Feliz aniversário, encrenca — ela sussurrou.

Eu gemi. — Isso foi cruel.

— Você vai sobreviver.

Ela se afastou, estudando-me com uma expressão que eu não sabia como suportar. — Você não é tão insensível quanto todos pensam.

Abri a boca, mas nada saiu.

Lilah me deu um sorrisinho triste e foi embora.

A porta fechou com um clique.

Minha cobertura ficou silenciosa.

Pela primeira vez depois de uma festa de aniversário que deveria ter me deixado convencido, satisfeito e orgulhoso da minha estamina, fiquei em meu quarto cercado por provas de excesso e me senti absolutamente, porra, vazio.

O tipo de vazio que nenhuma quantidade de sexo poderia preencher, porque sexo nunca foi o problema. Eu amava sexo. Amava mulheres. Amava o prazer, a pele, bocas, mãos, fantasia, performance, rendição, dominância, o momento em que alguém se soltava porque eu tornava o mundo seguro o suficiente para que fizessem isso.

Mas isso?

Isso não era prazer. Isso era barulho.

A festa depois da festa depois da festa. E, de alguma forma, aos quarenta anos, o silêncio que vinha depois tinha se tornado mais alto que a música.

Tomei banho até minha pele ficar vermelha. Escovei os dentes duas vezes. Coloquei calça de moletom. Fiz café forte o suficiente para reanimar os mortos. Então fiquei na minha cozinha olhando para o Lago Michigan como se a água tivesse as respostas.

Não tinha.

Quarenta anos.

Rico. Livre. Desejado. Sem ser tocado por compromissos. Sem o peso de esposa, filhos, horários, peças de teatro da escola, calendários familiares, rotinas de sono ou a lenta sufocação doméstica com a qual brinquei por anos.

Eu tinha tudo o que dizia querer.

Então, por que diabos eu continuava imaginando Callum entrando no brunch de família com Everett no colo, enquanto Eloise revirava os olhos como se estivesse irritada e apaixonada ao mesmo tempo?

Por que eu continuava vendo a mão de Rory nas costas de Isabelle?

Aaron olhando para Sloane como se ela tivesse transformado cada ferida dele em algo que valia a pena superar?

Por que todo o caos deles de repente parecia menos uma armadilha e mais uma porta que eu andava fingindo não notar?

Levantei meu café e a porta da frente se abriu.

— Vou trocar as fechaduras — avisei.

— Você diz isso toda vez que eu entro — respondeu Callum do saguão.

Um gritinho minúsculo se seguiu.

Depois, o toque-toque-toque de pezinhos contra o mármore.

Everett dobrou a esquina, com o cabelo escuro todo espetado.

— Tio! — ele gritou.

Meu peito fez algo estúpido.

Coloquei meu café de lado e o peguei no colo antes que ele pudesse destruir a tigela decorativa na minha mesa. — Minha ameaça grudenta favorita.

Everett agarrou meu cavanhaque imediatamente.

Eu estremeci. — Por que crianças são sempre grudentas?

Callum entrou carregando uma bolsa de fraldas e com a expressão de um homem que não tinha vindo visitar, mas investigar. — Porque elas são honestas sobre serem desastres. Adultos escondem isso sob lençóis caros e decisões piores.

Lancei um olhar fulminante para ele por cima da cabeça de Everett. — Sutil.

— Não tentei ser.

Everett bateu as duas mãos nas minhas bochechas e balbuciou algo que soou crítico.

— Viu? — disse Callum. — Até ele sabe.

Beijei a testa de Everett porque era impossível não amá-lo, mesmo enquanto ele agredia meus pelos faciais. Ele cheirava a xampu de bebê, biscoitos e algo doce.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei.

— Verificando meu irmão idoso depois do aniversário dele.

— Tenho quarenta anos, não sou uma peça de museu.

— Você parecia acabado pelo olho mágico.

— Você olhou pelo meu olho mágico?

— Não. Menti. Mas você realmente parece acabado.

Ajeitei Everett no quadril e fui para a cozinha, porque o olhar de Callum estava ficando afiado demais. — Café?

— Não. Eu trouxe uma criança para a cena de crime pós-orgia da sua casa. Preciso das duas mãos e de uma mente clara.

— Não foi uma orgia.

Callum olhou em volta da cobertura.

Um salto alto preto ainda estava perto do corredor. Minha gravata permanecia no abajur. Um sutiã de renda tinha, de alguma forma, parado no encosto do sofá.

Callum ergueu uma sobrancelha.

Suspirei. — Tudo bem. Foi algo parecido.

Everett apontou para o sutiã. — Chapéu?

— Não — Callum e eu dissemos ao mesmo tempo.

Everett riu.

Callum colocou a bolsa de fraldas no chão e se encostou no balcão. — Eloise viu a Lilah entrar no seu carro ontem à noite.

Olhei para baixo, para Everett, que tinha começado a bater no meu peito como se estivesse verificando a integridade estrutural. — Eu imaginei.

— Ela está chateada.

— Eu imaginei isso também.

— Ela não está chateada apenas com você. Lilah fez a própria escolha. Eloise sabe disso. — A voz dele endureceu ligeiramente. — Mas você prometeu.

“Eu sei o que prometi.”

Meu temperamento explodiu. Rápido. Defensivo. Inútil.

Everett encostou a cabeça no meu ombro e, assim, a faísca perdeu o oxigênio.

Engoli em seco e desviei o olhar. “Eu fiz merda.”

A expressão de Callum mudou.

“Você a machucou?”, perguntou ele.

“Eu nunca machucaria a Lilah.”

O fato de ele dizer isso sem hesitar quase tornou tudo pior.

“Eu entrei em pânico esta manhã”, admiti. “Fiz ela sentir que eu me arrependia de tê-la levado para a cama.”

“E você se arrepende?”

“Não.” Encarei seus olhos. “Eu me arrependo da situação. Me arrependo de ter quebrado minha palavra. E me arrependo de deixar o caos do aniversário se transformar em um problema familiar, mas não me arrependo de tê-la desejado.”

Callum assentiu lentamente.

“Ela e eu concordamos que isso não vai acontecer de novo, para que Eloise mantenha as tesouras de cozinha longe do meu pau.”

Callum não sorriu. “É isso que você quer?”

“O que eu quero é irrelevante.”

“Essa é nova.”

Eu lhe lancei um olhar vazio.

Ele cruzou os braços. “Você tem estado estranho ultimamente.”

“Fiz quarenta anos ontem.”

“Você já estava estranho antes disso.”

“Talvez a sua cara seja estranha e eu esteja reagindo de forma apropriada.”

“Desvio de assunto.”

“Abuso fraternal.”

“Trent.”

Coloquei Everett no chão, perto da cesta de brinquedos que eu mantinha no canto para as visitas.

“O que está acontecendo com você?”, perguntou Callum.

“Nada.”

“Isso é mentira.”

“Estou de ressaca.”

“Ainda não é a resposta.”

Olhei pela janela. O lago brilhava sob a luz da manhã.

“Acordei esta manhã”, disse lentamente, porque, aparentemente, a ressaca tinha danificado a parte do meu cérebro responsável por calar a porra da boca, “e antes de perceber quem estava na minha cama, gostei que alguém ainda estivesse lá.”

Callum não disse nada.

“Gostei de não acordar sozinho.” Ri baixo. Pareceu errado. “Patético, né?”

“Não.”

“Falou como um homem casado.”

“Falou como seu irmão.”

Olhei para Everett. Ele tinha abandonado o dinossauro e agora tentava encaixar um bloco no meu sapato.

“Às vezes eu observo vocês”, eu disse.

Callum ficou muito imóvel.

“Não de um jeito bizarro. Não se sinta lisonjeado.” Esfreguei a mão no maxilar. “Você e Eloise. Everett. Rory e Isabelle. Aaron e Sloane. Todos vocês costumavam ser uma bagunça de um jeito único e exaustivo, e agora têm famílias.”

“Nós já tínhamos pessoas antes.”

“Não desse jeito.”

Callum suavizou a expressão.

“Eu digo a mim mesmo o tempo todo que não quero isso”, continuei. “Casamento. Filhos. Toda aquela armadilha doméstica.”

“Você tem certeza disso?”

Eu sorri.

“Eu não sei mais.”

Everett voltou andando e levantou os braços.

Peguei-o no colo sem pensar. Ele encostou a mãozinha grudenta no meu pescoço e descansou a cabeça no meu ombro novamente.

Algo no meu peito apertou.

Callum observou meu rosto e, porque é um bastardo irritante que me conhecia bem demais, viu algo a mais.

“Você quer isso”, disse ele.

Olhei para ele bruscamente. “Nem ouse ir por esse caminho.”

“Você quer.”

“Eu disse para não ir.”

Ele levantou as duas mãos. “Tudo bem.”

Mas o rosto dele dizia que não estava tudo bem.

O rosto dele dizia que ele tinha acabado de aprender algo que contaria para Eloise mais tarde, fingindo que não estava fazendo fofoca.

“Não vou contar para ninguém”, disse ele.

“É melhor não.”

“Eloise vai saber até o almoço.”

“Callum.”

“Ela me lê como um livro infantil.”

“Desenvolva um mistério.”

“Eu me casei com uma mulher inteligente.”

“Claramente um erro.”

Ele sorriu. “Você tem permissão para querer uma família, Trent.”

Ajeitei Everett no meu quadril e desviei o olhar. “Todos ririam.”

“Não, eles não ririam.”

“Sim, eles ririam.”

“Ok, o Aaron riria.”

Soltei uma risada soprada.

“E o Rory sorriria como um idiota. Eloise choraria. Isabelle começaria a planejar algo. Sloane diria algo gentil que deixaria todos nós desconfortáveis. Eu zombaria de você uma vez e depois ajudaria você a descobrir o que diabos está fazendo.”

“Péssimo argumento de venda.”

“Um argumento honesto.”

Everett deu um tapinha na minha bochecha de novo. “Tio.”

Meu peito apertou.

“Sim, amigão”, sussurrei. “Eu estou aqui.”

A voz de Callum suavizou. “Talvez esse seja o ponto.”

Olhei para ele.

Ele fez um sinal para Everett. “Você sempre esteve aqui. Por mim. Por Aaron. Por todos. Talvez querer alguém por perto por você não te faça fraco.”

Engoli em seco.

Do lado de fora da janela, Chicago se movia como qualquer outra manhã. Pessoas indo para lugares. Começando os dias. Vivendo vidas.

Dentro da minha cobertura, eu estava meio de ressaca, emocionalmente emboscado, segurando meu sobrinho enquanto os destroços do meu aniversário de quarenta anos ainda permaneciam nos cantos da sala.

Algo tinha mudado.

Eu sentia isso agora.

Uma rachadura na velha história que eu contava sobre mim mesmo.

O solteiro eterno.

O rei dos clubes de sexo.

O homem que consertava a vida amorosa de todo mundo e ia para casa sozinho porque ser sozinho era simples. Exceto que o simples começou a parecer muito com vazio.

Callum pegou a bolsa de fraldas. “Devo levá-lo de volta antes que Eloise assuma que deixei você ensinar palavras inapropriadas a ele.”

“Eu nunca faria isso.”

“Você com certeza faria.”

Everett acenou o dinossauro para mim. “Tchau!”

Beijei a testa dele. “Tchau, ameaça grudenta.”

Callum o pegou, então parou perto da porta. “Trent?”

“O quê?”

O olhar dele prendeu o meu. “Não finja que esta manhã não significou nada, se significou.”

Olhei ao redor da cobertura. Os lençóis. As roupas. As evidências.

Depois, a cesta de brinquedos no canto.

A dor no meu peito.

O desejo com o qual eu não tinha ideia do que fazer.

“Significou algo”, eu disse.

Callum assentiu e então saiu.

A porta se fechou atrás dele.

Fiquei sozinho no silêncio, cercado por dinheiro, sexo, arrependimento e um dinossauro de brinquedo que Everett tinha deixado caído de cabeça para baixo no meu chão de mármore.

Eu o peguei.

Por algum motivo, aquele pequeno dinossauro ridículo apertou minha garganta.

Quarenta anos. Bilionário. Dono de clube. Solteiro eterno. E pela primeira vez na minha vida, olhei para o silêncio da minha cobertura e me perguntei como seria se estivesse cheio.

Uma esposa rindo na cozinha. Uma criança gritando no corredor. Os sapatos de alguém perto da porta porque planejavam ficar.

O pensamento era aterrorizante e impossível.

O pensamento faria com que eu fosse zombado até o túmulo por cada pessoa que me amasse.

Eu ainda queria isso.

E esse era o verdadeiro desastre esperando por mim após meu quadragésimo aniversário.

Não Lilah, as mulheres ou a ressaca.

Nem mesmo o boquete que quase me deu um ataque cardíaco.

O desastre era que eu tinha finalmente admitido a verdade para mim mesmo.

Eu não queria outra noite.

Eu queria alguém que ficasse.


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It was long overdue, thanks Jen🙏💗

9 dias

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