Chapter 1
Knox Callahan
A pré-temporada estava a poucos dias, e tínhamos acabado de sair de um treino infernal. Os exames físicos estavam chegando, então o plano era simples: pegar leve esta noite e talvez liberar um pouco de tensão — mas sem exagerar.
Cole saiu do chuveiro, com a toalha enrolada na cintura, e sentou-se ao meu lado no banco. — Bom treino, não foi?
— É, cara. — Passei a mão pelo meu cabelo loiro úmido.
— Como está a situação da namorada? — perguntei, dando uma olhada nele. Lauren estava agindo de forma estranha ultimamente, distante, aérea.
Cole resmungou, pegando suas cuecas. — Ainda parece uma merda, para ser sincero.
— Então… ela continua com as merdas de sempre?
Ele assentiu e passou a mão pelo cabelo escuro. — É. Estou farto, cara. — Seus olhos azuis encontraram os meus, queimando de frustração.
— Termina com essa porra. — Vesti minha jaqueta; o ar da noite já estava frio lá fora em North Haven.
— Um ano e meio, cara. Eu amo ela — disse Cole.
— Então nada de puck bunnies para você hoje, hein? — provoquei.
Ele me mostrou o dedo do meio. — Não, mas eu vou.
— Ótimo. Preciso do meu parceiro. — Antes que Cole pudesse responder, Roman, nosso goleiro russo, apareceu. — Achei que eu era seu parceiro? — disse ele com um sotaque carregado.
Eu ri. — Roman, você, meu cara, Cole, e você, novato — fiz um sinal com a cabeça para Jace Wilder —, serão meus parceiros hoje.
Beckett, ou "Cole", como apenas alguns poucos o chamavam, fez bico. — Achei que eu fosse o seu único, Cap.
— Vai se foder. — Empurrei o ombro dele, e o vestiário explodiu em risadas.
Eventualmente nos arrumamos e fomos para a boate. Cole mencionou que Lauren não iria, mas talvez a irmã dela, Melody, aparecesse. Eu já tinha brincado com ele antes dizendo que Melody combinava mais com ele do que Lauren, mas ele insistia que eram apenas amigos.
A boate estava lotada. As garotas viravam para nos olhar enquanto passávamos — atletas de 1,93m, alguns tatuados, outros simplesmente enormes, todos gritando "jogador de hóquei gato".
Eu a vi primeiro. Cabelo caramelo, 1,60m, a que Cole estava procurando. Dei um toque nele. O sorriso dele se abriu e ele foi até ela na fila. Ela sorriu quando o viu, e ele segurou a mão dela, puxando-a na nossa direção.
— Mel — cumprimentei.
— Knox — ela respondeu em tom de provocação.
— Sozinha hoje? — perguntei.
— É… infelizmente.
Inclinei a cabeça. — Que tal ser meu par em vez do dele?
Ela franziu o nariz. — Não. Você sabe que eu não namoro nem transo com jogadores de hóquei.
Fiz uma cara de ferido. — Oh Mel, você parte meu coração. — Ela riu e revirou os olhos, logo antes de Cole aparecer.
— Para de foder com isso, Cap — ele avisou.
Levantei as mãos. — Mel sabe que estou brincando.
Ela sorriu. — Às vezes eu me pergunto.
Balancei a cabeça. Eu gosto mais dela do que da irmã. A outra parece interesseira, mas Cole não me escuta.
Fomos para a frente da fila. O segurança nos deixou entrar sem pensar duas vezes. Foi aí que eu a notei.
Uma garota do lado, pequena, loira, olhos azuis lindos, parecendo que ia chorar a qualquer momento. Parei, meus instintos entrando em ação.
— Ei… você está bem? — perguntei gentilmente.
Ela balançou a cabeça, soltando um suspiro trêmulo. — Estou… bem. Só… tive um dia de merda.
Eu a analisei, tentando ver o que a deixava tão agitada. Quando encontrei os olhos dela novamente, ela ergueu uma sobrancelha.
— Juro que não estava te secando — disse eu, coçando a nuca. — Desculpe.
Ela deu um sorriso de lado. — Tudo bem, grandão.
— Nome? — perguntei.
— Sadie.
— Knox. — Estendi a mão. Ela a pegou. Aquela faísca — sabe, aquela que não deveria acontecer só com um aperto de mão — me atingiu por um segundo. Balancei a cabeça tentando ignorar.
— Então… dia de merda?
Ela exalou, frustrada. — Sou nova aqui. Meu namorado queria que eu encontrasse com ele hoje… mas ele está ali — disse ela, apontando para um cara na entrada —, com aquela garota.
Eu ri. — Então você é nova aqui e já está lidando com problemas com caras?
— Sim. Meu pai mora aqui. Fiquei com minha mãe depois do divórcio deles, mas estou aqui por um emprego.
— Meus pais eram assim também — falei automaticamente. Depois dei de ombros. — Legal. Boa sorte no novo emprego. Quer ficar com a gente?
Ela sorriu hesitante. — Tem certeza?
— Com certeza. — Peguei a mão dela. Aquela faísca veio de novo, mas ignorei. Ela me seguiu pelo meio da multidão, passando pelo ex dela. A cara dele foi impagável.
Chegamos onde meus amigos estavam na área VIP. Sadie me deu um olhar pequeno e provocador. Dei de ombros. — Eu conheço as pessoas.
— Claro que conhece, bonitão — ela sussurrou, mais para si mesma do que para mim.
Revirei os olhos. — Pessoal, esta é a Sadie. Ela é nova, teve uma noite difícil. Mostrem um pouco de carinho — mas sem colocar as mãos —, adicionei em voz baixa para o time.
Melody a chamou com um gesto, e eu soltei sua mão. — Você estará em boas mãos com a Melody… e com o Cole.
— Obrigada, Knox. — Observei-a caminhar para longe, deslumbrante.
Jace chamou a garçonete. — Cerveja? — Assenti, tentando não demonstrar o quanto Sadie já tinha mexido comigo.
Mais tarde, meio bêbado, dei uma olhada pela área VIP. Sadie riu e sussurrou algo para Melody. Ela se levantou, tropeçando um pouco, e acabou no meu colo quando se desequilibrou. Eu a segurei, meus braços envolvendo-a, encontrando seus olhos.
— Bebeu demais? — dei um sorriso de lado.
— Talvez — ela deu de ombros, e seus dedos roçaram meu peito. Meu corpo reagiu instantaneamente — foi o álcool ou ela? Balancei a cabeça, mas o sorriso dela me dizia que ela sabia exatamente o que estava fazendo.
Coloquei Sadie de volta em pé gentilmente, mantendo uma mão em suas costas caso ela vacilasse. — Sentindo-se mais firme? — perguntei, sorrindo.
— Muito — disse ela, tirando poeira imaginária do vestido, embora seu sorriso me dissesse que ela estava me provocando de volta.
Fiz um sinal com a cabeça para Melody e Cole. — Vá para perto dos meus amigos — Melody vai cuidar de você, e o Cole… bom, ele é inofensivo na maior parte do tempo. Mas fique por perto.
Os olhos verdes de Sadie subiram até mim, travessos. — Ficar por perto?
Dei de ombros. — Instintos de capitão. Não posso deixar nada acontecer sob minha vigilância.
Ela riu baixinho, o som cortando a música. Enquanto ela passava por mim, passei meus dedos levemente pelo pulso dela. — Não se preocupe — brinquei —, não vou deixar o Cole te conquistar antes de mim.
Ela revirou os olhos, mas sorriu, claramente divertida. — Uh-huh. Sei, Knox.
Recostei-me no parapeito, bebendo, mantendo-a em meu campo de visão. Ela estava rindo com Melody agora, relaxada e à vontade — completamente diferente da garota agitada que vi lá fora minutos atrás.
Senti uma estranha pontada no peito observando-a. Não era ciúme. Não exatamente. Era mais… curiosidade. Interesse. Havia algo na energia dela que era magnético, e eu não conseguia desviar o olhar.
Cole, enquanto isso, pairava perto de Melody, lançando olhares provocadores que diziam "eu sou dono disso". Eu sabia exatamente o que aquilo significava — Cole podia ser o durão, o paquerador, o cara que todos notavam, mas ele não era nada sutil quando se tratava de mulheres que lhe interessavam.
Encontrei o olhar de Sadie novamente e dei de ombros. Ela deu um sorriso de lado, depois voltou a conversar com Melody. Percebi que ela estava planejando algo. Provavelmente inofensivo. Provavelmente divertido.
— Knox — a voz de Cole veio de trás de mim. Ele se apoiou no parapeito, com a toalha de mais cedo jogada sobre um ombro como uma capa. — Tentando roubar minhas amigas agora?
Eu ri. — Não, só apresentando um novo talento para o time. Você deveria prestar atenção, Cole.
Ele franziu a testa, mas aquele sorriso de lado provocador surgiu em seus lábios. — Talento, é? Você quer dizer a garota que já caiu no seu colo?
— Caiu — corrigi rapidamente, embora o calor subindo em meu peito me traísse. — Totalmente caiu.
A risada de Sadie ecoou do outro lado da área VIP. Ela olhou para cá, com os olhos brilhando como se soubesse exatamente do que estávamos falando. Meu estômago revirou de um jeito que eu não esperava.
Balancei a cabeça, tentando me concentrar. — Deveres de capitão. Lembra?
Cole levantou uma sobrancelha, claramente divertido. — Deveres, é? Está ficando mole, Callahan?
— Não estou mole — disse eu, mantendo meu tom casual. — Apenas… ciente de possíveis perigos.
Ele revirou os olhos. — Você é ridículo.
Dei um sorriso de lado. — Prerrogativa do capitão.
Sadie se aproximou de novo, conseguindo abrir caminho até o bar. Segurei a mão dela levemente enquanto ela passava. — Você está bem? — perguntei, minha voz baixando um tom, mais quieta que a música.
Ela se inclinou um pouco, o suficiente para eu sentir seu calor. — Agora estou — sussurrou ela, seus lábios se curvando em um sorriso pequeno e cúmplice.
Eu queria dizer algo esperto, algo que não me fizesse parecer um idiota, mas congelei. Os olhos dela prenderam os meus, brincalhões, mas… provocantemente perigosos.
— Uma bebida? — ofereci, acenando para o barman.
— Claro — disse ela, deixando que eu a guiasse até o balcão.
Enquanto ela pedia, não pude deixar de olhar para o grupo. Cole estava nos observando, mas o canto da boca dele se ergueu naquele jeito de "eu sei que você está pensando nela".
Suspirei internamente. É… problema.
Apoiei-me no bar, tentando agir casualmente, mas não conseguia parar de olhar para ela. Sadie riu de algo que Melody disse, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Meu peito deu um aperto — ela tinha um jeito de preencher o ambiente sem nem tentar.
Ela pegou meu olhar e deu um sorriso de lado, depois olhou para baixo, fingindo estar ocupada. Levantei uma sobrancelha, desafiando-a silenciosamente.
Finalmente, ela se aproximou, inclinando a cabeça levemente. — Você continua me observando — disse ela, provocando, mas sua voz era suave.
— Só garantindo que você não está causando problemas — disse, mantendo o tom leve. Minha mão roçou a dela enquanto empurrei a bebida para ela. — Deveres de capitão.
Ela riu, baixo e musical. — Deveres de capitão, hein? Isso é conveniente.