Capítulo 1: Caçada

Eu cavalgo.
Eu cavalgo rápido.
Cavalgo e ignoro os galhos que chicoteiam meu rosto enquanto galopo pela floresta — forçando a égua tordilha que roubei do palácio a ir ainda mais rápido.
Porque sei que logo avistarei o porto, e lá, terei uma chance de escapar.
E, embora saiba que os marinheiros e vagabundos que ocupam o local possam representar um risco, é uma aposta que estou disposta a fazer. Afinal, a alternativa é ser devolvida ao meu recém-noivo, e isso, sem dúvida, seria muito pior.
"Vamos, garota", sussurro. "Só mais um pouco, por favor..."
Ao fazer a curva, o enorme porto de Aramanthia surge diante de mim e, finalmente, permito-me ter um pouco de esperança.
Mesmo que eu não tenha a menor ideia do que, em nome das Cinco Ilhas, farei quando chegar lá.
Decido que os detalhes podem esperar, pois foco apenas em chegar ao local antes que os soldados que me perseguem consigam me alcançar.
Puxo as rédeas da égua bruscamente quando chegamos à entrada, pulo do animal e dou um tapa em sua garupa, mandando-a seguir em frente, caso ela consiga distrair alguns dos perseguidores.
Viro-me e olho em volta, apenas para encontrar o porto, geralmente movimentado, agora... parado.

Droga, acho que estou chamando um pouco a atenção.
Um eufemismo, talvez, visto que estou vestindo um vestido de noiva branco com espartilho, com meu longo cabelo ruivo cheio de gravetos, folhas e uma boa quantidade de insetos que encontrei pelo caminho.
E não preciso de um espelho para saber que meu rosto está marcado por cortes, arranhões e mais lama do que um porco suportaria.
Ainda assim. Fui criada como uma dama.
Bem, como uma princesa, para ser exata.
E assim, pigarreando, mantenho a cabeça erguida e me preparo para negociar minha passagem. Afinal, se o meu pai consegue, eu com certeza também consigo.
"Com licença, senhores. Algum de vocês..."
Minha voz desaparece quando o som da trombeta de caça ecoa, anunciando a chegada iminente dos guardas do palácio, e todos — homens, mulheres e até os ratos — se espalham.
Mas o que é isso?!
O formigueiro de atividade em que eu havia parado explode em movimento novamente, enquanto todo o porto tenta esconder algo ou alguém, ou melhor ainda, apenas... zarpar.
"Esperem, por favor", digo, tentando impedir que alguém, qualquer um, desse meia-volta.
"Sai da minha frente!", vem a primeira resposta, acompanhada por um encontrão de ombro.
Viro-me para outro marinheiro que passa, ficando desesperada. "Senhor! Se você pudesse apenas..."
"Saia da frente!", ele rosna, soltando a amarra do barco.
"Eu tenho dinheiro", imploro, segurando o braço dele. "Eu posso..."
"Eu prefiro manter minha cabeça!", ele retruca, empurrando-me para longe.
E eu não tenho tempo para me sentir ofendida com o tratamento grosseiro. Parece que a reputação dos guardas do palácio é tão temível quanto a do próprio Rei.
O Rei, ah, droga.
O homem com quem eu deveria me casar hoje... provavelmente agora mesmo, na verdade...
"TODOS EM POSIÇÃO!"
Praguejo ao reconhecer a voz de Tidas. O chefe da guarda do Rei, um homem frio, cruel e completamente careca.
Droga! Que droga maldita!
Com o alarme do palácio soando muito mais rápido do que eu previa, e Tidas sendo surpreendentemente ágil para um homem grande, sei que preciso agir imediatamente.
Tento encontrar um lugar para me esconder e logo avisto um barco a remo coberto ao lado do cais, então puxo a lona.
"EI! Arrume o seu próprio lugar!"
Palavras raivosas de uma mulher irritada me recebem, junto com um forte empurrão de sua mão trêmula, enquanto tento, aos trancos e barrancos, não cair de bunda no chão.
O som de cascos nas tábuas de madeira do cais enche o ar enquanto os guardas se aproximam. Sem outra alternativa, mergulho atrás de uma pilha de barris de peixe abertos.
Santa sardinha... literalmente...
Faço uma careta ao escorregar no chão escorregadio de vísceras, sentindo ânsia com o mau cheiro dos restos enquanto me esforço para prensar minhas costas contra a madeira fria, úmida e áspera dos barris.
"ENCONTREM-NA!", Tidas troveja de cima de seu cavalo.
E, com o resto do mundo tentando cuidar de seus próprios negócios, ou de seus próprios pescoços, só consigo fechar os olhos, prender a respiração e me perguntar como, pelos céus, eu vim parar aqui...
*Ontem*

"Sinceramente, não sei por que você está reclamando, Willow", minha madrasta dispara, ácida como sempre, sentada ao meu lado. "A maioria das garotas estaria absolutamente radiante com a perspectiva de se tornar uma rainha."
"Isso sempre foi o seu sonho, Gwendoline, não o meu", respondo com um suspiro, observando a floresta passar pela janela da nossa carruagem.
Meu pai, enquanto isso, coloca a cabeça para fora do outro lado... e vomita.
De novo.
Não estou surpresa.
Ele sempre teve uma saúde frágil e nunca se deu bem com viagens, mesmo que o percurso de nossa terra natal, Nareolle, até aqui, em Aramanthia, fosse relativamente curto.
Afinal, o conjunto de ilhas que compõe nosso mundo dividido é muito próximo, embora, até pouco tempo atrás, fossem governadas separadamente.
"Quantas vezes vou ter que te pedir para me chamar de mãe?", Gwendoline reclama. "Diga a ela, George."
"Ela tem razão", meu pai me diz, levantando a cabeça e limpando o queixo dos restos do café da manhã. "Já passou tempo suficiente, é hora de seguir em frente. Sua mãe está morta há uma década, Willow."
Reviro os olhos. Eu não preciso que me lembrem das datas.
Dez anos, quatro meses, duas semanas, um dia e um punhado de horas.
É quanto tempo faz desde que perdi minha mãe. E não passa um dia sequer sem que eu pense nela e no que ela acharia de tudo isso.
Afinal, quando ela faleceu, eu estava noiva de Peter, Príncipe de Panthia, cujo pai governava o reino vizinho ao nosso.
E embora uma mulher como eu — uma princesa — possa ter pouca esperança neste mundo cruel além de fazer um bom casamento, já que Peter e eu éramos amigos desde a infância, casar-me com um amigo seria muito melhor do que com um estranho.
Ou, neste caso, com um tirano.
Pois, embora nunca tenha existido um governante único para as Cinco Ilhas, meu atual noivo está determinado a mudar isso e agora controla três dos cinco reinos, incluindo o meu; apenas Panthia e a misteriosa Nymphia resistem.
Mas, na verdade, não tenho certeza de quanto tempo ambos conseguirão resistir ao Rei Crocus. Uma fera de homem com olhos de caçador, modos de porco e um sorriso predatório e reptiliano que congelava meu sangue.
Ainda assim, na noite em que ele invadiu minha terra, eu me mantive firme... mesmo enquanto meu pai se ajoelhava sem sequer hesitar.
Covarde.
"É melhor você não franzir a testa quando chegarmos", Gwendoline resmunga ao notar minha cara fechada. "O Rei valoriza sua beleza. Não estrague tudo antes de colocar aquela coroa na cabeça e um herdeiro no seu ventre."
Meu estômago revira. Porque, embora muitos achem que ser considerada bonita seja uma bênção, alguns dias, como hoje, posso garantir que parece mais uma maldição.
"Eu não quero nenhuma das duas coisas", murmuro baixinho, ainda virada para o lado oposto.
De nenhum dos dois.
"Ah, desisto de você, menina!", ela exclama, exasperada, jogando as mãos para o alto, dramática como sempre, enquanto balança a cabeça. "Você será a esposa do Rei que logo governará as Cinco Ilhas! Pare de fazer bico, isso é uma honra!"
Meus olhos reviram tão forte desta vez que quase fazem a carruagem sair do caminho.
Uma honra?
Que piada.
'A Esposa do Rei Tirano'.
Tenho certeza de que há uma história aí em algum lugar... mas não será esta.
Pois posso ser uma princesa, mas certamente não sou frágil. Então, se precisar me sujar para escapar, é exatamente o que farei.
Vou aproveitar a minha chance e vou fugir.
Porque se eu conseguir chegar a Panthia, se eu conseguir chegar até Peter, ele vai me ajudar. Eu sei que ele vai.
Ele é minha única esperança.
E assim, enquanto Gwendoline continua tagarelando e meu pai vomita novamente, continuo olhando pela janela. Conto os passos e observo os marcos. Assim, quando tiver minha oportunidade — e eu sempre tenho uma oportunidade —, poderei voltar ao porto e escapar...
*De volta ao presente*

O som dos cavalos sendo parados e de uma dúzia de botas batendo no cais me traz de volta ao presente, e ao meu problema atual, enquanto me arrisco a dar uma espiada.
Ainda com as costas pressionadas, empurro o corpo para cima, olho por cima do ombro e espio por cima do barril...
Ah, mer... peixes voadores!
Praguejo (mais ou menos) ao notar os guardas se espalhando para revistar, e me abaixo rapidamente.
Preciso encontrar um jeito de entrar em um barco maldito...
"Tudo bem aí, princesa?"
A voz suave, quase cantarolada, acima de mim me faz dar um pulo. Encontro um marinheiro loiro-acinzentado, muito bonito, apoiando o traseiro nos barris.
Ele tem o cabelo comprido preso por uma bandana vermelha, cruza os braços fortes e parece falar comigo, enquanto mantém seus olhos verdes vibrantes nos soldados.
Bem, o olho, já que ele usa um tapa-olho em um deles.
"Já tive dias melhores", murmuro.
"Ha!", ele solta uma risadinha, suspirando com um sorriso. "Entre no baú."
Olho para ele, incrédula. "O quê?!"
"O baú", ele repete, balançando a cabeça casualmente na direção de um grande baú aberto à minha frente. "Entre."
Fico olhando e depois dou um riso de descrença. "Sem chance!"
"Belo dia, oficiais!", ele chama e acena para alguns dos guardas, com um sorriso brincalhão e um palito que ele mastiga preguiçosamente.
"Shhh!", eu sussurro... antes de notar que os guardas que se aproximavam do meu lado param e voltam sua atenção para ele, em vez de me verem.
"Ah, tá bom", resmungo entre dentes, rastejando até o baú e entrando nele. "Eu não posso acreditar que estou fazendo isso..."
Alguma comoção no outro lado do porto parece distrair os guardas momentaneamente, enquanto o marinheiro ri e murmura.
"Vai ficar muito pior, princesa — prepare-se."
"O quê?"
Antes que eu possa perguntar o que ele quer dizer, ele chuta o barril em que estava apoiado, fazendo com que os peixes caiam perfeitamente sobre mim, ao mesmo tempo em que a tampa fecha.
Meu Deus!
Fico deitada na escuridão, cercada por peixes viscosos. Tenho ânsia, me remexo e instintivamente alcanço a tampa, pronta para empurrá-la.
"O que tem no baú?"
Vozes abafadas acima de mim me fazem parar e ouvir.
"Bem, é um porto..."
Reconheço a voz do marinheiro.
"...o que você acha que tem aí? Peixe."
"Para quê?"
Agora também reconheço essa voz: Tidas.
"O café da manhã da sua mãe", o marinheiro responde. "Ela está lá no barco esperando eu voltar para a cama e..."
O som de um punho atingindo carne me faz estremecer, enquanto o guarda rosna: "Abra isso, engraçadinho."
Droga...
Botas pesadas se aproximam e me encolho, como se o fundo do baú pudesse abrir e me permitir esconder ainda mais.
E sinto-me subitamente muito grata por esses peixes.
Mesmo que eu queira vomitar.
Feixes de luz perfuram o baú quando a tampa se levanta... e eu permaneço imóvel. Nem sei se meu coração ainda bate enquanto espero ser descoberta.
"Viu, peixe", diz o marinheiro, "Então, boa sorte com o que quer que esteja procurando — nós já vamos indo."
Ouço um assobio estridente, seguido pelo som de mais botas se aproximando.
Uma sombra cobre o baú, imagino que seja o marinheiro se movendo para fechá-lo enquanto sua tripulação chega.
"Não tão rápido", Tidas dispara, e a fivela de suas botas pretas enormes tilinta quando ele caminha direto até o marinheiro. "Eu te conheço?"
O marinheiro loiro e desleixado balança a cabeça e dá de ombros.
"Eu só tenho uma daquelas caras comuns, senhor."
Tidas não se move.
O marinheiro simplesmente sorri.
E Tidas cede primeiro, com uma ordem ríspida: "Revistem."
Sem hesitar, um dos outros guardas se move, vira seu rifle e usa a coronha para cutucar o interior do baú.
Mordo os lábios para não gritar. Sinto-me subitamente grata por minha estrutura pequena e minhas curvas suaves.
Ai...!
Mesmo que ainda doa.
"TRAIDOR!", um guarda ruge à distância.
A declaração, seguida por um disparo, soa do outro lado do porto, e um criminoso procurado dos cartazes parece ter sido capturado, gerando uma correria.
"Tudo bem", diz Tidas, guardando o mapa enquanto saca sua pistola, pronto para entrar na briga, sem nem olhar novamente para o marinheiro enquanto começa a se afastar. "Vão embora."
"Com prazer...", o marinheiro murmura, enquanto a tampa se fecha sobre mim e a escuridão retorna.
Solto um suspiro de alívio. Mas é passageiro, pois sinto o baú sendo erguido do chão com resmungos de protesto... e o cheiro, junto com o estresse, começam a me dominar.
Não...
Uma escuridão diferente toma conta de mim enquanto percebo que estou perdendo a consciência, sem ideia de onde estarei quando acordar. Ou mesmo se acordarei. Mas, ainda assim, enquanto a luz desaparece, decido que nada pode ser pior do que estar presa ao rei tirano.
Certo?