Obsessão pela Barriga de Aluguel

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Resumo

Ele não acreditava no amor, muito menos em casamento. Ele só queria um filho, sem vínculos, sem dramas. Um acordo simples de barriga de aluguel, era tudo o que ele precisava. Mas então ela entrou — com sua pequena barriguinha, tão ingênua, desajeitada, mas deslumbrante. Ela não era nada do que ele esperava. Agora ele não consegue parar de pensar nela.

Gênero
Romance
Autor
M.A L'AMOUR
Status
Completo
Capítulos
36
Classificação
4.8 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Eu estava na metade do meu segundo expresso quando Josh se sentou no banco à minha frente. Ele estava sorrindo como se tivessem acabado de dizer que ele era o pai do ano. Ele mal conseguia conter o sorriso. "E então?", perguntei, folheando e-mails de trabalho. "Como está a incubadora?"

Josh bufou. "Sério? Ela não é uma experiência científica."

"Ela também não é minha namorada, então vamos pular o sentimentalismo. Só me diga: está tudo dentro do planejado?"

Ele soltou um suspiro. "Sim. Ela está bem. O bebê é saudável. O obstetra diz que o desenvolvimento está exatamente onde deveria estar. Você vai ser pai em seis meses."

"E a barriga de aluguel? Algum problema?"

Ele ficou em silêncio. Tempo suficiente para me irritar.

"Ela está indo bem", disse ele por fim. "Saudável, estável. Continua trabalhando meio período, comendo como uma nutricionista e até fazendo ioga pré-natal. Eu acompanho semanalmente, como você pediu."

Coloquei o tablet de lado. "Bom. Contanto que ela mantenha isso profissional, estamos bem."

Josh me olhou como se eu tivesse acabado de chutar um cachorro. "Sabe, considerando que ela está carregando seu filho, talvez você devesse pelo menos conhecê-la."

"Ela está carregando o nosso filho", corrigi. "Biologicamente falando, é dela também."

"Sim, e é isso que me incomoda." Josh se inclinou. "Você poderia ter seguido a rota tradicional de barriga de aluguel — transferência de embrião. Contratado uma doadora, mantido tudo clínico. Mas você escolheu o jeito mais barato. Você quis assim, e agora tem metade do controle. É o DNA dela ali dentro também, Nickolas."

Olhei para ele. "Eu não queria uma doadora com um histórico médico vago ou óvulos congelados em um freezer de laboratório há cinco anos. Eu queria alguém comprovada — fértil, estável, saudável. Você a recomendou. Disse que ela passou em todas as triagens."

"Ela passou. Não estou dizendo que ela não esteja apta. Mas não tenho certeza sobre o futuro. As pessoas mudam. Ela é a mãe biológica."

"Não, ela é a barriga de aluguel. Nós assinamos um contrato. Ela abriu mão de todos os direitos no nascimento."

"É, bem, contratos não cobrem emoções humanas. Como eu disse, o que acontece se ela mudar de ideia?"

"Ela não vai."

"Tem certeza disso?"

Estiquei a mão para pegar meu café, embora ele já tivesse esfriado.

Eu tinha pensado nisso, é claro que tinha. Todo risco, todo cenário. É isso que eu faço. Sou advogado. Vivo no mundo dos "e se". Mas também sei como fechar brechas, como manter as coisas limpas. Previsíveis.

E ainda assim...

"Apenas a conheça", ele disse calmamente. "Não como uma formalidade. Como a mãe do seu filho."

"Não preciso desse tipo de complicação."

"Talvez não", ele disse, levantando-se. "Torne as coisas mais formais e tranquilas, Nick. Conheça a mãe para evitar mais complicações." Ele disse isso e me deixou com o expresso frio.

Eu gemi internamente.

Eu só queria a criança. Não uma amizade. Não algum tipo de conexão estranha de co-parentalidade. Definitivamente, não queria me sentir culpado por uma mulher com quem não pedi para me importar. O trato deveria ser limpo. Ela carregava o bebê. Eu assumia. Fim da história.

Mas as palavras de Josh me incomodavam — mãe biológica. Emoção humana. E se ela mudar de ideia?

Esse era o problema com as pessoas. Sentimentos demais. Emoções imprevisíveis, confusas e inconvenientes demais.

Massageei a nuca e olhei pela janela do café. Vi uma mãe lutando para colocar uma criança pequena na cadeirinha do carro do outro lado da rua. Ela parecia exausta, descabelada, café em uma mão, chaves na outra. E, ainda assim, estava sorrindo como se a criança tivesse lhe dado a porra da lua.

Será que eu estava perdendo alguma coisa?

Não. Não, isso era só medo. Eu realmente não precisava estar lá. O que isso resolveria? Sentar à frente dela e fingir que me importo com a agenda de ioga pré-natal dela? Elogiar sua pele radiante?

O que eu sei sobre pele radiante?

Ainda assim... se ela usou o próprio óvulo, se ela era tecnicamente a mãe... talvez fosse mais inteligente mantê-la calma. Um aperto de mão e um agradecimento para manter tudo profissional.

Apenas uma formalidade. Mantê-la cooperativa.

Eu já podia ouvir a voz presunçosa de Josh na minha cabeça: Viu? Você não é sem coração, só é emocionalmente constipado.

Suspirei e peguei meu telefone. As informações de contato dela estavam enterradas na pasta que Josh tinha me enviado três meses atrás. Eu nunca a tinha aberto.

Mas hoje, eu abri. Só por um segundo.

Fiquei encarando o nome dela.

Amara Sorell.