Off the Lease: A História de Imani & Asher

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Resumo

Colegas de quarto. Segredos. Segundas chances. Imani Brooks achou que encontrar um novo colega de quarto seria simples — alguém confiável, quieto e discreto. Então veio Asher Myers… calmo, controlado e impossivelmente magnético. Ele desafia seus limites, desperta desejos que ela nem sabia que existiam e, lentamente, começa a confundir as linhas entre amizade e algo mais. De beijos roubados em espaços compartilhados a confissões tarde da noite, a conexão de Imani e Asher cresce em meio a risadas, vulnerabilidade e ocasionais corações partidos. Mas, quando segredos guardados há muito tempo são expostos — segredos que poderiam mudar tudo —, Imani se vê diante de uma escolha: confiar no homem que ela ama ou ir embora para sempre. Com um romance doce, de slow-burn e cheio de tensão, Off the Lease explora o amor, a honestidade e a coragem necessária para deixar alguém entrar… completamente. Será que Imani e Asher arriscarão tudo por um amor que vale a pena manter, ou a verdade os separará?

Status
Completo
Capítulos
50
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
16+

Capítulo 1: O Anúncio

POV: Imani Brooks

Quando Imani Brooks atualizou a página pela sétima vez, ela já sabia o que a tela iria lhe dizer.

Nada.

Nenhuma mensagem nova.

Nenhum estranho desesperado implorando por um quarto.

Nenhum candidato milagroso surgindo para salvá-la do despejo no final do mês.

Apenas o mesmo anúncio de vaga que ela publicara três dias atrás, encarando-a como se zombasse de seu otimismo.

“Fantástico”, ela murmurou, empurrando o laptop para longe e massageando as têmporas. “Absolutamente fantástico.”

O celular vibrou ao lado da xícara de chá morno. Ela o pegou, com a esperança brilhando por meio segundo, apenas para morrer rapidamente ao ver o nome na tela.

Mãe.

Ela deixou tocar até cair.

Não porque não amasse a mãe. Ela amava. Intensamente. Mas não tinha energia naquele momento para explicar, de novo, por que não tinha resolvido magicamente sua situação de moradia ou por que os preços dos aluguéis em Londres pareciam um ataque pessoal.

Imani recostou-se na cadeira e encarou o teto do seu quarto minúsculo. A rachadura fraca acima do guarda-roupa já parecia familiar. Até reconfortante. Como uma prova de que ela tinha sobrevivido ali por tanto tempo.

Mas o contrato de aluguel não se importava com sentimentos.

Duas semanas. Era tudo o que ela tinha.

Sua atual colega de apartamento ia morar com o namorado, deixando para trás um quarto vazio e um senhorio nada compreensivo. O aluguel não mudava só porque alguém se apaixonava. E Imani se recusava, absolutamente se recusava, a voltar para casa e pausar sua graduação.

Ela se sentou ereta, com o maxilar tenso, e puxou o laptop de volta.

“Ok”, ela disse em voz alta, como se o universo estivesse ouvindo. “Última edição. Depois eu paro.”

Ela releu o anúncio lentamente.

Apartamento iluminado e limpo de dois quartos perto do campus. Procuro colega de quarto respeitoso. Deve estar ok em dividir os espaços. Aluguel dividido meio a meio. Sem festas. Sem drama.

Imani fez uma careta.

“Sem festas” parecia entediante.

“Sem drama” parecia irrealista.

Ela deletou a última linha e substituiu por algo mais honesto.

Procuro alguém normal. Limpo. Comunicativo. Não procuro ninguém para me salvar, nem para ser salvo.

Ela hesitou, então acrescentou:

Mudança imediata.

Aquela parte feriu seu orgulho um pouco, mas o desespero não se importava com orgulho.

Ela salvou.

Depois atualizou.

Ainda nada.

Imani soltou um suspiro profundo e fechou o laptop antes que começasse a perder o controle. Ela pegou a bolsa e saiu, trancando o apartamento. Se fosse para entrar em pânico, ela faria isso depois da aula. De preferência, com cafeína envolvida.

********

Quando chegou ao campus, o céu tinha tomado aquele tom de cinza que Londres reserva para os dias em que não consegue decidir se vai chover. Ela puxou o casaco com mais força e se misturou ao fluxo de estudantes que seguiam para as aulas, cafés e bibliotecas.

Aquele era o seu mundo.

Isso era pelo que ela tinha trabalhado.

Ela não estava prestes a perder tudo só porque uma pessoa tinha se mudado.

Seu celular vibrou de novo enquanto ela subia os degraus do prédio de economia.

Ela ignorou.

Vibrou novamente.

Com um suspiro, ela parou perto da entrada e checou a tela.

Contato desconhecido

Seu coração falhou uma batida.

Ela abriu a mensagem.

Oi. O quarto ainda está disponível?

Era só isso.

Sem emojis.

Sem intimidade excessiva.

Sem energia estranha.

Imani encarou a tela, com o polegar pairando sobre o teclado.

“Sim”, ela digitou rapidamente, depois pausou. Parecia ansiosa demais.

Ela apagou e tentou de novo.

Oi. Sim, está. Pode me contar um pouco sobre você?

A resposta veio quase imediatamente.

Asher. Estudante. Quieto. Limpo. Preciso de um lugar logo.

Ela franziu a testa levemente.

Isso foi… conciso.

Sem sobrenome. Sem explicações. Sem charme desnecessário.

Ela gostou disso mais do que gostaria de admitir.

Quando pode vir ver o lugar? ela digitou.

Hoje, se possível.

Imani checou o horário. Sua aula terminaria em uma hora.

18h?

Funciona para mim.

Ela bloqueou o celular e soltou um suspiro que nem percebera que estava prendendo.

Ok.

Uma visita não significava o problema resolvido.

Mas era um começo.

Às 17h58, Imani estava na sala, de braços cruzados, observando o espaço como se não vivesse ali há quase um ano.

As almofadas do sofá estavam fofas. A louça estava lavada. O perfume suave de lavanda do seu difusor pairava no ar. Ela até tinha passado um pano nas bancadas que já estavam limpas, porque a ansiedade tinha o poder de se transformar em produtividade.

A batida na porta veio exatamente no horário.

Ela abriu a porta.

E imediatamente esqueceu o que pretendia dizer.

Ele não era o que ela esperava.

Asher era alto, para começar. Não de um jeito imponente, mas de um jeito quieto, que ocupava espaço sem tentar. Moletom escuro, tênis pretos, mochila jogada sobre um ombro. O cabelo estava levemente bagunçado, como se ele tivesse passado as mãos por ele muitas vezes. Seu rosto estava calmo. Observador.

Os olhos castanhos encontraram os dela, depois suavizaram.

“Oi”, ele disse. Sua voz era baixa e calma. “Sou o Asher.”

Imani piscou uma vez, depois deu um passo para o lado. “Imani. Entre.”

Ele entrou, olhando ao redor do apartamento com interesse educado, não do tipo que gritava julgamento ou autoridade. Ele colocou a mochila perto dos pés, com as mãos enfiadas nos bolsos.

“Lugar legal”, ele disse.

“É pequeno”, ela respondeu automaticamente.

“Pequeno pode ser bom.”

Isso lhe rendeu um olhar.

Ela apontou para o corredor. “O quarto é por aqui.”

Enquanto caminhavam, ela ficou agudamente consciente do silêncio entre eles. Não era estranho. Apenas… presente. Como se ambos estivessem medindo algo não dito.

Ela abriu a porta do quarto vazio. A luz do sol entrava pela janela, destacando as partículas de poeira no ar.

“Este seria o seu”, ela disse. “Sem mobília. O aluguel é dividido meio a meio. As contas também.”

Ele assentiu, entrando no cômodo, avaliando o espaço com os olhos. “Funciona.”

Ela se virou para encará-lo. “Eu deveria perguntar o básico. Horários? Estilo de vida? Algum problema grave de convivência?”

Um canto da boca dele se elevou. “Às vezes estudo até tarde. Não sou barulhento. Limpo o que sujo. Não trago caos para casa.”

Imani bufou antes que pudesse se conter. “Promessa ousada.”

Ele sorriu de verdade então. Breve. Desarmante.

“Eu tento ser honesto.”

Ela o estudou, com algo cauteloso se instalando em seu peito. “Por que a pressa?”

Algo mudou. Apenas uma fração.

“O aluguel terminou”, ele disse simplesmente. “Não queria assinar outro sozinho.”

Aquilo fazia sentido. Sentido demais.

Ela assentiu lentamente. “Eu também.”

Eles ficaram lá por um momento, o peso da circunstância compartilhada pairando entre eles.

Imani limpou a garganta. “Não vou mentir. Preciso de alguém logo.”

Ele a encarou. “Eu também.”

A honestidade disso a surpreendeu.

Ela soltou o ar. “Tudo bem. Se você ainda estiver interessado… podemos resolver a papelada hoje à noite.”

“Desde que você se sinta confortável”, ele disse. Sem pressão. Sem insistência.

Imani olhou para ele de novo. Olhou de verdade.

Asher.

Quieto. Educado. Pontual.

Normal.

E, naquele momento, normal parecia uma tábua de salvação.

“Sim”, ela disse finalmente. “Vamos fazer isso.”

Ela não viu a maneira como os ombros dele relaxaram com as suas palavras.

Ela não sabia que, em algum lugar muito acima de suas vidas comuns, a existência dele era governada por regras com as quais ela nunca tinha concordado.

Ela só sabia que, pela primeira vez em semanas, o pânico em seu peito diminuiu.

Imani Brooks tinha encontrado um colega de quarto.

E ela não fazia ideia do que isso custaria aos dois.