Capítulo 1
Amara Vance tremia enquanto estava ajoelhada nos azulejos frios, as cordas cortando profundamente seus pulsos. Ela estava presa dentro de uma sala enorme e sem janelas. O local era sufocante e escuro, exceto por uma única lâmpada nua pendurada logo acima dela, projetando sombras fortes contra o concreto.
Uma falange de homens com uniformes táticos pretos a cercava. Eram figuras imponentes e gigantescas; o silêncio deles ampliava o terror que reinava na sala. Cada um deles tinha uma arma presa ao coldre no quadril.
Sua mente correu de volta para o início daquela tarde. Ela deveria ter ido para casa depois da aula, apenas esperando pelo motorista da família nos portões da escola. Sem aviso, uma van preta freou bruscamente e, antes que ela pudesse gritar, foi arrastada para dentro à força.
Ela não fazia ideia do porquê a trouxeram para cá. Não tinha feito mal a ninguém e não tinha inimigos. Embora sua família fosse rica, seu pai estava em coma no hospital desde o acidente.
Sua madrasta, Valerie, e sua meia-irmã, Bianca — que tinha a mesma idade de Amara — não tinham qualquer amor ou carinho por ela. Se esses sequestradores pensavam que poderiam pedir um resgate por uma fortuna, cometeram um erro grave. Amara tinha certeza de que Valerie não gastaria nem um centavo para salvar sua vida.
É isso? ela pensou desesperada. Vou apenas aceitar minha morte? Não havia saída, exceto talvez no saco de cadáveres preto em que, sem dúvida, a colocariam quando terminassem.
Amara estava tão paralisada de medo que não disse uma única palavra nos trinta minutos desde que a jogaram naquela sala fria. Eles ainda não a tinham machucado fisicamente, além de amarrar suas mãos e forçá-la a ficar de joelhos depois que um dos homens — aquele que chamavam de "Subchefe" — recebeu um telefonema.
Menos de um minuto depois, a pesada porta de ferro rangeu e se abriu. Passos pesados ecoaram pelo chão. Amara nem conseguiu se virar para olhar; seu corpo inteiro convulsionava com tremores. Ela manteve a cabeça baixa, incapaz de conter as lágrimas que escorriam pelo rosto, nascidas de um terror puro e absoluto.
Seu rosto estava corado e seu lábio inferior tremia sem controle.
"É ela?"
A voz era profunda, ressoando com um timbre assustadoramente grave. Amara levantou o olhar lentamente. O recém-chegado se acomodou na única cadeira da sala, ladeado por quatro guardas. Ele sentou-se com uma naturalidade arrogante, pernas cruzadas, e mesmo à distância, ela conseguia sentir o calor do seu olhar intenso perfurando-a.
"Positivo, Chefe", confirmou o Subchefe.
Então, ele é o Chefe, ela pensou, tremendo. É ele quem vai decidir quando eu vou morrer?
"Amara Vance", disse ele, saboreando as sílabas do nome dela com um arranhado natural e rouco na voz.
O que eles queriam dela? Ela esperava que fosse um caso de identidade trocada, mas o jeito como ele disse seu nome mostrava que ela era exatamente quem eles queriam.
"P-por favor... me deixe ir para casa", ela implorou, soluçando sem parar.
"Ah, suas lágrimas são tão atraentes. Elas quase me fazem querer vê-la chorar ainda mais." O tom dele era frio — cruel — como se ele ficasse feliz em vê-la na forca até que suas lágrimas secassem.
Ela estava petrificada por ele.
"Olhe para mim", ordenou ele.
Em vez de obedecer, ela baixou ainda mais a cabeça.
"Hmm. Teimosa, não é?"
Ao sinal dele, o Subchefe deu um passo à frente e forçou o queixo dela para cima. O homem era forte demais para que ela pudesse resistir, especialmente estando amarrada. Ela não teve escolha a não ser encarar o homem à sua frente.
Ele usava uma máscara. Uma máscara preta e elegante que cobria todo o seu rosto, deixando apenas os lábios expostos. No lado direito da máscara, havia um emblema branco de um Ouroboros — a serpente que devora a própria cauda. A serpente não parecia inofensiva; parecia predatória. Ele vestia uma camisa social preta com as mangas arregaçadas até os cotovelos, revelando tatuagens intrincadas que só faziam o coração dela martelar mais rápido contra as costelas.
Será que ele a torturaria antes de acabar com sua vida?
Ela se encolheu violentamente quando ele se levantou de repente. Instintivamente, ela recuou. Ele era maior que todos na sala. Era um homem enorme, e uma aura sombria e invisível parecia pairar ao redor dele, gritando que cada centímetro do seu corpo era letal.
Ele a puxou para ficar de pé, segurando seu queixo. "Você é realmente muito bonita." O polegar dele roçou levemente seu lábio inferior, um toque suave como uma pena, contrastando com sua presença aterrorizante.
Ela olhou nos olhos dele. Eram frios como os de um réptil. Suas íris eram pretas como obsidiana, como túneis profundos que ameaçavam sugá-la para a escuridão.
"Quantos anos você tem?"
"D-dezessete."
As pupilas dele se contraíram. Ele se afastou bruscamente. "Hmm. Dezessete."
Ele levantou a mão, e um dos homens uniformizados deu um passo à frente, entregando-lhe um envelope longo. "Assine isto", ordenou, entregando-o a ela. Ele se virou para seu braço direito. "Dante, desamarre as mãos dela."
Dante obedeceu imediatamente. Apesar de suas mãos trêmulas, Amara conseguiu pegar o envelope e verificar o conteúdo. Eram documentos legais declarando que, mediante sua assinatura, ela se tornaria propriedade exclusiva de Lucian Thorne, o Chefe da Máfia. Ela nem sabia se aquele era o nome verdadeiro dele.
"P-por que tenho que assinar isso?"
Lucian estalou a língua. "Interessante. Você ainda consegue fazer perguntas na sua situação?"
Ela engoliu em seco, esquecendo por um momento que sua vida estava por um fio, nas mãos dele.
"Para satisfazer sua curiosidade: você foi vendida para mim. Sua madrasta usou você para pagar a enorme dívida que tinha comigo."
Amara cerrou os punhos até que as unhas cavassem suas palmas, tirando sangue. Ela detestava a mulher que seu pai colocou no lugar de sua falecida mãe. Valerie não queria nada além da ruína de Amara. Ela não tinha o direito de vendê-la! Com certeza, sua meia-irmã Bianca estava comemorando agora. Bianca a odiava desde o dia em que se conheceram, uma raiva inexplicável que Amara nunca entendeu.
"E-ela não tem o direito de me vender! Ela não é minha mãe de v—"
Os lábios dele se curvaram em um sorriso sarcástico. "Não me importa se vocês compartilham o mesmo sangue ou não. Eu vim cobrar o pagamento. Ela ofereceu você. Eu precisava ver por mim mesmo se você valia os cinco milhões de pesos que ela pegou emprestado. E... gostei do que vi."
Cinco milhões de pesos! Era uma fortuna. Onde Valerie teria gastado uma quantia tão colossal?
"Por favor, apenas me deixe ir. Você não vai tirar nada de mim. Não há nada que eu possa fazer por você", ela implorou desesperada.
"Talvez não agora. Mas há algo que você poderá fazer por mim quando fizer dezoito anos." Ele virou as costas e sentou-se na cadeira novamente. "Assine os papéis."
Ele mudou de posição com arrogância, apoiando o cotovelo no braço da cadeira, os dedos pressionando a têmpora enquanto a encarava.
Amara olhou para os papéis novamente. Por que deveria assinar? Apenas para que Valerie ficasse feliz? Valerie e Bianca aproveitaram os cinco milhões, então por que Amara deveria pagar o preço?
"Você se recusa?", perguntou ele.
Dante deu um passo à frente, parecendo pronto para atacá-la, mas Lucian o deteve com um gesto casual da mão. "Relaxe, Dante. Deixe-a responder."
Amara cerrou os dentes. "E s-se eu não quiser?"
"Simples. Vou ordenar que o hospital desligue todos os aparelhos que mantêm seu pai inconsciente vivo." Ele inclinou a cabeça, desafiando-a, antes de sorrir com maldade. "Não se preocupe. A morte dele será indolor."
"Você não pode fazer isso!", ela gritou. Novas lágrimas jorraram de seus olhos. Como ele sabia sobre seu pai? Ele era sua única fraqueza. Seu pai era um homem carinhoso antes de a morte de sua mãe destruí-lo. Ele amava tanto sua falecida esposa que afogou sua dor no álcool. Amara não tinha certeza se ele se casou com Valerie por companhia ou para dar a Amara uma mãe, mas ela sabia que ele sempre pensava no bem-estar dela.
Ela não podia deixá-lo morrer. Ainda tinha esperança de que ele acordasse, e ela queria estar lá, sorrindo, quando isso acontecesse. Até lá, faria qualquer coisa para protegê-lo. Porque, agora, ele estava indefeso.
"Você decide. A segurança dele está em suas mãos. Assine os papéis e estaremos quites."
Tremendo, ela assinou os papéis.
"Boa garota, Amara. Vou esperar até você fazer dezoito anos. Então, virei te buscar. Nem pense em fugir. Eu sempre cobro o que é legitimamente meu. E você é minha."
Ela não sabia por que as palavras dele pareceram como um ferro em brasa em sua pele.
Ela não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo.
Ela tinha sido vendida para um Chefe da Máfia sem coração.