1 | Dancin' shoes
CLEMENTINE
Cometi um erro grave.
Meu salto afunda mais um centímetro na lama com um som úmido e pegajoso. Murmuro um palavrão tão sujo que faria o pastor corar, se estivesse perto o suficiente para ouvir. O suor já escorre pelas minhas costas, e meu vestido gruda em mim como um trapo molhado neste calor terrível do Sul.
Bem-vinda de volta, Clementine Holliday.
Forço um sorriso para a senhora idosa que estreita os olhos para mim, como se tentasse lembrar de onde me conhece.
"Clementine, é você? Meu Deus. Faz quanto tempo que não te vejo..."
"Sete anos", interrompo, de lábios cerrados, mudando o peso do corpo enquanto a lama transborda pelo salto do meu sapato.
"Ah, que bênção. Eu diria que você finalmente cresceu, mas talvez sejam apenas os... saltos."
Eu a encaro, sem expressão.
Ela ri da própria piada, com os olhos brilhando como se estivesse encantada consigo mesma.
Estou a dois segundos de arrancar esses sapatos estúpidos e ficar descalça quando avisto a mesa de bebidas. Salvação.
Vou direto para lá, desviando de parentes distantes, vizinhos antigos e dos olhares arregalados de toda a cidade.
Está um calor dos infernos, e muito úmido também. Esqueci como os verões aqui são impiedosos, mesmo depois do pôr do sol.
Uma risada baixa e rouca é carregada pela brisa. Um pouco áspera, firme e inconfundível. Ela desce pela minha espinha e se instala pesadamente no meu estômago.
Eu me viro, e lá está ele.
Ombros largos, chapéu de cowboy baixo. Dobrando as mangas sobre os antebraços bronzeados e cheios de músculos. Rindo de algo que um dos padrinhos disse, mas sem prestar atenção alguma.
Porque os olhos dele estão em mim.
Ele está encostado na cerca como se fosse o dono da porra do condado.
Colton McGraw.
Meu estômago dá um solavanco.
Ele está mais velho. Mais rude. Ainda mais letal, daquele jeito rústico que deveria ser ilegal. Pele queimada de sol. Uma barba curta e desleixada. Ainda exibindo aquele sorriso lento e devastador que está marcado na minha alma.
Ele está me olhando como se lembrasse de tudo.
Eu fecho a cara, pego um copo plástico de ponche morno e viro de uma vez.
Colt desencosta da cerca, vindo na minha direção. A multidão se abre para ele como o Mar Vermelho.
Aperto o copo com tanta força que ele amassa, e o plástico afiado crava na minha palma. Mal sinto.
Deus me ajude.
Ele inclina o chapéu para mim lentamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. "Boa noite, Pequena."
Meu coração falha uma batida. Levanto o queixo e lanço meu melhor olhar de tédio para ele. "Clementine", corrijo friamente. "Olá, Colton."
Aquele sorriso preguiçoso se curva. "Esses sapatos da cidade estão te dando trabalho?"
Olho para a lama acumulada sobre o couro de grife. "Ah, vai se foder", respondo bruscamente.
Ele ri — aquele mesmo som maldito, baixo, quente e áspero o suficiente para arranhar minha pele como lixa. "Bom te ver também, querida."
Mostro os dentes em um sorriso ácido e me viro para sair pisando fundo — apenas para quase perder o sapato na porra da lama.
Encontro Grady e Jace no bar, é claro. Agarro o braço de Grady como se ele fosse uma boia neste mar de lama. "Preciso ir embora", murmuro. "Isso foi uma péssima ideia."
Ele se solta do meu aperto e passa o braço pelos meus ombros. "Vou fingir que você não acabou de dizer que vir ao casamento da minha irmã foi uma péssima ideia."
Reviro os olhos. "Claro que não. É só que... eu não estou vestida para esse calor. E esses sapatos estão me matando — aliás, sabe de uma coisa? A culpa não é minha. Quem diabos dá uma festa de casamento num campo de lama?"
Grady me dá um aperto pouco impressionado. "Eu também vou fingir que você não acabou de insultar nosso rancho. Você só veio despreparada, Clem. Agora vai ter que aguentar."
Escapo debaixo do braço dele e vou para perto de Jace. "Você vai ter pena de mim, não vai? Eu sempre gostei mais de você mesmo."
Jace lança um sorriso para Grady. "Eu te disse que era o primo favorito dela."
"Eu não disse isso", alfineto. "Nenhum dos dois chega perto da Savannah. Onde ela está, aliás?"
Jace aponta para o celeiro. "Se preparando para a primeira dança. Vamos, vou te dar algo forte. Para você esquecer desses sapatos."
Eu o encaro. "Essa é a solução local para tudo? Apenas afogar os problemas em álcool e ignorá-los?"
"Não aja como se não tivesse crescido aqui, espertinha." Ele sinaliza para o barman. "Sirva para a moça um uísque de milho."
O barman nem pisca — apenas serve dois dedos e desliza o copo.
Eu cheiro e torço o nariz. "Isso tem cheiro de arrependimento."
Jace arqueia as sobrancelhas, tomando o seu próprio. "Exatamente."
Uma torcida alta e uma onda de gritos explodem atrás de mim.
Curiosa, sigo pela lama para ver qual é a confusão.
Paro subitamente quando vejo Savannah e Jackson, os recém-casados, balançando na pista de dança montada sob luzinhas de Natal.
Por um segundo, fico apenas ali parada.
Diga o que quiser sobre casamentos caipiras, mas isso é... lindo. Cercas rústicas circundam a pista de dança. Lanternas lançam um brilho suave sobre botas de cowboy e vestidos de verão. Savannah irradia felicidade, seu vestido fluido girando conforme Jackson a conduz. A fenda do vestido sobe o suficiente para mostrar suas botas brancas peroladas e pernas bronzeadas.
Isso me atinge em cheio. Essa mistura estranha de cafona e maravilhoso. Os chapéus e botas de cowboy que eu achava cafonas de repente fazem sentido, e tudo simplesmente se encaixa.
A música muda e mais casais entram para dançar.
Meus olhos caem sobre um par em particular.
Tessa e Sawyer. Meu estômago embrulha.
Viro as costas tão rápido que minha bebida balança. Bebo o que resta, e queima como o inferno ao descer.
"Você vai querer beber isso devagar, querida. Deixe queimar aos poucos."
Solto um suspiro alto e exasperado e reviro os olhos. "Uau. Jura, Sherlock? Precisa de um diploma em pecuária para descobrir isso, ou uma garota da cidade como eu pode chegar lá sozinha?"
Colton está encostado em uma coluna novamente, lançando-me um sorriso malicioso.
"Garota da cidade, é?", ele diz com calma. "Acho que me lembro de você andando pela lama com suas botinhas de cowboy."
"Ah, pelo amor de Deus. Me deixe ser infeliz em paz, quer fazer o favor?"
Ele está prestes a responder, mas uma nova voz corta o clima.
"Clementine Holliday! Não acredito."
Um alívio me atinge. Viro-me e vejo Wells vindo em minha direção, com os braços abertos.
"Wells", suspiro. "O único McGraw com quem eu não tenho problemas."
Ele me abraça, de forma calorosa e firme. "Ei, não deixe a mamãe te ouvir dizer isso."
Desso um sorriso verdadeiro. "Tudo bem. Um de dois. Ela está aqui?"
Ele aponta para o celeiro. "Ajudando Savannah a consertar o vestido. Alguém pisou nele usando saltos agulha. Você acredita nisso?"
Eu mantenho a expressão neutra, depois olho para baixo.
Ele segue meu olhar até meus pés e dá uma risadinha. "Clem, nunca pensei que veria você com eles."
Bufo, depois me abaixo e arranco os sapatos, segurando-os pelas tiras. "Vamos dançar."
A hora seguinte vira um borrão de risadas, suor e músicas country carregadas no violino. Danço com Wells, Jace e Grady. Savannah me puxa assim que se libera. Até uns amigos do ensino médio me arrastam pela pista.
Por um momento, é quase divertido, como se eu fosse adolescente de novo.
E então meus olhos captam alguém do outro lado da pista. Não é Colton — é um estranho.
Alto, esguio, inclinado para falar com alguém. Quando nossos olhares se cruzam, ele sorri. Pede licença e caminha direto na minha direção.
Meu pulso acelera, e agarro o braço de Savannah. "Meu cabelo está bom?"
Ela ri e me dá um empurrãozinho. "Você está perfeita. Vai."
Ele para na minha frente, com uma mão no cinto. "Bem, não acho que nos conhecemos. Eu teria me lembrado de você."
Eu dou um sorriso sarcástico. "Eu não moro por aqui."
Ele inclina o chapéu para trás e me dá um sorriso fácil. "Dá para notar. Posso te pagar uma bebida?"
Arqueio uma sobrancelha. "O bar é liberado."
Ele ri. "Suponho que sim. Uma dança, então, madame?"
"Claro."
Ele me guia pela mão, firme e quente, para a pista. A palma da mão dele encontra minha cintura. Eu deixo, até me inclino um pouco enquanto nos movemos.
"Meu nome é John."
"Oi, John", digo, lutando contra aquele frio estúpido na barriga. Ele é bonito. Bem-apessoado, com um estilo cowboy bem cuidado.
Mas ainda há uma coceira que ele não consegue coçar direito.
Arrisco olhar por cima do ombro de John.
Colt está encostado no bar, me observando. Aquele sorriso lento e cheio de segundas intenções, como se ele tivesse me decifrado por completo. Ele ergue o copo em um brinde preguiçoso.
Desvio o olhar rapidamente.
Bastardo.
Pressiono-me um pouco mais perto de John, inalando seu perfume masculino. "Me mostre o que você sabe fazer, John."
Ele abre um sorriso largo, me puxando para mais perto. "Como quiser, madame."
Certo, estamos sentindo a confiança desse cowboy? 😏
Good opening, l want more.
ohhh what a right time I got this novel i was finding a novel jst like this ohhb superb
Personally don't like most people named John, so hard pass for me on him...But, I'm a fan of any MC named Clementine, so I'm in for her!