Chamas Proibidas: O melhor amigo do meu irmão

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Resumo

🌶️ Alicia Bennett passou a vida à sombra de seu falecido pai, um bombeiro, e de seu irmão mais velho superprotetor, Trevor. Determinada a provar seu valor, ela entra para o corpo de bombeiros, apenas para descobrir que seu novo capitão não é outro senão Leon Krauss — o melhor amigo de seu irmão e o homem por quem ela é secretamente apaixonada há anos. Mas Leon é frio, distante e está decidido a manter seus sentimentos enterrados. Enquanto se enfrentam no quartel, a química inegável entre eles queima sob a superfície, ameaçando incendiar tudo. Quando o perigo os coloca frente a frente e segredos vêm à tona, Alicia e Leon precisam decidir se o amor vale o risco.

Status
Completo
Capítulos
24
Classificação
4.9 30 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

POV: Alicia

O corpo de bombeiros tinha cheiro de fumaça e aço — uma mistura de brasas queimadas e algo metálico que pairava no ar. Era o cheiro de casa, ou pelo menos, o que sempre foi casa na minha mente. Meu pai, o capitão Robert Bennett, costumava voltar dos turnos com esse perfume impregnado em suas roupas, que permanecia no ar muito tempo depois que ele saía novamente. Eu cresci com isso. Eu adorava. E agora, entrando na Estação 21 pela primeira vez como uma deles, eu finalmente estava onde pertencia.

Estufei o peito e mantive a cabeça erguida, determinada a carregar a mesma confiança serena que meu pai tinha. Isso não era apenas um trabalho — era um legado.

A estação fervilhava com movimento. Os bombeiros se moviam com uma destreza treinada, suas vozes se misturando ao falatório distante de um rádio. Alguns verificavam os equipamentos, outros se apoiavam no balcão da cozinha, tomando café. Vasculhei o ambiente à procura de Trevor. Meu irmão deveria me encontrar, e ainda assim...

"Ei, Capitão Krauss, parece que temos uma novata."

O nome Krauss enviou um choque elétrico pelo meu corpo. Cada pelo dos meus braços se arrepiou.

Não. De jeito nenhum.

Virei-me em direção à voz a tempo de vê-lo.

Leon.

Leon Krauss.

Por uma fração de segundo, meu cérebro se recusou a processar. Meu corpo travou, os músculos tensionados enquanto memórias me invadiam. Os jantares tarde da noite em nossa casa, as vezes em que ele bagunçava meu cabelo quando eu era mais nova, o jeito que eu o seguia como uma sombra, ele e Trevor. E então, anos depois, quando comecei a notar coisas — coisas que eu não deveria. O corte afiado de seu maxilar, a profundidade de sua voz, o modo como ele se portava como se nada no mundo pudesse abalá-lo.

Mas este não era o Leon de quem eu me lembrava.

Este era o Capitão Krauss.

No momento em que meus olhos pousaram nele, o ar entre nós pareceu mudar. Minha respiração falhou na garganta e meu coração tropeçou enquanto eu o observava. Ele estava ainda mais bonito do que eu me lembrava. Mais imponente. Mais... tudo. Seu cabelo loiro-escuro estava cortado mais curto agora, seus traços mais nítidos, mais definidos. E Deus, eu esqueci como ele era alto. O uniforme azul-marinho ajustava-se perfeitamente aos ombros largos e a um peito que só tinha ficado mais forte com o tempo.

Ele não era mais apenas o melhor amigo do meu irmão. Ele era meu superior.

Os olhos azuis de Leon travaram nos meus e, por um segundo breve, seus lábios se abriram, como se ele estivesse tão surpreso quanto eu.

Por um momento, esperei algo. Um sorriso, um aceno, algum tipo de reconhecimento. Afinal, nós tínhamos uma história. Mas, em vez disso, sua expressão endureceu. Seu olhar tornou-se ilegível, seus olhos azuis mais frios do que eu jamais tinha visto.

O garoto que costumava me provocar, que costumava rir comigo, tinha ido embora. Em seu lugar, estava um homem que olhava para mim como se eu fosse apenas mais um nome em uma lista.

"Não sabia que a Estação 21 estava aceitando carne fresca", disse ele, com os braços cruzados sobre o peito.

Levantei o queixo, forçando minha voz a se manter firme. "Eu não estou perdida. Sei exatamente onde deveria estar."

Ele soltou uma risada curta e sem humor. "Vamos ver sobre isso."

Algo dentro de mim se apertou. Não era a recepção que eu esperava. Não que eu achasse que Leon ficaria radiante ao me ver, mas não previa isso — essa versão fria e distante dele que fez minha pele se arrepiar.

"Ali está ela." A voz de Trevor cortou a tensão enquanto ele dava um tapinha em meu ombro. "Pronta para o seu primeiro dia?"

Forcei-me a corresponder à sua energia. "Sempre."

"Capitão Krauss." A voz de Trevor mudou, assumindo um tom de respeito ao se dirigir a Leon.

A postura de Leon permaneceu rígida. "Tenente Bennett. Dispensado."

Trevor soltou uma risada, balançando a cabeça antes de puxar Leon para um abraço rápido. E, de repente, por um lampejo de segundo, Leon pareceu ele mesmo novamente — caloroso, familiar. Mas o momento terminou tão rápido quanto começou. Ao se afastar, sua expressão escureceu e seus olhos se tornaram aço quando encontraram os meus novamente.

Trevor não pareceu notar. "Então você é o capitão dela agora, hein? Não pegue leve com ela." Ele bagunçou meu cabelo como sempre fazia, como se eu ainda fosse uma criança.

Os lábios de Leon se apertaram em uma linha fina. "Pode ter certeza de que não vou." Sua voz era fria. Quase cruel. Um arrepio percorreu minha espinha.

Trevor sorriu, alheio. "Venha, deixe-me te mostrar o local."

Leon não disse mais nada. Ele apenas deu um aceno seco antes de girar nos calcanhares e ir embora.

Deixando-me parada ali, com os punhos cerrados ao lado do corpo.

Bom, nada de reencontro caloroso.

Trevor me guiou pela estação, apontando a cozinha, o dormitório e a área de treinamento. Eu acenava, mas minha mente voltava repetidamente a Leon — sua expressão fria, o jeito que seus olhos se fixaram nos meus com puro desapego. Eu esperava um clima estranho. Talvez surpresa. Mas não isso. Não ele agindo como se eu fosse apenas mais uma recruta, uma estranha em sua estação.

Quando o tour terminou, Trevor apertou meu ombro. "Você vai se sair bem, Ali. Apenas faça o que você faz de melhor."

Então ele saiu. E eu fiquei por conta própria.

Enquanto eu examinava a sala, uma mulher de cabelos ruivos vibrantes e olhos castanhos calorosos se aproximou, com um sorriso fácil e acolhedor.

"Ei, você deve ser Bennett, a novata", disse ela. "Eu sou Camila. Bem-vinda à equipe."

Retribuí o sorriso, grata pelo calor. "Sim, sou eu. Obrigada. É ótimo estar aqui."

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, outro bombeiro se juntou a nós. Ele era alto, bronzeado, com cabelos escuros e olhos afiados que me estudavam com curiosidade.

"Tyler", apresentou-se ele com um aceno. "Espero que esteja preparada. Eles não pegam leve com novatos aqui."

Endireitei a postura, fingindo confiança. "Eu não esperaria que pegassem."

Antes que eu pudesse me acomodar, uma voz grave e autoritária cortou o ar.

"Bennett."

Virei-me bruscamente.

Leon.

Ele estava de braços cruzados, largo e inflexível. Seus olhos azuis cravaram nos meus, ilegíveis. Mal tive tempo de processar o fato de vê-lo novamente antes que ele já estivesse me chamando.

"Hoje é dia de treinamento", disse ele, com a voz firme. "Recrutas se esforçam, mas não ficam imprudentes. Entendido?"

Meu coração batia forte enquanto eu o observava — os traços nítidos de seu rosto, a autoridade em sua postura. Ele parecia ainda mais marcante do que eu me lembrava. Mais velho. Mais endurecido. Eu esperava algum tipo de reconhecimento, talvez até um pequeno sorriso, mas, em vez disso, tudo o que recebi foi um profissionalismo frio.

"Entendido, Capitão", respondi calmamente.

Camila e Tyler trocaram olhares, como se tivessem notado algo estranho em seu tom, mas eu me recusei a deixar isso me abalar. Eu estava ali para provar meu valor. Ninguém — nem mesmo Leon Krauss — ficaria no meu caminho.

Eu me esforcei mais do que deveria.

Cada músculo ardia, mas me recusei a diminuir o ritmo. Isso não era apenas sobre treinamento. Era sobre provar que eu merecia estar ali. Que eu não era apenas a irmã mais nova de Trevor ou a filha de Robert Bennett. Eu era Alicia Bennett.

Eu não falharia.

Na rodada final — carregando a mangueira pesada escada acima — meus braços tremiam. Minhas pernas pareciam fracas, o esforço era insuportável. O suor nublava minha visão, mas cerrei os dentes e continuei. Mais um passo. Apenas mais um...

Uma mão se fechou em torno do meu braço, me puxando para trás.

Mal registrei a força antes de bater contra algo sólido. Calor. Força. O cheiro de fumaça e aço.

Leon.

Pisquei olhando para ele, sem fôlego, meu corpo ainda preso no movimento enquanto seu aperto me mantinha imóvel. Seu maxilar estava cerrado, seus olhos azuis em chamas.

"Que porra você acha que está fazendo?"

Tentei regular minha respiração. "Terminando o percurso."

"Você estava prestes a desabar", ele disparou. "Você não se força ao ponto de se lesionar, Bennett."

O jeito que ele disse meu sobrenome enviou uma fisgada aguda através de mim, como se eu fosse apenas mais uma recruta. Como se eu não fosse Alicia.

"Eu dou conta de mim mesma."

"Não quando você está sendo imprudente."

Seus dedos relaxaram, mas a marca de seu toque queimava em minha pele.

A frustração explodiu em meu peito. Empurrei sua mão e o encarei, com a pulsação martelando. Ele não deveria se importar. Ele não deveria agir assim — frio, rigoroso. Como se eu fosse apenas mais uma bombeira sob seu comando.

Mas, por um segundo — apenas um segundo — seus olhos permaneceram nos meus. E naquele lampejo de hesitação, vi algo por trás da raiva. Algo que fez meu estômago se apertar.

Então, tão rapidamente quanto surgiu, sumiu.

Sem dizer mais nada, ele se virou e caminhou para longe, me deixando parada ali, com os punhos cerrados.

Eu o odiava.

Eu odiava o fato de ele estar certo.

Leon