PAIXÃO NO GELO

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Resumo

Amelia nunca se importou com hóquei — até ter que escrever um romance sobre o esporte. Sem entender nada sobre o jogo, ela aceita ir a uma partida com sua melhor amiga, na esperança de encontrar inspiração. Mas a última coisa que ela espera é dar de cara com ele. Nicolas Sinclair. O astro da universidade. O capitão do time. Seu ex. Forçada a confrontar o passado enquanto navega pelo mundo emocionante e acelerado do hóquei, Amelia se vê dividida entre o ressentimento persistente, sentimentos mal resolvidos e a química inegável que nunca chegou a desaparecer. À medida que velhas feridas reabrem e novas faíscas surgem, Amelia precisa decidir: continuará patinando para longe do passado, ou é finalmente hora de enfrentá-lo de frente? Uma história de amor, rivalidade e segundas chances — onde o verdadeiro jogo não acontece apenas no gelo, mas em seus corações.

Status
Completo
Capítulos
52
Classificação
4.8 18 avaliações
Classificação Etária
16+

The Game

Ponto de vista da Amelia

“Ahhh!! Não consigo mais pensar em nada.” Solto um suspiro de frustração e deixo minha cabeça cair sobre a mesa.

“Amelia, você está bem?”, pergunta minha amiga Rain. Ela deve ter notado minha cara de derrotada. Resmungo em resposta à pergunta dela antes que ela se sente ao meu lado.

“Não entendo nada de hóquei. Então, como diabos eu vou escrever um romance sobre hóquei? O professor realmente me colocou numa furada com essa.” Sento-me direito e olho para ela com uma expressão desanimada.

Ela sorri ao entender o que eu disse e fala.

“Você deveria ter me contado antes. Não se preocupe, eu resolvo seu problema num estalar de dedos.” Ela estala os dedos na minha frente e se levanta. Imediatamente a sigo, confusa.

“Como assim?”, pergunto, com o coração batendo forte, sentindo um pingo de esperança.

“Meu namorado é jogador do time de hóquei da universidade. Você pode conhecer o time dele e fazer perguntas sobre o seu livro ou algo assim.”

Meus olhos se arregalam de surpresa ao descobrir que ela tem um namorado. Quero dizer, ela nunca tinha me contado. Mas espera... ele é do time de hóquei?! Acho que Deus finalmente está do meu lado.

Meu rosto se ilumina enquanto abro um sorriso largo. Se o namorado da Rain é jogador, significa que posso aprender mais sobre hóquei com ele? Ah, como isso vai facilitar a escrita do meu romance!

Rain cutuca meu braço, me trazendo de volta do meu devaneio.

“Ah, sim... sim... eu... muito obrigada, Rain. Serei eternamente grata por isso! Vamos, estou pronta.” Pego meu notebook, caderno, caneta e bolsa imediatamente, mas a pergunta da Rain me para na hora.

“Aonde vamos?”

Encaro-a com cara de "dã", mas ela apenas olha de volta para mim, sem demonstrar nenhuma reação.

“Ao encontro do seu namorado?”

Ela dá um tapinha suave na própria testa e me olha com um semblante de quem já não aguenta mais comigo.

“Não podemos ir agora. Ele está ocupado treinando para a próxima competição. Que tal você assistir ao jogo comigo primeiro? Você vai aprender muito só de observar. Depois a gente encontra com ele. O que acha?”

Jogo tudo de volta na mesa e concordo com a cabeça. Não tenho escolha a não ser esperar pacientemente. Mas quanta paciência eu tenho, afinal? Normalmente, sou uma pessoa bem impaciente.

“Quando é essa competição, mesmo?”, suspiro e baixo a cabeça antes de perguntar.

“É no dia quinze de fevereiro.”

Sim! Falta só uma semana. Então não preciso esperar muito.

“Pesquisei e descobri que times de hóquei também têm capitães?”

Ela me olha como se eu tivesse feito a pergunta mais estúpida do mundo, mas responde mesmo assim.

“Amelia, querida, todo time tem um capitão. Quer dizer, você pesquisou a pergunta mais básica de todas?” Ela solta o ar e me olha com decepção antes de continuar.

“De qualquer forma, em vez de aprender com o meu namorado, você pode perguntar sobre hóquei diretamente para o capitão do time. Além disso, ouvi do meu namorado que o capitão é um amor de pessoa. Ele é muito gentil com todo mundo. E a melhor parte? Não precisamos marcar hora para falar com ele.”

Ela ri ao dizer a última parte, e eu acabo rindo também.

Isso é um alívio. Significa que ele não vai se importar com algumas — ok, talvez umas cem — perguntas minhas. Agora é só sobreviver à espera de uma semana. Pacientemente.

“Agora me conta, quando você arrumou um namorado, hein?!” Sento-me ao lado dela, passo o braço pelos seus ombros e a encaro com um olhar inquisidor. Ela olha para baixo, tímida, e começa a mexer nos dedos, o que me faz rir.

E então, sem aviso, eu a ataco com cócegas incessantes. Nossas risadas enchem o ambiente e, assim, a primeira noite do meu ano novo começa — com surpresas inesperadas e talvez, só talvez, um pouco de sorte.

Uma semana passa num piscar de olhos e agora estou me arrumando para ir ao jogo com a Rain.

“Como estou?”, pergunto enquanto penteio o cabelo, olhando-me no espelho. Rain aparece atrás de mim com um sorriso antes de responder.

“Você está linda. Onde comprou esse vestido?”

Viro-me para ela.

“Eu comprei... ah, em lugar nenhum”, evito o olhar dela enquanto mexo no cordão da frente do vestido.

Rain percebe que estou mexendo nas fitas do vestido e arqueia uma sobrancelha.

“Lugar nenhum? Sério?”, ela questiona com um olhar acusador.

Claro que ela sabe que estou mentindo.

“Na verdade, comprei para um encontro no ensino médio, mas nunca cheguei a usar”, respondo com sinceridade.

“Então, ainda bem que você está com ele hoje. Nem tudo a gente tem que guardar para encontros idiotas. Você está bonita demais nesse vestido para deixar escondido no armário. Agora vamos, ou vamos nos atrasar. Consegui ingressos para a primeira fila!”, ela diz a última parte empolgada e me puxa para fora.

“Está animada?”, pergunta Rain enquanto sentamos na primeira fila.

“Eu... estou mais nervosa”, respondo honestamente. Esses caras... eu não conheço nenhum deles. Como vou falar com eles? Sou péssima em socializar.

Rain segura minha mão, tentando me tranquilizar.

“Não se preocupe, eu estou aqui. Não vou sair do seu lado.”

Sorrio e concordo com a cabeça enquanto o locutor começa a apresentar os times. Um por um, ele chama os jogadores do Shadow Blades, apresentando-os para a multidão.

“Esse time é da nossa universidade?”, pergunto.

“Não, o Midnight Howlers é da nossa universidade.”

O locutor anunciava o nome de cada jogador enquanto eles pisavam no gelo e encaravam seus oponentes.

“Damos as boas-vindas ao nosso defensor, Aiden Greenwood!”

Rain pula da cadeira empolgada quando Aiden entra na arena.

“Olha, Amelia! Aquele é meu namorado!”, ela grita, puxando meu braço.

Fico ao lado dela e sorrio com sua empolgação. Aiden varre a multidão com o olhar até seus olhos pousarem na Rain. Ele sorri e manda um beijo para ela. Ela desvia o olhar, tímida, apertando meu braço com tanta força que — ai — chega a doer. Sorrio, apesar da dor, vendo a interação dos dois. Rain rapidamente me puxa de volta para o assento, com o rosto vermelho feito um tomate. Ela é uma fofa.

Aiden acena para a Rain uma última vez antes de ir em direção ao seu time, sua expressão mudando de alegria para seriedade ao encarar seus adversários.

“E agora, recebam o capitão do Midnight Howlers — nosso último jogador — o galã da universidade, Nicolas Damien Sinclair!”

Sinto meu coração disparar assim que ouço o nome dele. Minhas mãos tremem ao lado do corpo enquanto meus olhos correm pelo local, procurando aquele rosto familiar.

Não pode ser ele. Não... não pode ser ele.

Repito essas palavras várias vezes na minha mente. Mas eu estava errada.

É ele mesmo.

Nicolas entra na arena, acenando para a multidão com um raro e largo sorriso no rosto. Ele sabe sorrir?

Tudo desacelera no momento em que os olhos dele encontram os meus na multidão. Os gritos, a música, o próprio ar — tudo congela.

Fecho meus punhos sobre o colo. Ele ainda está olhando para mim. Por que ele está encarando? Desvia o olhar... ei, desvia o olhar!

E então, finalmente, ele desvia o olhar. Mas espera... não... não, vamos voltar isso.

Os lábios dele se curvam naquele sorriso de canto característico e irritante — aquele que costumava fazer meu coração disparar pelos motivos certos, e agora pelos motivos errados — antes de se virar, como se não tivesse acabado de tirar o ar dos meus pulmões.

O quê?! Por quê?! Por que ele deu aquele sorriso de canto?!

Preciso sair daqui agora mesmo. Levanto-me da cadeira — bem na hora em que a música para e a plateia fica em silêncio.

Juro que ouço um alfinete cair. Ou talvez tenha sido apenas a minha dignidade indo parar no chão.

Sinto o olhar de todos em mim — inclusive o dele.

Isso é tão humilhante. Droga! É tudo culpa daquele babaca.

Sinto a Rain me puxar de volta com uma expressão confusa. Olho para cima e vejo Nicolas ainda com aquele sorriso de canto, com um divertimento dançando em seus olhos.

“Se eu não tivesse que escrever um livro sobre algo que não entendo, não precisaria ver esse idiota de novo”, resmungo para mim mesma, lançando um olhar mortal para ele.