Ensine-me

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Resumo

Ele tem 19 anos, é um estudante universitário brilhante, porém nerd. Ela tem 39, uma mulher de carreira extremamente determinada — e a melhor amiga de sua falecida mãe. No silêncio de sua própria cozinha, ele a encurralou, sua voz era um pedido sôfrego contra o ouvido dela. “Ensine-me”, ele sussurrou, o calor de suas palavras inflamando algo proibido. “Ensine-me a beijar. A tocar. A fazer uma garota… gritar.” E então ele a beijou. Desesperadamente. Faminto por mais. Ela deveria tê-lo impedido. Deveria ter se afastado. Em vez disso, sua determinação se desfez e ela o puxou para mais perto. Ela retribuiu o beijo.

Gênero
Romance
Autor
Nina J.P
Status
Completo
Capítulos
52
Classificação
5.0 8 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Aviso de conteúdo: Diferença de idade, amante secreto, depressão, desilusão amorosa, breath play.

Capítulo 1 - Lia

Deixe-me começar dizendo isto: sou uma mulher ocupada. Do tipo CTO — meu cargo oficial — em uma missão importante. Mas você já deve saber disso se já me pesquisou no Google ou leu aquela matéria da Forbes sobre as “Mulheres que Dominam a Tecnologia”. Sim, essa sou eu. Lia Hart. Então, quando descobri que meu agora ex-noivo, Leo, decidiu me trair, quase não tive tempo de me sentir insultada. Mas eu senti. E, ah, eu arranjei tempo de sobra para destruir a existência patética dele.

Leo. Suspiro. Aquele idiota. Ele não só traiu; ele traiu com várias mulheres. Bem debaixo do meu nariz. No meu apartamento. Na nossa cama. Que falta de vergonha a desse homem. Na verdade, quase preciso admirar o nível de burrice dele. Quase. Mas não dá para culpar só ele, né? Quer dizer, olhe para mim. Uma mulher obcecada pela carreira, que trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, e que não leva desaforo para casa. O tipo de mulher que os homens dizem "admirar", mas que secretamente ressentem porque não dou prioridade ao ego frágil deles.

Vou te dizer o que o Leo claramente subestimou: meu amor por vingança. Gritar? Chorar? Jogar pratos como alguma dona de casa melodramática de filme? Por favor. Esse não é o meu estilo. Não, eu sou muito mais paciente e calculista. Eu esperei. Mantive a calma, aguardando o momento perfeito para atacar. E quando eu ataquei? Ah, foi glorioso.

Expulsei aquele encostado do apartamento que dividíamos — que, na verdade, era *meu* apartamento, já que era eu quem pagava as contas enquanto ele passava os dias fingindo ser um “empreendedor visionário”. Spoiler: a visão dele era tão embaçada quanto seu caráter. Mas não parei por aí. Fui além. Comprei para mim uma cobertura de três quartos com uma vista para o Empire State Building que deixaria até o nova-iorquino mais blasé de pernas bambas. Uma caminhada rápida até o Central Park, janelas do chão ao teto e uma cozinha tão elegante que parecia ter saído direto de uma revista de design.

E o Leo? Ah, ele não conseguiria pagar aquilo nem no seu melhor dia. Nem perto disso. Mas eu? Eu não só comprei; eu mobiliay, decorei e transformei em um santuário que gritava *poder* e *independência*. Cada móvel, cada detalhe cuidadosamente escolhido, foi um dedo do meio para a traição dele. Quando terminei, fiquei no centro daquela sala imaculada, respirei fundo e me livrei de cada vestígio dele. Marie Kondo teria chorado de orgulho.

E agora? Agora meu espaço é meu, só meu. Minha paz está intacta. Transformei até o terceiro quarto em um escritório. É minha fortaleza pessoal de produtividade, onde domino mercados globais e tomo um latte caro demais. A vida de solteira? É uma vibe.

Mas, logo quando eu estava aproveitando minha serenidade recém-conquistada, o universo decidiu testar minha paciência. Jake. O filho da minha falecida melhor amiga, Jane. Ele vai ficar no meu apartamento por duas semanas enquanto faz um estágio chique em uma das grandes empresas de tecnologia — não na minha, felizmente. Eu preferiria comer vidro a deixar um parente trabalhar sob minhas ordens.

Não me leve a mal, estou feliz pelo Jake. O garoto é afiado — 19 anos, estudante de ciência da computação em uma Ivy League e já fazendo barulho. Quer dizer, claro que ele é. Ele é praticamente meu protegido. Dei a ele seu primeiro laptop quando ele tinha 11 anos e, bum, ele se apaixonou pela programação. Justin, o pai dele, sempre dizia que eu fui a pessoa que inspirou o caminho profissional do Jake. Não querendo me gabar, mas... bi-bi.

Jake é um bom garoto. Não, esquece. Ele é um ótimo garoto. Só não o vejo há três anos, desde que ele foi para a faculdade. Pelo que Justin me conta, ele só tem trabalhado e não se diverte, focado demais nos estudos, o que é ótimo. Admirável, até. Mas isso me faz pensar: quem é o Jake agora?

Então aqui estou eu, ajeitando os travesseiros no quarto de hóspedes e garantindo que tudo esteja impecável. Não porque estou tentando impressioná-lo ou algo do tipo, mas porque administro minha casa como administro minha empresa: com excelência. Jane teria tanto orgulho dele. Caramba, eu tenho orgulho dele. E Justin? Aquele homem merece uma medalha de ouro por criar o Jake sozinho depois que a Jane faleceu.

Eu não tenho esse lado “materno” — deixo isso para os filmes da Hallmark e para as mães do Instagram. Mas o Jake? Ele é da família. E quando sua família precisa de você, você aparece. Mesmo que isso signifique abrir mão da sua solidão temporariamente.

Dito isso, se esse garoto tentar testar meus limites ou deixar um prato sujo na minha pia, vamos ter problemas.

A campainha tocou, bem na hora, assim que eu alisei a última ponta da colcha de hóspedes. O quarto estava perfeito: toalhas brancas impecáveis dobradas na beirada da cama, um par de chinelos posicionado exatamente no lugar certo e uma política rigorosa de não usar sapatos da rua. Meu santuário, minhas regras.

Abri a porta da frente e... puta merda. Meu queixo quase bateu no chão de madeira polida.

Jake. Mas não o Jake. Pelo menos, não o adolescente magricela de quem eu me lembrava. Parado na minha frente estava uma montanha de quase um metro e noventa de músculos definidos e um maxilar de parar o trânsito. Meu cérebro entrou em curto por um segundo, tentando conciliar o Jake que eu conhecia com o Jake que estava ocupando a entrada da minha porta.

“Uau, Jake. Eu... mal te reconheci”, eu disse, dando um passo para o lado para deixá-lo entrar, minha voz conseguindo se manter firme.

“Oi, Lia.” Ele sorriu, mostrando as covinhas, e entrou casualmente. Ele tirou seus tênis brancos impecáveis como um profissional, sabendo da minha regra de não usar sapatos dentro de casa. Um sorriso surgiu nos meus lábios. O garoto prestava atenção.

Então ele tirou o casaco de inverno, revelando ombros largos e uma camiseta azul-marinho justinha, esticada sobre o que eu só poderia descrever como muita coisa. Seus jeans escuros agarravam as pernas que pareciam capazes de esmagar troncos — ou egos. Ele pendurou a jaqueta no gancho como o convidado educado que era e depois se virou para mim com sua mala de mão, parecendo o típico galã de faculdade que provavelmente deixa as garotas na fila.

“Bem-vindo à minha casa! Como você está, grandão?” provoquei, dando um passo à frente para dar um abraço nele. A diferença de altura era engraçada — eu tive que esticar o pescoço e ele teve que se abaixar, mas foi um abraço caloroso e familiar.

“Estou bem. E você, Lia? Quanto tempo.” Sua voz agora tinha uma riqueza, um tom mais profundo e adulto que era... uma distração.

“Eu também não estou nada mal. E é, faz uma eternidade. Mas olha só para você! Todo no estilo marombeiro agora.” Fiz um gesto para ele, com todo aquele um metro e noventa de pura testosterona ocupando metade do meu corredor.

Jake baixou a cabeça, coçando a nuca com aquele mesmo sorriso tímido de anos atrás. “É, bem... não tem muito o que fazer além de estudar e ir à academia.”

Levantei uma sobrancelha, cruzando os braços. “O quê? Sem festas? Sem amigos? Sem garotas?” Mexi as sobrancelhas, e meu tom de provocação arrancou uma gargalhada que ecoou pelo corredor enquanto eu o levava para a sala de estar.

“Ok, está bem. Talvez algumas festas e eu tenha amigos. Mas nenhuma garota”, ele admitiu, deixando a mala perto do sofá e parando para admirar o espaço.

Observei enquanto ele se virava para as janelas curvas que iam do chão ao teto, seus olhos se arregalando conforme o horizonte se estendia à sua frente, banhado pelos tons âmbar do pôr do sol. A vista nunca deixava de impressionar.

“Nossa”, ele soltou, a voz suave. “Essa vista é irada.”

Eu dei um sorriso de lado. “Bem massa, né?”

Por falta de uma palavra melhor, Jake era um prêmio genético ambulante. Ele herdou a maioria dos traços marcantes do pai: um maxilar cinzelado afiado o suficiente para cortar papel, um nariz alto e aristocrático e uma boca tão perfeitamente proporcional que o próprio Michelangelo poderia tê-la esculpido. Suas sobrancelhas grossas emolduravam seus olhos como uma obra de arte, e cílios que a maioria das mulheres pagaria caro para ter, naturalmente, escureciam seu olhar.

E ainda tinha o cabelo dele — castanho-escuro com mechas que pegavam a luz como se fossem abençoadas pelo próprio sol. O tipo de cabelo que gritava charme natural, mas que provavelmente não dava trabalho nenhum para manter.

Mas os olhos dele? Aqueles eram todos da Jane. Cinzas como um mar revolto, salpicados com toques de prata e azul, eles carregavam uma intensidade e um calor que podiam te paralisar sem ele querer. Era estranho como eram parecidos com os da mãe dele, como se pequenos pedaços dela ainda vivessem nele.

Olhando para o Jake agora, não pude deixar de pensar que Justin e Jane tinham criado uma obra-prima de ser humano. Era quase um crime que uma pessoa tão abençoada geneticamente pudesse existir — e também levemente irritante que o universo o tivesse deixado aparecer assim, sem nenhum aviso prévio.

Ele se virou para mim, seus olhos cinzentos tempestuosos — os olhos da mãe dele — brilhando sob a luz quente, e lançou aquele sorriso matador novamente. Droga. Ele provavelmente conseguiria tirar a roupa de qualquer um com aquele olhar.

“Então”, eu disse, quebrando o momento e indo em direção à cozinha em conceito aberto, “qual é o plano? Quer relaxar um pouco com uns petiscos e bebidas ou quer se arrumar antes de sairmos para jantar?”

Ele cheirou a própria axila sem nenhuma vergonha — típico dele — e sorriu. “Banho primeiro. Com certeza. Depois eu tiro a roupa e relaxo.”

Lancei um olhar falso de repreensão. “Você quer dizer tomar banho, colocar roupa de volta e depois relaxar. Certo?”

Ele apenas riu enquanto eu apontava para o quarto dele. “Aquele quarto é seu. O banheiro é compartilhado com o lavabo, mas não se preocupe — a fechadura tranca automaticamente do seu lado quando você abre a porta. Vantagens de uma casa inteligente.”

“Demais. A casa inteira é inteligente?” ele perguntou, claramente impressionado.

“Do teto ao chão”, eu disse, um pouco convencida. É sempre bom quando alguém valoriza seu vício em tecnologia. Seus olhos cinzentos brilharam, uma empolgação tremeluzindo ali enquanto ele assentia e entrava, fechando a porta atrás de si.

Voltei para a cozinha, pegando uma tábua de queijos e algumas taças de vinho. Eu tinha planejado abrir uma garrafa do meu vinho branco favorito, mas, quando girei a rolha, um pensamento me atingiu: Espere, o Jake só tem dezenove anos. Merda. Tecnicamente ele não tem idade suficiente para beber.

Fiquei encarando o vinho por um segundo, mordendo o lábio. Eu tinha algo sem álcool? Aquela bebida de uva gaseificada que ele gostava não era exatamente algo que eu mantinha no estoque.

Por que o Justin não me avisou sobre isso? Resmunguei mentalmente. Claramente, receber um adolescente-que-não-é-bem-um-adolescente seria mais complicado do que eu pensava.