Segredos sob o Céu de Bordo

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Resumo

Quando Aria Bennett, uma organizadora de eventos acostumada com a vida na cidade, se muda para a pacata Maple Hollow para salvar a pousada decadente de sua falecida avó, ela espera charme, ar fresco e uma estadia temporária. Ela só não esperava por Caleb Turner. ‎ ‎Caleb é o "golden boy" de Maple Hollow que se tornou um recluso, um empreiteiro conhecido por ser capaz, confiável... e emocionalmente indisponível. Após um noivado fracassado que virou fofoca na cidade, ele jurou nunca mais se envolver em relacionamentos. ‎ ‎Quando Aria descobre que precisa da aprovação da cidade e de um grande investidor para restaurar a pousada histórica, ela faz uma proposta arriscada: ‎Caleb fingirá ser seu namorado para ajudar a conquistar o conselho municipal e atrair interesse comercial. Em troca, ela ajudará a reparar sua imagem pública e o auxiliará a conseguir um contrato comercial de que ele precisa desesperadamente. ‎ ‎É simples. Estratégico. Temporário. ‎ ‎Até que sorrisos ensaiados se transformem em olhares prolongados. ‎Até que dar as mãos por encenação pareça natural demais. ‎Até que a linha entre fingir e se apaixonar desapareça. ‎ ‎Mas, quando o passado de Caleb ressurge e Aria recebe uma oportunidade única na cidade grande, eles precisam decidir: ‎ ‎Isso foi apenas um acordo? ‎ ‎Ou Maple Hollow é finalmente o seu lar?

Gênero
Romance
Autor
Sandra N.I
Status
Completo
Capítulos
40
Classificação
4.7 3 avaliações
Classificação Etária
16+

Capítulo 1: A Garota da Cidade

A placa da cidade dizia:

Bem-vinda a Maple Hollow — População: 3.742

Aria Bennett encarou a placa pelo para-brisa do carro, os dedos apertando o volante.

Três mil, setecentas e quarenta e duas pessoas.

Em Manhattan, provavelmente essa quantidade de gente atravessava um único cruzamento em menos de dez minutos.

Ela soltou o ar lentamente.

“Bem”, murmurou para si mesma, “agora aqui é o meu lar”.

A palavra soou estranha.

Lar sempre significou prédios de vidro, táxis tarde da noite, cafeterias que nunca fechavam e o zumbido distante de um trânsito que nunca dormia de verdade. Significava horários tão apertados que ela mal tinha tempo de respirar. Significava a voz de sua mãe no telefone, lembrando-a de que o sucesso exigia sacrifícios.

Não significava céus abertos.

Não significava bordos alinhados em ruas silenciosas.

E definitivamente não significava herdar uma pousada quase falida de uma avó que ela não via há cinco anos.

Aria engatou a marcha e entrou em Maple Hollow.

A cidade se revelava lentamente, como uma pintura em aquarela ganhando vida.

Vitrines de tijolinhos com cestos de flores pendurados.

Uma padaria com cortinas de renda nas janelas.

Uma livraria com um quadro-negro escrito: Novidades e rolinhos de canela fresquinhos!

Algumas pessoas olharam quando o carro passou, com curiosidade evidente.

Claro que estavam encarando.

Ela estava dirigindo um sedã prateado com placas de Nova York.

Garota da cidade.

Forasteira.

Passageira.

Pelo menos, era o que provavelmente pensavam.

Seu celular vibrou no banco do passageiro. Ela deu uma olhada rápida.

Mamãe.

Claro.

Aria deixou tocar até parar.

Hoje não.

Hoje, ela precisava ser corajosa.

Duas curvas depois, a Maple Sky Inn apareceu.

Ela ficava um pouco elevada na entrada da cidade, emoldurada por bordos imponentes que começavam a ganhar tons dourados com o início do outono. O prédio era branco, com varandas amplas e venezianas azul-claras.

Era lindo.

E cansado.

A pintura estava descascando em alguns lugares. Uma veneziana estava torta. Os canteiros do jardim tinham mais ervas daninhas do que flores.

Aria estacionou e saiu do carro.

O ar a atingiu primeiro.

Cheirava a terra, folhas e algo doce que ela não conseguia identificar.

Não cheirava a escapamento.

Ela subiu os degraus da varanda lentamente, com as tábuas de madeira rangendo sob suas botas.

Era isso.

A carta do advogado tinha sido clara. Sua avó deixou a pousada para ela, junto com as dívidas.

Se Aria não gerasse lucro em seis meses, o banco a tomaria.

Seis meses para salvar um negócio que ela nunca tinha administrado.

Seis meses para decidir se realmente abriria mão da vida que construiu na cidade.

Ela abriu a porta.

Partículas de poeira flutuavam em feixes de luz da tarde dentro do saguão. O lugar cheirava levemente a lavanda e madeira velha.

Parecia congelado no tempo.

A escrivaninha antiga de sua avó ainda estava perto da escada. Um sino de latão repousava no balcão.

Aria caminhou mais para dentro, com o som de seus saltos ecoando suavemente.

Ela se lembrava dos verões ali quando criança. Limonada na varanda. Torta caseira. A risada da avó ecoando pelas janelas abertas.

Ela engoliu em seco.

“Eu vou consertar você”, sussurrou para a sala vazia.

Um barulho alto interrompeu sua promessa.

Aria deu um pulo.

O som tinha vindo de algum lugar mais profundo no prédio.

Seu coração começou a disparar.

O advogado não tinha mencionado ninguém hospedado ali. A pousada estava fechada há meses.

Outro estrondo ecoou do que parecia ser a cozinha.

Aria pegou o primeiro objeto que encontrou — um guarda-chuva decorativo de um suporte perto da porta.

Não era exatamente uma arma.

Mas era alguma coisa.

Ela avançou cautelosamente pelo corredor.

A porta da cozinha estava entreaberta.

Ela a empurrou com a ponta do guarda-chuva.

E travou.

Um homem alto estava ao lado da pia, com as mangas dobradas e o cabelo escuro levemente bagunçado. A água formava uma poça no chão de azulejos a seus pés. Um dos canos sob a pia havia estourado, soltando um jato de água fino, mas constante.

Ele olhou para cima ao mesmo tempo que ela.

Eles se encararam.

Houve uma longa pausa.

Então, os olhos dele caíram sobre o guarda-chuva que ela apontava para ele.

"—Você está planejando me duelar?" perguntou ele, com o tom equilibrado.

Aria piscou.

"O que você está fazendo na minha pousada?" ela exigiu.

Ele ergueu a sobrancelha levemente.

"Sua pousada?"

"Sim. Minha."

Ele se endireitou devagar, fechando a válvula de água com mãos experientes. O jato parou, embora o estrago estivesse feito.

"Caleb Turner", disse ele, como se aquilo explicasse tudo.

Não explicava.

"Eu não perguntei seu nome", respondeu Aria.

Algo brilhou em seus olhos; não era exatamente irritação. Parecia mais uma diversão relutante.

"A Sra. Harper me ligou antes de falecer", disse ele com calma. "Ela disse que, se os canos congelassem de novo, eu precisaria vir consertá-los. Tenho uma chave reserva."

Aria hesitou.

Sra. Harper.

Sua avó.

A realidade caiu sobre ela.

"Você é o faz-tudo", disse ela.

"Empreiteiro", corrigiu ele, de forma suave.

Ela o analisou melhor agora.

Ombros largos. Mãos calejadas pelo trabalho. Postura firme. Havia algo sólido nele. Centrado. O oposto de tudo que era frenético e refinado que ela deixara para trás.

"E você deve ser a neta", acrescentou ele.

Aí estava.

A avaliação.

Roupas da cidade. Postura da cidade. Impaciência da cidade.

"Sim", disse ela, baixando o guarda-chuva.

"Não esperava que você viesse."

"Eu também não esperava."

Outro silêncio se estendeu entre os dois.

A água pingava constantemente no piso da cozinha.

Ele pegou uma toalha e começou a secar o chão sem dizer mais uma palavra.

Aria ficou ali, sem jeito, por um momento, antes de finalmente deixar o guarda-chuva de lado e pegar outra toalha.

Eles trabalharam em um silêncio desconfortável.

"Você precisará de canos novos", disse ele após um momento. "O sistema antigo está gasto. Não vai sobreviver ao inverno."

"Quanto custa?" ela perguntou.

Ele lhe deu um número.

Seu estômago revirou.

"Isso é..." Ela soltou o ar devagar. "É mais do que eu esperava."

Ele lançou um olhar rápido para ela.

"Edifícios antigos são caros."

Ela engoliu em seco.

"Eu sei."

Ele a estudou, então, com mais atenção.

"Você pretende reabrir?"

"Sim."

Uma pausa.

"Tem certeza?"

A pergunta atingiu mais forte do que deveria.

"Sim", repetiu ela, com mais firmeza.

Algo ilegível passou por sua expressão.

"Bem", disse ele finalmente, endireitando-se de novo, "Maple Hollow precisa de movimento."

Parecia quase um sinal de aprovação.

Quase.

Ele juntou suas ferramentas.

"Vou lhe enviar um orçamento até amanhã."

Ela assentiu.

"Obrigada."

Ele parou perto da porta.

"Se você for ficar aqui sozinha", acrescentou, "é bom dar uma olhada na fechadura dos fundos. Ela emperra."

Seria preocupação?

Ou apenas um conselho profissional?

Ela não conseguiu distinguir.

Ele saiu para a varanda.

Aria o seguiu sem pensar.

O sol do fim da tarde suavizara-se em dourado.

Ele virou-se para sua picape estacionada no meio-fio.

"Sr. Turner", ela chamou por impulso.

Ele olhou para trás.

"É Caleb", corrigiu ele novamente.

Ela hesitou.

"As pessoas aqui sempre olham para quem é de fora como se estivessem apenas de passagem?"

O olhar dele permaneceu sobre ela por um segundo a mais do que o necessário.

"Sim", disse ele, simplesmente.

Seu peito apertou.

"E?"

"E", continuou ele, entrando na caminhonete, "elas geralmente têm razão."

O motor rugiu ao ligar.

Ele partiu sem dizer mais nada.

Aria ficou na varanda da Maple Sky Inn, com o vento acariciando suavemente seu cabelo.

Geralmente têm razão.

Ela se virou devagar e olhou para a pousada atrás de si.

Para a pintura descascada.

Para as persianas tortas.

Para a enorme e impossível responsabilidade que ela acabara de assumir.

"Eu não estou de passagem", sussurrou ela.

Mas, pela primeira vez desde que chegara...

Ela não tinha tanta certeza se estava tentando convencer a cidade.

Ou a si mesma.