Chapter 1
Natalie
Ace: Tá acordada?
São duas da manhã. Ele provavelmente está bêbado, provavelmente com tesão, e provavelmente mandou mensagem para um monte de outras minas antes de mim.
E eu deveria saber. Eu sei, na verdade.
Mas, por algum motivo, quando se trata dele, eu sempre caio na armadilha.
Eu: Tô. Onde você tá?
Ace: Na casa do Justin. Quer vir?
Eu não deveria. Mas já estou vestindo meu moletom mesmo assim. Sem sutiã, não faz sentido usar. A casa do Justin fica a cinco minutos daqui.
Pego minhas chaves. O ar da noite me atinge como um tapa—frio, cortante, me despertando mais do que eu gostaria.
As ruas estão desertas. Meus pneus zumbem contra o asfalto, janelas entreabertas, moletom puxado para perto do corpo.
A luz da varanda do Justin brilha fraca. Há um som baixo de grave lá dentro e uma bagunça de garrafas vazias nos degraus.
Não bato na porta. Ela já está entreaberta. O ar lá dentro cheira a maconha, cerveja barata e suor.
Eu o vejo—Ace, jogado no sofá, pernas abertas, um sorriso torto no rosto como se soubesse que sou fraca por ele. Seus olhos estão pesados, uma garrafa pendurada nos dedos.
“Ei,” ele diz arrastado, a voz rouca e preguiçosa. Seu olhar me percorre, demorando-se onde o moletom não esconde muita coisa.
Odeio como meu estômago gela. Odeio como já estou caminhando na direção dele.
“Você veio.” Um sorriso de canto. Um desafio. Como se eu fosse dizer não algum dia.
Eu me sento ao lado dele. Seu braço passa pelos meus ombros, me puxando para perto, quente e pesado. Sua respiração está quente no meu ouvido.
“Não conseguia dormir sem você,” ele murmura, a mão descendo, os dedos roçando a pele nua da minha coxa.
Eu deveria empurrá-lo. Eu deveria ir embora.
Mas eu me inclino.
Eu sempre faço isso.
Como sempre, como de costume, acabamos lá em cima, num quarto de merda, com seu violão pegando poeira. Nunca o vi tocar mesmo. Não demora muito para cairmos no colchão dele.
Por cima de roupas jogadas e de outras decisões ruins que eu sei que ele tomou.
Não sei por que ainda venho. Sei que ele vai me tratar feito lixo de manhã. Sei que ele só me quer agora porque é fácil. Porque eu sempre venho.
Ele puxa meu moletom, meus peitos balançam no rosto dele, e ele lambe e morde um mamilo. Não se importa se está gostoso ou se dói.
Eu solto um chiado entre os dentes—agudo, sem filtro. A barba por fazer dele arranha minha pele onde sua boca insiste, o hálito quente embaçando sobre mim.
Ele aperta meu outro seio, com força, ganancioso. Aperta como se eu fosse seu alívio de estresse, como se eu fosse algo para ser manuseado, não saboreado.
O colchão range embaixo de nós, as molas reclamando como se estivessem cansadas dessa cena também. O jeans dele meio abaixado, minha calcinha puxada de lado, descuidada, impaciente.
“Mm, porra,” ele murmura contra mim, os dedos tateando entre minhas coxas, rápido demais, forte demais, sem ritmo.
Eu arqueio as costas, mas não de prazer—tentando mudar o toque dele, guiá-lo, qualquer coisa. Mas ele está bêbado, perdido nos próprios pensamentos, perseguindo o que quer, não o que eu preciso.
E ainda assim—eu fico. Porque eu sempre fico. Porque eu deixo.
Porque, algumas noites, eu não quero gentileza. Eu quero esquecer. E Ace sabe exatamente como me arruinar.
Seus dedos entram—dois, sem aviso—me esticando rápido, de qualquer jeito. Eu arfo, não de prazer.
Ele sorri contra minha pele, como se estivesse orgulhoso do som. Como se achasse que isso significa que me tem na mão.
“Porra, você tá tão molhada pra mim,” ele diz arrastado, a voz grossa, convencida.
Mas não é por ele. É o calor do quarto. A angústia de querer mais. De querer algo melhor.
Seu pau está para fora agora, duro contra minha coxa, vazando. Ele esfrega em mim, espalhando o lubrificante natural onde pode, a respiração ofegante no meu ouvido.
“Vira de costas.” Sem pedidos. Sem paciência.
Eu viro. Como sempre faço. De cara no travesseiro que cheira a ele—a fumaça, suor, decisões erradas.
Ele se posiciona, sem carinho, sem perder tempo. Empurra para dentro, de uma vez, grosso e rápido.
“Ahhh, porra, isso…” O gemido dele é baixo, gutural, os quadris girando fundo, perseguindo aquele ápice.
Eu? Eu mordo o travesseiro. Aguento. Sinto a queimação enquanto ele se move, descuidado, frenético.
E odeio como meu corpo ainda responde ao dele. Meus quadris empurrando de volta. Meu coração acelerado.
Porque mesmo quando é errado, é ele. E eu sempre venho.
Por que eu continuo vindo?
Entramos num ritmo, o mesmo de sempre. Um ritmo de merda. Mas eu gemo mesmo assim; às vezes ele está chapado demais para notar de qualquer forma.
O ritmo dele falha, desajeitado, fora de tempo, perseguindo o prazer como um homem faminto. A cabeceira bate na parede—tump, tump, tump—como se marcasse o tempo que ele não consegue manter.
Eu gemo porque isso preenche o silêncio. Porque mantém ele funcionando. Porque talvez, se eu parecer empolgada, eu consiga sentir também.
“É... é, exatamente assim,” ele geme, a voz rouca, o hálito quente no meu pescoço, a mão apertando minha cintura como se eu fosse escapar.
Deus, quem me dera.
Mas eu fico. Deixo que me use como quer. Deixo que pegue o que acha que é dele. O quarto fede a nós, a suor e arrependimento, a mais uma noite em que vou me odiar.
Suas estocadas ficam frenéticas. Ele está perto. Eu conheço os sinais. Eu sempre conheço.
E ainda assim, eu empurro contra ele. Dou o que ele quer. Dou o que sempre dou.
Por que eu continuo vindo?
Talvez porque seja mais fácil do que ficar sozinha.
Talvez porque isso seja tudo o que tenho dele mesmo. Nossa sintonia está errada. Sempre esteve. Eu me apaixonei. Ele não. Eu falei. Ele não.
E depois daquela fase estranha e de merda, é assim que estamos. Ele diz que pensa em mim. Eu finjo que não dói.
Ele geme, lá no fundo do peito, os dedos deixando marcas nos meus quadris enquanto busca seu fim.
“Porra... porra, gata...”
Gata. Como se a palavra significasse algo. Como se não fosse apenas barulho saindo da boca dele enquanto me usa para gozar.
Seu ritmo vacila. Ele dá um encontrão forte, duas vezes—então para, enterrado fundo, pulsando dentro de mim.
Sinto o calor, a bagunça. Meu rosto pressionado no travesseiro, o coração vazio, os olhos ardendo.
Ele desaba sobre mim, pesado, a respiração ofegante no meu ouvido. Sem beijo. Sem palavras carinhosas. Apenas o peso dele, o fedor de sexo e bebida barata.
Eu encaro a tinta descascada na parede dele. O pôster soltando na borda. O nada.
Talvez porque isso seja tudo o que tenho dele mesmo.
Talvez porque, por esses poucos minutos, ele finja que eu sou o suficiente.
E eu finjo que isso não me mata por dentro.
Não demora muito para sua respiração ficar regular—profunda, pesada, morto para o mundo. Ele apaga, como sempre faz depois. Esgotado. Alheio.
Eu sento devagar. Os lençóis grudam na minha pele, pegajosos de suor, dele. Minha calcinha continua torcida, coxas escorregadias com a sujeira que ele deixou.
Eu olho para ele. Seu cabelo está bagunçado, cílios escuros contra as bochechas coradas. Por um segundo, minha mão levanta, pensando em afastar aquele cabelo, talvez só para me sentir próxima.
Mas deixo cair.
Não somos assim.
Não somos nada.
Somos hábitos ruins, desgastados. O erro dele. O meu erro. O tipo que continua acontecendo porque é fácil, porque preenche o silêncio.
Talvez alguma garota tenha dado um fora nele hoje. Talvez seja por isso que ligou. Talvez eu seja o plano B.
Eu não pergunto. Não quero saber.
Visto meu moletom, os dedos tremendo como sempre acontece depois. O sentimento de vazio me domina, pesado no peito, frio como a noite lá fora.
E digo a mim mesma que é a última vez. Como sempre digo.
E não acredito. Como nunca acredito.
Eu me levanto. O chão está frio sob meus pés, range alto no silêncio. O quarto dele cheira a suor, colônia barata, arrependimento.
Olho para ele uma última vez—boca entreaberta, cabelo uma bagunça, braço estendido como se fosse dono do mundo inteiro. Como se fosse dono de mim.
Eu o odeio por isso.
Eu me odeio mais.
Pego minhas chaves. Meu telefone. O embrulho da camisinha no chão me chama a atenção—esquecido, como eu.
O ar da noite atinge com força quando saio, moletom puxado, coração batendo vazio. As luzes da rua zumbem, sombras se alongam.
Entro no meu carro, aperto o volante, encaro minhas mãos.
Toda vez eu penso que talvez, talvez desta vez ele me veja.
Toda vez eu vou embora, sabendo que ele não verá.
O motor ganha vida. Eu dirijo. Para lugar nenhum que importe. Para lugar nenhum que pareça o suficiente.
E o vazio viaja comigo, quieto, constante.
Como sempre.