Totalmente Sem Fôlego (Heart's Peak: Livro 05)

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Resumo

Heart’s Peak, Colorado. Uma cidadezinha pitoresca aninhada nas montanhas. Pode não ter as últimas lojas de departamento, mas compensa com um charme único que é só seu. Birdie Higgins não consegue imaginar um lugar melhor para chamar de lar. Com um emprego que ama na lanchonete local e uma família que precisa dela, ela sente que está exatamente onde pertence. O figurão Rhys Sackler é o CEO da Sackler Industries. Nascido em berço de ouro, ele já viu e fez de tudo. Mas uma coisa que ele não conhece muito bem? A vida em uma cidade pequena. Um novo empreendimento é o motivo pelo qual ele se encontra no meio do nada no Colorado. Uma certa garçonete de olhos azuis é o motivo pelo qual ele não tem pressa de voltar para casa. Quando Birdie descobre que sua amada lanchonete está falindo, ela pensou que essa fosse sua maior preocupação. Ela nunca imaginou que se apaixonaria por um bilionário de fora da cidade! Rhys Sackler está totalmente fora de seu alcance. Bom demais para ser verdade. Talvez seja por isso que ele a deixa totalmente sem fôlego.

Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 ~ Birdie

Vermelho, laranja e amarelo. Folhas de várias cores flutuavam lentamente pela calçada em direção à pequena casa de três quartos de Birdie. Ela morava lá com a mãe e dois irmãos mais novos. O pai não fazia parte da vida deles há alguns anos. Birdie não sentia falta dele. Ele era um homem amargurado que deixava todos ao seu redor tão infelizes quanto ele. Eles estavam melhor sem ele.

"O ônibus chegou!", gritou Birdie da cozinha. No balcão, havia dois sacos de papel com o almoço.

Glory entrou na sala saltitando, com suas marias-chiquinhas balançando e um sorriso feliz no rosto jovem. Ela era o oposto completo de Darren, que veio arrastando os pés, com uma expressão azeda e carrancuda.

Sorrindo, Birdie entregou um dos sacos para Glory.

"Valeu, Birdie", disse Glory.

Darren pegou o segundo saco. Ele abriu, olhou para o conteúdo e fez uma careta. "Vou arranjar meu próprio almoço."

"A mamãe já avisou que não temos mais como pagar pelos seus almoços", disse Birdie.

Darren jogou o saco no balcão e foi em direção à porta. "Eu disse que vou arranjar o meu."

"Pegue o almoço, Darren. Não estou com paciência hoje", disse Birdie.

Ela pegou o saco e o empurrou contra o peito dele. Ele se esquivou.

"Eu não quero!"

"Darren, por que você tem que ser tão chato o tempo todo?", perguntou Glory.

Darren não respondeu. Ele pegou seu casaco no cabideiro e vestiu-o rapidamente.

Birdie o encarou com os olhos semicerrados. Ela teve vontade de jogar o almoço na cabeça estúpida dele. Mas, quer saber? Se ele queria passar fome hoje, que fosse. Não havia tempo para discutir. Ela não tinha tempo de levar aquele idiota para a escola caso ele perdesse o ônibus.

"Tenham um bom dia na escola, tá? A mamãe vai trabalhar até tarde hoje de novo, então vou trazer o jantar da lanchonete", disse ela.

"Vamos ganhar torta de maçã de sobremesa de novo?", perguntou Glory, esperançosa.

"Vou ver o que consigo." Birdie sorriu. Ela deu um beijo no topo da cabeça loira de Glory e olhou para Darren, que já estava saindo. Ela reprimiu a vontade de suspirar.

Com o casaco vestido, Glory ajeitou a mochila nas costas e seguiu o irmão mais velho. Birdie só esperava que Glory continuasse feliz e doce como era agora. Em poucos anos, ela também seria adolescente. Darren já era difícil o suficiente; Birdie não estava nem um pouco animada para lidar com dois irmãos adolescentes irritantes.

Ela os observou subir no ônibus e, quando uma rajada de vento frio a atingiu, ela estremeceu e fechou a porta. O inverno estava chegando e ela não estava pronta. Por que o verão não podia durar mais?

Com os irmãos na escola, ela voltou ao quarto que dividia com Glory para se arrumar para o trabalho. Ela vestiu seu uniforme: uma camisa branca com a logo da lanchonete e uma saia azul clara. Seus cabelos castanhos ondulados estavam presos em um coque, com algumas mechas soltas para emoldurar o rosto.

Ela pegou a bolsa e estava no meio do corredor quando ouviu a voz da mãe.

"Já vai?", perguntou ela da porta do quarto, com um olhar sonolento.

"Já. Tem um muffin de mirtilo no balcão, se quiser tomar café", disse Birdie.

"Eu tinha esquecido disso", disse a mãe, bocejando.

"Ah, você poderia guardar o almoço do Darren? Ele não quis levar."

Com um suspiro, sua mãe assentiu. "O que ele vai comer, então?"

"Sei lá. Não tive tempo de discutir com ele", respondeu Birdie, franzindo a testa.

"Bem, tome cuidado no caminho para o trabalho."

"Pode deixar", disse Birdie.

"Te amo."

"Também te amo."

Birdie saiu de casa e abraçou o próprio corpo para se proteger do ar frio da manhã. No caminho para o trabalho, ela ouviu a estação de rádio de músicas pop. Apesar do frio, o sol começava a surgir no horizonte e o céu estava de um azul limpo.

Era um belo dia em Heart’s Peak, no Colorado.

Ela estacionou o carro atrás da lanchonete. Era um prédio pequeno localizado logo ao lado de uma estrada movimentada. A fachada era típica de uma lanchonete, com grandes janelas de vidro e um cartaz anunciando café da manhã caseiro. Dentro, havia um balcão central que percorria todo o salão, com bancos para os clientes. Cabines ficavam ao longo das paredes, com algumas mesas ocupando o resto do espaço.

A lanchonete da Lottie não era um restaurante grande e chamativo, mas era aconchegante e acolhedor. E servia a melhor comida caseira da região. Todas as receitas eram da própria Lottie ou passadas por gerações em sua família.

"Ei, você", disse Trula assim que Birdie entrou. No quarto dos fundos, Trula guardava suas coisas em seu armário. Ela era uma mulher de meia-idade, robusta, com cabelos castanhos cacheados e alguns fios grisalhos.

"Bom dia." Birdie a cumprimentou com um sorriso.

"Não está sendo um bom dia para mim. Mal consegui pregar o olho à noite. O Benton estava roncando feito um trem de carga!"

"Ué, eu achei que você tivesse comprado aqueles adesivos nasais para ele", perguntou Birdie enquanto pendurava o casaco.

"Comprei, mas ele não usa! Diz que fazem o nariz dele sentir algo estranho", reclamou Trula. "Vou mostrar o que é estranho para ele. Quando eu arrancar o nariz dele enquanto dorme, aí ele vai poder me contar como é a sensação!"

Birdie riu. "Não acho que esquartejar seu marido enquanto ele dorme seja uma boa ideia."

"Ah, eu não vou arrancar o nariz dele. Mas te digo, Birdie, dava para ouvir o barulho a quilômetros. Ele parece um cachorro que perdeu o osso favorito. Talvez eu devesse enfiar uma meia na boca dele."

Birdie sorriu e guardou sua bolsa. "Vale a pena tentar. Pelo menos você não vai presa por isso."

As duas riram e saíram da sala. Ao chegarem ao balcão, Birdie se certificou de que tudo estivesse limpo e organizado, enquanto Trula cuidava do caixa. Ela estava organizando as notas quando Wyatt entrou pela porta da frente.

"Esse tempo frio faz minha artrite atacar pra valer", disse o velho cozinheiro. Ele estava com os braços cruzados sobre o peito e esfregava as mãos uma na outra.

"Acho que vai esquentar à tarde", disse Birdie, enquanto reabastecia os açucareiros que estavam ficando vazios.

"Rapaz, eu espero que sim", disse Wyatt. "Não sirvo para nada como cozinheiro se não conseguir usar as mãos." Ele caminhou até o balcão e desapareceu pelas portas de vaivém que levavam à cozinha.

Emeline foi a última a chegar. Ela entrou alguns minutos depois que a lanchonete abriu.

"Me desculpem! O Merrit não queria que eu o deixasse na creche hoje de manhã!", disse ela. Ela rapidamente correu para trás do balcão e amarrou seu avental.

"Tudo bem. Você só se atrasou alguns minutos. Ninguém entrou ainda", Birdie a tranquilizou. "Você conseguiu acalmá-lo?"

"Não. Foi um pesadelo, Birdie. Ele estava chorando e esticando os braços para mim, quase morri do coração."

"Ah, deve ter sido horrível, mas tenho certeza de que ele está bem agora", disse Birdie. Ela só conseguia imaginar em parte como era aquilo. Ela cuidava de seus irmãos diariamente e os viu crescer, mas ser irmã mais velha era diferente de ser mãe. E a pobre Emeline tinha apenas 21 anos. Apenas um ano mais velha que a própria Birdie.

"Espero que sim", suspirou Emeline. "Vou ligar para saber dele mais tarde."

Birdie deu um tapinha carinhoso no ombro da amiga. Emeline tinha passado por muita coisa. Ela engravidou logo depois de terminar o ensino médio e o namorado a abandonou para criar o filho sozinha. Os pais dela não ajudaram muito também. Birdie sentia tanto compaixão quanto admiração por ela. Não era uma tarefa fácil criar um filho sozinha. Birdie sabia disso por experiência própria, quando o pai abandonou a família.

"Ele vai ficar bem. Provavelmente era só um mau humor", disse Birdie.

"É, ele tem tido muito disso ultimamente", disse Emeline solenemente.

"Não chamam de fase dos dois anos por nada."

Nesse momento, Lottie apareceu do fundo. Birdie não a tinha visto a manhã toda. Normalmente Lottie era só sorrisos, mas hoje ela estava com uma expressão sombria. Instantaneamente, Birdie e Emeline souberam que algo estava errado.

"Preciso que todos se reúnam rapidinho. Tenho um anúncio para fazer", disse Lottie, em voz alta o suficiente para que todos ouvissem.

Birdie trocou um olhar de preocupação com Emeline. As duas saíram de trás do balcão. Trula apareceu logo depois, seguida por Wyatt e, por último, o ajudante de limpeza, Tanner.

Birdie não sabia o que Lottie ia dizer, mas teve a terrível sensação de que não eram boas notícias.