Capítulo 1 "A garota que sorri para a tristeza"😊
A vida não é justa. Algumas pessoas nascem com tudo, enquanto outras lutam todos os dias apenas para sobreviver.
Eu pertenço à segunda categoria.
Mas eu fico triste por causa disso?
De jeito nenhum.
Eu já vi tanta dor que a própria tristeza se cansou de mim. Então, eu passei a perna na tristeza: me apaixonei por sorrir. E, não importa o que aconteça, nunca trairei esse amor. É por isso que eu sorrio todos os dias.
Hoje de manhã, às 8h, eu estava correndo para a loja. Não, a loja não é minha. Eu apenas trabalho lá. Se eu não me apressar, meu chefe mal-humorado começa a implicar comigo logo cedo.
No caminho, vi a Rani, uma cachorra de rua. Ela tinha acabado de dar à luz cinco filhotinhos, uma coisa mais linda. Todo dia eu levo algo para ela comer. Ela precisa mais do que nunca agora.
Sim, eu sou pobre. Ganho apenas 10 mil rúpias por mês. Mas isso ainda é o suficiente para eu alimentar alguém com fome. Porque se tem alguém que conhece a fome, sou eu. Eu já comi comida tirada de lixeiras públicas. Mas agora, pelo menos, eu ganho meu dinheiro. Isso significa que não preciso mais passar fome.
Finalmente, cheguei à loja.
Rimi: “Bom dia, senhor. Cheguei no horário.”
Dono da loja: “Você chegou no horário, mas se algo quebrar hoje por sua causa, o prejuízo vai sair direto do seu salário.”
Rimi: “Não se preocupe, senhor. Nada vai acontecer.”
Dez minutos depois, algo caiu da prateleira. A minha cara. O azar me persegue como uma sombra. E, graças a esse erro, recebi uma “tarefa extra”: varrer a parte de fora da loja.
Mas a tristeza não tem mais vez na minha vida. Eu sei como os remédios para saúde mental são caros. Mal consigo pagar o aluguel e a comida, que dirá terapia. Então, jurei ficar feliz, aconteça o que acontecer.
Quando terminei de varrer, voltei com orgulho.
Rimi: “Agora o senhor não vai descontar do meu salário, né?”
Dono da loja: “Você escapou dessa vez. Mas, na próxima, nada de erros.”
Rimi (sorrindo): “Não haverá erros. Não se preocupe.”
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Às 13h30, era hora do almoço. E eu fui para o meu lugar favorito:
o cemitério.
Sim, você ouviu direito. Eu almoço lá.
Por quê? Porque sinto que até as pessoas enterradas aqui foram abandonadas por seus entes queridos, assim como eu. Pelo menos, comendo aqui, eu faço companhia a eles.
A história da minha vida? Bom, é longa.
Minha mãe biológica era dançarina de bar. Ela nem sabia quem era meu pai. Ela me criou até os cinco anos, depois me deixou por outro homem. Foi assim que acabei no orfanato.
Mais tarde, um casal me adotou. Por um tempo, finalmente tive um lar e uma família. Mas quando fiz quinze anos, o casal teve seu próprio filho biológico. E então… eles me devolveram. Disseram que não podiam sustentar duas crianças.
Então, mais uma vez, fui abandonada.
O Conselho Tutelar me pegou. E, no dia em que fiz dezoito anos, comecei a fazer bicos. Minha educação era pouca, então trabalhos melhores eram impossíveis. Agora, aos vinte e quatro, aprendi a conviver com a pobreza, as ruas e as rejeições.
Mas tristeza? Não. Eu chutei isso para longe há anos.
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Naquela tarde, quando cheguei ao cemitério, vi algo. Alguém estava sendo enterrado bem onde eu costumava sentar. Então, andei um pouco mais e sentei em outro lugar.
Rimi (para os túmulos): “Olá, pessoal. Vocês não me conhecem, porque costumo sentar do outro lado. Mas prazer em conhecê-los hoje. Posso comer aqui?”
Eu estava prestes a abrir minha marmita quando o vi.
Um homem. Sentado não muito longe dali.
Rimi (gritando): “Aaaaa! Você é um fantasma?!”
Depois, apertei os olhos. Roupas brancas são para fantasmas. Mas esse usava roupas sujas e rasgadas.
“Ah, espera... você é um fantasma sem-teto.”
O estranho olhou para mim e respondeu calmamente.
Estranho: “Eu poderia dizer o mesmo. Talvez você seja o fantasma aqui.”
Rimi: “De jeito nenhum! Olha, estou comendo. Qual fantasma come comida?”
Ele caminhou até mim e sentou bem ao meu lado. Sem pedir, pegou comida da minha marmita e começou a comer.
Rimi: “Com fome, hein? Tudo bem, pode comer. Fique à vontade.”
Estranho (mastigando): “Viu? Eu também estou comendo. Então não sou um fantasma. Só estou morrendo de fome. E isso está uma delícia.”
Rimi (radiante): “Claro que está. Fui eu que fiz. Sabia que acordei às 5 da manhã, fui até a floresta e colhi cogumelos frescos só para isso?”
Ela estendeu a mão.
Rimi: “Olá, sem-teto. Meu nome é Rimi. Qual é o seu?”
Estranho: “Aditya.”
Rimi: “Aditya, é? Você parece ser uma pessoa decente. Por que não trabalha? Olha para mim, eu não tinha nada. Nem dinheiro para comprar comida. Mas agora ganho 10 mil rúpias. A vida melhora quando você tenta.”
Aditya a observou em silêncio.
Aditya: “Com quem você mora?”
Rimi (sorrindo tristemente): “Com ninguém. Todos me deixaram.”
Ela inclinou a cabeça para ele.
Rimi: “E você? Por que está sentado aqui? Procurando paz… ou alguém que você perdeu?”
Aditya ignorou a pergunta.
Aditya: “Você pode trazer esses cogumelos de novo amanhã? Estão incríveis.”
Rimi (rindo): “Talvez. Mas coisas preciosas não são fáceis de achar. Se eu conseguir, trarei para você.”
Nesse momento, alguns homens começaram a colocar cartazes publicitários dentro do cemitério.
Rimi (franzindo a testa): “Sério? Nem os mortos podem descansar em paz. E olha só, é o Rao Group. Gente inútil. Uma empresa tão grande, mas sem o mínimo de noção.”
Aditya apenas deu um sorriso fraco.
Rimi (guardando suas coisas): “Certo, Aditya. Preciso voltar ao trabalho. E escute… coisas preciosas precisam de esforço. A vida também é preciosa. Viver não significa apenas respirar, significa sorrir e ser feliz. Um dia, você encontrará um caminho de volta à vida. Agora, você não é apenas um sem-teto. Você está triste. Isso é pior.”
Ela tirou 1000 rúpias da bolsa e colocou na mão dele.
Rimi: “Compre roupas novas. E tome um banho. Você está cheirando a álcool.”
E, com isso, ela foi embora.
Aditya ficou paralisado, olhando para as notas em sua mão. Aquela garota seria… um anjo? Lentamente, ele sorriu e guardou o dinheiro no bolso.
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Mansão Rao
Manjula Rao (para os seguranças): “Onde ele está? Ele não voltou para casa ontem à noite! Eu disse para vocês ficarem de olho nele. Preciso demitir todos vocês e encontrar pessoas que realmente saibam fazer seu trabalho?”
Segurança: “Senhora, seguimos o senhor até ontem à noite. Mas depois disso, ele desapareceu. Não conseguimos rastreá-lo.”
No escritório, Vijay Rao, o chefe do império Rao, suspirou pesadamente.
Vijay: “Esse garoto… Ele está se destruindo. Dois anos se passaram e nada mudou. Nós o levamos a todos os psiquiatras, nacionais e internacionais, mas ele não toma os remédios nem faz terapia.”
A porta da frente se abriu. Um jovem entrou.
Manjula (correndo até ele): “Aditya! Onde você estava? Olha o seu estado. Seu pai e eu não conseguimos dormir a noite toda. Por que está nos punindo assim? A Nancy se foi. Ela não vai voltar. Aceite isso.”
Vijay (com a voz embargada): “Você é nosso único filho, Aditya. Até quando vai continuar se culpando pela morte da Nancy? Não foi sua culpa. Foi o destino.”
Os olhos de Aditya se encheram de lágrimas.
Aditya: “Não, foi minha culpa. Nancy morreu por minha causa. Eu não pude salvá-la.”
Manjula: “Não foi intencional! Você fez tudo o que podia. Você queria o melhor para ela.”
Aditya (gritando): “E mesmo assim, ela morreu! Apenas dois dias antes do nosso casamento, ela morreu por minha causa!”
Vijay: “Foi um acidente. Nada mais que isso.”
Aditya (com a voz trêmula): “Não, pai. Eu perdi tudo naquele dia.”
Ele correu para o seu quarto, trancando a porta.
Lá dentro, as paredes estavam cobertas com fotos de Nancy. Os sorrisos, as memórias. Aditya desabou no chão, soluçando.
Seus pais batiam desesperadamente, implorando para ele abrir.
Mas ele não abriu.
Em vez disso, ele tirou uma caixa, pegou uma seringa e injetou algo em si mesmo. Poucos instantes depois, ele caiu no chão.
Quando os empregados e seus pais finalmente arrombaram a porta, o encontraram inconsciente.
Uma overdose.
Uma emergência médica.
Eles o levaram às pressas para o hospital.
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