Etoile: O Preço da Obsessão

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Resumo

Quando a estudante de pós-graduação Etoile Maddox, de vinte e dois anos, escolhe o caminho mais curto para casa em uma noite gelada em Londres, ela não espera nada além de chuva fria e ruas silenciosas. Em vez disso, ela é emboscada, drogada e arrastada para um mundo que ela jamais imaginou existir — um mundo governado por predadores que operam nas sombras, comercializando vidas humanas com precisão implacável. No topo desse mundo está Emrys Magnuson — também conhecido como O Agenciador — um homem poderoso e perturbadoramente controlado, cuja riqueza compra silêncio, medo e obediência absoluta. Ele passou anos agenciando mulheres para os maiores lances... mas, no momento em que vê a fotografia de Etoile, algo mais sombrio desperta dentro dele. Pela primeira vez, ele reivindica um alvo para si mesmo. Enquanto Etoile luta contra o peso da sedação e o terror, Magnuson prepara os recessos ocultos de sua vasta propriedade em Oxfordshire — uma masmorra medieval meticulosamente construída abaixo do solo. Ele tem planos para ela. Planos de longo prazo. E ele nunca deixa pontas soltas. Mas Magnuson subestimou algo vital: Etoile está longe de ser indefesa. O que ele vê como beleza e vulnerabilidade esconde inteligência, resiliência e uma vontade muito mais forte do que ele prevê. À medida que ela começa a entender o monstro que a capturou, ela também começa a entender a si mesma — e do que é capaz quando as únicas escolhas restantes são sobrevivência... ou rendição. Sombrio, atmosférico e implacável, Etoile é um thriller psicológico que mergulha nas profundezas da obsessão, do poder e da luta pela liberdade contra um homem que acredita que já a possui.

Status
Completo
Capítulos
31
Classificação
4.3 6 avaliações
Classificação Etária
18+

The Procurer

Etoile estremeceu ao caminhar pela rua deserta e escura. As rodas de sua mala batiam no pavimento irregular, e cada ruído ecoava no silêncio mortal. Ela ficaria aliviada quando finalmente chegasse em casa. Alguns dias fora tinham sido bons, mas, naquela noite, a ideia de sua própria cama parecia uma salvação.

Gotas frias atingiram suas bochechas — chuva ou talvez granizo; o ar estava gelado o suficiente para queimar. Ela parou para puxar o casaco e o cachecol com mais força ao redor do pescoço.

Foi quando alguém se chocou contra ela por trás.

Ela atingiu o chão com tanta força que perdeu o fôlego. O pânico explodiu em seu peito. Etoile tentou se levantar, mas uma bota pesada pressionou suas costas, esmagando-a contra o chão. Ela gritou, em um tom cru e assustado, debatendo-se contra o peso. Suas mãos arranharam o solo congelante enquanto ela tateava cegamente em busca de qualquer coisa — absolutamente qualquer coisa — que pudesse usar como arma.

Seus dedos tocaram algo afiado. Ela agarrou o objeto sem pensar. A dor rasgou sua luva à medida que o objeto cortava profundamente sua palma, e o sangue quente encharcou a lã instantaneamente, mas ela segurou aquilo como se fosse sua única salvação.

“Anda logo e envia a porra da foto”, rosnou uma voz acima dela.

Com o coração batendo disparado, ela torceu o braço para trás e golpeou para cima com toda a força que tinha. O caco atingiu a carne — ela sentiu o impacto — e alguém soltou um ganido. A pressão em suas costas aliviou por um instante.

Ela aproveitou o momento.

Gritando, ela tentou se pôr de pé e correr. Um clarão brilhante explodiu em seu rosto, cegando-a mesmo através da chuva. O mundo ficou branco por um segundo. Ela cambaleou para ficar de pé, desorientada e desesperada — apenas para uma mão brutal agarrar seu ombro. Um chute atrás de seus joelhos fez suas pernas cederem, derrubando-a novamente. Outro chute violento atingiu sua coluna, forçando-a a ficar estirada no asfalto. A bota voltou para suas costas, desta vez com mais força.

“A vadia me cortou! Tira esse vidro dela, quer fazer o favor?”

Um segundo agressor cravou a bota em sua mão. O caco entrou mais fundo, abrindo um corte em sua palma. Etoile gritou e soltou o vidro quando seus dedos perderam a força. A bota deles desceu sobre sua mão novamente, prensando-a dolorosamente contra a estrada gelada.

Ela gritou por ajuda, mas sua voz desapareceu na rua vazia. Nenhuma porta se abriu. Nenhuma luz acendeu. Ninguém viria. Ela amaldiçoou a si mesma — aquele caminho estúpido para casa, sempre vazio, sempre mais rápido. Ela tinha passado por ali cem vezes sem medo.

Não esta noite.

“Você enviou a porra da foto ou não?”

“Sim, só estou esperando uma resposta... Pronto. Recebi — sim, é ela.”

Uma mão bruta agarrou seu cabelo por dentro do capuz, puxando sua cabeça para trás, enquanto outra enfiava um saco de tecido preto e imundo sobre seu rosto, sufocando-a na escuridão e no fedor de suor velho.

Antes que ela pudesse respirar novamente, algo espetou a lateral de seu pescoço — agudo, frio, definitivo.

Seus gritos morreram na garganta enquanto o mundo se fechava ao seu redor e desaparecia.

The Procurer sentava-se à sua mesa em um escritório grande e luxuoso, com superfícies polidas que brilhavam sob as luzes âmbar. Ler contratos de negócios era o suplício de sua existência, mas ele nunca pulava uma linha. Em sua profissão, perder um detalhe poderia significar um desastre. E desastre era algo que ele causava, não que sofria.

Seu celular apitou.

Ele o pegou e encarou a fotografia do alvo mais recente. Parecia ela, mas suposições eram inaceitáveis. Ele abriu uma pasta segura em seu laptop, puxou a imagem de referência e comparou as duas. A semelhança o atingiu imediatamente — era estranhamente exata. O mesmo cabelo ruivo. O mesmo formato de mandíbula. O mesmo brilho desafiador nos olhos.

Um sorriso predatório surgiu no canto de sua boca.

Ele digitou sua confirmação: É ela.

Ele se levantou, espreguiçando-se lentamente, com as vértebras estalando uma a uma. Seus ombros largos e musculosos esticaram a seda branca de sua camisa enquanto ele levantava os braços. Com quase dois metros de altura, ele dominava qualquer ambiente em que entrava. Sua força irradiava de todo o seu corpo, mas era o brilho frio em seus olhos castanho-mogno que realmente deixava as pessoas inquietas. Até criminosos experientes hesitavam quando aqueles olhos pousavam sobre eles. Em seu negócio, a intimidação não era um trunfo — era um requisito. Os fracos não duravam muito.

Passando a mão pelo cabelo curto, ondulado e preto, ele atravessou a sala até um aparador e serviu-se de um uísque. O líquido âmbar captava a luz como fogo derretido.

Ele voltou para a mesa e tomou um gole lento do single malt que tanto apreciava. O calor se espalhou por sua garganta enquanto abria seu umidificador, retirando um charuto com um movimento de pulso. Assim que foi aceso, a ponta brilhou como um olho vigilante. A fumaça subia em uma dança lenta e sinuosa.

Um momento para saborear o sucesso da noite. Um momento para aproveitar a calma que vinha depois da violência, nunca antes.

Ele nunca tinha pedido uma garota para si mesmo antes. Era um limite que ele não pretendia cruzar. Mas, no momento em que viu a fotografia da ruiva, algo obscuro e adormecido há muito tempo despertou dentro dele — um impulso que ele reconheceu instantaneamente. Uma fome. Um desejo de possuir.

Ele já tinha agenciado mulheres muitas vezes — para clientes que queriam alguém específico ou, o que era mais irritante, alguém "de um tipo". Estes últimos eram sempre um problema; sua indecisão tornava o risco de desistência alarmantemente alto. Ele preferia clientes com precisão. Precisão significava compromisso. E todos sabiam que mudar de ideia acarretava uma multa de 100%. Sem reembolsos. Não naquele negócio. O sequestro exigia recursos, mão de obra e dinheiro; a hesitação era um erro caro.

Seu celular apitou novamente.

Ele olhou para baixo. Era a identificação dela.

Etoile Helena Maddox. Nome bonito. 22 anos. Cidadã britânica. Cabelo ruivo. Olhos verdes. 1,63 m. Estudante de mestrado na Goldsmiths. Cartão da Biblioteca Britânica. Dois cartões de débito, três cartões de crédito.

Bonita. Inteligente. Ambiciosa. Uma combinação fascinante. As inteligentes lutavam mais. Quebravam mais devagar.

Ele sentiu outro sorriso lento se formar.

Ele digitou sua instrução final: Levem-na para o meu armazém pessoal. Preparem o transporte.

Ela foi acordada aos solavancos, seu corpo balançando para o lado. Por um momento desorientado, ela se perguntou se o avião tinha passado por uma turbulência — teria ela pegado no sono no voo para casa?

Mas quando abriu os olhos, não viu nada. Escuridão. Espessa, sufocante.

Algo estava sobre sua cabeça.

E então as memórias voltaram com força — o ataque, o clarão, o capuz, o pé frio em sua coluna.

O fedor do tecido inundou seu nariz: suor, mofo, medo. Ela não estava em um avião. Não estava em nenhum lugar seguro. Estava em um veículo em movimento — o motor roncando sob ela — e estava deitada em um piso de metal duro.

Ela tentou se mover, mas uma dor aguda como brasa queimou seus pulsos e tornozelos. Amarrada. Apertada.

“Ela acordou, chefe. Devo deixá-la assim ou dar outra dose?”, uma voz murmurou perto de seu ouvido. Perto demais. Ele estava na parte de trás da van com ela.

Porra. Porra. Porra.

Ela amaldiçoou a si mesma. O caminho curto para casa. Os becos vazios. Ela sempre se sentira segura ali; conhecia cada curva, cada atalho. Mas ela deveria ter sentido medo. Ela não estava segura de jeito nenhum, e agora estava amarrada como um peru em uma van que cheirava a suor velho, cigarros e algo metálico — sangue. Seu estômago revirou. Ela estremeceu, apesar de si mesma.

A van passou por um solavanco — ou talvez um buraco — e seu corpo tombou para o lado novamente. Ela gemeu enquanto seus ombros eram puxados dolorosamente com as mãos presas atrás das costas.

“É, dê outra dose nela”, uma segunda voz chamou da frente. “Estamos indo para o armazém pessoal dele. Um pouco mais longe do que o planejado.”

“Certo”, disse o homem ao lado dela, de forma casual demais.

O pânico tomou conta dela. “Vocês não precisam me dopar”, ela disparou, as palavras tropeçando umas nas outras enquanto lutava para respirar sob o capuz. “Eu... eu vou me comportar. Não vou fazer barul... argh—”

Uma agulha picou seu braço. Um gelo se espalhou sob sua pele. Seus pensamentos se dissolveram como tinta na água.

E então — nada.

O homem no banco da frente olhou pelo espelho retrovisor, observando o corpo dela ficar inerte.

“Isso deve mantê-la apagada até chegarmos lá”, disse ele.

O motorista resmungou, com os olhos fixos na estrada. “Bom. A última coisa de que precisamos é dela acordando e gritando de novo.”

A van seguiu em frente, o motor roncando ao deixar as ruas da cidade para trás. Os postes de iluminação ficaram mais escassos, as estradas mais estreitas. Quanto mais dirigiam, mais silencioso o mundo se tornava — como se o próprio som se recusasse a segui-los.

Lá atrás, o segundo homem cutucou a perna dela com a bota.

“Uma coisinha tão pequena, não é?”, ele murmurou. “Difícil acreditar que alguém pagaria tanto por ela.”

O motorista bufou. “Não é o tamanho. É quem ela é. E ela é a que o chefe quer.”

O homem lá atrás se mexeu, inquieto. “Ainda é estranho, though. Ele não costuma... escolher uma para si mesmo.”

O motorista deu de ombros. “Você viu a rapidez com que ele respondeu? Nem hesitou. Deve ter gostado do que viu na foto.”

“É”, o homem murmurou. “Quase como se ele estivesse esperando por ela.”

Um momento de silêncio.

“Cala a boca e fica de olho nela”, o motorista resmungou sobre o zumbido constante dos pneus no asfalto.

O interfone tocou em sua mesa. “Sim?”, ele respondeu, com a voz suave e controlada.

“A que horas o senhor vai precisar do helicóptero esta noite, Sr. Magnuson?”

“Me dê meia hora e estarei pronto. E estamos indo para a propriedade esta noite, não para a cobertura, Palmer.”

“Entendido, senhor. Estaremos prontos.”

A linha ficou muda.

Ele reuniu os contratos espalhados pela mesa, alinhando cada página com precisão meticulosa. Então, caminhou até um Picasso original montado na parede ao fundo. Deslizar a pintura revelou um cofre de aço pesado. Magnuson o destrancou com um giro codificado no mostrador e colocou os documentos lá dentro antes de selá-lo novamente. A pintura deslizou de volta para o lugar como se nada tivesse sido movido.

Ele voltou para a mesa, mas seu olhar estava inquieto — afiado, faminto.

Ele queria sair agora. Ele deveria ter dito a Palmer dez minutos em vez de trinta. Mas ele ainda tinha e-mails para responder, o suficiente para justificar a espera. Era a impaciência — a sua impaciência — que o deixava tenso.

E ele não era um homem impaciente. Pelo contrário. Ele construiu uma reputação baseada em uma crueldade lenta e deliberada — em prolongar as coisas apenas para observar os outros se perderem. Mas, naquela noite, havia uma coceira sob sua pele. Um pulsar baixo e persistente de expectativa que ele não conseguia silenciar.

A garota. Etoile.

Ele não ficaria satisfeito até que ela estivesse sob seu teto.

Por meses, ele supervisionou as reformas enterradas sob sua propriedade. Ele foi exigente — implacável — com os construtores. Eles cumpriram. O porão tinha se transformado em uma réplica perfeita de uma masmorra medieval: paredes de pedra, argolas de ferro aparafusadas na alvenaria, uma janela estreita que admitia apenas uma fina lâmina de luz. Uma cama de metal ancorada na parede. Grilhões esperando.

Esperando por ela.

Ele já a imaginava lá, acorrentada, com a respiração curta e rápida contra sua garganta pálida, os olhos brilhando com o fogo que ele tinha visto mesmo nas fotografias. Pequenos punhos cerrados, prontos para lutar, apesar da futilidade.

Um sorriso de canto curvou sua boca.

Havia muitas maneiras de quebrar um espírito. Muitas tarefas que ele pretendia dar a ela. Muitos papéis que ela aprenderia a desempenhar. Alguns práticos. Alguns... mais íntimos. Um jogo longo que ele pretendia saborear.

Ele checou a hora. Chega de imaginar. Trabalho primeiro.

Magnuson sentou-se, terminou o último gole de uísque e virou-se para o monitor brilhante. Seus dedos voaram pelo teclado enquanto ele enviava respostas para uma dúzia de e-mails, cada mensagem curta, decisiva, final. Quando o último foi enviado, ele fechou o laptop, deslizou-o para dentro de sua pasta e se levantou.

Seu paletó assentou em seus ombros como uma armadura. Ele colocou o celular no bolso interno e caminhou em direção ao elevador privado.

Momentos depois, ele surgiu no heliponto da cobertura. O helicóptero estava pronto, com os rotores batendo preguiçosamente enquanto a equipe completava as verificações finais. Palmer se aproximou, com um pendrive na mão.

“Arquivo completo sobre a Srta. Maddox, senhor. Tudo o que pudemos reunir.”

Magnuson aceitou com um aceno de cabeça. “Eficiente, como sempre.”

Ele caminhou em direção à aeronave — um Airbus H125 — e subiu sem olhar para trás. Segundos depois, os rotores ganharam vida e o helicóptero se elevou no céu noturno, subindo acima da extensão brilhante do centro de Londres.

À frente, a escuridão. E além dela, a propriedade espalhada no campo de Oxfordshire — e a garota que ele pretendia tomar para si.


Caro leitor, obrigado pelo seu interesse no meu livro mais recente. Normalmente, posto dois capítulos por dia. Você pode acompanhar a história conforme ela se desenrola ou esperar até que o livro esteja terminado, o que for melhor para você. Mas, obrigado por ler até aqui!