Sin
Eu odeio essa porra de cidade.
O ar frio morde a pele das minhas mãos e do meu rosto enquanto me aproximo de um prédio em que eu preferiria nunca ter colocado os pés na vida.
Onde outros na rua têm toldos luxuosos e janelas em arco, este aqui não passa de cimento liso e minimalismo. Aparentemente, é inspirado no "brutalismo" — seja lá que porra isso signifique. Para mim, só parece uma prisão de concreto.
Não é de surpreender que esta fortaleza de cimento seja o lar da alta sociedade da cidade. No entanto, alguns de seus moradores lidam com coisas bem menos glamorosas do que gostariam que você acreditasse.
Entrando no beco, decido evitar a entrada principal, achando que é melhor para os negócios. Assim que chego à porta lateral, encosto-me na parede e acendo um cigarro, dando uma longa tragada.
A qualquer momento a porta vai abrir e eu vou poder acabar logo com essa noite.
Soltando a fumaça sobre minha cabeça, olho para cima mais uma vez. Preso entre dois prédios imponentes, consigo distinguir o céu noturno acima. Sem lua esta noite. Apenas algumas estrelas e a vasta escuridão habitual que me recebe toda vez que abro os olhos.
Acho que você poderia dizer que não sou exatamente fã da luz do sol. Ou das manhãs. Ou de pessoas. Ou de qualquer coisa, na verdade.
Sempre me senti entorpecido. Minhas primeiras memórias parecem iguais às lembranças de ontem. Não tenho nenhum apego emocional à vida que levo, aos trabalhos que aceito, à comida que como, às roupas que visto, ou até mesmo às duas pessoas na minha vida que eu consideraria amigáveis. Embora eu não diria que tenho amigos.
Não fui feito para isso. Não fui feito para muita coisa. A verdade é que acho que nasci para uma coisa e uma coisa só. E sabe de uma coisa... eu aceitei isso.
Imagino que tenha sido logo depois do meu primeiro trabalho. Não me fez sentir nada, por si só, foi apenas fácil. Eu não precisei me esforçar tanto, ou pensar sobre isso, eu só fiz.
A maioria das pessoas provavelmente me classificaria como um monstro. As coisas que fiz, ou as coisas que ajudei outras pessoas a fazer, certamente fariam até a pessoa mais compreensiva questionar se a redenção seria possível.
Não tenho certeza se nasci assim, ou se meu nome foi o prego no meu caixão. Li que as pessoas acreditam que o nome do seu filho decidirá o futuro dele. E dar ao seu filho o nome de 'Sin'? Bem... você não pode se surpreender se ele acabar como o diabo, não é mesmo?
Meu autodesprezo de rotina é interrompido pelo clique da porta se abrindo, o suficiente para eu enfiar a mão e segurá-la. Jogo meu cigarro em uma poça atrás de mim e olho por cima do ombro, verificando se há alguém observando. Sem ninguém à vista, puxo a porta e deslizo para dentro, examinando o corredor escuro. Quem quer que fosse meu assistente esta noite não ficou por perto e eu não os culpo.
Enfio as mãos nos bolsos e sigo para o elevador de serviço, mantendo a cabeça baixa. Mesmo sob a iluminação fraca, os pisos de mármore liso brilham a ponto de serem quase cegantes. Depois de apertar o botão de chamada, meus dedos se fecham em torno do isqueiro antigo no meu bolso que tenho desde os nove anos.
Enquanto os números do elevador descem, deslizo o polegar pelas gravações no metal frio do que acho que você poderia chamar de minha posse mais preciosa. Soltando uma respiração lenta, giro os ombros, fundindo-me à calma que se tornou uma segunda natureza para mim.
Quando as portas se abrem, entro na caixa de metal impecável e encosto o cartão-chave da cobertura no painel. Uma luz verde acende, seguida por um bipe alegre. O elevador começa sua subida e eu limpo a garganta, fechando as mãos em punhos nas laterais do corpo.
Pouco antes de chegar à cobertura, coloco um par de luvas de látex pretas, estalando-as em volta dos pulsos. O elevador apita, as portas se separam na escuridão e eu entro na cobertura silenciosa.
Hesito no saguão escuro, silencioso e imóvel. Mesmo que o trabalho estivesse marcado para um horário em que os chefões tinham certeza de que o local estaria vazio, já tive surpresas suficientes para saber que a inteligência deles nem sempre é precisa.
Sem movimento ou ruído óbvio, decido seguir em frente. Quanto mais cedo eu localizar meu objetivo, mais cedo posso dar o fora daqui. Me agarro às sombras enquanto sigo para as escadas, sabendo que meu alvo é suspeito de estar no quarto leste.
Subindo os degraus de dois em dois, decido que isso está indo bem demais. Suspeitamente bem. Meus dedos coçam para se fechar no cabo do meu canivete ou na pistola presa sob meu braço. Não sei dizer se é instinto ou se simplesmente estou acostumado a trabalhos que dão merda regularmente. Geralmente a essa altura já haveria uma pilha de corpos no chão com o cheiro de pólvora e cobre no ar.
As sombras no patamar engolem meu corpo enquanto sigo para o quarto no fim do corredor. O lugar está morto de silêncio, então acho que os chefões acertaram desta vez — o que é praticamente motivo de celebração. Talvez eu devesse ligar para meu intermediário e parabenizá-lo por não ser um completo idiota do caralho.
Estou implorando por um trabalho simples há meses. Algo que realmente valha o dinheiro que estão nos pagando. Não que eu esteja realmente nisso pelo dinheiro. Uma vez que você encontra sua vocação, é basicamente sustento. Você não tem mais escolha. Você faz porque, se não fizer, tem certeza de que sua vida inteira desmoronaria.
Assim que chego à porta do quarto, giro a maçaneta e a empurro. Dois passos dentro do quarto e um perfume me atinge. Um que é desconhecido e totalmente inebriante.
Antes mesmo que eu possa pensar em encontrar sua origem, o que só posso presumir ser um vaso de algum tipo é quebrado sobre minha cabeça. O som do vidro se estilhaçando corta o ar antes que o zumbido nos meus ouvidos assuma o controle — junto com meus reflexos.
Minha mão dispara, os dedos se fechando em torno de uma garganta delicada, apertando o suficiente para sufocar, mas não para estrangular. Ainda não, pelo menos. Jogo o corpo contra a parede, levantando a cabeça para dar uma boa olhada na primeira pessoa a me pegar de surpresa desde... sempre.
Um par de olhos castanhos profundos encontra os meus e eu travo. Sangue escorre pela minha testa, deslizando pela minha bochecha. Não é o suficiente para eu ficar muito preocupado, mas é o suficiente para fazer os olhos dela se arregalarem. Acho que ela nunca machucou alguém tão feio antes.
O cheiro dela, o rosto dela, o tudo dela está me fazendo entrar em parafuso, porra. Algo que há muito tempo pensei estar morto atrás das minhas costelas se torce e se encaixa no lugar. Além da adrenalina se espalhando pelas minhas veias, consigo sentir exatamente para onde o resto do meu sangue está fluindo e cerro os dentes. Frustração misturada com um fascínio incontrolável por essa criatura que prendi contra a parede incha no meu estômago.
Assim que meus ouvidos param de zumbir, eu falo. "Nome."
Ela não responde. Apenas olha para mim. Seu maxilar está tenso, mas seus olhos estão entregando-a. Ela está aterrorizada.
Aperto mais a garganta dela e a puxo para longe da parede, apenas para jogá-la contra ela novamente, socando o ar para fora de seus pulmões. O som que ela faz — ofegando por oxigênio — é música para meus ouvidos.
"Eu disse", rosno, meu nariz roçando contra o dela. "Nome."
Seu lábio inferior carnudo começa a tremer, então vejo as lágrimas brotando em seus olhos. Ela as afasta piscando, bufando de frustração. Solto a garganta dela o suficiente para que ela possa falar.
"Hannah", ela diz, sua voz já rouca pelo meu aperto.
Expiro pelo nariz, tentando o meu melhor para manter a calma. Ela não apenas fodeu com a minha noite — meu trabalho —, mas está me irritando para caralho e não sei dizer se é porque ela está fazendo de propósito ou porque sua voz está me fazendo sentir algo além do entorpecimento a que estou acostumado.
Meu peito está doendo e eu não consigo respirar, porra. Ouvi rumores sobre algumas de nossas "vítimas" usando novos tipos de armamento para lutar contra nós. Talvez estejam bombeando algo no ar que vai fazer meu coração explodir ou meu cérebro derreter.
Isso seria uma pena, no entanto. Tenho certeza de que essa garota ficaria traumatizada além da conta se tivesse que testemunhar isso.
Uau... e por que caralhos eu me importo com ela?
Sacudo a cabeça, como se para dissipar os pensamentos idiotas nadando nela. "E seu sobrenome, Hannah?", eu pergunto, cortante.
Ela limpa a garganta, cravando os dentes no lábio inferior por um momento antes de responder. "McFadden."
Jesus do céu. Isso tem que ser alguma piada cruel. Uma McFadden? Como na família criminosa McFadden? Ah, estou tão morto que nem tem graça.
Uma risada amarga e áspera escapa da minha garganta e ela franze as sobrancelhas. "Hannah McFadden?", repito, lambendo os lábios. "E o que exatamente você está fazendo aqui?"
Seus ombros ficam rígidos com a pergunta. Mas não é uma óbvia? Será que alguém não perguntaria isso nessa situação? Esta não é a casa dela. E, na última vez que verifiquei, a família dela tinha uma rivalidade bem instável com o babaca que é dono desta cobertura.
Mas, finalmente a ficha cai e um sorriso se curva no meu rosto. Aproximo-me dela e sinto como ela tenta se encolher, como ela tenta colocar espaço entre nós. "Ah, entendi", murmuro, os olhos procurando os dela antes de descerem para o conjunto de pijama de cetim preto e justo que ela está usando. "E a esposa dele sabe que você está aqui, Hannah?"
Seu maxilar trabalha no veneno que tenho certeza que ela quer cuspir em mim, mas eu apenas rio. Inclinando a cabeça para trás enquanto faço isso. Ah, isso é perfeito demais — e meu plano de fuga.
"Vai se foder", ela rosna.
Essas duas palavras entram no meu cérebro e enviam um calafrio pela minha espinha. "Me foder?", repito, roçando meu nariz contra o dela novamente. "É isso que você quer?"
Um gemido escapa de sua garganta e eu bufo, cravando meus dentes na pele delicada do pescoço dela. Ela solta um grito, a cabeça tombando para trás, sua coluna se arqueia para longe da parede, o que apenas empurra seus seios perfeitos contra meu peito. Suas mãos me empurram, mas sou apenas mais uma parede enjaulando-a. Ela não vai a lugar nenhum.
Puta merda, o que essa garota está fazendo comigo?
Recuo, mas não antes de passar minha língua pela pele salgada dela, provando-a completamente. "Você tem duas escolhas, Hannah", digo com a voz rouca, os olhos subindo para os dela. "Você pode manter sua boca bonita fechada e voltar para casa para o papai. Você não viu nada, não sabe de nada, e ambos seguimos o nosso caminho."
"E qual é a minha segunda opção, babaca?", ela rosna.
"Sua segunda opção não é tão agradável. Confie em mim, Hannah. Aproveite a saída", digo a ela, minha voz áspera, mas séria. "Vá. Para casa."
Seus olhos procuram os meus, sem dúvida entendendo o meu recado. Embora eu não tenha certeza se ela é capaz de compreender totalmente o quão fodida ela estará se não sair agora.
"Me obrigue", ela responde. Sua voz está trêmula, suas mãos tremendo contra as coxas.
Minha cabeça inclina para o lado e dou um sorriso de lado para ela. "Ah, querida", sussurro, o apelido escapando dos meus lábios sem pensar duas vezes. "Você realmente não deveria ter dito isso."
Antes que ela possa fazer outro som, puxo-a para longe da parede e a jogo contra ela, desta vez com mais força. Sua cabeça cai instantaneamente para o lado e eu a jogo sobre meu ombro.
Meu braço se fecha em volta de suas coxas enquanto ela balança sobre mim, apagada. Sigo para a mesa de cabeceira, pego a caixa da gaveta — o objetivo pelo qual estou realmente aqui — e enfio no meu bolso.
Indo para a saída, deixo a cobertura com Hannah, porra, McFadden pendurada no meu ombro como algum prêmio de consolação doentio.
Trabalho bem feito, suponho.



Wow, what a brilliant fucking chapter, you have the same writing style as me which is to write in the present tense, moving along as the story develops. The only difference is I write in 3rd person mixing me the narrator as the 1st person. This has to be 1 of the best opening chapters I have ever read, and has me instantly hooked. I can’t wait to read more.