Chapter 1
“Não… Senhor, isso é um absurdo.”
A cafeteria estava envolta por uma música suave.
A luz do sol se acumulava sobre a mesa, e o ar carregava o perfume quente e intenso de caramelo e grãos torrados.
Kinsley apertou sua xícara, com os nós dos dedos brancos.
“É um bom emprego.”
O homem sentado à sua frente disse. Sua voz era calma e firme.
“Pagamento alto, curta duração. Tudo o que você precisa fazer é se casar comigo.”
Ele pausou, seus olhos fixos nos dela.
“Não é diferente da performance que você acabou de terminar.”
“Um casamento de verdade?”
“Um casamento de verdade.”
O ar na sala parecia ter se solidificado.
Ela forçou as palavras a saírem, com a garganta apertada.
“Isso… envolve dormir juntos?”
“Provavelmente.”
A resposta veio sem um segundo de hesitação.
Então, ele acrescentou: “Mas eu não vou forçá-la.”
Ele ofereceu um sorriso composto, mas aquele ar sereno fez o coração dela disparar mais rápido do que qualquer ameaça jamais faria.
O ar ficou rarefeito.
Kinsley levantou sua xícara e tomou um gole lento de café, seu olhar desviando inquieto sob o balanço de seus longos cílios.
Uma cascata de ondas castanhas e pesadas caía sobre seus ombros, protegendo metade de seu rosto da visão dele.
Ela parecia uma obra de arte trazida à vida.
“Eu sou apenas uma estudante universitária no último ano”, ela disse, “o micro-drama era apenas um trabalho de meio período.”
O olhar dele caiu sobre as mãos trêmulas dela.
“Você precisa do dinheiro.”
As palavras deslizaram dos lábios dele suavemente, carregando o peso de uma certeza absoluta.
A ponta do dedo dela escorregou contra a curva de cerâmica da xícara.
Ele parecia frio, astuto, mas possuía uma elegância inexplicável.
Seu rosto era mais marcante do que o de qualquer astro de cinema.
Seus olhos estreitos, cinza-azulados, fizeram a mente dela parar de funcionar, travada.
“Se você não quiser, posso encontrar outra pessoa.”
“Não—”
A palavra escapou antes que ela pudesse impedi-la, e o arrependimento veio instantaneamente.
Ansiosa demais.
Barata demais.
O fantasma de um sorriso se aprofundou nos olhos do homem.
“Você tem permissão para fazer perguntas.”
“Por que você não se casa com alguém que ama?” ela soltou.
“Isso não é da sua conta.”
Ele respondeu casualmente, mas a mão dela, segurando a xícara, deu um pequeno solavanco traiçoeiro.
O silêncio se estendeu entre eles, alto o suficiente para que ela pudesse ouvir o ritmo frenético de sua própria pulsação.
Ela respirou fundo.
“Como vou saber que você não é um golpista?”
Sua voz soou alta demais no espaço silencioso. Desconcertada, ela olhou para a esquerda e para a direita.
Nenhum dos outros clientes estava olhando para eles, mas ela sentiu como se estivesse sendo observada por mil olhos julgadores.
Ele não discutiu, apenas entregou a ela um cartão de visitas.
Aaron Hoffman
Visto Corporation
CEO & Diretor
Os olhos de Kinsley tremeluziram com um choque.
Após alguns segundos de silêncio atordoado, ela colocou o cartão de volta na mesa com delicado cuidado.
“Qualquer um pode imprimir um cartão de visitas”, ela murmurou.
Então, percebendo a possível ofensa, ela olhou para ele, com o coração disparado.
“Eu não quis dizer isso desse jeito...”
O olhar do homem permanecia uma poça de calma sobrenatural.
O canto de sua boca se curvou na sombra mais leve de um sorriso de lado.
Ele a observou por vários longos batimentos cardíacos antes de finalmente falar.
“Você está convidada a ir ao escritório verificar minha identidade.”
Tão rápido quanto apareceu, a curva de seus lábios desapareceu.
“Mas, depois disso, não darei mais tempo para você hesitar.”
“Eu poderia apenas—”
“Não.”
Ele não elevou a voz, mas a palavra única carregava a finalidade de um martelo de juiz.
Ele já tinha decidido por ela.
--
A sede da Visto pairava sobre a cidade.
Lá dentro, o elevador zumbia com precisão de alta velocidade enquanto subia em direção ao último andar.
As mãos de Kinsley estavam fechadas em punhos, suas palmas já suadas.
Este é o lugar onde todos sonham trabalhar.
E ele... ele é o CEO?
Assim que saíram, uma secretária se aproximou com graça prática, estendendo uma pasta.
“Sr. Hoffman, os documentos que o senhor pediu estão prontos.”
Ele os pegou, seus olhos escaneando as páginas com eficiência clínica antes de empurrar as portas do escritório do CEO.
“Leia com cuidado. Se não houver objeções, assine. Começamos agora mesmo.”
O papel tremia nas mãos de Kinsley.
As cláusulas eram claras, a compensação era impressionante e não havia armadilhas óbvias escondidas na linguagem jurídica.
Mas era tudo muito rápido.
“Nós vamos realmente nos casar?”
“De acordo com o contrato, você tem a liberdade de recusar.”
Mas o tom dele não deixava espaço para recuar.
Ela encarou o documento, seus pés recuando alguns centímetros antes de se firmar.
Ela pegou a caneta.
Eu preciso deste emprego.
Eu preciso desse dinheiro.
Ele não parece ser um homem mau.
E os termos nem são tão severos...
A ponta da caneta afundou no papel com força demais, rasgando a fibra.
Aaron pegou a pasta de volta e assinou.
Então, ele estendeu a mão.
“Prazer em fazer negócios com você.”
“...Igualmente.”
Ela hesitou por um segundo antes de aceitar a mão dele; o gesto pareceu mais um acordo fechado do que um cumprimento.
A mão dele era grande, poderosa e irradiava um calor inesperado.
Ela puxou a mão quase instantaneamente; o contato a queimou.
“Como devo chamá-lo de agora em diante?”
“Como preferir.”
Aaron pegou o interfone e pediu à secretária que levasse os documentos.
Poucos minutos depois, o celular de Kinsley apitou com uma notificação.
“Seu primeiro pagamento deve ter caído na conta”, disse ele.
Ela checou a tela—lá estava.
Um suspiro silencioso de alívio escapou dela. Ele cumpre o que promete, pelo menos.
Só agora ela se permitiu relaxar e dar uma olhada no homem que, tecnicamente, era seu marido.
Ele era alto, com uma estrutura simétrica e magra; seus traços eram tão perfeitos que pareciam esculpidos.
A ponte alta do nariz e aqueles lábios finos e firmes davam a ele um ar de frieza implacável—e, na verdade, ele fazia jus à aparência.
Bem, ela pensou consigo mesma,
Não é exatamente um castigo para os olhos.
Quanto ao resto, lidarei com isso quando acontecer.
São apenas seis meses, afinal.
“O que acontece agora?”
“O casamento.”
“O quê? Eu nem tive tempo de—”
Ele já caminhava em direção à porta, não deixando a ela outra escolha a não ser correr atrás dele.
--
Enquanto o carro corria pela cidade, Kinsley observava o borrão do tráfego, uma ponta de curiosidade surgindo sobre o que viria a seguir.
Ela nunca tinha usado um vestido de noiva antes.
Havia uma cena de casamento em um roteiro anterior pelo qual ela estava tão animada, apenas para o diretor cortá-la no último minuto.
Como é, de verdade, usar um?
Ela pegou o perfil dele em sua visão periférica.
Ele mantinha os olhos fixos na estrada, dirigindo como se nem estivesse ciente da pessoa no banco do passageiro.
O silêncio no carro era como a garra de um gato, arranhando seus nervos.
“Quanto tempo falta?”, ela não conseguiu evitar perguntar.
“Apenas relaxe.”
Ele nem sequer lhe deu um olhar.
Kinsley pressionou os lábios e voltou a olhar pela janela.
Ao chegar a uma villa de luxo, Kinsley foi conduzida a uma sala onde várias mulheres já estavam esperando.
Assistentes de figurino a ajudaram a vestir o traje. Um estilista cuidou de seu cabelo. Um maquiador pairava sobre ela com esponjas e pincéis.
Ela ficou sentada lá, congelada como uma Barbie, sendo mimada e ajustada.
O vestido era de uma marca de alta costura, uma obra-prima de renda em camadas e detalhes complexos.
Kinsley olhou para si mesma no espelho, seus dedos roçando o tecido caro com uma faísca oculta de emoção.
Este vestido custa uma fortuna!
A renda não era bem o seu estilo, mas pelo menos o casamento não parecia uma farsa barata.
Era surpreendente, na verdade—para um homem que só estava montando um show, ele estava seguindo cada procedimento padrão à risca.
Kinsley sentiu uma onda de alívio e deixou as mulheres continuarem a cuidar de seu cabelo e maquiagem.
Mas uma pressão incômoda começou a surgir em seu peito.
Ela tinha vestido o traje com tanta pressa que não tinha notado que o caimento estava errado.
O corpete estava sufocantemente apertado.
Ela olhou para baixo, puxando o corpete profundo, mas o tecido opressor não oferecia trégua.
“Não entre em pânico”, ela disse a si mesma, “é só uma atuação.”
Mas o contrato era real. Assim como a cerimônia e o registro.
Tudo estava um passo além do que ela havia previsto.
Se hoje é real, o que isso significa para amanhã?
A noiva no espelho estava equilibrada e radiante.
Kinsley apertou a seda de seu vestido, suas pontas dos dedos geladas.