Prólogo
Brenna
A primeira coisa que noto ao estacionar no nosso lugar é que cheguei cedo.
Claro que cheguei. Fiquei encarando o relógio do meu quarto pelos últimos quarenta minutos, mal conseguindo respirar, com o estômago tão contraído que parece ter algo me arranhando por dentro. Quando finalmente peguei as chaves e disse à minha mãe que ia dar uma volta, eu já estava tremendo.
Agora estou parada na beira do antigo acostamento de cascalho com vista para o lago. Meus faróis cortam o corrimão de madeira e o pedaço de mato alto logo adiante, e tudo o que consigo pensar é que eu não deveria estar aqui.
Eu não deveria ter pedido para ele me encontrar.
Eu não deveria ter mandado a mensagem: "Você pode vir?"
Eu não deveria estar fazendo nada disso.
Mas estou.
O motor estala baixinho enquanto esfria, e eu aperto o volante com tanta força que meus dedos doem. Lá fora, a noite de verão está quieta, daquele jeito estranho e suspenso que só acontece tão longe da cidade. O lago é uma extensão escura de vidro preto sob a luz da lua, e a fileira de árvores antigas ao redor balança de vez em quando com o vento.
Este lugar sempre pareceu nosso. Era aqui que vínhamos quando queríamos ficar sozinhos. Onde estacionávamos depois dos jogos de futebol e das voltas de carro tarde da noite, e na primeira vez que ele me disse que me amava, com a testa encostada na minha como se fosse um segredo grande demais para o resto do mundo.
Essa lembrança dói tanto que fecho os olhos com força.
Eu não deveria estar aqui.
Meu celular brilha no suporte do copo. Nenhuma mensagem nova. Nenhuma chamada perdida. Apenas a que enviei para ele vinte e dois minutos atrás. A que ele respondeu quase imediatamente.
"A caminho, gata."
Minha garganta queima.
Não sei como vim parar aqui. Não sei como cheguei ao ponto de sentir tanta falta dele que dói fisicamente, até estar sentada no nosso lugar, prestes a dizer que não aguento mais.
Essa é a parte que me faz sentir a pior pessoa do mundo.
Porque eu ainda o amo.
Esse é o problema todo.
Eu o amo, e ele está a uma hora e meia de distância, vivendo uma vida que não cabe mais na minha. Eu o amo, e cada chamada perdida parece uma pequena rachadura que se abre no meu peito. Eu o amo, e toda vez que ele diz que não pode vir para casa no fim de semana porque tem treino, ou trabalho, ou um trabalho da faculdade, eu minto e digo que está tudo bem.
Eu o amo, e estou tão cansada de chorar depois que desligamos.
Meu peito aperta até ficar difícil respirar.
Faróis brilham no meu retrovisor.
Por um segundo estúpido, meu coração dispara tanto que chega a doer.
A caminhonete dele.
Mesmo antes do motor a diesel ficar alto o suficiente para ecoar pelo silêncio, eu sei que é ele. Eu reconheceria aquela caminhonete em qualquer lugar. Observo pelo para-brisa enquanto seus faróis varrem o cascalho e sua picape escura estaciona ao meu lado, grande, familiar e tão estupidamente ele que quase perco a coragem ali mesmo.
Ele estaciona torto, como sempre.
O motor fica ligado por um segundo e depois desliga.
E eu apenas fico sentada ali.
Mãos geladas. Coração batendo forte. Olhos ardendo.
A porta do motorista se abre e Chase desce usando jeans desbotados, botas de trabalho e um moletom escuro por cima de uma camiseta cinza. Seu boné está virado para trás, com os cachos saindo por baixo, e ele fecha a porta da caminhonete com uma mão antes de olhar na direção do meu carro.
Mesmo daqui, mesmo na luz baixa, ele parece o meu lar.
É isso que torna tudo impossível.
Ele começa a vir em minha direção com aquela confiança leve e familiar que sempre faz meu pulso falhar. Ele está sorrindo — aquele jeito pequeno, sonolento e doce que ele tem quando está feliz. Como se talvez ele achasse que eu só estava com saudade demais. Como se talvez ele esperasse que eu pulasse nos braços dele assim que chegasse perto.
O pensamento quase me destrói.
Abro a porta antes que ele chegue e desço, com as pernas trêmulas.
"Ei, gata." A voz dele é quente. Baixa. Automática. "Você está bem? Você parecia meio desesperada naquela mensagem. Pensei que seu carro tivesse quebrado ou algo assim."
Não consigo responder. Apenas fico parada, paralisada.
Ele dá mais alguns passos e diminui o ritmo. O sorriso desaparece primeiro. Depois, a leveza em seu corpo. Suas sobrancelhas se unem enquanto ele me analisa com mais cuidado, vendo meu rosto, o jeito que estou parada, o fato de estar me abraçando como se tentasse impedir que eu me desmanchasse.
"Brenna." A voz dele muda. Fica mais aguda. "O que houve?"
Abro a boca. Nada sai.
Sua expressão fica tensa, uma preocupação tão intensa que me faz querer voltar atrás em tudo. Ele encurta a distância rapidamente, parando bem na minha frente. Sua mão se levanta, e seu polegar e indicador prendem suavemente meu queixo, erguendo meu rosto em direção ao dele.
"Olha para mim", ele murmura, com os olhos procurando os meus, frenéticos e ternos ao mesmo tempo. "Fala comigo, Bren. Você está tremendo. O que é? Seja o que for, a gente resolve. Só me conta."
O toque dele é cuidadoso. Devastador. Ele hesita por um segundo, com o polegar roçando meu lábio inferior, antes de deixar a mão cair, enquanto o silêncio se estende por tempo demais.
"O que aconteceu?", ele pergunta novamente, com a voz descendo uma oitava. "Você está bem?"
Isso não deveria tornar as coisas mais difíceis. Mas torna. Porque, mesmo agora, ele ainda é ele. Ainda o garoto que dirigiria até aqui no meio da noite só porque eu pedi.
"Eu..." Minha voz falha tanto que paro e pressiono os lábios um contra o outro.
Todo o rosto dele muda. Não porque ele já saiba, mas porque ele sabe o suficiente. Ele dá um pequeno passo para trás, com os olhos semicerrados enquanto me observa. O calor começa a desaparecer dele, substituído por uma percepção fria e repentina.
"O que é isso?", ele pergunta, e desta vez não é uma pergunta sobre minha segurança. É uma pergunta sobre nós.
Meu peito afunda. "Chase..."
"Não." Ele balança a cabeça uma vez, rápido e incrédulo. "Não, não faça isso. Não diga meu nome assim. Você não me chamou até aqui para dizer que está tudo bem, chamou?" Seu maxilar trava. "O que é isso, Brenna? Fala comigo."
Encaro o zíper do moletom dele porque não consigo olhar para ele e dizer. Fisicamente, não consigo.
"Eu não acho..." Engulo em seco, as palavras com gosto de cinzas. "Eu não acho que consigo mais fazer isso."
Por um segundo, tudo fica imóvel. Sem vento. Sem insetos. Sem som do lago. Quando finalmente me obrigo a olhar para cima, Chase está apenas me encarando como se eu fosse uma estranha. Como se o cérebro dele tivesse rejeitado as palavras antes mesmo que elas chegassem.
"O quê?" A única palavra é baixa. Baixa demais.
Lágrimas embaçam minha visão quase instantaneamente. "Me desculpa."
O rosto dele se retorce, não com tristeza no início, mas com pura e cruel incredulidade. "Você pede desculpas? Você me liga às onze da noite, diz que precisa me ver, deixa eu dirigir todo esse caminho achando que algo estava realmente errado... e você só diz que sente muito?"
"Eu só..." Inspiro um ar que não ajuda em nada. "Essa distância, a faculdade, o fato de só conversarmos por uma tela... é difícil, Chase. É difícil demais."
Ele solta uma risada. É um som seco e vazio que me faz estremecer.
"Você me pediu para vir aqui no meio da noite para dizer que a distância é difícil? Você acha que eu não sei disso? Você acha que estou me divertindo a uma hora e meia daqui sem você?"
"Eu não disse isso..."
"Então o que você está dizendo?" Ele aponta para sua caminhonete e depois para mim, com a voz subindo. "Porque eu achei que estávamos nessa juntos. Achei que éramos o casal que ia dar certo. Achei que esse era o plano."
"Não consigo mais esperar pelos fins de semana", soluço, com a verdade finalmente escapando. "Não consigo continuar vivendo por um dia na semana, às vezes nenhum, e me sentir como um fantasma nos outros dias. Eu estou solitária, Chase. Mesmo quando estou falando com você, me sinto solitária."
Sua mão passa pelo rosto, depois cai ao lado do corpo. Ele começa a andar de um lado para o outro a poucos metros de distância, com as botas fazendo barulho no cascalho, a cabeça baixa por um segundo antes de olhar para mim novamente.
"Você podia ter me dito isso", ele diz, com a raiva transbordando na voz agora. "Você podia ter dito: 'Chase, estou sofrendo'. Você podia ter dito algo antes de decidir simplesmente acabar com tudo."
"Eu sei."
"Não, não acho que você saiba." Ele para de andar e olha para mim, não com maldade, nem descontrolado, apenas destruído. "Porque eu teria feito algo, Bren. Eu teria dado um jeito. Eu teria vindo para casa toda noite se fosse preciso. Teria me transferido de faculdade. Teria feito qualquer coisa que você precisasse."
Isso dói mais que tudo, porque eu sei que ele fala a verdade. E porque eu nunca lhe dei a chance de escolher.
"Eu não queria ser o motivo de você desistir da sua bolsa", sussurro. "Não queria ser a coisa que você precisava 'consertar'."
O rosto dele endurece. "Então, em vez disso, você simplesmente decidiu pelos dois? Você simplesmente desistiu?"
Não tenho uma resposta que não pareça patética. Porque eu sentia falta dele demais. Porque eu odiava precisar tanto dele. Mas tudo o que digo é: "Eu simplesmente não consigo mais".
No segundo em que sai da minha boca, eu odeio. Soa vazio. Sem vida.
Chase olha para mim por um longo segundo, e quase consigo ver o momento em que algo nele cede. Sem barulho. Sem drama. Apenas... quebra. Seus olhos ficam frios de um jeito que nunca vi antes.
"Uau", ele diz suavemente. "Certo. Entendi."
"Chase..."
"Não." Ele balança a cabeça de novo, mas mais devagar desta vez, como se finalmente tivesse alcançado a realidade da situação. "Não, você não pode fazer isso. Você não pode dizer meu nome e chorar como se isso estivesse acontecendo com você. Foi você quem decidiu, Brenna."
Isso cai como um tapa. Respiro fundo, mas ele não terminou.
"Você não pode me pegar de surpresa no nosso lugar e ficar aí com cara de coração partido enquanto destrói minha vida. Se você queria terminar, ótimo. Está terminado."
Lágrimas escorrem pelo meu rosto. "Eu nunca quis te machucar. Eu te amo."
"Então por que estou parado aqui?", ele dispara, com as palavras cruas e sangrando. "Se você me ama, por que este é o fim? Por que não estamos conversando sobre como fazer dar certo, em vez de você me dizer que acabou?"
Não tenho nada. Nada bom. Nada honesto o suficiente.
Seus olhos vasculham meu rosto por mais um segundo, procurando um sinal de dúvida, um sinal de que vou voltar atrás. Quando não encontra, sua boca se contorce em um escárnio silencioso e destruído.
"Inacreditável."
A palavra é mal audível. Ele dá um passo para trás. Depois outro.
Entro em pânico. "Chase, por favor..."
Mas ele já está se virando. Ele não grita. Não implora. Não me pede mais uma vez para explicar. Ele apenas volta para a caminhonete, com os ombros tensos, a cabeça baixa, uma mão abrindo a porta do motorista com mais força do que o necessário.
"Chase!", chamo novamente, com a voz falhando completamente agora.
Ele faz uma pausa de meio segundo com uma mão na porta. Penso que talvez ele vá se virar. Talvez vá olhar para mim e dizer que me odeia, ou que vai ficar.
Ele não faz isso. Ele entra na caminhonete, bate a porta e, um segundo depois, o motor ruge, alto o suficiente para estremecer o chão sob meus pés.
Fico parada chorando enquanto ele engata a marcha a ré, com o cascalho voando sob os pneus. Então ele vai embora. Simplesmente assim.
Suas lanternas traseiras desaparecem estrada abaixo, engolidas pela escuridão, e eu fico ali, sozinha no meio do nosso lugar, com meus braços me envolvendo e o som da caminhonete dele ainda ecoando em meu peito.
Eu fiz isso. Essa é a pior parte. Não o fato de ele ter ido embora. Nem mesmo o fato de ele me odiar agora.
É que, quando ele olhou para mim esta noite, logo antes de ir embora, ele parecia que eu tinha tirado algo dele.
E talvez eu tenha tirado.
Porque a verdade é que eu o deixei aqui primeiro.