Isso Vai Terminar em Lágrimas Caras
Lola Montgomery já tinha feito muitas viagens em sua vida, mas nenhuma, absolutamente nenhuma, tinha começado com seu pai usando a frase: “Você merece uma pausa.”
Uma pausa era algo que pessoas estressadas precisavam. Pessoas com reuniões. Empregos. Despertadores.
Lola, na sua humilde opinião, não precisava de uma pausa. Lola precisava de roupões de spa, serviço de quarto e chapéus de sol que combinassem com seus coquetéis.
Ainda assim, ela não estava disposta a discutir com um homem que lhe oferecia uma viagem de luxo para a África do Sul.
“Uma viagem?” ela repetiu, piscando para ele com um deleite cauteloso.
“Uma viagem muito boa,” disse Richard, alisando o jornal à sua frente com a calma exata de alguém que escondia alguma coisa. Ela não percebeu.
Lola soltou um suspiro suave, já imaginando-se esticada em uma piscina de borda infinita, com os membros brilhando ao sol como uma deusa bronzeada. “Eles têm mordomos particulares? Eu sinto que deveria ter mordomos particulares.”
“Tenho certeza de que eles têm funcionários,” disse seu pai.
Isso foi o suficiente para ela. Ela imediatamente começou a listar roupas em voz baixa. “Vou precisar de linho. Seda. Pelo menos dez roupas de banho, porque a iluminação é imprevisível. Talvez doze. E algumas de emergência. Nunca se sabe. Ai meu Deus, pai, você acha que eles terão jantares à luz de velas? Você acha—”
“Sim,” ele disse rapidamente. “Tenho certeza de que eles terão tudo isso.”
Ela praticamente derreteu na cadeira. “Essa é a melhor coisa que você já fez por mim.”
A expressão de Richard vacilou. Só um pouco. Mas Lola já estava rolando a tela procurando rotinas de cuidados com a pele para voos, então ela nem percebeu.
“Tem mais uma coisa,” ele acrescentou casualmente. “Você ficará no resort do Maxwell.”
Ela pausou. “Maxwell… Rhodes? Aquele de quem você sempre fala?”
“Sim.”
“O cara dos hotéis. O cara das reservas. O cara das planilhas.”
“É ele mesmo.”
Lola assentiu, satisfeita o bastante. Ela conhecia o nome daquela maneira vaga como conhecemos as pessoas com quem nosso pai troca e-mails com frequência demais. Ela presumiu que ele fosse algum tipo de homem mais velho, sério e responsável, que comandava as coisas bem longe da sua espreguiçadeira.
“Bem, isso é ótimo,” ela disse tranquilamente. “Ele provavelmente estará ocupado. Ou em reuniões. Ou… seja lá o que as pessoas que são donas de resorts fazem. Duvido até que eu o veja.”
Seu pai assentiu de um jeito contido e culpado, sugerindo que absolutamente nada ia sair do jeito que ela imaginava.
Mas Lola também não percebeu isso.
Ela estava ocupada demais fantasiando com safáris de luxo e fotos elegantes para o Instagram envolvendo elefantes que respeitavam o espaço pessoal.
Quando o avião decolou, ela já tinha construído um sonho inteiro em torno dessas “férias”.
Espreguiçadeiras. Travessas de frutas exóticas. Um aventureiro robusto cujo trabalho era flertar com ela e ficar bem usando linho.
Três meses inteiros de felicidade.
Ela encostou a testa na janela do avião, sorrindo para as nuvens. “Vai ser perfeito,” ela sussurrou, sem a menor ideia do que a esperava.
Porque em algum lugar lá embaixo, no meio da vida selvagem da África do Sul, Maxwell Rhodes estava revisando uma pasta intitulada Programa de Trabalho de Três Meses: Tarefas para Lola Montgomery, e cada item listado ali a faria chorar.
Lola não sabia.
Ela não saberia por horas.
E quando ela descobrisse, seria tarde demais para voltar atrás.