Chapter 1
Marsai:
Hoje parecia que seria o melhor dia da minha vida. Eu simplesmente sabia. Finalmente, eu fiz 18 anos — a idade em que eu encontraria meu lobo.
— Preparem-se, pessoal! Estamos prestes a começar!
Ouvi alguém gritar animado, o que me fez paralisar logo quando cheguei à entrada do grande salão.
Olhei lentamente pela janela e meu coração afundou com a cena diante de mim. O salão estava de tirar o fôlego. Estava elegantemente decorado e cheio de estudantes aglomerados em torno de pilhas enormes de presentes. Risadas e euforia preenchiam o ar, mas, infelizmente, nada daquilo era para mim.
— Sai da frente, sua esquisita! Garotas como você não fazem aniversário — zombou uma garota loira enquanto me empurrava, seu ombro batendo no meu com força suficiente para me fazer cambalear.
É claro. O que eu estava esperando mesmo? Depois de todos esses anos, ninguém nunca celebrou meu dia, e este ano não seria diferente.
A amargura a qual eu já estava acostumada subiu pela minha garganta, mas eu a engoli, apertando minha bolsa com mais força. Passei apressada pela multidão e segui em direção ao meu armário.
Hoje era para ser diferente. Era o dia que todos na Starlight Academy esperavam há meses. Esta noite, sob o brilho da lua cheia, aqueles de nós que tinham acabado de fazer 18 anos finalmente encontrariam seus companheiros.
Não era apenas mais um dia; era um momento que mudaria a vida. O fato de meu aniversário coincidir com essa ocasião monumental o tornava ainda mais especial. Pela primeira vez, permiti-me acreditar que algo bom pudesse realmente acontecer comigo.
Mas, logo quando esse pingo de esperança surgiu dentro de mim, ele foi apagado por uma voz fria e zombeteira.
"Quem iria querer ser companheiro de alguém tão sem classe, inútil e amaldiçoado como ela?"
Eu congelei. Não precisei me virar para saber quem era, mas o fiz mesmo assim, temendo o que veria.
— Exatamente — acrescentou Zoe, seus olhos me examinando com um nojo que fez meu estômago embrulhar.
"Ela é patética o suficiente para achar que algum lobo iria querê-la."
Aya e Zoe eram minhas irmãs. Elas estavam no centro da sala, sorrindo como se tivessem acabado de dizer a coisa mais engraçada do mundo. Suas amigas, sempre rápidas em segui-las, riram junto com elas.
Senti lágrimas arderem nos cantos dos meus olhos enquanto meu olhar caía para o chão, desejando que a terra me engolisse inteira.
De repente, um grito agudo quebrou o momento. "Oh... meu... Deus! Olhem para eles! Eles são gostosos demais!"
Achei aquilo estranho. A sala começou a zumbir com sussurros animados e murmúrios abafados. A curiosidade falou mais alto e me atrevi a levantar a cabeça apenas o suficiente para ver o que causava toda aquela agitação.
Meu coração afundou no momento em que os vi. Os trigêmeos Alpha: Ethan, Miles e Navian. Cada passo que eles davam pelo salão enviava ondas de admiração pela multidão.
Ao meu redor, as garotas praticamente se jogavam neles, rindo e olhando como se fossem deuses entre mortais.
Mas para mim? Eles não passavam de um pesadelo. Eu os odiava tanto quanto odiava cada pessoa que fez de sua missão transformar minha vida em um inferno.
Meus olhos se estreitaram enquanto eu observava Aya correr em direção a Ethan, dando-lhe um beijo na bochecha.
Ethan tinha 1,83m, assim como seus irmãos. Com seu cabelo preto como a noite e olhos azuis oceano marcantes, ele era o tipo de cara que deixava as garotas de pernas bambas apenas com um olhar.
Mas, desde que Aya se tornou sua namorada, ela garantia que nenhuma outra garota ousasse chegar perto.
Lutei contra a vontade de revirar os olhos enquanto Aya ria como uma adolescente apaixonada, tirando um presente perfeitamente embrulhado de sua bolsa e entregando a ele.
Pensei brevemente se era algum tipo de presente pré-acasalamento. Mas, exatamente quando esse pensamento cruzou minha mente, perdi o fôlego.
Ela tirou um segundo presente, seu sorriso radiante me fazendo sentir ainda pior.
— Feliz aniversário, amor! — ela cantarolou.
Aniversário? Espera... O aniversário dele? Como eu não tinha percebido?
Uma onda de raiva se contorceu na boca do meu estômago. De todas as pessoas para dividir o aniversário, por que tinha que ser aqueles três?
— Oh, Aya, você é tão querida! Eu te amo! — Ethan sorriu como um bobo antes de puxá-la para um beijo. Seus lábios se tocaram e o salão explodiu em vivas e gritos. Aquela cena me deu arrepios.
Depois havia Navian, o segundo trigêmeo e o conquistador supremo. Diferente dos olhos azuis penetrantes de Ethan, os olhos cor de avelã de Navian brilhavam com calor e malícia, atraindo as pessoas com um charme natural.
As garotas se aglomeravam ao redor dele como mariposas em uma chama e, honestamente, quem poderia culpá-las? Ele era um Alpha, afinal.
Como se fosse um sinal, três garotas correram até ele, cada uma entregando um presente. Ele deu um sorriso presunçoso. Seu olhar então vagou preguiçosamente pela sala enquanto mais garotas clamavam por sua atenção, segurando seus presentes no alto na esperança de serem notadas.
— Oh, vejam quem temos aqui... — a voz de Navian perfurou meus ouvidos de repente, seu olhar travando em mim como um predador observando sua próxima presa.
O salão de repente pareceu pequeno e sufocante. Por mais que eu não pudesse negar sua atratividade, isso não mudava o fato de que eu o odiava com cada fibra do meu ser.
Ele se aproximou com um gingado, fazendo meu coração disparar. — Ora, ora, se não é a esquisita omega!
— O que você quer, Navian? — perguntei, preparando-me para a humilhação que certamente viria. Desde que minhas irmãs começaram a namorar os irmãos Alpha, elas faziam de tudo para me provocar em qualquer oportunidade.
Um sorriso presunçoso dançou nos lábios de Navian enquanto ele arqueava uma sobrancelha. — Eu sei que você é apenas uma pobre esquisita que nem consegue pagar um presente, mas não seria legal se você pelo menos desejasse um feliz aniversário aos seus príncipes Alpha?
O calor subiu pelo meu pescoço com suas palavras, o constrangimento inundando minhas bochechas.
Trinquei os dentes, forçando-me a encontrar seu olhar. — Não tenho nada para dizer a você, Navian. Não é como se... você merecesse algo bom. — As palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las, e meu coração disparou quando me virei para fugir.
Mas, antes que eu pudesse escapar, ele agarrou meu pulso com um aperto que parecia quase possessivo.
Poderia jurar que senti uma onda de energia percorrer meu corpo com seu toque, mas ela desapareceu no instante em que ele me puxou de volta para onde estava.
— O que você disse? — Sua voz baixou para um rosnado baixo e ameaçador. — Vamos lá, Marsai, não seja tímida — diga de novo!
Eu podia sentir o olhar de cada estudante no salão perfurando-me enquanto lutava contra seu aperto. A dor percorreu meu pulso, mas ela empalidecia em comparação com a humilhação de ser exposta daquela maneira.
— Me solta!
Ele sorriu para mim, um sorriso zombeteiro que me deu arrepios. — Só quando você repetir o que disse, sua ômega imunda!
— T-tudo bem, Navian — murmurei, minha voz falhando a cada palavra. — Eu disse que você não merece nada de bom, ok? Só me deixa em paz! — Com um puxão brusco, finalmente libertei meu braço, meu pulso queimando enquanto eu cambaleava para trás.
Ele riu, e quase imediatamente, uma explosão de gargalhadas surgiu da multidão. Eu não conseguia entender o que havia de tão engraçado na minha humilhação, e aquilo doeu mais do que eu gostaria de admitir.
— O que diabos você acabou de dizer, Marsai? — a voz de Aya ecoou enquanto ela avançava, seus olhos ardendo de desprezo.
Antes que eu pudesse abrir a boca, ela agarrou meu cabelo com tanta força que senti como se meu couro cabeludo fosse arrancar. Arfei, tentando segurar o grito que subia pela garganta.
A dor percorreu meu corpo, mas o que doía mais era a humilhação. Eu odiava ser tão fraca na frente dela, na frente de todos eles.
Pelo canto do olho, vi Ethan se aproximar, com os braços cruzados firmemente sobre o peito, observando-nos. Por um segundo, a esperança brilhou dentro de mim. Era um brilho minúsculo e desesperado de que talvez, apenas talvez, ele impedisse Aya de me machucar.
Mas não.
Em vez disso, seus lábios se curvaram em um sorriso cruel, claramente apreciando o que estava acontecendo.
— Você realmente deveria saber o seu lugar, Marsai — ele disse com desdém. — Você não pode agir assim e esperar sair impune — especialmente não nos nossos aniversários.
Aya puxou meu cabelo ainda mais forte, enviando um choque de dor pelo meu couro cabeludo, e mordi o lábio para impedir o grito que ameaçava escapar.
— Peça desculpas ao Navian e eu deixarei você ir.
Não havia saída. Meu orgulho gritava para eu resistir, mas não tinha outra opção a não ser obedecer.
— Navian, eu...
— Deixe-a ir, Aya. Não está vendo que está machucando ela? — Uma voz baixa e rouca rompeu a tensão, fazendo com que o aperto de Aya diminuísse ligeiramente. Virei a cabeça lentamente para ver Miles, o terceiro trigêmeo, parado ali com os punhos cerrados.