The Summit
DANTE
As portas não rangeram — elas protestaram. O carvalho grosso ganiu sob minha mão, abrindo-se apenas o suficiente para que o recinto sentisse minha entrada. O silêncio veio logo atrás, como uma sombra.
Lá dentro, o salão de jantar estendia-se como um mausoléu forrado de veludo. Suas paredes, banhadas em vermelho, eram observadas pelos olhares de tiranos há muito mortos, emoldurados em ouro.
O fedor de charutos frios impregnava o ar, azedo e antigo, misturado ao tom mais agudo do medo. Minha equipe — meus escolhidos — estava paralisada ao redor da mesa. Ninguém ousava falar. Seus olhos desviavam para os meus, suplicantes, calculistas. Eles não sabiam se, esta noite, eu seria misericordioso.
Nem eu.
“Vamos começar”, eu disse. O cômodo mergulhou no silêncio. Eu os examinei: homens e mulheres de terno, sentados rigidamente ao redor da mesa, com os olhos fixos em mim. Eles estavam esperando. Sabiam quem eu era. O que eu era.
A liderança não me abalava. Era minha. Meu cabelo estava penteado para trás, impecável. O controle começa com a gente mesmo.
“Números”, ordenei. Ninguém se moveu devagar. Um livro-razão deslizou em minha direção. As pontas estavam gastas. Eu não precisava ler; já sabia o que estava escrito. Mas abri mesmo assim. Eles precisavam ver isso ser feito.
“Consistente”, comentei, fechando o livro com um estalo. “Expandam a rota do sul, aumentem a segurança. Nada de erros.” Não foi uma sugestão. Ao redor da mesa, cabeças balançaram em um acordo silencioso. Havia respeito ali, misturado com uma dose saudável de medo.
Bom.
“Mais alguma coisa?” Minha pergunta pairou no ar, um desafio aberto. Um a um, eles negaram com a cabeça. A deferência deles era quase tediosa de tão previsível. Esta vida, este poder — era tudo o que eu conhecia, e eu navegava por isso com a facilidade de um predador entre as presas.
“Podem ir.” Não precisei elevar a voz. Eles sabiam que não deveriam enrolar quando eu dava uma ordem. O arrastar de sapatos caros no mármore marcou a saída deles, até que eu ficasse sozinho com os ecos do legado da nossa família.
Olhei pela janela para o vasto terreno da propriedade. Meu reflexo me encarava de volta: cabelos castanhos claros sob a luz, olhos afiados e analíticos. Este império, essas pessoas, esse poder — tudo estava sob meu comando. E eu o exercia com uma certeza tão fria quanto absoluta.
Assim que o último deles saiu, uma figura emergiu das sombras. Sua presença era uma intrusão silenciosa que me deixava tenso. Seus olhos, de um azul arrepiante que parecia me atravessar, travaram nos meus com uma intensidade que me fez arrepiar. Reconheci-o instantaneamente: meu meio-irmão, Romano.
“Reunião interessante você teve aqui, cara mia”, disse ele, arrastando as palavras com uma voz suave e perigosa como o fio de uma faca. Resisti à vontade de fechar os punhos ou mostrar qualquer sinal de fraqueza diante daquela visita inesperada.
“O que você quer, Romano?”, respondi, calmo e composto, apesar da minha turbulência. A tensão tornou o ar espesso, quase sufocante.
Ele deu um passo à frente, o olhar nunca deixando o meu. “Ouvi sussurros sobre um novo acordo no horizonte. Algo que pode mudar o equilíbrio de poder entre as famílias”, disse ele, com as palavras carregadas de uma ameaça velada.
Eu podia sentir o peso do seu olhar, avaliando-me como um predador medindo sua caça. Mantive o contato visual, recusando-me a recuar.
Trabalho do meu pai.
“Não sei do que você está falando”, respondi com firmeza, sem deixar que minha voz traísse qualquer agitação. A simples menção a um novo acordo trazia inquietação à ordem que eu construíra ao meu redor.
Os lábios de Romano se curvaram em um sorriso, revelando algo estranho.
“Não se faça de difícil, cara mia”, murmurou ele, com um tom sedoso, mas tingido de perigo. “Eu sei mais do que você imagina.”
Senti o laço apertar ao meu redor; as paredes do salão pareciam se fechar. A presença de Romano era uma ameaça, um lembrete do equilíbrio frágil entre nossas poderosas famílias. Eu sabia melhor do que subestimá-lo, com sua mente astuta e afiada como uma lâmina. Mas recusei-me a demonstrar qualquer fraqueza, para ele ou para quem quer que fosse.
“Sugiro que tome cuidado, Romano”, respondi, a voz firme apesar da tempestade interna. “Não tenho interesse nos seus joguinhos.”
O sorriso dele aumentou, revelando um brilho de diversão naqueles olhos azuis gélidos. “Oh, mas cara mia, este jogo só começou”, ele ronronou, as palavras pingando um veneno adocicado. “E acredite, eu sempre jogo para vencer.”
Com um último olhar demorado que me causou um calafrio, Romano virou as costas e desapareceu pela porta, deixando-me sozinho no silêncio sufocante da sala. Suas palavras pesavam no ar como uma nuvem negra, ameaçando cobrir tudo o que lutei tanto para construir.
Enquanto eu estava ali, os ecos da presença de Romano ainda pairavam como um cheiro ruim. Eu não conseguia me livrar da sensação de desgraça iminente que sua visita trouxe. O delicado equilíbrio de poder que mantive meticulosamente agora parecia um castelo de cartas, pronto para desabar com a menor brisa.
Caminhei até a mesa de mogno ornamentada. Meus passos eram medidos e deliberados, minha mente correndo enquanto eu tentava entender o aviso enigmático de Romano.
A que novo acordo ele poderia estar se referindo? E como ele conseguiu tal informação?
O livro-razão estava aberto diante de mim; suas fileiras organizadas de números ficaram borradas enquanto meus pensamentos giravam em turbulência. Eu não podia me dar ao luxo de errar, não com Romano circulando como um predador, esperando por qualquer sinal de fraqueza para atacar.
Uma batida na porta me arrancou do devaneio. Endireitei as costas antes de chamar: “Entre”.
A porta abriu-se lentamente, revelando a figura de Lucia, minha confidente e conselheira de maior confiança. Seus cabelos escuros caíam sobre os ombros como uma cascata de seda, emoldurando um rosto que não mostrava emoção enquanto ela entrava na sala com a elegância de uma rainha.
“Está tudo bem, Signore?”, perguntou Lucia. Sua voz era suave, mas carregada de preocupação. Ela me conhecia melhor do que ninguém e conseguia ler a menor mudança em meu comportamento como se eu fosse um livro aberto.
Forcei um sorriso contido, mascarando a tempestade que rugia dentro de mim. “Apenas lidando com alguns... visitantes inesperados”, respondi de forma enigmática, sem querer revelar demais.
O olhar de Lucia permaneceu em mim por um momento, buscando qualquer sinal de vulnerabilidade.
“Romano”, ela afirmou com naturalidade, os olhos se estreitando em compreensão. Lucia era extremamente perceptiva; conseguia ligar os pontos com uma eficiência alarmante que já me salvara mais vezes do que eu poderia contar.
Acenei com a cabeça, reconhecendo sua astúcia. “Ele acha que pode me desafiar pelo controle da família. Parece haver uma nova aliança entre os clãs”, completei, com o maxilar travado diante da audácia da jogada de Romano. A expressão de Lucia permaneceu indecifrável, mas pude sentir as engrenagens girando em sua mente enquanto ela processava a nova ameaça.
“Não podemos deixar que ele ganhe terreno, Signore”, disse ela com firmeza, um tom que não dava espaço para discussões. Eu sabia que ela tinha razão. Romano era ambicioso e implacável; uma combinação perigosa que exigia uma ação rápida e decisiva.
Encontrei o olhar de Lucia em um entendimento silencioso. Enfrentamos inúmeros obstáculos juntos, saindo mais fortes a cada vez. Desta vez não seria diferente.
“Prepare o necessário”, instruí, observando um lampejo de determinação acender em seus olhos. Lucia assentiu uma vez, sua lealdade inabalável mesmo diante do perigo.
Enquanto ela se virava para sair, levantei-me e fui até a janela.
Lá fora, uma pequena figura estava sob a chuva forte, parecendo perdida. Era uma jovem; seus longos cabelos escuros estavam colados ao rosto enquanto ela olhava para cima, em direção às casas na praça.
Apesar da tempestade que rugia ao redor, ela permanecia resoluta, um farol de vulnerabilidade na escuridão. Ela não se movia, como se estivesse esperando por algo, por alguém. Seus olhos estavam fixos para cima, embora ela parecesse procurar por algo além da chuva e do céu escurecido.
Observei-a por um momento, e uma pontada de emoção inesperada apertou meu peito. O que ela estava fazendo ali, naquele clima, no coração de um mundo perigoso que ela não poderia compreender?
Saí da sala sem hesitar e desci até o saguão de entrada. O som da chuva batendo contra as janelas me seguia, um tamborilar constante que sublinhava a urgência dos meus passos.
Ao chegar à pesada porta de carvalho, hesitei antes de abri-la.








