The Party
Juliet
"Por que tão séria?" Lily me provoca, dando um empurrãozinho com o ombro no meu. "É a sua festa de despedida, não um velório."
Não consigo responder. Minha garganta aperta e meus olhos ardem ao olhar para as fotos que ela pendurou por todo o quintal.
Lily e eu aos 5 anos na piscina para nossa primeira aula de natação; aos 7 no hospital quando o irmão dela nasceu; aos 11 de aparelho nos dentes; aos 14 com uma franja horrorosa que nós mesmas cortamos; aos 18 quando batemos o carro dos pais dela... na parede da garagem; aos 20 quando provamos a primeira cerveja e cuspimos tudo... é uma vida inteira de coisas lindas e calorosas.
E agora minha vida inteira está encaixotada em duas malas, logo ali ao lado. Pronta para ser virada de cabeça para baixo, me forçando a ficar longe da pessoa que foi minha parceira de todas as horas, nos bons e maus momentos.
"Eu não quero ir", digo com a voz embargada, sem olhar para ela.
"Eu juro que te mato se você chorar, Jules", ela resmunga, a própria voz falhando um pouco enquanto continua: "Porque se você chorar, eu vou chorar também. E eu não quero parecer um guaxinim gótico em todas as fotos de hoje. Um dia, quando você for uma organizadora de eventos famosa, vão mostrar essas fotos quando você aparecer em programas de entrevista. E eu preciso estar maravilhosa. Então se controla, tá?"
Dou uma risadinha e fungo ao mesmo tempo, virando-me para encará-la. "Diz o nome de uma organizadora de eventos que você já viu em qualquer talk show."
"Você vai ser a primeira", ela responde com um sorriso radiante, tomando um gole do seu champanhe. Usando um canudinho.
Faço uma careta ao ver o canudo. "Isso é um sacrilégio."
Um coro de risadas e conversas altas corta o quintal antes que ela possa responder. E uma voz em particular coloca meu corpo em alerta máximo.
Eu juro, vou estrangular esse garoto se ele fizer qualquer palhaçada hoje. Já estou nervosa por deixar tudo o que conheço para me mudar sozinha para outra cidade. E não é qualquer cidade. É Nova York. Do outro lado do país, bem longe de Seattle. Trabalho dos sonhos idiota.
"Você convidou eles?" sussurro para Lily, cheia de raiva.
Ela faz uma careta. "Eu não convidei. E avisei explicitamente para ele ficar longe, e manter os puxa-sacos e tietes dele longe também." Então, ela olha para a algazarra que se aproxima e diz entre dentes: "Mas quando é que aquele pirralho obedece?"
"Ora, ora", uma voz familiar demais sussurra no meu ouvido. "Se não é a convidada de honra, a própria Sra. Juliet Super-Exigente-Pro-Max Hart."
Preciso reunir toda a minha paciência antes de me afastar e girar para encarar a ruína da minha existência.
Ele está vestindo uma camiseta preta básica e jeans azul. Mas a camisa está justa em seu peito, que parece ficar mais definido a cada dia, e seus ombros estão começando a ganhar forma em um ritmo inquietante. O cabelo preto denso está bagunçado, caindo sobre a testa. A marca registrada de seu sorriso arrogante brinca nos lábios, prometendo encrenca. E aquela maldita covinha, que só aparece de perto e só quando o sorriso realmente alcança seus olhos.
Quando foi que o irmãozinho irritante da minha melhor amiga começou a parecer um quase adulto? Ele só tem 19 anos, pelo amor de Deus. Eu não sou boba, mas existe gente bonita e existe gente que faz a cabeça girar.
Costumava ser tão mais fácil quando ele era apenas um magricela que eu podia ignorar sem me incomodar.
Mas Liam Winchester é simplesmente enlouquecedor agora.
Ele não é mais uma pessoa, é uma presença.
Alto, com músculos visíveis e um rosto de capa de revista que é impossível ignorar.
Bato os cílios para ele e faço um biquinho da forma mais falsa que consigo, depois sussurro para que só ele e Lily ouçam: "Awn, o pequeno abelhinha está fazendo cena de novo porque ninguém está dando atenção para ele?"
Só ele sabe como consegue manter o sorriso enquanto a mandíbula trava.
O problema é que saber que botões apertar funciona para os dois lados entre nós. Eu sou sete anos mais velha; vi de tudo, desde o medo que ele sentia quando via um palhaço pela primeira vez, até o fato de ele fazer xixi na cama até os 9 anos e sua fase de cabelo comprido aos 13.
Então eu também sei o apelido que a família deu a ele quando nasceu, todo gordinho e enérgico.
Abelhinha. O bebê que estava sempre ocupado, sempre zumbindo.
E ele odeia quando alguém o chama assim agora.
Ele só esconde melhor. Como está fazendo agora, ainda mais perto dos amigos. Ou de todos os capangas que o tratam como se ele fosse o rei. O único amigo próximo dele é o Jared. E ele é o único que também conhece o apelido.
Jared dá uma risadinha ao lado dele, na hora certa.
Liam lança a ele um olhar rápido e tenso antes de voltar os olhos para mim. "Então. Grande dia para você", ele diz, arrastado. "Esse novo emprego chique em Nova York é o quê... por volta do número 9 no seu plano de vida plastificado?"
Eu travo. É exatamente o número 9 no meu plano de vida, que está, sim, plastificado. Trabalhar na melhor empresa de organização de eventos do país. Ou ele chutou um número e acertou em cheio, ou...
Meu coração dispara. Só mostrei meu plano para a Lily, e nem ela lembra o que vem em cada número. Então o Liam conseguiu colocar as mãos enormes e absurdas nele de algum jeito.
Aff, por que ele continua pegando minhas coisas??? Minhas roupas, meus sapatos, meus livros, ele até pegou meu secador uma vez. Ele ainda não devolveu, e eu nem me dei ao trabalho de comprar outro. Então estou secando o cabelo ao ar livre mesmo.
Dou a ele um sorriso doce e venenoso. "Invadir uma festa onde ninguém te quer, roubar coisas que não te pertencem, passar os dias no porão dos seus pais jogando videogame, como se ser um preguiçoso fosse uma escolha de carreira — parece que você tem o seu próprio plano de vida, abelhinha." Não me dou ao trabalho de sussurrar essa palavra desta vez. "Que pena que eu não estarei por perto para ver você atingir todo o seu potencial."
O olhar zombeteiro e malandro em seu rosto vacila, algo estranho e intenso brilhando selvagemente no lugar.
Prendo a respiração.
Liam e eu vivemos essa dança há alguns anos.
Ele sempre foi brincalhão. Aranhas de plástico na minha pipoca quando estávamos vendo filmes. Soltou um galo de verdade no nosso quintal como despertador no primeiro dia de férias de verão. Mesmo sendo vizinhos, e o galo acabou acordando metade do bairro. Conectou no nosso som externo e tocou death metal enquanto eu meditava. Era sem parar, como se fosse a vocação da vida dele me provocar e me atormentar.
As brincadeiras pararam quando ele fez 18 anos. Depois, começou a zombar de mim por ser séria demais, chata demais, estudiosa demais, organizada demais, e a lista continuava. As alfinetadas nunca são diretas, ele nunca me chama de nada disso na cara, mas entendo perfeitamente o subtexto.
Não sou de levar desaforo para casa, então retruco, e ele continua. Sempre funcionou assim.
Mas isso... o que quer que esteja acontecendo com as feições dele, nunca vi esse olhar antes.
Como se algo no meu comentário tivesse atingido algum ponto sensível e secreto.
Deveria considerar isso uma vitória. Ele geralmente é tão inabalável que nunca consigo tirar ele do sério. Mas ele consegue me fazer explodir em segundos. Então isso é raro.
Eu deveria estar radiante. É isso que significa o nó estranho no meu estômago e o aperto repentino no peito? Que estou radiante? Deve ser.
Mas para referência futura, o que eu disse que...
"Sua margarita, querida." O braço de Caleb desliza pela minha cintura e ele me puxa para mais perto, entregando-me a bebida.
"Obrigada", respondo, sorrindo, antes de me virar para o Liam novamente.
"E aí, irmãozinho", Caleb cumprimenta Liam.
Se a expressão dele estava abalada antes, agora é um incêndio descontrolado. Nojo, desprezo, hostilidade aberta. Tudo direcionado ao meu namorado.
Solto um gemido interno. Isso de novo. Minha escolha de namorados é outra coisa que Liam vive zombando, desde que tive meu primeiro namorado sério aos 23 anos. Liam tinha 16, e ele fez de tudo para afastar o Mark. Isso foi depois que ele sabotou cada encontro que tive com qualquer outra pessoa.
Mas algo no Caleb em particular o tira do sério. E o fato de Caleb sempre se referir a ele de forma provocativa como irmãozinho não ajuda.
O olhar de Liam cai sobre a mão de Caleb em mim, e sua boca se comprime em uma linha reta. Só por um momento. Então, ele encara Caleb com um olhar vazio. "Bom ver você de novo, Salsicha."
O grupo atrás de Liam, 3 rapazes e 2 moças, dá risadinhas. Sério, o Liam não pode arrumar uma namorada logo para ter outra coisa em que focar? Que garoto de 19 anos tem a aparência dele e não namora? Lily e eu assistimos de camarote garotas — até garotos — se jogando para cima dele, mas ele permanece solteiro de forma teimosa.
Caleb fica tenso, fica vermelho e depois rosna para Liam: "É Wieder." Então murmura para si mesmo, para que ninguém além de mim ouça: "Puta perdedor, nem foi convidado."
Fico tão irritada que sinto uma vontade física de empurrar Caleb para longe de mim. Eu posso chamar o Liam do que eu quiser, o Caleb não tem esse direito.
"Para com isso", digo, fervendo em voz baixa para Caleb. Ele é o adulto da história, o Liam é só um adolescente. E esta é a casa do Liam. Se ele foi convidado ou não para a festa que a Lily deu para mim, é irrelevante. Ele pode vir e ir quando e onde quiser.
Caleb faz uma carranca, aquela cara que ele faz quando vai começar uma briga verbal. Droga.
Me viro para o Liam antes que o Caleb possa dizer mais alguma ofensa em voz alta, suspirando, exasperada. "Você pode, por favor, me deixar em paz e me dar um pouco de sossego por apenas esta maldita noite? Você vai se livrar de mim a partir de amanhã, de qualquer jeito."
Lá está aquele olhar bizarro de novo. Como se eu tivesse, de fato... quase... machucado ele.
Um peso desaba no meu estômago.
Que diabos? Ele está falando sério? Esse terrorista me perseguiu por anos com pegadinhas e palavras, e agora ele não pode...
"Lá está a estrela da noite!"
A voz da Sra. Winchester surge da porta do quintal, enquanto ela sai carregando um bolo enorme nas mãos, com um sorriso radiante no rosto. Ela vem acompanhada do Sr. Winchester, e da minha mãe e meu pai, todos usando o mesmo sorriso.
Ah, cara, não, não. Olho para a Lily, e ela me dá um sorriso sapeca, claramente ciente do que a mãe dela ia fazer.
"Você prometeu algo simples e quieto!", reclamo com ela em um sussurro, mas coloco um sorriso no rosto para nossos pais.
Ela ri, sem se desculpar. "Você já conheceu minha família, né?"
Então ela me empurra em direção à mesa onde a mãe dela coloca o bolo chamativo.
Depois disso, é um borrão de parabéns, ser puxada para abraços querendo ou não, pedaços de bolo sendo empurrados goela abaixo, e todo mundo agindo como se eu fosse a primeira mulher desde Eva a conseguir um emprego que realmente queria.
Tão bobo.
E eu vou sentir falta disso. De tudo. Mamãe e papai discutindo sobre o que assistir na TV, os Winchester fazendo churrasco no meio do inverno, a chuva estragando nossos planos porque é Seattle, morar ao lado da minha pessoa favorita, até do irmão irritante dela que...
"Eu vou te estripar, seu bosta!!" A voz raivosa e gritante de Liam, vindo do fundo do quintal, corta toda a festança.
E, de repente, tudo fica quieto e imóvel, exceto pelo barulho da briga entre o Liam e meu namorado.




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