Capítulo 1
Eu estava olhando pra ela esperando alguma reação preenchesse o seu rosto mas na realidade eu sabia que nada poderia acontecer, afinal, eu era apenas uma criança de doze anos, ela simplesmente sorriu fraco para mim bagunçando o meu cabelo.
— Você está provavelmente confuso,
— Eu não estou confuso, eu realmente amo você e quero que você se case comigo. . - Falei e vi um namorado dela do outro lado olhando para mim de maneira muito feia.
Que direito ele tinha de olhar para mim daquele jeito? Ele nem é casado com ela.
— Ei garoto, o que você acha que tá falando pra minha namorada? - Ele perguntou dando alguns passos na minha direção, mas ela foi mais rápida o impedindo com apenas um braço.
— Não acredito que você está se irritando com as coisas que uma criancinha está falando. - Ela falou em descrença e eles rolou os olhos em aborrecimento.
—Criancinha? Esse cara tem doze anos já é muito mais velho e sabe muito bem do que ele está falando, o mal deve ser erradicado pela raiz e eu não me importo de fazer isso.
Ela simplesmente ignorou e se virou para mim.
— Olha, eu não consigo entender muito bem quais são os seus sentimentos por mim e eu também não posso dizer que é só uma confusão que você está passando né, porque é você que está sentindo e não eu, mas agora não é o momento certo para você fazer esse tipo de declaração ou pensar em mim desse jeito. - Falou
— Mas são os meus sentimentos! - Reclamei já sentindo algumas lágrimas se formando nas minhas vistas.
—Eu não estou dizendo que não são os seus sentimentos, eu só estou dizendo que ainda é muito cedo, e fora ser muito eu sequer sou da sua idade… , eu tenho 22 anos, você pode não saber, mas tem relacionamentos em que a idade é muito importante, e se a gente não for mais ou menos da mesma idade até a gente vai receber muito julgamento da sociedade bem como eu posso ir presa por pedofilia, entende? - Falou. — Eu não vou dizer que você ainda é uma criança porque você já é mais do que forte e pode até pensar por si mesmo, mas você ainda tem tanto pela frente, tem tantas garotinhas da cidade que vão gostar de você e você provavelmente também vai gostar delas, porque você não dá uma oportunidade pra essas garotas?
— Porque eu não gosto delas!
— Mas você pode gostar. E voce até é bonito.
— Se eu sou bonito porque não fica comigo ao invés dele? - Perguntei apontando para o namorado dela.
— Garotoo…-Ela murmurou esfregando a testa como se estivesse com dor.
— Mas eu amo você!
— Esse pirralho.- O namorado dela ameaçou dar alguns passos na minha direção novamente, mas ela o impediu também novamente.
— Porque a gente não faz assim então, por que você não cresce mais um pouquinho, o que que você acha? - Ela falou ao enxugar as lágrimas do meu rosto.
— Crescer?
— Sim. Agora definitivamente não tem como acontecer porque eu posso ir presa, isso aí não vai ser romance não, pode não parecer mas eu tenho uma certa imagem a manter.
— Ei, Slayel…não coloque coisas na cabeça desse pivete, não dê esperanças a ele. - o namorado dela falou.
Ela se aproximou um pouquinho mais de mim como se fosse me contar um segredo para que o namorado dela não ouvisse.
— Eu tenho máxima certeza que até lá já não estarei com esse idiota, e também a máxima certeza que você vai me tratar mil vezes melhor do que ele então porque a gente não faz essa aposta?
Eu enxerguei as minhas lágrimas e engoli o choro.
— Você vai esperar por mim?
— Você sabe perfeitamente que eu não esperaria por nenhum homem na face da terra. - Falei. — Tenho a máxima certeza que você vai me encontrar e me tornar sua, não? A sua…é o que mesmo que você fica toda hora repetindo?
— A minha absoluta submissa. - Falei e ela riu.
— Você é uma criança realmente estranha, é a primeira que eu ouço que quer transformar uma mulher em uma submissa. - Ela me olhou com curiosidade. — Eu me pergunto se os seus pais sabem que você fica vendo essas coisas.
— Slay. - O namorado dela a chamou. — Quanto tempo mais vai perder com esse moleque? - Ela se levantou e ajeitou a calça que tinha se sujado porque ela precisou ficar ajoelhada no chão para estarmos na mesma altura e piscou para mim.
— Se cuida ta bom?. - Falou, pela primeira vez na minha vida eu não senti vontade de chorar, eu vi ela caminhando até ao carro e a segui.
— Espere por mim, Slayel, eu vou fazer você ser minha, a minha mulher! - Gritei.
—. Viu o que você fez? Você deu esperanças para esse pirralho e agora ele está dizendo as coisas horrorosas, droga, se fosse o mais velho dizendo essas barbaridades, ele seria acusado de assédio sexual.
— Ele é uma criança, Wiz, cala a boca. - Ela falou ao subir no carro e em seguida sem dizer mais nada o carro partiu, eu fiquei olhando o grande amor da minha vida partir sem eu poder fazer absolutamente nada para a fazer ficar.
Aquilo que não era apenas uma promessa, sequer sabia se ela tinha acreditado nas minhas palavras, afinal era apenas uma criança de doze anos falando, mas aquilo se tornou no meu propósito, na minha razão de viver, eu faria de tudo para ter aquela mulher na minha vida.
E hoje, dez anos depois, eu já não era apenas uma criancinha, eu estava pronto para correr atrás dos meus objetivos.