Lâminas de Aurora - Livro 3 - Cruzando a Linha

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Resumo

Cole Beckett Swift sempre protegeu as pessoas que ama — dentro e fora do gelo. Mas, quando se trata de Melody, ele esteve cego para a única coisa que sempre importou. Ela. Melody passou anos à margem da vida de Cole, escondendo seus sentimentos enquanto sua irmã ocupava os holofotes ao lado dele. Mas, ao descobrir um segredo que pode destruir tudo, ela se vê forçada a escolher entre a lealdade e a verdade. Ela tenta avisá-lo. Ele a afasta. “Apenas deixe essa porra pra lá.” Quando a verdade finalmente vem à tona, tudo muda — deixando Cole questionando em quem ele pode confiar… e por que a pessoa que ele mais precisa é justamente aquela que ele deixou escapar. Agora, ele tem uma chance de consertar as coisas. Antes que a perca para sempre.

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
4.0 2 avaliações
Classificação Etária
16+

Chapter: 1

Melody James

Eu não deveria estar assistindo ao Cole Beckett Swift jogar hóquei.

Mas aqui estou eu, esticada no meu sofá, com os olhos vidrados na tela enquanto o time dele disputa mais um jogo da pré-temporada. Nem importa que eu mal entenda o que está acontecendo. Sou uma completa analfabeta em hóquei — sem esperança nenhuma.

E, de alguma forma… isso ainda se tornou a minha vida.

Solto um riso baixo e balanço a cabeça.

Tudo começou com uma xícara de café idiota.

Um momento de desajeito. Um café derramado direto no peito de Cole Beckett Swift.

O destino realmente olhou para mim naquele dia e disse: vamos deixar isso uma bagunça.

A partir daí, ele simplesmente… estava lá. Sempre na minha órbita. Fácil, constante, impossível de ignorar.

Eu dizia a mim mesma que não me importava.

Dizia a mim mesma que ser amiga dele era o suficiente.

Mas então cometi o erro de contar para a minha irmã, Lauren.

E, de repente, ela estava em toda parte.

Em todos os encontros. Em todas as conversas. Em cada olhar que eu costumava achar que podia significar alguma coisa.

Ela flertou. Ele notou.

E, eventualmente… ele cedeu.

Então, eu me afastei. Eu precisei.

Ou, pelo menos, tentei.

Porque não importava quanta distância eu colocasse entre nós, Cole sempre me puxava de volta — como se não fosse nada. Como se eu fosse apenas parte do mundo dele.

E talvez eu fosse.

O problema?

Quanto mais perto eu ficava… mais eu me apaixonava.

Eu nem percebo que estava viajando até a porta da frente se abrir.

“Meu Deus, isso aqui está morto.” A voz de Lauren corta o silêncio enquanto ela entra como se fosse dona do lugar — quer dizer, ela mora aqui em tempo parcial. Mal desvio os olhos da TV.

“Você está assistindo hóquei?” ela acrescenta, como se isso fosse uma ofensa pessoal. O que sempre me deixa puta da vida, porque o namorado dela é um jogador profissional.

“Nem começa”, murmuro, me ajeitando no sofá.

Um segundo depois, eu olho — e é, pois é.

Ela está toda arrumada.

Não é casual. Não é um “vou sair por cinco minutos”. Não, isso é puro esforço. Cabelo feito. Roupa escolhida a dedo. O tipo de visual que faz meu estômago revirar antes mesmo de o meu cérebro processar.

“Para onde você vai?”, pergunto, mantendo o tom leve.

Lauren dá de ombros, pegando sua bolsa. “Sair.”

Solto um riso seco. “Obviamente. Com quem?”

Ela me olha, só por um segundo. Rápido demais.

“Com um pessoal.”

Estreito os olhos. “Lauren.”

Ela suspira como se eu fosse o problema, enquanto se olha no espelho. “O Cole está na cidade. Alguns deles vão sair.”

Meu olhar volta instantaneamente para a TV.

Cole está no gelo.

Bem ali. Patinando. Ao vivo.

Franzi a testa, sentando-me um pouco mais ereta. “Ele está literalmente jogando agora.”

Lauren nem hesita. “É. O jogo acaba, Melody.”

Algo no jeito que ela diz — fácil demais, casual demais — faz meu peito apertar. Porque ele está fora e só chega em casa tarde. Então, o fato de ela sair agora é um pouco estranho.

Olho para ela lentamente.

“E você já tem planos com ele?”

Ela dá de ombros de novo, mas agora há algo presunçoso no canto da boca dela. “A gente tem se falado por mensagem.”

Aquele nó no meu estômago?

É. Está aí.

Dessa vez, pior.

Fecho a boca, forçando um aceno como se aquilo não me incomodasse. Como se não parecesse que o chão acabou de sumir sob meus pés.

“Legal”, digo, voltando a olhar para a tela. “Divirta-se.”

Ela me observa por um segundo, como se estivesse esperando por algo a mais. Uma reação. Uma rachadura.

Não dou nada a ela.

“Não me espere acordada”, ela diz por fim, indo em direção à porta.

A trava da porta estala atrás dela, deixando o apartamento silencioso de novo.

Silencioso demais.

Fico encarando a tela, vendo Cole deslizar pelo gelo como se nada tivesse mudado.

O apartamento fica silencioso demais depois que Lauren sai.

Tento me concentrar no jogo, eu realmente tento — mas minha mente continua voltando para ela.

Do jeito que ela evitou minhas perguntas.

Do jeito que ela não quis dizer com quem ia sair.

Me levanto do sofá, indo para a cozinha.

Foi aí que eu vi. O notebook dela. Ainda aberto na bancada.

A tela se ilumina bem quando passo por ela, uma notificação piscando antes de desaparecer.

TD: encontre a gente no nosso lugar de sempre

Eu travo na hora.

Meu estômago afunda.

TD.

Leva meio segundo para a ficha cair.

Trevor Donovan.

Já ouvi esse nome antes — vezes demais, de passagem, em histórias que Lauren descartava como se não importassem.

Meu peito aperta.

Pego meu celular de qualquer jeito, tirando uma foto rápida da tela antes que ela bloqueie.

Só por garantia. Só por garantia de que eu não imaginei isso.

Olho para a foto, meu estômago revirando.

Isso não parece ser "nada".

“Nosso lugar de sempre.”

Encaro a tela, mas a mensagem já sumiu.

Como se nunca tivesse estado lá.

Meu coração começa a disparar.

Não. Não, não pode ser.

Ela está com o Cole. Por que ela arruinaria isso?

Tentei ficar parada. Tentei dizer a mim mesma que não importava.

Não funcionou.

Minhas palmas das mãos começaram a coçar, aquela sensação de inquietação rastejando sob minha pele até que eu não consegui mais ignorar. Peguei meu celular, abrindo o nome dele.

Cole.

Meu polegar pairou sobre a tela.

Eu mando mensagem?

Se eu mandar... vai parecer que estou interferindo. Como se eu estivesse tentando separar os dois.

E eu não estou —

Eu não sou esse tipo de garota.

Mas, ao mesmo tempo... eu não quero que ele se machuque.

E a ideia de ele se machucar?

Não me desce bem.

Expiro bruscamente e digito antes que eu possa pensar demais sobre isso.

Melody: Ei.

Foi simples. Seguro.

Olho para a TV. É o intervalo.

Talvez ele responda.

Meu celular vibra quase imediatamente.

Cole: Ei. Está assistindo?

Um riso baixo escapou dos meus lábios.

É claro que essa seria a primeira pergunta dele.

Melody: Espere, tem um jogo?

Os três pontinhos aparecem instantaneamente.

Cole: Vai se foder, Mel. 😒

Cole: É sério, você tá mesmo?

Eu nego com a cabeça, digitando rápido.

Melody: Sim, bobo. Eu sempre assisto. Posso não entender nada, mas estou assistindo.

Um segundo depois —

Cole: Você sabe mais do que imagina. Adoro assistir hóquei com você. 😂

Meu peito aperta um pouco com isso.

Idiota.

Eu não deveria deixar isso me afetar. Mas afeta.

Olho de relance para a TV — os jogadores começam a se mover, os juízes patinando para suas posições.

Ele não vai ter muito tempo.

Digito rapidamente.

Melody: Você acha. kkk.

Melody: Podemos conversar quando você chegar em casa? Me liga?

A mensagem é enviada.

Sem resposta.

Olho de volta para a tela — o jogo recomeçando.

É.

Ele está de volta no gelo.

Coloco o celular ao meu lado, tentando me concentrar, mas minha mente não sossega.

Me remexo no sofá, cruzo e descruzo os braços.

Isso é uma má ideia.

Ou talvez não ter contado a ele teria sido pior.

Eu já não sei.

Tenho meus motivos, e nem todos são egoístas.

O jogo termina, mas eu nem percebo como.

Num minuto estou assistindo, no outro a buzina final soa e eu continuo sentada ali, encarando a tela como se tivesse perdido algo importante.

Talvez eu tenha perdido.

Meu celular vibra algum tempo depois ao meu lado e eu o pego rápido demais.

Cole.

Cole: Ganhamos.

Solto uma risadinha baixa.

Melody: Nossa. Eu não tinha ideia. Realmente chocante.

A resposta demora um segundo a mais desta vez.

Tempo suficiente para eu imaginar a cena — ele no ônibus agora, sem o equipamento, cercado pelo time, barulho por toda parte.

Cole: Você é hilária. 🙄

Eu sorrio, me encolhendo um pouco no sofá.

Melody: Eu tento. Você ainda gosta de mim.

Outra pausa.

Curta.

Então—

Cole: É, é. No ônibus. Estou exausto.

Meu peito relaxa um pouco com isso.

Consigo visualizar claramente — a cabeça dele apoiada para trás, olhos pesados, ainda tentando baixar a adrenalina do jogo.

Melody: Dia longo, então?

Alguns segundos passam.

Cole: É. E noite também.

Algo nisso fica martelando.

Olho para o meu celular, com o polegar pairando sobre a tela.

É aqui que eu digo.

Ou onde eu não digo.

Melody: Você ainda vai me ligar quando chegar em casa?

A bolha de digitação aparece.

Desaparece.

Depois volta.

Meu estômago dá um leve nó.

Cole: Sim. Vou ligar.

Simples.

Mas não tão rápido quanto antes.

Não tão fácil.

Pressiono os lábios um contra o outro.

Melody: Ok.

Deixo o celular de lado por um segundo, mas logo o pego de volta.

Porque não consigo evitar.

Melody: Tenta descansar no caminho, se puder.

Desta vez, a resposta vem mais rápido.

Cole: Estou tentando. Os caras não calam a boca.

Um sorriso fraco surge em meus lábios.

Isso soa mais como ele.

Normal.

Familiar.

Melody: Parece bem típico.

Um instante.

Então—

Cole: Nos falamos logo, Mel.

Meu peito aperta de novo.

Não de um jeito ruim.

Só…

de um jeito que estou começando a reconhecer mais do que deveria.

Melody: É. Nos falamos logo.

A conversa termina ali.

Mas o sentimento, não.

Fica pesado no meu peito, recusando-se a ir embora, não importa quantas vezes eu diga a mim mesma que estou exagerando.

Quando meu telefone toca, meus nervos estão à flor da pele.

Deixo tocar uma vez.

Duas.

Tentando acalmar minha respiração antes de atender.

"Oi."

"Oi, Mel."

A voz dele está rouca. Cansada. Como se a noite finalmente tivesse pesado sobre ele.

Sento-me um pouco mais ereta. "Saiu do ônibus agora?"

Um bocejo vem do outro lado da linha. "Acabei de descer. Indo para o meu carro."

Concordo com a cabeça, embora ele não possa ver.

"Você está indo para casa?"

Há uma pequena pausa.

Então ele solta uma risada baixa. "Sim. Cama."

Um alívio me atinge mais rápido do que eu esperava.

Rápido demais.

Solto uma risadinha. "Ok."

"Então você não vai encontrar a Lauren?"

As palavras saem mais suaves do que eu pretendia.

Cuidadosa.

Como se, se eu dissesse a coisa errada, tudo fosse mudar.

Do outro lado, ouço ele parar de andar.

"Quê? Não."

Há confusão na voz dele agora.

Confusão real.

"Por quê?"

Meu aperto no celular aumenta.

"Porque ela me disse que saiu hoje à noite com você", digo, mantendo o tom firme. "E ela estava agindo de um jeito estranho antes de sair."

Uma pausa longa e pesada.

Então ouço os passos dele recomeçarem.

"O que você está tentando fazer?" A voz dele está mais cortante agora.

Meu estômago gela. "Eu não estou... não estou dizendo nada. Eu só achei que você deveria saber."

"Mel."

O jeito que ele diz meu nome faz meu peito apertar.

Frustração. Um aviso.

"Você é meu amigo", acrescento, mais baixo. "Eu não estava tentando começar nada. Eu só... pareceu estranho."

Outra pausa.

Mais longa desta vez.

Então—

"Eu não acredito nisso."

As palavras batem mais forte agora. Mais ríspidas.

Pisco, atordoada. "Cole—"

Mas ele não me deixa terminar.

"Deixa essa porra quieta."

Isso me atravessa como uma lâmina.

Final.

Frio.

A linha cai antes que eu possa dizer qualquer outra coisa.