Meu Psicopata Encantador

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Resumo

A vida de Soraya vira de cabeça para baixo no dia em que ela perde seu emprego principal, flagra o namorado pedindo outra garota em casamento e acaba matando alguém. E, para completar o bolo desse dia terrível, ela descobre que tem um stalker milionário — alguém que ninguém no planeta teria coragem de prender. Quando ele intervém, algo muda entre eles, e Soraya começa a se perguntar se é medo ou algo muito mais perigoso.

Status
Completo
Capítulos
53
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Três momentos. Foi só isso que bastou para tudo ir pelos ares.

O destino sempre foi cruel com ela, e agora Soraya começa a acreditar que o destino talvez seja apenas um homem.

Quando ele saiu do elevador, sua presença trouxe algo perigoso ao ambiente. Seus olhos eram tão hipnoticamente lindos quanto ameaçadores.

Um cinza gelado contornava o castanho no centro, como se tentasse encurralá-lo.

Uma aura inegável de autoridade emanava dele, e seus passos exigiam a atenção de todos na reunião.

Os homens, que riam e "pediam" para Soraya mostrar um pouco de pele, ficaram em silêncio assim que a porta foi arrombada.

Sua figura dominante era mais alta do que as dos presentes na sala. Seus olhos cheios de raiva varreram todos, mas ele parou brevemente na silhueta encolhida de Soraya.

Ela o encarou por um momento antes de desviar o olhar rapidamente. Seus sapatos gastos pareciam se misturar ao carpete cor de creme, exceto pelo modo como apertavam o dedo mindinho do seu pé esquerdo.

É só mais um desses novos figurões; são todos latido e pouca mordida. As persianas estavam abertas. Alguém vai intervir se as coisas passarem dos limites, né?, ela pensou enquanto um cansaço pesado tentava consumi-la. Adam, carinho, minha cama e que este dia acabe logo. É só o que eu quero. Por que é tão difícil conseguir?

Ele mal vacilou, mas, por dentro, cada nervo estava preparado para o impacto enquanto seu chefe se levantava para cumprimentá-lo com um sorriso hesitante: "Sr. Lee, eu não achei que o senhor fosse..."

Ele não conseguiu terminar, pois o homem lhe deu um soco, derrubando-o no chão. A cabeça de Soraya disparou ao som dos arquejos pela sala, mas nenhum dos outros homens se moveu para ajudar seu chefe.

Sem pressa, o homem prendeu seus cachos na altura do queixo em um rabo de cavalo baixo, olhando para o homem que acabara de deixar com o nariz quebrado. O momento era tão mundano que quase mascarava a brutalidade que se seguiu, até que o carpete floresceu em vermelho sob o chefe de Soraya. O rosto cor de mogno dele estava salpicado de carmesim, mas o agressor parecia não se importar.

Soraya observava, o coração disparado enquanto olhava ao redor da sala, flagrando as expressões de terror no rosto dos homens. As pessoas no escritório estavam paralisadas, assistindo pela janela, com os olhos cheios de surpresa, da mesma forma que Soraya se esforçava para demonstrar. Mas, lá no fundo, havia algo muito mais sombrio querendo emergir.

O pulso de Soraya trovejou em seus ouvidos enquanto o homem se levantava novamente, impassível, com a respiração calma, mesmo após ter rachado o crânio de outro.

Aqueles que ainda estavam sentados fizeram menção de sair da sala, mas outro cara balançou a cabeça em silêncio, parando diante da porta fechada: "O Sr. Lee está apenas demonstrando as consequências. Não há necessidade de pânico, senhores. Apenas colaborem". A voz combinava com seu traje profissional, enfatizando a autoridade que o Sr. Lee possuía.

Sua figura era ligeiramente mais baixa que a do Sr. Lee, mas ainda havia um brilho em seu olhar. Não tão violento quanto o do seu superior, mas algo igualmente mortal.

Ela cobre a boca enquanto o cheiro de ferro toma conta da sala, seu rosto sendo a exibição perfeita de choque, descrença e medo. Mas, por dentro, algo quente e sombrio a fazia observar o punho do homem enquanto ele o afundava na terceira vítima. Ela notou como o vermelho complementava a pele dele, em vez do terno roxo escuro que foi arrancado por restringir seus movimentos e jogado no homem perto da porta.

Sua camisa social preta vestia-o bem o suficiente para realçar seus braços e costas. Seus músculos se tensionaram e ele olhou para cima brevemente, cruzando o olhar com o dela.

Seu coração falhou uma batida enquanto ele a observava de cima a baixo antes de se virar para o outro homem: "Elijah, deixe-a sair. O resto fica".

Um lampejo de decepção apertou seu peito. Ela o enterrou rapidamente, sem saber de onde vinha.

Medo. Ou algo inteiramente diferente?

Ela correu para a porta, desviando do sangue e do caos ao seu redor.

Uma parte dela queria ter ficado. Para ver o que ele faria a seguir. Essa parte a aterrorizava mais do que tudo.

Elijah tira um envelope do terno, entregando-o a ela enquanto abre a porta, acenando com a cabeça: "Tenha um bom dia, Srta. Corbin".

Ela sussurra um agradecimento tímido antes de caminhar para sua mesa no fundo, passando por todos os olhares curiosos e invejosos. Ela ignorou a todos. O envelope parecia queimar em suas mãos com uma estranha sensação de expectativa correndo por ela.

Ela se senta rapidamente e abre o envelope, lendo-o três vezes antes de deixá-lo sobre a mesa. Uma carta de recomendação assinada por Elijah E. Theodore.

Soraya se vira para o computador, procurando o nome dele no buscador, apenas para descobrir que ele é o assistente do Sr. Kion Lee. Um homem quase tão intocável quanto seu chefe, que pode tanto gerar lucros imensos para uma empresa por toda a vida quanto destruir o negócio e seus donos com uma única frase.

Em todas as fotos, onde quer que o Sr. Lee estivesse, Elijah estava logo ali, atrás ou ao lado dele.

Ela se virou de volta para a sala de conferências bem a tempo de ver o Sr. Lee erguer o último homem pelo colarinho. Os soluços do homem eram abafados, mas Soraya ainda podia ouvi-los. Elijah não olhou para cima, apenas digitava em um tablet como se estivesse revisando ações em vez de assistir a um expurgo.

Soraya observava, sem saber o que fazer a seguir. Parecia inútil voltar para as pilhas de papelada ao lado dela.

Eu consegui esse emprego há apenas três meses, não sei se serei capaz de conseguir outro com um bom salário como este. Droga, o aluguel vence em poucos dias e o proprietário não vai dar nenhum prazo extra.

Ela olhou ao redor e pareceu que não era a única a pensar assim.

Ela suspira, esfregando o rosto suavemente enquanto escuta os sussurros de desemprego ao seu redor.

"Quanto tempo vocês acham que temos antes da empresa fechar?"

"Com o nível de raiva do Sr. Lee, eu diria que até o final do dia."

Um homem suspira: "Então não faz sentido a gente ficar, né?"

Um funcionário mais velho zomba: "Os jovens não têm senso de lealdade hoje em dia. A empresa não vai cair desse jeito só por causa de algum pirralho mimado que gosta de impor autoridade. Vocês deveriam ter vergonha de pensar em ir embora."

Soraya revira os olhos com as palavras dele, percebendo que tudo se resume àquela conversa de "no meu tempo era diferente".

Synthia geme: "Por favor, não comece com esse discurso maldito. Ninguém está com paciência para ouvir essas bobagens."

"Ora, sua pequena..."

"Além disso, você vive numa caverna se acha que o Sr. Lee não seria capaz de destruir uma empresa dentro de uma hora após sair daqui. Ele é uma das dez pessoas mais ricas do mundo. Ele é um magnata em não apenas um, mas três ramos de negócio. Ele fechou 15 empresas nos últimos 3 anos, e você acha que ele não fará o mesmo aqui?"

Synthia balança a cabeça enquanto o velho abre e fecha a boca. "Pare de sonhar. Aquele homem pode fazer literalmente qualquer coisa que quiser, ilegal ou não, e não existe uma alma viva que seja capaz de questioná-lo."

Soraya voltou a olhar para o papel à sua frente enquanto ligava o computador e começava a trabalhar em seu currículo.

Ela sentia que o que Synthia dizia era verdade. Não havia muito propósito em discutir qualquer outra coisa. Todos estariam desempregados assim que batessem o ponto hoje, se não antes.

Soraya ignorou a todos enquanto eles debatiam o que fazer, entre olhares para a sala de conferências. Tudo ficou em silêncio por um momento e pareceu que o mundo congelou quando o Sr. Lee saiu coberto de sangue. Seu rosto estava vazio enquanto ele olhava ao redor da sala uma última vez antes de seguir em direção ao elevador. Elijah bateu palmas chamando a atenção de todos, mas Soraya observou enquanto o Sr. Lee passava as mãos pelo cabelo, suas costas ainda tensas e o sangue escorrendo de sua mão para o chão.

Por que ele espancou todo mundo na sala de conferências? Por que ele não fez o mesmo comigo?

A voz de Elijah ecoa quando a porta do elevador anuncia sua chegada: "Neste momento, a Gopher CO está sendo demolida e todos devem deixar o local imediatamente. O departamento de RH deve estar no térreo pronto para entregar a todos os últimos pagamentos. Obrigado pela colaboração."

E, com isso, ele se virou, fazendo uma corrida leve para entrar no elevador com seu chefe antes que a porta se fechasse, separando-os do caos que irrompia ao redor dela.

Soraya clicou em 'enviar', o zumbido da impressora sendo o único som em que ela confiava em um mundo que acabara de ser partido ao meio.