Meio Fda

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Resumo

Cinco anos atrás, Cole aceitou se casar para deixar sua mãe e a melhor amiga dela felizes. Mas não tem sido nada fácil estar casado com uma mulher que mal o enxerga ou ao filho dos dois, e que aparentemente não quer mais filhos. Contra seu bom senso, Cole decide fazer uma vasectomia para tentar agradar a esposa em pelo menos um aspecto da vida, só para descobrir que ela nunca se importou. Com o corpo dolorido e o coração um pouco machucado, ele conhece Kaia no restaurante local e cria uma conexão rápida com ela. Com um passado próprio, os dois conseguirão encontrar o amor que ambos tanto desejam? **Aviso de conteúdo sensível – Este livro menciona abuso sexual no passado.**

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
4.8 6 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

— Nome? — perguntou o médico de jaleco azul-claro. Ele estava recém-barbeado e usava óculos de aro metálico, que eu esperava que o ajudassem a enxergar perfeitamente durante o procedimento.

— Cole — respondi rápido.

— Sobrenome? — ele insistiu, enquanto conferia a prancheta nas mãos.

Atrás dele, à direita, uma mulher atraente de jaleco roxo sorria, como se já tivesse ouvido aquela mesma conversa centenas de vezes. Provavelmente tinha mesmo; afinal, era o trabalho dela. Não pude deixar de notar o bronzeado perfeito que destacava seus olhos cor de mel, embora quase todo mundo em Miami tivesse o mesmo tom de pele. Alguns fios de cabelo castanho-claro escapavam da touca cirúrgica, deixando-a com uma aparência bem mais animada que a do médico. Será que os jalecos de cores diferentes significavam alguma coisa? Ou era só questão de gosto? Eu não fazia ideia.

— Butler. Cole Butler. — Eu tinha escolhido o primeiro horário de segunda-feira depois do Ano-Novo, então esperava que fosse algo rápido: entrar, sair e ir para casa.

— E o senhor sabe por que está aqui, Sr. Butler?

Que porra de pergunta era aquela? Esperava que ele soubesse! Estava conferindo meu pedido pela internet ou algo assim? — Sim, estou aqui para uma vasectomia.

— Muito bem. E o senhor sabe o que essa cirurgia significa? — A voz monótona dele já estava me irritando. Eu me sentia como se estivesse numa fila de lava-rápido, tendo que escolher no cardápio se queria a lavagem da parte de baixo. Bom, eu mesmo já tinha lavado minha parte de baixo, obrigado, porque achei que seria o certo a fazer antes de mostrá-la para um bando de médicos.

— Sim, significa que agora só valho meio pau — respondi, seco.

— Como é? — Ele baixou a prancheta, os olhos arregalados. Puta merda, ele era humano! A enfermeira atrás dele tapou a boca para conter o riso, mas os olhos brilhavam, então acho que a piada tinha funcionado.

— Desculpe. Quer dizer, não vou mais poder ter filhos. Vou estar atirando com bala de festim — corrigi.

— Certo. Muito melhor. — Ele fez outra marcação na prancheta. — Hayden, seja boazinha e leve o Sr. Butler para a sala 3 e prepare-o.

— Claro, Dr. Lane — respondeu a enfermeira de roxo, então se posicionou atrás de mim para empurrar a maca pelo corredor do ambulatório até o fundo. Imaginei que fosse onde ficava a sala de cirurgia, mas, sinceramente, não fazia ideia. Assim que saímos do alcance de voz, ela voltou a falar: — Espero que tenha gostado de responder àquelas perguntas. Você vai ter que responder a elas três vezes antes da cirurgia, e essa foi só a primeira.

— Claro. É o procedimento padrão por aqui? — perguntei.

— Sim. Todo mundo quer ter certeza de que não vai ter processo por fazer a cirurgia errada ou algo assim. Fazer três perguntas parece ser o número mágico para os jurados, caso alguém reclame.

— Ótimo. Que outros idiotas vão me perguntar isso?

— Bom, o anestesista vai perguntar em seguida. E depois eu mesma vou perguntar por último — disse ela, erguendo uma sobrancelha.

— Merda — resmunguei. — Desculpe! Não quis dizer idiota.

— Não esquenta. Eu estava brincando. Eu estava lá na primeira vez, então não conta. O advogado do hospital é sempre o último. Só queria te sacanear um pouco. — Ela deu um sorrisinho quando percebeu que tinha me pegado, e eu só consegui gemer em resposta.

— Sem problemas. Eu mereci depois do comentário do meio pau.

— Ah, não, essa foi boa. Vou guardar para o próximo paciente de vasectomia. — Ela me lançou uma piscadela e um sorriso. Se eu não fosse casado, talvez até tentasse algo.

Nesse momento, chegou outro homem, esse de jaleco rosa e bem mais novo que o primeiro médico. E, sim, tive que passar por toda aquela lenga-lenga de novo: quem eu era, o que estava fazendo ali. — Então, o Dr. Lane disse que, no exame preliminar, não conseguiu sentir o canal deferente, que é o tubo que vamos remover uma parte durante a cirurgia — explicou o anestesista. — Nesses casos, costumamos optar pela anestesia geral em vez de local. Isso foi explicado para o senhor?

— Sim, me avisaram — respondi, assentindo. Não estava nada animado com isso. Não passava por anestesia geral desde que meu apêndice estourou no ensino médio, e lembrava que tinha sido um verdadeiro circo.

— E o senhor se preparou para a cirurgia? — ele continuou.

— Bom, estou em jejum há mais de doze horas e lavei tudo direitinho — respondi, tentando ignorar Hayden, que estava rindo baixinho.

— E o senhor depilou a região nas últimas 48 horas?

— Depilar? Não completamente, não. Era para ter feito? — Isso não tinha sido mencionado na consulta anterior, e eu tinha certeza do que precisava fazer! Planejamento era meu trabalho!

— Não tem problema. A Hayden aqui vai cuidar disso quando o senhor estiver sob efeito da anestesia. — Será que todos os médicos daqui tinham a mesma voz monótona?

— Ah, tá. Valeu. — Ótimo. Saber que a enfermeira bonitinha, toda sorrisos e piscadelas, ia dar uma olhada e depilar meu pacote enquanto eu estivesse apagado não era nada constrangedor. Obrigado, universo! Quer dizer, sou casado, e essa cirurgia era justamente para ajudar nisso, então eu não deveria nem estar reparando, mas ainda assim!

Deixei a cabeça cair no travesseiro e suspirei assim que ele saiu. — Não se preocupe, Cole. Já vi tantos desses nos últimos anos que você não precisa ficar envergonhado — disse Hayden, com simpatia, antes de se inclinar para sussurrar: — Além do mais, pra mim não faz diferença, você está mexendo com o equipamento errado. Prefiro brigar com você por causa das gatas.

Só consegui rir. — Então peço desculpas por você ter que fazer isso! Não imagino que seja o ponto alto do seu dia.

— Faz parte do trabalho. Não esquenta. Vamos cuidar de você e te mandar pra casa rapidinho. Tem alguém pra te levar? Sabe que não pode dirigir depois de uma anestesia geral, né?

— Tenho o aplicativo do Uber. É surpresa pra minha esposa, então não tem outra carona disponível. — Não tinha certeza se minha mulher nem lembrava que eu ia chegar cedo em casa hoje. Ela não era boa com mudanças de rotina sem lembretes constantes, então eu já tinha planejado usar o Uber desde o começo.

— Perfeito. Então, por mais que seja legal conversar com você, espero não te ver por aqui tão cedo de novo! — Ela abriu um sorriso bonito, e eu já me senti melhor.

— Idem! — retruquei, com um sorriso.

Minutos depois, um homem de camisa e gravata apareceu na sala. — Com licença, senhor, pode me dizer seu nome?

— Cole Butler. — A essa altura, já era profissional em lembrar meu próprio nome!

— E por que o senhor está aqui hoje de manhã?

— Transplante de cérebro. — Tá, piada idiota. Devia ter guardado pro anestesista.

— Senhor, por favor.

— Desculpe. Vasectomia. Significa que não vou mais ter filhos. Estou pronto quando o senhor estiver. — Acenei com as mãos, pedindo desculpas, mas a essa altura só queria acabar logo com aquilo.

Em poucos minutos, colocaram uma máscara sobre minha boca e um acesso na mão, e eu estava pronto para apagar. Vi um último sorriso e um aceno de Hayden antes de apagar.

Fazer uma vasectomia não era algo que eu quisesse. Minha esposa, Kate, e eu tivemos nosso filho, Connor, há pouco mais de três anos, mas agora ela não queria mais filhos. Eu queria, mas não era como se pudesse obrigá-la. Essa tinha que ser uma decisão em conjunto. Porém, pelo visto, ela também não queria mais criar filhos. Depois que Connor nasceu, ela tirou uma licença-maternidade curta no consultório pediátrico que era dela e começou a abrir o escritório à noite para atender pais que trabalhavam.

Na superfície, era uma ótima ideia. Tem um monte de pais que trabalham e não têm tempo de levar os filhos ao médico durante a semana, então ela agora tinha uma clientela considerável. O problema era que, agora, quando eu chegava do trabalho, ela já tinha saído e só voltava depois das dez da noite, quando o consultório fechava. Depois, dormia durante o dia enquanto eu estava no trabalho, então Connor era criado pela babá, Sierra, que os pais dela — muito ricos — tinham nos dado de presente de casamento. Aquilo não era nada ideal. Mas os sogros jamais aceitariam que ele ficasse numa creche com outras crianças, porque isso era coisa de família normal, não de gente rica como eles! Eu não gostava da situação, embora Sierra fosse uma babá legal para Connor, e ele realmente gostasse muito dela. Fiquei surpreso com a escolha, porque Sierra era uma universitária linda, e achei que eles não iam querer me deixar tentado. Quer dizer, eu reparei, mas sou leal e nunca nem pensei nisso.

Com a diferença de horários e ela sempre cansada ou saindo para almoços e jantares com as amigas nos fins de semana, nunca tínhamos tempo juntos. Pior, Connor quase nunca via a mãe. Por sorte, eu conseguia vê-lo bastante, já que às vezes trabalhava de casa, e passávamos todas as noites e fins de semana juntos.

Mas o relacionamento entre nós e a Kate estava uma merda. Havíamos transado exatamente uma vez nos três anos desde que Connor nasceu, e sempre tinha alguma coisa errada. Ela não queria usar anticoncepcional, mas também não queria mais filhos. Eu já sabia que ter Connor tinha sido algo que ela aceitou fazer só para agradar nossas mães, que eram melhores amigas desde a infância e sonhavam que nos casássemos e tivéssemos filhos.

Mesmo sem ter mais filhos, sempre tinha um problema. Fui relegado para um dos quartos de hóspedes, o que ficava ao lado do de Connor, porque, segundo ela, eu era grande demais e ocupava muito espaço na cama do quarto principal. Ofereci comprar uma cama sob medida, maior, e de repente fui informado de que roncava e que, com a diferença de horários, eu a acordava quando me levantava para trabalhar. Não importava o que eu dissesse, sempre tinha uma desculpa para não passarmos tempo juntos.

Então por que eu estava fazendo uma vasectomia só para poder transar com uma esposa que, nos últimos três anos, tinha feito de tudo para me afastar? Essa era uma excelente pergunta, e eu não tinha uma resposta satisfatória. Mas, com a vasectomia, não haveria mais impedimentos para pelo menos tentarmos retomar a vida sexual. Isso resolveria o resto do casamento? Não. Mas eu só podia lidar com um problema de cada vez. Já tínhamos conversado sobre a agenda dela, e talvez dessa vez ela pensasse em contratar outro médico para o turno da noite, para poder voltar ao horário diurno. Até agora, ela não queria fazer isso, para não perder os pacientes fiéis.

Se a agenda dela mudasse, se passássemos mais tempo juntos e se tivéssemos uma vida sexual, talvez eu conseguisse voltar para o quarto principal. Quem sabe o que poderia acontecer depois disso?

Mas são muitos "ses".