Prólogo
POV do Luke
O rugido da multidão ainda vibrava nas solas das minhas chuteiras enquanto eu percorria o túnel de concreto que saía do campo. É um zumbido diferente. Sessenta mil pessoas gritando até perderem o fôlego, uma parede de som que te persegue muito tempo depois que as luzes do estádio se apagam.
Minha camisa estava pesada, uma mistura de suor, borracha do gramado e a terra literal de uma vitória suada. Aos vinte e cinco anos, eu deveria me sentir invencível, e nesta noite, ao levar o Boston Ironclads a uma virada no último quarto, eu realmente me senti.
"Que jogada, Calder!", grita nosso tight end, batendo uma mão pesada nas minhas ombreiras.
Eu sorrio, com a adrenalina ainda mascarando a dor surda no meu braço de arremesso. "Nós vimos a brecha. Nós aproveitamos. Boa recepção, cara."
O vestiário era um santuário caótico de gritos, chuveiros abertos e a batida rítmica de uma playlist pós-jogo. Cheira a pomada de cânfora e triunfo. Para a maioria dos caras, a noite estava apenas começando. Jantares comemorativos, bares sofisticados ou voltar para casa para suas esposas e filhos. Para mim, a vitória era apenas o primeiro tempo das apostas da noite.
Eu ignoro as primeiras comemorações e vou direto para o meu armário. Minhas mãos ainda tremiam um pouco enquanto eu pegava meu celular, que estava trancado no baú de equipamentos desde o aquecimento antes do jogo.
A tela se ilumina, projetando um brilho azul intenso sobre meus nós dos dedos sujos de grama. Entre a enxurrada de notificações — mensagens de parabéns do meu agente, dos meus pais e de vários repórteres esportivos — havia um nome que fez todo o resto desaparecer.
Gabe.
Nada de "bom jogo". Nada de "vi aquele touchdown". Apenas uma localização marcada em um canto silencioso da cidade e uma única frase: Esteja aqui antes da meia-noite.
Fiquei encarando o ponto azul piscando no mapa. Para o resto do mundo, eu era o quarterback estrela dos Ironclads, o garoto de ouro da NFL, com uma imagem impecável e passes precisos. Mas, enquanto eu estava sentado no banco de madeira, com as comemorações dos meus companheiros de equipe parecendo estar a quilômetros de distância, percebi que a vitória em campo era a parte fácil.
A parte difícil era tentar me livrar desse lance que já dura quatro anos.
Eu conheço o Gabe desde que o pai dele me treinava no Boston College.
Toda vez que tento terminar, acabo indo parar na cama com ele de alguma forma.
Engraçado como as coisas acontecem.
Não é como se eu pudesse mandar mensagem para ele também. Por algum motivo, nenhuma das minhas mensagens parece ser entregue. Ele me bloqueia, a menos que queira mandar uma mensagem para eu ir lá transar com ele.
Ele quer me odiar. Talvez ele odeie.
Mas ele ainda manda mensagem sempre que estamos na mesma cidade.
E eu não consigo evitar, acabo indo até ele toda vez.