Capítulo 1
POV: Sabrina
O e-mail tinha sido curto, quase seco.
Jantar com o Sr. Reginalds e o cliente. 20h. Hotel Langston. Não se atrase.
Nada de "parabéns", nada de "boa sorte". Apenas mais um lembrete de que eu trabalhava para uma empresa que valorizava números acima de pessoas.
E ainda assim, ter meu nome ligado a um negócio desse tamanho significava que eu estava fazendo algo certo. Não era apenas um contrato qualquer — era o negócio que poderia garantir a estabilidade da empresa pelos próximos cinco anos. Fechá-lo consolidaria minha posição como um peso-pesado em vendas. Perder… não era uma opção.
Ainda assim, nada disso explicava por que meu pulso batia forte contra as costelas desde que li aquele e-mail. E não tinha nada a ver com o cliente.
Oliver Reginalds.
O homem era uma lenda na sede. Frio. Implacável. Um perfeccionista ao ponto da obsessão. As pessoas ou o temiam ou queriam impressioná-lo. Algumas, como eu, caíam em uma categoria mais perigosa — eu estava intimidada e intrigada ao mesmo tempo.
Eu só o tinha visto em reuniões antes, uma figura distante na cabeceira da mesa, sempre no controle. Sua voz, profunda e imponente, podia silenciar uma sala em segundos. E agora, eu estaria sentada à frente dele, trabalhando lado a lado para fechar o negócio mais importante da minha carreira.
Fiquei diante do espelho, alisando o vestido preto justo que escolhi para esta noite. Profissional, mas marcante. Um vestido que dizia que eu estava ali para trabalhar, mas sem passar despercebida. O tecido ajustado abraçava minhas curvas na medida certa, terminando no meio da coxa, perfeitamente combinado com meus saltos agulha pretos. Meu cabelo escuro caía em ondas suaves pelos ombros, e meus olhos azuis, delineados com um toque de lápis, me encaravam com determinação.
Eu seria dona desta noite.
O restaurante era tão luxuoso quanto esperado — iluminação baixa, mogno polido, o murmúrio discreto da riqueza. E então eu o vi.
Oliver Reginalds.
Sentado ao bar, uísque na mão, o cabelo louro-escuro levemente bagunçado, o terno cinza-chumbo sob medida ajustado ao seu corpo imponente como uma segunda pele. Ele levantou o olhar quando me aproximei, e nossos olhos se cruzaram.
Eu senti. Aquela faísca, aquela consciência que fervia nas minhas veias.
Ele não sorriu. Oliver Reginalds não era o tipo de homem que sorria. Mas seu olhar percorreu meu corpo, lento e avaliador, antes de pousar novamente em meus olhos.
"Você está adiantada", ele notou, com a voz tão suave quanto o uísque em seu copo.
"Você também", retruquei.
Ele inclinou a cabeça levemente, como se me avaliasse pela primeira vez. "Gosto de preparação."
"Eu também."
Um lampejo de algo passou por seus olhos castanhos. Aprovação? Interesse? Sumiu rápido demais para ter certeza.
"Bom", ele disse, dando um gole em sua bebida. "Então não me decepcione."
E, assim, o jogo tinha começado.
O olhar de Oliver não vacilou, seus olhos castanhos firmes e inescrutáveis. Ele emanava controle, o tipo de homem que não esperava nada menos que a perfeição.
"Este cliente não é apenas mais um negócio, Schmidt", ele disse, pousando o copo com um movimento deliberado. "É o futuro da empresa. Se não ganharmos, nossos concorrentes ganharão. Não há segunda chance."
Inclinei a cabeça, quase contendo um sorriso de lado. "Estou ciente."
Sua sobrancelha se ergueu levemente. "Está mesmo?"
Uma centelha de irritação surgiu em meu peito. Ele achava que eu tinha entrado nisso às cegas? Que eu não tinha passado as últimas duas semanas dissecando cada informação disponível sobre nosso cliente? Inclinei-me um pouco, baixando a voz o suficiente para que apenas ele pudesse me ouvir acima do murmúrio suave do restaurante.
"Franklin Wexler, CEO da Wexler Developments", murmurei. "Dinheiro antigo, mas ele gosta de fingir que construiu seu império do zero. Divorciado três vezes, atualmente noivo de uma mulher vinte anos mais nova. Ama exclusividade, odeia restrições. Coleciona vinhos caros, mas prefere uísque. Tem uma queda por quem o trata como um gênio, mas percebe quando a bajulação é descarada. E..." Deixei um pequeno sorriso brincar nos meus lábios. "Ele gosta de fazer negócios durante um jantar longo e regado a álcool."
A expressão de Oliver não mudou, mas algo se alterou em sua postura. Uma fração de segundo em que seu corpo ficou imóvel, como se eu o tivesse surpreendido.
Então ele se recostou na cadeira, seu olhar correndo sobre mim mais uma vez, desta vez mais devagar.
"Interessante", ele disse, com a voz ilegível.
Arqueei uma sobrancelha. "O quê?"
"Eu não tinha certeza se você era boa apenas com números ou se realmente entendia de pessoas." Ele me estudou como se eu fosse uma equação que ele ainda não tinha resolvido. "Acontece que é ambos."
Isso deveria ter parecido uma vitória. Em vez disso, fez um calor subir baixo no meu estômago.
"Tente acompanhar, Reginalds", murmurei, bem quando um recepcionista se aproximou da nossa mesa.
"Sr. Reginalds, Srata. Schmidt", o homem disse com um sorriso polido. "O Sr. Wexler chegou."
Alisei meu vestido e me levantei, meu pulso firme apesar da antecipação que se formava dentro de mim.
Oliver também se levantou, sua presença imponente, o terno impecável, seu corpo sólido e marcante ao lado do meu. Ele não disse mais nada, mas enquanto caminhávamos em direção ao cliente que se aproximava, senti-o ao meu lado — perto demais, intenso demais.
E senti como meu corpo reagia a ele.
Wexler era exatamente o que eu esperava — relógio caro, o cheiro de charuto pairando em seu terno, uma voz estrondosa que ecoava pelo restaurante. Ele apertou a mão de Oliver com firmeza e confiança, depois se virou para mim, seus olhos azuis afiados me avaliando.
"E você deve ser a Schmidt de quem tanto ouvi falar", ele disse, segurando minha mão com firmeza. "Quebrando recordes, não é?"
Sorri, o tipo de sorriso que convidava à confiança, mas não implorava por aprovação. "Gosto de deixar as coisas interessantes."
Ele riu, e, assim, soube que o tinha na palma da mão.
Oliver conduziu a conversa no início, sua abordagem direta, metódica, cada palavra calculada. Era impressionante a maneira como ele comandava a sala apenas com o tom de voz. Mas Wexler não estava respondendo da maneira que Oliver queria.
Suas respostas eram curtas, sua atenção se perdia. Ele gostava de poder, mas não gostava de receber ordens.
Então, eu mudei a estratégia.
Inclinei-me um pouco mais. Deixei meu tom mais suave, mais casual. Perguntei sobre seu mais recente empreendimento imobiliário, explorando seu amor pela exclusividade. Oliver me lançou um olhar, mas não me interrompeu.
E então, exatamente como eu previa, Wexler pediu as bebidas.
Uísque para ele, scotch para Oliver, um dirty martini para mim.
Depois, outra rodada.
Depois, champanhe.
A conversa fluiu; negócios entrelaçados com histórias pessoais, risadas misturadas ao aroma rico do álcool. Minha pele estava quente, meu pulso em um ritmo constante.
E então, embaixo da mesa, senti.
Um roçar de tecido. A menor das pressões contra minha coxa.
Oliver.
Não me movi, não olhei para ele, mas a consciência inundou meu corpo, minha respiração falhando. Poderia ter sido um acidente.
Mas eu sabia melhor.
Quando finalmente ousei olhar para ele, seus olhos castanhos encontraram os meus, escuros e fixos.
E eu soube que aquela noite estava longe de terminar.