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Sucumbindo ao Desejo

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Resumo

Kian é um homem abertamente gay que leva uma vida feliz e cheia de libertinagem, mas tudo muda quando seu pai decide convidar um velho amigo para morar com eles: um ex-militar que foi expulso do exército devido ao seu comportamento violento. Grayson é tudo o que Kian gosta em um homem. Mais velho, atraente, musculoso e com um olhar sombrio que o faz tremer as pernas. Mas ele também possui tudo o que Kian detesta: é grosseiro, arrogante e homofóbico. Por isso, desde o primeiro encontro, eles não se dão nada bem. No entanto, com o passar dos dias e a convivência forçada, a chama do ódio começa a se transformar em desejo e, antes que percebam, em algo muito mais forte que nenhum dos dois consegue controlar.

Gênero
Lgbtq/Erotica
Autor
thony
Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
5.0 11 avaliações
Classificação Etária
18+

01

KIAN

Um zumbido irritante me fura a cabeça. É o meu celular. Mesmo ainda meio perdido no mundo dos sonhos, eu o reconheço. Estico a mão para alcançá-lo, mas toco em algo muito diferente. É firme e macio ao mesmo tempo. E também quente.

Franzo o cenho sem entender direito o que estou tocando e, com toda a preguiça do mundo, abro um olho. No começo, custa um pouco para enxergar e me acostumar com a luz irritante da manhã que entra pelas cortinas.

Mas assim que minha visão foca, vejo tudo com clareza. É um torso. Um torso musculoso de pele escura. Lamo os lábios e levanto o olhar. O perfil de um homem de mandíbula marcada, nariz reto e cabelo cacheado me recebe. Ele tem um braço enorme sob a cabeça e os olhos fechados. Sua respiração calma indica que está dormindo. Um lençol cobre a parte de baixo do seu corpo, mas dá para ver o quanto ele é grande. Uma construção magnífica de músculos e força. É como uma estátua esculpida em mármore sólido.

Deus. Que homem lindo.

Tento puxar pela memória e as lembranças não demoram a vir. Ontem saí à noite, apesar dos avisos do meu pai. Prometi que chegaria cedo para receber um velho amigo dele que vai morar com a gente por um tempo.

Ele tem agido de forma um pouco nervosa ultimamente em relação a isso, mas sempre que eu perguntava, ele mudava de assunto.

Também perguntei para Alina, namorada dele há alguns anos, mas ela também não me disse muita coisa. Pelo que entendi, esse cara que viria morar conosco e meu pai se conheceram no exército. Meu pai não ficou muito tempo lá, mas mantiveram a amizade à distância. Eles se encontravam com frequência, geralmente quando eu estava passando meu tempo com a mamãe, então nunca pude conhecê-lo.

Ainda assim, era evidente que meu pai o estimava. Pelo menos o suficiente para oferecer nossa casa enquanto esse sujeito não achava um lugar. Seria difícil.

Pelo pouco que meu pai me contou, o amigo foi expulso das forças armadas por comportamento agressivo.

Talvez essa fosse a razão de ele estar tão nervoso e de ter me pedido mais de cem vezes que, enquanto o amigo estivesse aqui, eu tentasse ser menos... gay.

Sim.

Essas foram as palavras exatas dele.

Papai nunca foi um idiota com a minha sexualidade. Sempre me dei bem com ele e com a mamãe, então tínhamos confiança o bastante quando precisei contar que gostava de tomar por trás.

Embora não tenha sido bem isso o que eu disse.

Eles entenderam a mensagem mesmo assim e aceitaram com muita naturalidade, como se eu estivesse comentando sobre o tempo ou qualquer outra bobagem.

Eu tinha planos de obedecê-lo desta vez, quando ele me pediu para não ficar fora até tarde e voltar logo para casa.

Mas Kaia, minha melhor amiga, me convenceu a ficar um pouco mais.

Lembro que, depois de ouvir suas súplicas e de ser convencido por um drink de graça, fui para a pista de dança e, em menos de um minuto, me vi no meio de um sándwich com o cara de pele escura que está na minha frente e...

— Não vai atender?

Uma voz rouca e um hálito quente no meu pescoço me fazem arrepiar. Viro a cabeça minimamente e vejo um homem que poderia facilmente ser a personificação do deus grego Apolo, com seu cabelo loiro, pele clara, olhos azuis ainda mais claros que os meus e um vislumbre de sorriso em lábios grossos e tentadores.

De onde surgiram esses homens?

O desconhecido loiro se moveu na cama, sem se importar que o lençol que cobria sua metade inferior deslizasse um pouco, expondo muito mais da sua nudez. O par de linhas oblíquas no quadril dele deixou minha boca seca. Na minha mente, passaram flashes da minha língua percorrendo aquele lugar, enquanto o outro cara me segurava com força pela cintura para me dar por trás com uma intensidade avassaladora.

Sim. Ele era a outra parte do sándwich. Agora lembro bem. Ambos me abordaram enquanto eu estava na pista. Alguns toques por cima da roupa e, logo, os três decidimos buscar um lugar mais íntimo.

Avisei a Kaia que estava indo embora; ela tirou uma foto dos meus acompanhantes para o caso de emergência, enquanto eles apenas riam da paranoia da minha amiga, e finalmente deixei que aqueles dois homens me usassem como bem entendessem.

Eu não sabia que podia ser tão flexível até que esses dois caras me manipularam como se eu fosse uma boneca de pano para me foder em mais de uma posição nesta cama de motel.

Só de lembrar, meu corpo dói e uma pontada forte atinge minha lombar.

— Seu telefone — rosnou desta vez o outro sujeito, ainda com um braço sobre o rosto.

Ele tinha acordado com o barulho.

Foi então que saí do meu devaneio.

— Oh, sim, desculpe.

Sentei-me na cama, sentindo a dor no meu traseiro, apoiei uma mão no abdômen firme e definido do homem de pele escura e estiquei a outra para o criado-mudo para pegar meu celular.

E... sim. Era meu pai. Eu estava em apuros.

— Sim, alô? — respondo, levando o telefone ao ouvido.

Que porra quer dizer esse "sim, alô"?! — A voz forte do meu pai me faz afastar o celular antes que meus tímpanos estourem. — Eu te avisei que não queria que passasse a noite fora! Espero que apareça aqui em menos de meia hora ou você vai ver só!

Reviro os olhos. Faz mais de dez anos que as ameaças do meu pai pararam de me intimidar.

— Te conheço a vida toda, velho. Esqueceu? Você é meu pai. — Tento brincar com ele. Isso costuma funcionar.

Ele sempre quer pagar de durão, o que não é. Sua fachada nunca dura mais de cinco minutos. Exceto naquela vez em que eu tinha dezoito anos e ele me encontrou pela primeira vez com um homem na cama.

Embora eu ache que o que mais o afetou foi o fato de que era meu professor de literatura. Aquele, sim, sabia usar muito bem a língua dele.

Não estou brincando, Kian! — a voz do meu pai troveja do outro lado. — Eu te disse para estar aqui para receber nosso convidado. Você tem meia hora para aparecer ou juro que vai conhecer o meu pior lado.

Ele desliga. Suspiro, sentindo cada músculo do corpo protestar enquanto me levanto. A dor na minha lombar é um lembrete delicioso do que aconteceu há poucas horas.

— Já vai, anjo? — pergunta o loiro, percorrendo minhas costas com a ponta dos dedos.

O toque dele me causa um estremecimento, mas preciso me concentrar, então saio da cama com as pernas bambas e a dor tornando tudo mais terrivelmente difícil.

— O dever chama — respondo com um sorriso charmoso enquanto procuro minhas roupas pelo quarto. Não demoro muito para encontrar tudo e me vestir. — Obrigado pela noite, rapazes. Foi... inesquecível.

— Se quiser escapar de novo, procure a gente — diz o de pele escura com voz grave, enquanto me observa.

Algo em mim quer tirar a roupa de novo e me jogar entre eles, mas papai já está irritado o suficiente comigo. E acho que prefiro não conhecer esse lado terrível com o qual ele vive me ameaçando.

Então, apenas dou uma piscadela e saio do motel com o cabelo azul bagunçado e o corpo dolorido, porém muito satisfeito.

Pego um táxi e, no caminho, mando algumas mensagens para Kaia dizendo que tudo correu bem na noite e que já estou a caminho de casa. Ela não demora a me disparar uma infinidade de perguntas que me fazem rir, mas não entro muito em detalhes. Ela sabe o que aconteceu.

Chego em casa exatamente no limite do tempo. Mas, assim que cruzo a porta, o ar fica pesado.

Arthur, meu pai, está na sala de braços cruzados e com uma expressão que poderia cortar aço.

Mas não é a raiva dele que me tira o fôlego ou chama minha atenção.

Ao lado dele, há uma montanha de homem.

Ele é imenso. Facilmente dois metros de puro músculo presos em uma camiseta preta que parece prestes a estourar. Calças militares, olhos de um cinza gélido e uma barba perfeitamente aparada, com alguns fios brancos aparecendo nas têmporas. É o epítome da masculinidade bruta.

Seu rosto parece rígido, assim como o resto do corpo. Como se sentisse desprezo pela existência.

É o tipo de homem com corpo feito para se montar. Sim. Eu classifico dessa forma. Existem corpos feitos para que te esmaguem sob o peso deles, outros que servem para te colocar de lado, com algumas variações, e depois os melhores de todos: aqueles feitos para montar, porque não há nada melhor do que ver um homem enorme sob o seu corpo enquanto você drena até a última gota de sêmen dele e o obriga a tirar essa máscara de rigidez que usam para esconder os desejos.

O homem me percorre com o olhar e sua expressão se transforma em puro desgosto. Ele faz várias paradas na observação. Detém-se no meu cabelo azul, na coleira de couro em meu pescoço, no meu umbigo à mostra pelo cropped e no meu short curto que deixa pouco para a imaginação.

— Que porra é essa, Arthur? — a voz dele é um trovão de desprezo. Como se tivesse visto um monte de lixo em vez de uma pessoa.

— É meu filho, Grayson. Tenha um pouco de respeito — responde meu pai, embora pareça cansado. — Kian, este é Grayson. Ele vai ficar com a gente por um tempo.

Tento ser gentil, embora a tensão seja tão densa que daria para cortar com uma faca.

— Prazer, Grayson. Desculpe o atraso, tive uma noite... agitada — digo com um sorriso carregado de sarcasmo.

Estendo a mão, mas ele a ignora, mantendo seus olhos cinzentos fixos nos meus com uma hostilidade vibrante. Ele me olha como se eu tivesse uma doença contagiosa.

— Seu filho? — Grayson se vira para meu pai, me ignorando por completo. — Você me disse que tinha um filho, eu esperava um homem de verdade, não... isso.

Sinto o calor subir pelo pescoço.

Ah, não acredito que ele fez isso.

— Grayson! — rosna meu pai, mas seu amigo não parece nem se abalar. — Por favor, não faça esses comentários. É ofensivo.

Grayson estala a língua e me esnoba com o olhar mais uma vez.

— A verdade não tem por que ofender — sua voz é dura, ele julga a cada palavra. — Você não me avisou que seu filho era um maricão.

— Para quem é "herói de guerra", seus modos deixam muito a desejar — solto com veneno. — Mas não se preocupe, Grayson. Meu pai já me avisou que você era um pouco... agressivo. Se precisar de aulas de etiqueta ou de como não ser um troglodita, é só me avisar. Este maricão pode te ensinar, caso você não tenha tido o suficiente depois que expulsaram a sua bunda do exército.

Grayson dá um passo em minha direção, invadindo meu espaço pessoal. Seu tamanho é intimidador, mas não recuo. Posso sentir o perfume dele: tabaco, madeira e algo puramente masculino que faz meus joelhos tremerem pelas razões erradas.

Ele é um imbecil.

Mas é um imbecil gostoso e tenho essa mania de dar mais atenção a isso. Talvez por isso meus relacionamentos tenham sido uma merda.

— Parece que você não criou bem este rapaz — diz em voz baixa, com uma dureza que me faz arrepiar. — Faltou mão firme para endireitá-lo.

E agora entendo o porquê de todo aquele nervosismo do meu pai quando falava do amigo. O sujeito não era apenas um homem violento, ele parecia ter um grave problema de homofobia aguda.

Tudo bem. Ele se enganou comigo. Não era o primeiro cretino com quem eu tinha que lidar, e tenho certeza de que também não será o último.

Se lidar com esse tipo de gente era o preço que eu tinha que pagar para ser quem sou, então eu estava disposto a fazer isso quantas vezes fosse necessário. Eu não ia me desculpar por existir.

— Falaremos sobre isso depois, Grayson — diz meu pai com um toque de irritação na voz. — Mas vou pedir que, enquanto estiver aqui, o respeite. Kian é meu filho. E você é meu amigo, podemos manter a paz, não é?

Grayson não para de me encarar com uma careta. O filho da puta não consegue tirar a expressão de nojo do rosto atraente. Posso ver como seu pescoço se tensiona e suas mãos estão fechadas, revelando veias saltadas por todo o braço. Caralho. Se ele partir para cima, duvido muito que eu saia vivo. Ele vai me esmagar, e não do jeito que eu gosto.

— Tudo bem — ele rosna finalmente, quase como se cuspisse. — Mas seria bom que ele ficasse fora do meu caminho e tirasse esse lixo do pescoço. Se é um maricão, deveria pelo menos ter um pouco de vergonha e reservar essa merda para si mesmo. O mundo não tem obrigação de tolerar seus desvios.

—A casa é minha, sargento —devolvo o olhar com fogo nos olhos—. Se não gosta da vista, sempre pode dormir no jardim. Precisávamos de um cão de guarda de qualquer maneira. E acho que com a sua experiência maltratando gente, você faria um bom trabalho. Não vamos te expulsar como fizeram no exército.

Grayson dá um passo à frente. Desta vez, engulo o medo e fico onde estou. Ele está tenso, o peito sobe e desce com força, esticando ainda mais o tecido da camiseta, como se ela já não estivesse apertada o suficiente naqueles músculos enormes que ele tem.

—Repete isso, maricón, e eu farei você engolir suas palavras.

—Ah, é? —sorrio, lambendo o lábio inferior—. E como vai fazer isso? Maricones como eu só calam a boca quando têm algo com que ocupá-la. Tem ideia do que isso pode ser, sargento?

Grayson solta um arfar brusco, como um animal selvagem, e Arthur intervém antes que a terceira guerra mundial comece na sala de sua casa.

—Chega os dois! —ele levanta a voz como se não estivéssemos a poucos passos dele. Nenhum dos dois olha para trás. Grayson continua com os olhos fixos nos meus e eu sustento o olhar. Papai continua: — Grayson, você vai ficar, mas terá que respeitar meu filho e... por favor, não o chame com insultos desagradáveis. E você, Kian, comporte-se também. Parem com essas provocações absurdas.

—Mas, pai...

—Não responda ao seu pai —rosna o brutamontes—. Acaso não te ensinaram a calar a boca e obedecer às ordens dos mais velhos? Feche a porra da boca de uma vez.

—Se as ordens vêm de idiotas que nem conseguem manter o próprio emprego, então não, não tenho interesse em ouvi-las.

Grayson dá mais um passo e agora sim eu recuo, porque, caso contrário, temo pela minha integridade. Nesse momento, percebo que cometi um erro. Um brilho zombeteiro e a ameaça de um sorriso estúpido de superioridade surgem no rosto daquele idiota.

—É, definitivamente faltou mão dura para você. Mas isso vai mudar.

—Não me diga. —Tento recuperar um pouco da dignidade que perdi ao demonstrar que ele me assusta—. E quem vai me dar essa mão dura? Você? Você é atrevido demais para alguém que chega na casa dos outros, viejo.

Grayson dá de ombros, embora eu tenha notado como a tensão em sua mandíbula ficou evidente ao apertar os dentes com força.

—É a casa do seu pai, não a sua.

—Dá no mesmo.

—Não, você...

—Bom, chega. —Papai interrompe novamente o que quer que Grayson tenha tentado dizer. Algum insulto, com certeza—. Acho que... Grayson, por que não sobe e se instala? Você já conhece o seu quarto. Vou ter uma conversa com Kian.

—Uma conversa? O que esse garoto precisa é de uma boa surra para deixar de ser tão insolente. Se fosse meu filho, eu tinha quebrado a cara dele com um soco para que nunca mais me contradissesse. E eu não o deixaria sair com essa merda de roupa. Parece uma puta.

—Bom, por algum motivo a vida não te deu filhos, não é? Nem uma família, pelo visto.

Grayson tenta dizer algo com evidente irritação, mas solta um bufo de desprezo e vira as costas. Fico ali, com o coração batendo descompassado.

Olho para suas costas largas enquanto ele se afasta em direção às escadas. Isso vai ser um desastre. Vão ser dias muito longos e, pela forma como Grayson me olha, suspeito que muito ruins. Ou muito interessantes. Ainda não decidi.

Meu pai limpa a garganta e chama minha atenção. Quando me viro para ele, está com uma sobrancelha levantada e os braços cruzados. Parece esperar uma explicação.

Sim, claro. Como se ele tivesse o direito de exigir algo de mim.

—Acho que, depois do que acabou de acontecer, minha dívida com você foi paga —digo com uma seriedade fingida, cruzando os braços também.

—Não tente ser esperto comigo, garoto. Sei o que está tentando fazer. E você não vai se livrar dessa com tanta facilidade. Fui muito claro com você.

Reviro os olhos e suspiro.

—Pai —queixo-me—. Para que você queria que eu estivesse aqui, afinal? Você trouxe um homofóbico de merda para dentro da casa onde vive o seu pobre e doce filho gay. Além disso, você ouviu tudo o que ele disse? Não me surpreende que você estivesse tão nervoso quando me contou que ele viria ficar com a gente. Ele é um animal.

Papai me lança um olhar pouco gentil enquanto observa atrás de mim e leva um dedo aos lábios.

—Fale baixo —ele exige com um rosnado contido—. E se eu não te contei, foi porque... —ele faz uma pausa e suspira—. Escuta, Kian. Grayson não é como você pensa. Ele tem um caráter forte e pode ser grosseiro às vezes, mas passou por coisas difíceis. Ele não teve uma vida fácil.

—Isso não é desculpa para descontar no mundo.

—Eu sei, acredite que eu sei. Mas tente compreender um pouco, sim? Grayson não tem para onde ir. A única família dele é o irmão mais novo, e ele não tem um bom relacionamento com ele.

—Tenho certeza de que não é por causa da sua personalidade encantadora.

—Kian...

—Kian nada, pai.

—Vamos manter a paz. Podemos conviver bem os três. Esta casa parecia vazia, agora temos companhia.

—Ah, pai, não vem com essa. Sua namorada e o filho dela nos visitam com frequência. Kaia também vem sempre. Você só está procurando desculpas.

Deixo-me cair no sofá, ignorando como cada músculo do meu corpo protesta pelos excessos da noite anterior. Cruzo uma perna sobre a outra, tentando parecer relaxado, embora por dentro eu continue furioso.

—Não preciso procurar desculpas para convidar um amigo para casa. Mas também não quero te impor a presença de alguém e fazer com que você se sinta desconfortável em seu próprio lar. Grayson é uma pessoa difícil, mas acredite que, se você se der a oportunidade de conhecê-lo, talvez acabe gostando dele.

Solto uma risada que o faz apertar os lábios.

—Não se empolgue, pai. Isso não vai acontecer.

—Estou tentando ser sério com você, Kian. Grayson é meu amigo, mas você é meu filho. Sua opinião me importa.

Fico encarando-o fixamente, e sei que ele está sendo honesto. Ele já tinha pedido minha opinião antes, mas isso foi antes de saber o quão encantador seu amigo era.

—Eu não gosto dele —digo finalmente, mais sério—. E não vou fingir que gosto.

Papai suspira, mas não há raiva no gesto.

—Não vou te pedir que goste dele —responde com calma—. Apenas que o tolere.

—Ele não parece interessado em retribuir o favor.

—Já te disse. Grayson é... complicado.

—Não fode —murmuro—. Já percebi isso quando ele me chamou de "maricón".

Papai faz uma careta.

—Ele vai precisar de tempo.

—E eu vou precisar de paciência. Muita.

—Você tem.

—Eu gasto rápido com você, imagina com ele.

Um pequeno esboço de sorriso atravessa seu rosto, mas desaparece quase imediatamente.

—Kian —ele diz com firmeza—. Ele pode ficar?

Aperto os lábios, sentindo algo no peito resistir... mas também sei quando uma batalha está perdida.

—Bem... —cedo, por fim, deixando a cabeça pender para trás—. Ele fica.

O alívio em sua expressão é imediato, embora ele tente disfarçar.

—Obrigado.

—Não me agradeça ainda —resmungo—. Eu poderia matá-lo em dois dias.

—Não, você não vai.

—Não, porque provavelmente ele me mata primeiro. Você viu o tamanho daquelas mãos? Que porra é essa? Como é que ele é tão grande?

Isso sim arranca dele uma risada curta.

Ele se aproxima e, antes que eu possa reagir, bagunça meu cabelo com aquela maldita familiaridade de sempre.

—Bom garoto.

Faço um som de protesto, afastando a mão dele.

—Pai —reclamo—. Já não tenho cinco anos.

—Eu sei —responde ele, embora seu sorriso diga o contrário—. Mas continua sendo meu filho.

—Eu tenho emprego, pago minhas contas, tomo minhas próprias decisões...

—E mesmo assim —ele interrompe, divertido—, continua sendo meu pequeno. E continuará sendo até o dia em que eu morrer, que não reste a menor dúvida sobre isso.

Gemendo exageradamente, deixo-me cair ainda mais no sofá.

—Vou vomitar.

—Vá tomar um banho, é melhor —ele diz com um meio sorriso—. Você está fedendo a sexo. E a sexo muito sujo.

Levanto-me de um salto com as bochechas vermelhas. Eu odiava quando meu pai dizia esse tipo de coisa. Não gostava que ele fizesse alusão à minha vida sexual, e ele tinha consciência disso, por isso me provocava.

—Ei!

—Estou errado?

Aponto para ele com um dedo acusador.

—Você é irritante!

—E você fede.

—Isso é porque tive uma noite incrível, obrigado por notar os detalhes. Espero que ignore isso na próxima vez.

Papai nega com a cabeça, claramente contendo outra risada.

—Anda. Vá.

Resmungando, levanto-me e caminho em direção às escadas. Cada passo me recorda como a noite foi incrível, e não exatamente de forma sutil.

Subo, viro no corredor... e então vejo que a porta do quarto de hóspedes está entreaberta.

Eu não deveria olhar.

Definitivamente eu não deveria olhar.

Mas eu olho. Só um pouco, tentado pela curiosidade.

Grayson está de costas.

E sem camiseta.

E sem calças.

Apenas um box preto que... bem. Não deixa muito para a imaginação. Fica ajustado como uma segunda camada de pele no bumbum dele.

Minha respiração para por um segundo.

É... ridículo.

Suas costas são enormes, uma extensão de músculos perfeitamente definidos que se movem com naturalidade enquanto ele faz algo que não consigo ver. Os sulcos das costas se marcam com cada movimento mínimo, descendo até uma cintura estreita que contrasta de forma obscena com a largura de seus ombros.

Engulo saliva.

Com força.

Muito forte.

O tecido escuro se ajusta aos quadris dele de uma maneira que deveria ser ilegal. E quando ele muda levemente de posição...

Deus. Meus olhos descem sem permissão.

Suas coxas são grossas, poderosas, tensas mesmo em repouso. Tudo nele grita força. Domínio. Controle. Ele se move e parece que o mundo tem uma dívida com ele e tudo lhe pertence. É selvagem e dominante sem nem tentar.

Minha língua passa pelos lábios sem que eu perceba.

Uma rajada intensa de calor percorre o meu peito para baixo, instalando-se perigosamente onde não deveria.

Quase escapa um som de mim, mas me controlo a tempo.

Que porra eu estou fazendo?

Ele é um babaca.

Um idiota homofóbico.

Um problema do caralho com o qual terei que lidar por muito tempo.

E ainda assim...

Aperto os dentes.

—Controle-se —sussurro para mim mesmo, num fio de voz.

Dou um passo atrás, e depois outro.

E me obrigo a sair de perto da porta antes de fazer alguma estupidez... como continuar olhando.

Entro no meu quarto e bato a porta. Apoio-me nela, respirando fundo. Silêncio.

Depois de alguns segundos, abaixo o olhar.

—Você é patético —rosno para mim mesmo ao notar a ereção evidente nas minhas calças.

Passo a mão pelo cabelo e levo até o rosto, frustrado.

Isso vai ser um desastre.

Um completo, absoluto e fodido desastre.

Definitivamente, iam ser os piores dias da minha vida.

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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Ver 1 comentário anterior...
author

Que buen comienzo,ese Grayson que se cree,que tal tras de arrimado queriendo imponer sus reglas.

4 meses
2
author

Que buen comienzo,ese Grayson que se cree,que tal tras de arrimado queriendo imponer sus reglas.

4 meses
2
author

me encanta 😍

4 meses
1

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