Boneca de Luxo 2

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Resumo

Quando o Met precisa de uma "entrada" para derrubar os impiedosos irmãos Morozov, eles escolhem Clara Jameson — uma estudante universitária falida que trabalha à noite em um antro de apostas ilegais. O detetive sargento disfarçado, Dare Whittaker, recebe a ordem de transformá-la na isca perfeita: uma "Boneca" submissa para o círculo íntimo da gangue. O que começa como uma operação fria e calculada rapidamente se transforma em algo muito mais perigoso. Dare não apenas finge ser dono dela — ele começa a desejá-la de verdade. E Belle, aterrorizada e encurralada, percebe que anseia pelo mesmo homem que a usa como isca. À medida que Sergei Morozov fica obcecado por seu "amuleto da sorte", as linhas entre o dever e o desejo se confundem irremediavelmente. Cada performance pública os empurra para mais fundo na escuridão, cada noite privada faz a mentira parecer mais com a verdade. Em um mundo de armas, poder e homens impiedosos, um movimento em falso custará tudo a Belle — seu futuro, sua liberdade... e possivelmente seu coração. Um romance dark de possessividade e undercover, sobre controle, sobrevivência e a perigosa linha entre fingir pertencer a alguém... e realmente pertencer.

Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
3.5 2 avaliações
Classificação Etária
18+

Briefing

A sala de reuniões no subsolo do prédio do Comando de Combate ao Crime Organizado, em Lambeth, cheirava a café velho e tinta de impressora. As luzes fluorescentes zumbiam no teto enquanto Dare Whittaker se recostava na cadeira, com os braços cruzados sobre o peito largo, ouvindo com um cenho cético.

A detetive Rachel Morrow estava à frente, apontando para uma foto granulada de vigilância fixada no quadro. Mostrava uma garota pequena, de cabelos castanhos-avermelhados, servindo bebidas em um antro de apostas mal iluminado.

“Clara Jameson”, disse Morrow. “Vinte anos. Estudante na St Ephraim’s. Trabalha três noites por semana no Midnight Borough servindo bebidas. Limpa como um apito — sem antecedentes, sem conexões com os Morozov, a não ser servir o uísque dos clientes deles. Ela é perfeita.”

Dare esfregou a mão no queixo; o branco nas têmporas captava a luz.

“Perfeita para quê, exatamente?”, perguntou ele, seu sotaque do leste de Londres áspero. “Você quer que eu transforme uma universitária de vinte anos em uma informante? Ela parece que ainda chora assistindo aos filmes da Disney.”

Morrow não sorriu. “Não precisamos dela como informante comum. Precisamos dela como uma carta na manga. Sergei Morozov tem observado garotas que ele possa usar como ‘Dolls’ para seus jogadores importantes — as bonitas, que sabem manter a boca fechada e ficar bem ao lado de um homem. Se conseguirmos que a Clara entre no jogo, diremos ao Sergei que temos uma garota que seria a Doll perfeita para ele. Se ele morder a isca, ela se aproxima, e você continua na posição de intermediário que a entregou.”

Dare soltou um bufo baixo.

“Então você quer que eu agencie uma estudante para os irmãos Morozov? Cristo, Rach, esse é um novo fundo do poço até para nós.”

“Não é agenciar se ela concordar”, respondeu Morrow calmamente. “Vamos instruí-la adequadamente. Diga a ela que é a maneira mais rápida de derrubar toda a operação — as apostas, as armas, as redes de prostituição, tudo. Ela nos ajuda, nós garantimos que suas dívidas estudantis desapareçam e ela sai com a ficha limpa. É bom para todo mundo.”

Dare inclinou-se para frente, com os cotovelos na mesa, os olhos castanhos duros.

“E se ela disser não? E se ela entrar em pânico e correr para o Sergei no segundo em que a abordarmos?”

“Ela não vai”, disse Morrow. “Nós a observamos. Ela está quebrada, mal consegue pagar o aluguel e odeia trabalhar no Midnight Borough. Ela é inteligente o suficiente para saber que isso pode mudar a vida dela. Além disso…” Ela tocou em outra foto — uma de Sergei Morozov rindo com uma garota no colo. “Ele gosta delas jovens, com aparência inocente e obedientes. Clara se encaixa perfeitamente.”

Dare encarou a foto de Belle por um longo momento. Havia algo no rosto dela — aqueles olhos âmbar e o jeito nervoso como ela segurava a bandeja — que revirou o estômago dele.

Ele passou os últimos catorze meses infiltrado, interpretando o papel de um ex-soldado implacável que virou capanga. Viu muitas garotas serem devoradas e descartadas por homens como os Morozov. A ideia de colocar deliberadamente outra garota naquele mundo não parecia certa.

Ainda assim… se isso derrubasse os irmãos, talvez valesse a pena.

“Certo”, resmungou ele. “Eu farei a abordagem. Mas farei do meu jeito. Sem grosseria. Se ela disser não, nós caímos fora. Não vou forçar uma garota aterrorizada a ir para a cama com o Sergei Morozov só para fazermos algumas prisões.”

Morrow assentiu uma vez.

“Combinado. Você a encontra amanhã à noite no Midnight Borough. Você já é conhecido lá como um dos intermediários do Sergei, então não parecerá suspeito. Diga a ela que você tem uma proposta que pode resolver os problemas financeiros dela de vez. Depois você a traz aqui, nós a instruímos juntos e vendemos a ideia da ‘Doll’ para o Sergei.”

Dare levantou-se, a cadeira arrastando ruidosamente pelo chão.

“Tudo bem”, disse ele, já indo em direção à porta. “Mas se isso der merda, a culpa é sua, chefe.”

Ele parou na porta, olhando para a foto de Clara Jameson uma última vez.

“Pobre garota, não faz ideia do que está prestes a enfrentar.”

O Midnight Borough ficava escondido atrás do Chapel Market em Angel, Islington — um clube sombrio, um subsolo sem janelas que fingia ser um lounge privado para membros, mas que na verdade era apenas mais uma das vacas leiteiras de Sergei Morozov. O ar estava pesado com fumaça de cigarro, colônia cara e o barulho baixo das fichas batendo nas mesas de feltro.

Dare Whittaker passou pela pesada porta de aço às onze e meia, vestido com seu traje habitual de infiltrado: camisa preta, jeans escuros e uma jaqueta de couro que escondia a faca que ele sempre carregava. Suas têmporas grisalhas e a firmeza do seu maxilar o faziam parecer exatamente o que ele fingia ser — um intermediário de nível médio que cobrava dívidas e quebrava dedos quando necessário.

Ele examinou o ambiente até encontrá-la.

Clara Jameson — ou Belle, como as garotas de lá a chamavam — estava se movendo entre as mesas com uma bandeja equilibrada em uma das mãos. Cabelo castanho-avermelhado preso em um rabo de cavalo bagunçado, saia preta curta e uma blusa branca justa que não deixava muito para a imaginação. Ela parecia exausta, mas ainda forçava um sorriso educado toda vez que um cliente agarrava sua bunda ou tentava enfiar uma nota de vinte dentro de sua blusa.

Dare esperou até que ela voltasse em direção ao bar antes de entrar em seu caminho.

“Ei, Belle”, disse ele, com a voz baixa e áspera, naquele sotaque familiar do leste de Londres. “Tem um minuto?”

Ela olhou para cima, os olhos âmbar se arregalando ligeiramente em reconhecimento. Ela o vira pelo clube algumas vezes — um dos homens do Sergei, o calado que não apalpava as garotas, mas que ainda parecia capaz de quebrar seu pescoço sem suar.

“Ah… sim, claro”, disse ela, tentando soar casual. “Só deixa eu largar essa bandeja.”

Ela correu para o bar, entregou os copos vazios e voltou, limpando as mãos nervosamente na saia.

Dare fez um gesto com a cabeça em direção ao corredor mal iluminado que levava à sala dos funcionários.

“Uma palavra em particular. Não vai demorar.”

Assim que saíram da vista do salão principal, Dare encostou-se na parede e a olhou de cima a baixo lentamente. Ela era muito pequena. No máximo um metro e sessenta. Bonita, de um jeito doce e inocente que fez o peito dele apertar.

“Olha”, disse ele, mantendo a voz baixa, “não estou aqui para perder seu tempo. Tenho uma proposta para você. Uma que poderia resolver seus problemas financeiros de verdade — chega de se virar com gorjetas de merda nesse fim de mundo.”

Belle cruzou os braços, imediatamente cautelosa.

“Que tipo de proposta?”

Dare não adoçou a conversa.

“Os irmãos Morozov estão procurando uma nova Doll. Alguém que saiba se portar, ficar quieta e manter os grandes jogadores satisfeitos. Mas aqui está o ponto…” Ele pausou, seus olhos castanhos fixos nos dela. “Quero que você seja a minha Doll. Não deles. Nem de ninguém mais. Só minha.”

Os olhos de Belle se arregalaram.

“Você quer que eu… finja ser sua o quê?”

“Minha Doll”, repetiu Dare, com a voz firme. “Você ficaria perto de mim. Eu seria o único a te tocar, te vestir e te dizer o que fazer. Para o mundo exterior — para Sergei e Andrei — parecerá que você foi devidamente amansada e está sendo usada. Mas, na realidade, tudo será limpo. Você não terá que chegar perto de nenhum dos outros bastardos.”

Ele deu um pequeno passo à frente, baixando a voz ainda mais.

“A polícia tenta entrar na operação dos Morozov há meses. Armas, apostas, as garotas que eles traficam… tudo. Você já está aqui. Sua ficha é limpa. Se você concordar em interpretar esse papel comigo, podemos derrubar todo o esquema. Em troca, pagaremos suas dívidas estudantis, resolveremos seu aluguel e garantiremos que você tenha um recomeço assim que tudo acabar.”

Belle o encarou, com a respiração rápida e superficial.

“Então… eu teria que fingir ser sua puta”, sussurrou ela, com a voz falhando ligeiramente. “Mas só para você. E a polícia está de acordo com isso?”

O maxilar de Dare ficou tenso. Ele odiava como aquilo soava, mas não iria mentir para ela.

“Eles vão aceitar porque isso te mantém mais segura do que a alternativa”, disse ele. “Ninguém mais te toca. Ninguém mais se aproxima. É a única maneira como estou disposto a fazer isso.”

Ele observou o rosto dela com cuidado — a mistura de medo, descrença e algo mais que ele não conseguiu definir.

“Você não precisa decidir hoje à noite”, acrescentou ele, um pouco mais suave. “Mas pense nisso. Esta pode ser sua saída. Uma saída de verdade. Chega de noites nesse lixo. Chega de imaginar como você vai pagar as contas. Você só precisa confiar em mim o suficiente para me deixar ser seu dono… na superfície, pelo menos.”

Belle deu um passo trêmulo para trás, pressionando-se contra a parede oposta.

“Você está me pedindo para deixar um policial fingir ser meu… meu dono”, disse ela, quase para si mesma. “Enquanto ajudo vocês a derrubarem os Morozov.”

Dare assentiu uma vez, sem desviar os olhos dos dela.

“É exatamente isso que estou pedindo.”

Ele se desencostou da parede e deu um passo, ficando perto o suficiente para que ela tivesse que inclinar a cabeça para trás para olhar para ele.

“Então… o que me diz, Belle? Topa?”

Belle o encarou, seus olhos âmbar arregalados de choque. Por um longo momento, ela não conseguiu falar. As palavras “minha Doll” continuavam ecoando em sua cabeça como um tapa.

“Você… você quer que eu finja ser sua Doll?”, ela sussurrou, com a voz falhando. “Só sua? Ninguém mais me toca?”

Dare assentiu lentamente, seus olhos castanhos firmes nos dela.

“Esse é o acordo. Para todos os outros — Sergei, Andrei, os clientes — parecerá que eu te tomei para mim. Vou te vestir, te dizer o que fazer, vou te manter perto. Mas fica entre nós. Ninguém mais põe a mão em você. É a única maneira de eu fazer isso.”

Belle soltou um suspiro trêmulo e pressionou as costas com mais força contra a parede fria, como se pudesse desaparecer nela.

“Mas… você é um policial”, disse ela, quase em tom de acusação. “Infiltrado. E está me pedindo para deixar você… me possuir? Fingir que me fode? Fingir que sou seu brinquedinho enquanto você tenta derrubar os Morozov?”

Suas mãos tremiam agora. Ela envolveu o próprio corpo com força.

“Você tem noção de quão perigoso isso é? Não só para mim — para nós dois. Se descobrirem que você é da polícia… vão te matar. E se acharem que estou te ajudando…” Ela engoliu em seco. “Eles vão me fazer desaparecer. Desaparecer de verdade.”

Dare não a interrompeu. Ele apenas a observou, deixando que ela pusesse tudo para fora.

Belle balançou a cabeça, fios castanhos-avermelhados caindo do seu rabo de cavalo.

“Eu tenho vinte anos. Eu quero ser professora, porra. Não a puta de mentira de algum gângster. E agora você está me dizendo que a única saída desse pesadelo é deixar um detetive me possuir?” A voz dela subiu um pouco e depois caiu novamente. “Como eu sei que posso confiar em você? E se você estiver apenas me usando como todo mundo? E se você decidir que gosta um pouco demais de ter uma Doll?”

Ela olhou para cima, com os olhos âmbar brilhando de medo e frustração.

“Isso é loucura. Você sabe disso, né? Isso é uma verdadeira loucura.”

Dare ficou quieto por um momento, dando-lhe espaço.

“Eu sei que é perigoso”, disse ele finalmente, com a voz baixa e séria. “Não estou fingindo que não é. Mas é a melhor chance que temos de derrubar os Morozov sem que você acabe sendo passada de mão em mão como as outras garotas. Se você disser não, eu vou embora agora mesmo. Sem pressão. Sem mágoas.”

Belle encarou o chão, mordendo o lábio inferior com força suficiente para deixar marcas.

“Eu… eu preciso de um momento”, sussurrou ela. “Ou dois. Talvez dez. Eu não… não consigo pensar direito agora.”

Ela olhou para cima de novo, pequena e sobrecarregada no corredor escuro.

“Posso ter um tempo? Só até amanhã? Preciso pensar nisso direito. Porque se eu disser que sim… não tem volta, tem?”

Dare deu um aceno lento, com a expressão indecifrável.

“Pense até amanhã”, disse ele baixinho. “Estarei aqui na mesma hora. Se quiser entrar nessa, acene quando me vir. Se não quiser… eu te deixo em paz. Sem perguntas.”

Ele se afastou da parede e deu um passo para trás, dando-lhe espaço.

“O que quer que decida, Belle… cuidado com quem você fala. Estas paredes têm ouvidos.”

Com isso, ele se virou e caminhou de volta para o salão principal, deixando-a sozinha no corredor, com o coração martelando e a mente girando com o peso da escolha impossível que ele acabara de colocar em seu colo.