Capítulo 1
Breelynn
Eu já sabia antes mesmo de a chave girar.
O ar estava diferente — um silêncio estranho, daqueles que engolem o som em vez de contê-lo. Meus saltos ecoavam no assoalho de madeira e cada passo parecia o toque em um vidro já trincado. Uma jaqueta que não reconheci estava jogada no corrimão. Uma trilha de roupas espalhava-se pelo corredor: a camisa dele, um suéter que eu já tinha visto na minha melhor amiga dezenas de vezes.
Não. Isso não. Eles não.
Uma respiração que não era a minha flutuou escada abaixo. Depois outra, baixa e ofegante, e uma sílaba suave e sufocada que transformou meu estômago em gelo.
Subi. Minha mão pairava sobre o corrimão porque eu não confiava nas minhas pernas. Não abra a porta, eu disse a mim mesma. Não olhe. Finja que não viu o suéter. Finja que não ouviu...
Um som — mais agudo, indefeso — cortou a casa.
Empurrei a porta do quarto.
O mundo se resumiu a uma cama, lençóis emaranhados, pele nua. O corpo dele se movendo. As mãos dela nos ombros dele como se precisasse de uma âncora. Os rostos deles — o rosto do meu marido, aquele que eu beijei mil vezes — corados e assustados, voltaram-se para mim, e tudo no quarto pareceu sair de compasso.
Por um momento, ninguém respirou.
Então eu respirei. Puxei o ar com tanta força que queimou.
“Você tá de brincadeira comigo?!”
Eles se atrapalharam. Ele tateou para trás, tentando alcançar qualquer coisa para se cobrir. Ela agarrou o lençol contra o peito, o cabelo grudado nas bochechas, a boca já moldando meu nome como se isso pudesse salvá-la.
“Bree...”
“Não.” A palavra saiu de mim como uma sirene de aviso. Minha mão encontrou o abajur na mesa de cabeceira. Eu não planejei o que viria a seguir. Só precisava quebrar alguma coisa. O abajur espatifou contra a parede em uma explosão de vidro. Um pedaço de silêncio caiu com ele, e meu pulso martelava no espaço que restou.
“Não é o que...” ela tentou de novo, com lágrimas escorrendo e a voz trêmula.
“Não é o que parece?” Eu ri, um riso seco e vazio, porque o que mais se faz quando a vida racha ao meio? “Você está na minha cama com o pau do meu marido dentro de você. Que porra você acha que parece?”
Ela soluçou mais forte, os ombros se encolhendo. “Eu não quis que isso acontecesse...”
“Não quis?” Peguei um porta-retratos e o atirei no chão. O vidro estilhaçou perto dos meus pés. “Você deveria ser minha irmã. Minha família. Minha melhor amiga!”
Meu marido estendeu as mãos, suplicante. “Bree, por favor, ouve. Foi um erro, uma estupidez...”
“Cala a porra da boca!” Avancei, empurrando-o para longe. Meu peito subia e descia, a raiva fervendo a ponto de eu sentir que minhas costelas poderiam quebrar.
Então a voz dela irrompeu de novo, pequena e trêmula, mas brutal.
“Estou grávida.”
O quarto ficou imóvel. Meu coração parou.
Eu olhei para ela, as palavras ricocheteando dentro de mim. Grávida. Dele.
Ela choramingou, encolhendo-se ainda mais nos lençóis. “Descobri na semana passada. Eu não sabia como te contar...”
O som que emiti foi uma mistura de grito e soluço. Arranquei o travesseiro da cama e atirei no rosto dela. “E vocês ainda decidiram foder, na minha cama!”
Meu marido avançou novamente, tentando segurar meus braços, com a voz desesperada. “Não precisa significar nada, Bree. Podemos consertar isso...”
“Consertar isso? CONSERTAR ISSO?” Minha garganta arranhou com as palavras. “Você explodiu minha vida e acha que podemos apenas remendá-la? Você está falando sério? Você é patético.”
Minha mão voou antes mesmo que eu pensasse. O tapa estalou no rosto dele, e sua cabeça virou para o lado.
O silêncio veio em seguida, pesado e sufocante. Meu peito subia e descia como se eu tivesse acabado de patinar uma maratona. Meu marido piscou para mim, atordoado, com uma das mãos pressionada na bochecha.
Não esperei que ele falasse novamente.
Puxei uma mala de viagem do armário, joguei o básico — carteira, chaves, celular — e passei correndo pelos dois. Minha suposta amiga soluçava nos lençóis, meu marido murmurava desculpas quebradas, mas eu não olhei para trás.
A porta da frente bateu atrás de mim com tanta força que a estrutura tremeu. Não parei para consertar.
Eu dirigi.
Acordei com o zumbido do avião e meu próprio pulso batendo contra as costelas. O cinto de segurança cortava minha cintura; a luz do teto acendeu com aquele bipe suave que indica que há um fim e um começo nos próximos minutos. Por um segundo, a cabine girou. Fiquei encarando o cinza felpudo do assento à minha frente até que ele voltasse a ser uma coisa só, em vez de três.
Apenas um sonho, eu disse a mim mesma. Do pior tipo — real.
Levantei a persiana. O branco se espalhava lá embaixo — campos cobertos de neve, um fio escuro de rio entrelaçado. Em algum lugar lá embaixo, Maple Falls estava à minha espera.