Capítulo 1
Cadence
Oi! Meu nome é Cadence McClaine, tenho dezoito anos e estou no último ano da Roosevelt High, na porcaria da cidade de Roosevelt. Aqui, a maioria das pessoas trabalha na serraria e, para quem está na escola, se você não faz parte dos esportes ou das líderes de torcida, é considerado um perdedor. Bem, esse seria o meu caso... Cadence McClaine, perdedora profissional.
Tenho apenas dois amigos nesta cidade horrível, bem, acho que agora é só um, mas quem está contando, não é? Macy Anderson, que é tão "perdedora" quanto eu, é a única que ficou ao meu lado durante todos esses anos, e tem também o Colton Linley.
Colton, ou Colt, como sempre o chamamos, não é como nós, mas de alguma forma a gente se entende, ou pelo menos nos entendíamos... chegaremos a esse ponto num minuto.
Conheci a Macy no segundo ano, quando ela se mudou para cá, mas o Colt? Bem, conheço ele desde o jardim de infância, quando a família dele se mudou para a casa ao lado e, mesmo depois que ele virou atleta assim que entramos no ensino médio, ele continuou por perto em vez de nos abandonar pela galera popular... até pouco tempo atrás.
Então, eu sei como soa clichê e, acredite, eu me culpo por isso diariamente desde que percebi, mas estou apaixonada pelo Colt há dois anos. Eu sei, eu sei, é uma burrice ser afim do seu melhor amigo, mas fica pior, muito pior.
No último ano, ajudei ele a conquistar a Tanya Phillips, a capitã das líderes de torcida e uma vadia insuportável, depois que ele confessou que estava apaixonado por ela. Graças à minha ajuda, eles começaram a namorar há quase dois meses e foi praticamente quando ele parou de agir como meu melhor amigo e virou um conhecido, mas na maioria das vezes, nem isso ele é.
Pois é, eu devo ser uma masoquista, porque agora que eles estão namorando, eu tenho o privilégio de ouvir o cara pelo qual passei dois anos fantasiando transar com a namorada, já que a janela do meu quarto dá de frente para a dele. Às vezes, eu realmente odeio a minha vida.
Eu sempre deixava as persianas abertas e a janela entreaberta para o ar circular, mas agora não me atrevo mais. Não estou disposta a correr o risco de me destruir ainda mais ouvindo ou vendo eles em ação por acidente. Eu sei o que você está pensando: por que ajudar o cara de quem você gosta a ficar com uma garota que você nem suporta?! Bem, se você tiver a resposta, eu adoraria ouvir, porque eu com certeza não tenho a menor ideia.
"Cade! Você vai se atrasar!" Sim, essa seria a minha mãe e não se preocupe, eu não vou me atrasar de verdade. Na verdade, são apenas sete e quinze, mas ela parece achar que a escola é como um emprego em que você deve chegar vinte minutos mais cedo para não correr o risco de se atrasar.
Eu costumava sair cedo para ficar com o Colt no carro dele antes do sinal bater, mas agora ele passa todo o tempo dele com a Tanya, e a Macy nunca chega à escola com mais de dez minutos de antecedência, então vou fazer as coisas com calma.
"Já estou quase pronta, mãe!" Dou uma última conferida no espelho de corpo inteiro e sorrio com o meu estilo casual, uma das muitas coisas que me diferenciam da galera da "turma". Eles gostam de roupas de marca e as garotas se vestem como se estivessem prontas para ir à balada, não para assistir a aulas no ensino médio. Eu não sou assim.
O estilo de hoje são as minhas calças largas de sempre, uma camiseta preta que diz "Não sei qual é o meu espírito animal, mas tenho quase certeza de que ele tem raiva" e meus tênis All Star pretos. Meu cabelo está em um coque bagunçado e a única maquiagem no meu rosto é um pouco de delineador e corretivo para esconder as olheiras.
Com a mochila e o celular na mão, saio de casa e subo na minha picape Dodge Ram prata, a que meu pai insistiu em me dar porque, e cito: "Minha garotinha não vai dirigir por aí em um carro caindo aos pedaços. Nessa fera, não tem como os outros motoristas não verem você chegando."
Essa foi a última coisa que meu pai fez por mim antes de revelar que estava traindo minha mãe e, mais um clichê para você, engravidou a amante. Tenho certeza de que você consegue adivinhar com qual família ele decidiu ficar, mas se não consegue, aqui vai uma dica... não foi com a minha.
Chego à escola e estaciono na minha vaga de sempre, outra tortura que inflijo a mim mesma, já que fica bem em frente à vaga do Colt onde, como eu esperava, ele está se pegando com a Tanya na frente do carro.
Estou prestes a sair quando um carro desconhecido para na vaga ao meu lado, então espero até que estacionem antes de abrir a porta, não querendo ser a babaca que bate na porta do carro alheio, e pulo para fora.
Macy já está caminhando em minha direção, mas percebo que ela para no meio do caminho, com os olhos fixos em algo, ou alguém, que ela viu no carro ao lado do meu. Pego meu celular e minha mochila, depois fecho a porta bem quando o motorista do Honda preto desconhecido sai.
Ele é alto, tipo, ridiculamente alto! Ele tem um corpo tonificado, mas não extremamente musculoso, cabelo preto curto nas laterais e comprido no topo, preso em um rabo de cavalo, e vejo até uma tatuagem espreitando na gola da camisa que para na base do pescoço.
"Cade!" Bem, o fascínio dela acabou rápido!
"Oi, Mac. Café?" Ela balança a cabeça e o cara novo se vira para pegar algo no carro, me dando a visão perfeita do seu rosto lindo e dos olhos verdes deslumbrantes. Ele dá um sorrisinho de lado quando me pega encarando, mas eu não fico sem graça, então dou de ombros, deixando claro que sei que fui pega, mas que na verdade não me importo.
"Deus, sim! Tenho umas fofocas para contar, amiga!" Reviro os olhos, garantindo que ela veja, não que isso a afete algum dia.
"Um, eu não tomei cafeína o suficiente para as suas fofocas e dois, você sabe que eu odeio drama. Então, guarda a sua fofoca que eu vou querer um mocha de menta com quatro doses de café." Ela engancha o braço no meu e me arrasta para a faixa de pedestres.
Nossa cafeteria favorita fica justamente em frente ao estacionamento da escola, então a gente talvez vá lá um pouco mais frequentemente do que seria visto como socialmente aceitável, mas... você sabe... café!
"Querem o de sempre, meninas?" Nosso barista favorito, Matthew, tem uma queda não tão secreta pela Macy, mas a garota, que Deus a ajude, é tapada. Tenho quase certeza de que Matthew é o único cara com quem ela não flerta ativamente, o que é bem surpreendente, já que ela flerta com quase todo mundo do sexo masculino.
"Sim, Matt, valeu." Matt pisca e depois volta a atenção para o cliente atrás de nós.
"Já sabe o que vai querer?" Coloco 15 dólares no balcão e tento empurrar a Macy para a outra ponta, onde as bebidas serão colocadas quando estiverem prontas, mas ela não se move. Olho para cima e a vejo encarando algo atrás de mim.
"O que vocês recomendariam?" A voz grave me dá arrepios insanos, mas quando me viro para ver o cara novo, minha necessidade de não ser uma idiota completa, felizmente, entra em ação.
"Ah, nós não somos 'senhoritas', mas se você gosta de café com um toque forte, o meu preferido é o mocha de menta com quatro doses. Se você gosta de algo mais leve, eles fazem um latte muito bom." Matt ri enquanto coloca meu copo no balcão.
"Cade, eu não conheci ninguém que goste de café tão letal quanto você. Não deixe ela te enganar, quando ela diz 'quatro doses', são quatro doses extras de espresso, então um total de oito... em um copo só." Ele coloca o copo da Macy no balcão e lança a ela o sorriso de sempre, acompanhado de uma piscadela sedutora que, como sempre, ela nem nota.
"Parece bom para mim." Matt está encarando o cara novo com os olhos arregalados, mas uma parte de mim quer ficar e ver a reação dele, uma parte bem pequena, mas está lá.
"Ugh, alerta de vadia." Esse é o jeito da Macy de anunciar que a Tanya está vindo, mas eu apenas dou de ombros e tomo meu café.
"Oi, Cade." Ouvir a voz do Colt é agridoce, já que metade de mim se apega às lembranças de todas as vezes que ele foi um amigo incrível, sempre presente para mim, enquanto a outra metade se apega ao jeito que ele evita até me olhar quando está com a Tanya e as amigas, ou como ele nunca mais faz questão de conversar comigo.
Como agora? Ele só está dizendo algo porque estamos a poucos metros de distância, mas fora as gentilezas básicas, a conversa nunca vai se tornar algo significativo.
"Colt." Vejo ele dar uma leve contraída com meu tom frio, mas honestamente... eu não poderia me importar menos.
"Droga, isso é muito bom. Agradeço a recomendação." Viro-me devagar, com a testa franzida, e olho para o cara novo enquanto ele bebe seu café como se não fosse uma dose quase letal de cafeína em um copo de papel. Estreito os olhos para ele, desapontada e intrigada na mesma medida pela falta de uma reação favorável.
"Hã, não era a reação que eu esperava." Ele ri e, caramba, se isso não faz algo estranho dentro de mim.
"Desculpe se te decepcionei, boneca. Posso escoltar vocês duas de volta para a escola?" Estudo-o por um segundo, esperando secretamente ver alguma reação ao café que me diga que ele não está realmente gostando, mas ele apenas me dá um sorriso pecaminosamente lindo.
"Sim, gostaríamos disso. Vamos." Macy, claramente feliz demais para aceitar a oferta, lidera o caminho, comigo imprensada entre ela e o cara novo, cujo nome eu provavelmente deveria saber para não sair por aí chamando-o de cara novo.
"Então, vocês duas não têm nome?" Viu?! Grandes mentes pensam igual!
"Eu sou a Macy e esta é a Cadence." Lanço para a Macy um olhar afiado por ter dado meu nome completo, o nome que só uso quando me meto em uma encrenca daquelas.
"Cade, só minha mãe me chama de Cadence e apenas quando eu a deixo brava." Ele ri e acena com a cabeça, mas seus olhos parecem estar me estudando e... é estranho. As pessoas não me estudam, droga, a maioria das pessoas nem me reconhece.
"Eu sou o Lucian, mas todos me chamam de Luc." Macy está quase babando por ele, mas ou ele não percebe ou é educado demais para chamar atenção para isso.
É estranho, mas ele parece até desinteressado por ela, o que não faz nenhum sentido, já que todos os caras parecem estar interessados na Macy. Ela é como um híbrido estranho de perdedora e vagabunda, mas essa é a Macy, e eu aprendi a ignorar o comportamento sedutor dela.
Parece que todo cara quer ter um lance com ela só para fingir que ela não existe depois. Não posso dizer que entendo, mas aceito como as coisas são.
Chegamos de volta ao estacionamento com a Macy falando sem parar no ouvido do pobre Luc, embora ele não pareça se importar.
"Então, onde você morava antes de se mudar para cá?" Macy está forçando a barra com aquela voz doce e enjoativa de "quero te pegar" que sempre me faz revirar os olhos... e este momento não é exceção. Luc olha na hora certa para pegar a tal revirada de olhos e dá um sorriso de lado antes de responder a ela.
"Nós nos mudamos muito. Estávamos em Chicago antes disso e, antes disso, em San Diego." É muito sutil, mas percebo a leve tensão na voz dele, o que atrai minha atenção para ele imediatamente.
"Ah, então quanto tempo você acha que vai ficar por aqui antes de se mudar de novo?" Paramos perto da minha picape e ele se encosta casualmente no capô do carro enquanto toma outro gole do seu café.
"Acho que vamos ficar por aqui por um tempo. Nos mudávamos tanto por causa do trabalho da minha mãe, mas meus pais acabaram de se divorciar, então estou aqui com meu pai." Dou a ele um sorriso compreensivo, mas a Macy... bem, ela parece animada demais. É quase constrangedor, na verdade.
"Bem, fico feliz que você vá ficar por aqui, então!" Antes que ele possa responder, o sinal toca e a Macy me dá seu abraço desconfortável de sempre antes de sair apressada, deixando a mim e ao Luc ali, sem jeito.
"Desculpe por ela. Ela é apenas... bem, ela é a Macy sem filtros. Então, qual é a sua primeira aula?" Ele coloca a mão no bolso da frente da calça, puxa um papel dobrado e me entrega. Pego o papel e entrego meu café para ele segurar enquanto desdobro e examino a página.
"Bem, parece que você e eu temos as mesmas aulas, fora sua educação física no quinto horário e a oficina automotiva no sexto. Vamos, você pode me seguir por enquanto e, no almoço, eu te mostro onde ficam as duas aulas que não compartilhamos." Pego meu café de volta e coloco o horário dele na sua mão.