Capítulo 1: Das Cinzas ao Mármore
POV de Mara
Eles não podem fazer isso comigo. Por favor, só me deem um pouco mais de tempo...
Eu implorei, minha voz mal passando de um sussurro enquanto encarava o proprietário no corredor sujo do prédio onde morei nos últimos anos.
“Não, Sra. James”, ele respondeu de forma seca, sem nem um pingo de compaixão.
“Você está com três meses de aluguel atrasado. Até o fim deste mês, você precisa desocupar.”
Ele me deu as costas e foi embora, deixando-me ali, apenas com as minhas esperanças desesperadas destruídas.
Voltei arrastando os pés para meu apartamento minúsculo de dois cômodos — o único lugar que um dia chamei de lar. As paredes rachadas e o papel de parede desbotado pareciam estar se fechando sobre mim. Afundei no sofá gasto e senti o peso de tudo o que estava acontecendo.
Minha vida era um pesadelo do qual eu não conseguia acordar.
Mas antes que o desespero me consuma, deixe-me dizer quem eu sou.
Meu nome é Mara. Tenho 23 anos. Até duas semanas atrás, eu morava aqui com minha avó — a única família que já tive.
Mas o câncer a levou de mim. Agora, estou completamente sozinha.
Meu pai morreu quando eu tinha seis anos, em um acidente de carro. Lembro-me pouco dele, apenas fragmentos: suas risadas, o calor de seus braços, a sensação de que ele me amava profundamente.
Você provavelmente está se perguntando sobre minha mãe.
Eu não sei quem ela é. A única história que já ouvi é que meu pai era motorista dela e eles tiveram um caso. Ela é casada com algum empresário rico e poderoso, e supõe-se que tiveram um filho juntos. Então, talvez eu tenha um irmão ou irmã por aí.
Mas ela me deixou com meu pai logo depois que nasci — e nunca mais voltou.
Acho que foi um pequeno milagre ela não ter interrompido a gravidez.
Após a morte do meu pai, minha avó me acolheu. Ela já era viúva e havia perdido seu único filho, mas sacrificou tudo para cuidar de mim. Ela trabalhava em dois empregos só para colocar comida na mesa.
Fui uma criança solitária. Sem amigos. Ninguém queria se associar à garota pobre — “lixo”, me chamavam pelas costas. A única atenção que recebia era de provocações e bullying.
Mesmo agora, estou sozinha. Sem amigos, sem família. Apenas memórias da minha avó — e agora até ela se foi.
Nas últimas semanas, tentei equilibrar cuidar dela enquanto trabalhava como garçonete. Mas quando ela partiu, perdi as forças para continuar no emprego. Sem renda, sem aluguel. Agora, estou sem teto.
Preciso encontrar um novo emprego. Rápido.
Abri meu laptop velho, suas teclas gastas clicando sob meus dedos trêmulos. Pesquisei infinitamente por incontáveis anúncios de emprego. As horas se passaram.
Finalmente, encontrei algo promissor: uma vaga de empregada doméstica com moradia. O pagamento era bom e eu teria um lugar para ficar.
Eu não me importava com o trabalho — limpar, cozinhar, qualquer coisa. Eu só precisava escapar da minha vida.
Liguei para o número indicado. Um homem atendeu, com a voz curta e profissional.
Disse a ele que queria me candidatar à vaga.
Ele me deu um endereço e disse que a patroa decidiria se eu era adequada.
Na manhã seguinte, acordei às seis. Meu coração batia forte de nervosismo e esperança.
Olhei para minhas roupas gastas. Jeans velhos, suéter surrado com furos nas mangas, tênis puídos — nada adequado para uma mansão, mas era tudo o que eu tinha.
Tentei ajeitar meu cabelo embaraçado no espelho rachado do banheiro, mas isso só me fez sentir mais deslocada.
Dois ônibus, uma longa caminhada e finalmente cheguei.
Parecia que o mundo parou diante de mim.
Diante de mim erguia-se uma mansão tão deslumbrante que me tirou o fôlego.
A casa era enorme — uma extensão infinita de mármore branco, brilhando sob a luz dourada da manhã.
Colunas altas emolduravam a entrada, esculpidas com padrões intrincados que contavam histórias de riqueza e poder.
Incontáveis janelas, cada uma emoldurada por delicadas sacadas de ferro forjado, refletiam o céu azul claro como pedras preciosas polidas.
Os portões da frente eram maciços, feitos de ferro preto retorcido em curvas e pontas elaboradas. Eles ficavam erguidos como uma fortaleza, guardando os segredos escondidos por trás.
Uma longa entrada de carros se estendia diante de mim, ladeada em ambos os lados por roseiras perfeitamente podadas, carregadas de flores carmesim, cujo perfume inebriante se misturava ao ar fresco da manhã.
Fontes suaves sussurravam umas com as outras ali perto, a água cintilando enquanto caía em cascatas sobre bacias de pedra esculpida.
Os jardins eram amplos e exuberantes — gramados verdes imaculados pontilhados por flores vibrantes em todas as cores imagináveis.
Estátuas de pedra de anjos e leões ferozes guardavam o caminho, mantendo-se silenciosos e orgulhosos.
Olhei para minhas próprias roupas esfarrapadas e depois em volta, nervosa.
Aquele mundo era completamente estranho para mim.
Senti-me deslocada — como uma sombra que não pertencia àquele lugar.
A vergonha enrolou-se como uma serpente fria em meu peito.
Mas eu não tinha escolha.
Com uma respiração trêmula, reuni toda a coragem que me restava.
Dei um passo à frente, depois outro, até ficar diretamente em frente à maciça porta de carvalho.
Sua superfície era esculpida com relevos profundos de rosas e videiras, polida com um brilho suave.
Minha mão tremeu quando estendi o braço.
Fechei os olhos por um momento, tentando acalmar meu coração acelerado.
Então, bati.








