Possuída

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Resumo

Ele deveria me proteger. Não me possuir. Quando meu irmão sai da cidade, ele me entrega aos cuidados de seu melhor amigo: Luke Sterling. Treinado. Perigoso. Um homem que ganha a vida protegendo pessoas do tipo de monstros que eu já sobrevivi. Agora, Luke está no meu apartamento. Dormindo no meu sofá. Me observando com olhos que prometem violência a qualquer um que se aproxime... e uma fome que eu não consigo ignorar. Eu pensei que a ameaça estivesse do lado de fora da minha porta. Descobri que a parte mais perigosa da minha vida é o homem que a guarda.

Gênero
Romance
Autor
Lynn Fair
Status
Completo
Capítulos
86
Classificação
4.8 15 avaliações
Classificação Etária
18+

1

Luke

A voz de Ryan estava tensa.

Não era uma tensão de negócios, nem aquele tipo de frieza calculada que ele usava como armadura em todas as salas de reunião. Não — essa era uma tensão diferente. Era algo cortante, um limite prestes a quebrar que fez meu estômago revirar, porque, se Ryan Rhodes estava mostrando rachaduras, é porque a merda estava feia.

Ele não era do tipo que se abala. Nem por tubarões de Wall Street, nem por aquisições hostis. O homem conseguia fazer o próprio Diabo desistir de uma mão no pôquer, e eu já o tinha visto fazer isso mais de uma vez. Mas naquela noite? Naquela noite, ele nem conseguia manter as mãos paradas.

“É a Cammie.” A palma da mão dele desceu pelo queixo, um som áspero contra a barba por fazer, e seus olhos desviavam de tudo, menos de mim. “Ela não admite, mas não está bem. Aquele babaca—” A voz dele falhou, o maxilar travado, uma raiva tão intensa que eu jurei conseguir senti-la irradiar dele. “Eu nem quero dizer o nome daquele filho da puta. Ele destruiu a garota, Luke. E eu vou viajar para Londres amanhã de manhã.”

Minhas costas pressionaram a bancada da cozinha, os braços cruzados, a expressão neutra, mas por dentro?

Porra.

Cammie Rhodes.

A irmã caçula dele.

A garota que eu prometi a mim mesmo — prometi a ele — que jamais tocaria.

Só que eu vinha tocando nela na minha cabeça há anos.

Ryan não notou a guerra que me rasgava ao meio. Ele estava ocupado demais andando de um lado para o outro em sua cobertura elegante como um animal enjaulado, afogando-se na impotência de um homem que podia controlar impérios, mas não o próprio sangue.

“Ela não quer conversar sobre isso comigo”, ele soltou entre dentes. “Ela não fala com ninguém. Mas não posso simplesmente deixá-la aqui. Não quando ele ainda está por aí.”

Meu maxilar travou com tanta força que doeu. “Ele está incomodando ela?”

Ryan não respondeu. Não com palavras. Apenas aquele silêncio de um segundo, sua garganta oscilando e seus punhos cerrados ao lado do corpo.

Isso foi tudo o que eu precisei saber.

Aquele filho da puta.

Um calor percorreu minha espinha, uma fúria afiada e cortante. Eu nunca o tinha conhecido — Cammie era pra lá de evasiva sobre o tal relacionamento — mas eu já tinha visto o suficiente. Suficiente para saber que ele não valia nada. Suficiente para saber que ele não merecia respirar o mesmo ar que ela. E, se ele ao menos olhasse na direção dela de novo, eu quebraria as mãos daquele desgraçado e faria ele engolir os próprios dentes.

Ryan parou de andar. Virou-se. Me cravou um olhar como um comando, como uma sentença de morte.

“Você é o único em quem confio.” Sua voz estava firme agora, definitiva. “Fique perto. Mantenha ela em segurança. Não deixe ele chegar perto dela. Por favor, Luke.”

O pedido atingiu meu peito como um soco.

Protegê-la?

Viver na órbita dela?

Vigiar cada movimento dela?

Ele não tinha a porra de uma ideia do que estava pedindo.

Eu deveria ter dito não. Deveria ter mandado ele contratar segurança privada, trancá-la na casa fortificada dos pais deles, fazer literalmente qualquer coisa, menos colocá-la em minhas mãos.

Mas então ouvi minha própria voz. Baixa. Definitiva. Inevitável.

“Eu vou cuidar dela.”

Ryan soltou o ar, parte do peso saindo de seus ombros, um alívio passando pelo seu rosto. “Obrigado, cara. Eu sabia que podia contar com você.”

Contar comigo.

Se ele ao menos soubesse.

Porque o que eu sentia pela Cammie não era fraternal.

Não era protetor.

Não era puro, nem nobre, nem nada que pudesse ser rotulado como “apenas cuidar dela”.

Não. Era algo mais sombrio.

Era uma obsessão crescente, uma fome corrosiva que vinha me consumindo desde o dia em que ela cresceu, desde o dia em que deixou de ser apenas a irmãzinha do Ryan e se tornou cada pensamento proibido da porra na minha cabeça.

E agora?

Agora ele a estava entregando para mim de bandeja.

Saí da casa dele naquela noite com um único pensamento queimando dentro de mim como gasolina quando pega fogo:

Ela era minha para proteger.

Minha para vigiar.

Minha para reivindicar, porra.