DESTINADA AO ALFA CAJUN

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Resumo

Rougarous, bruxas e imortais... meu Deus. A mudança repentina de Leah Harper para o sul profundo da Louisiana antes de seu último ano escolar não é exatamente uma surpresa. No entanto, ela jamais teria previsto o beijo eletrizante que recebeu de um rústico Cajun durante seu primeiro passeio na lama. Quando sua nova amiga lhe apresenta a escola, ela percebe que seu Casanova Cajun, Lucas LeBlanc, faz parte de um grupo chamado The Trios Loup, e que a pequena cidade da Louisiana está repleta de segredos. Leah é lançada em um mundo de criaturas sobrenaturais em que jamais acreditou. Agora, a vida selvagem a persegue, rougarous a atacam e ela começa a ver pessoas que não estão ali. Justo quando ela sente que pode finalmente se encaixar, Lucas revela que ele não é humano... e que ela também não é.

Status
Completo
Capítulos
40
Classificação
4.8 10 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Leah

A cidade de Abita Springs, Louisiana, com seu musgo exuberante, apareceu ao longe enquanto subíamos mais uma colina, aproximando-nos do destino.

Era trágico, na verdade.

A mamãe perdeu o emprego no banco depois de um ataque de nervos porque a Karen roubou seu sanduíche — de novo — e ela descontou sua frustração no cacto da Karen, que ficava entre elas há cinco anos.

Pobre suculenta.

Claro que a mamãe se recusou a pedir desculpas, o que explicava a mudança repentina para o sul, na Louisiana. Leah não era nenhuma ianque do Missouri, mas aquilo parecia um paraíso caipira.

“Dá uma olhada”, disse a mamãe, batendo os dedos no volante. “Lar, doce lar.”

Inclinando-se para frente, Leah observou o pântano que cercava a estrada, com suas árvores musgosas e o brilho rosado do pôr do sol que se aproximava. A placa indicando três mil habitantes a assombraria por semanas.

“Sem comentários?”, perguntou a mamãe.

Arrancando o fone de ouvido, ela lançou-lhe aquele olhar. “Qual era mesmo aquele ditado? Se você não tem nada de bom para dizer…”

“Não seja estraga-prazeres, querida. Essa é uma chance de recomeçar, de fazer novos amigos e ter um último ano incrível. Quem sabe você não encontra um bom rapaz Cajun por aí?”

Rapaz Cajun.

Isso parecia estar a anos-luz de distância. Ela tinha feito dezessete anos dois meses antes, com apenas alguns namorados em seu currículo.

Poderia ser pior.

Ela poderia ter uma lista de dez páginas que pairava sobre sua cabeça como um guarda-chuva furado. A mamãe olhou para Leah, imitando sua testa franzida.

“Os garotos te deixaram mexida?”

Leah escondeu um sorriso. A mamãe tentava demais se manter atualizada; na maioria das vezes, Leah precisava pesquisar o vocabulário novo dela no Google. Apesar de serem idênticas, com olhos escuros, cabelo cor de chocolate e porte pequeno, Leah tinha a pele bronzeada o ano todo, enquanto a mãe parecia um marshmallow.

A mamãe dizia que era do pai, que Leah nunca conheceu. Uma vez, ela vasculhou a gaveta de meias da mamãe, com uma necessidade desesperada de vê-lo, e encontrou uma Polaroid antiga com Patrick 2000 escrito no verso.

A pele bronzeada combinava. Ele era mais alto do que ela imaginava, com cabelo desalinhado e corpo magro. Aquela necessidade de conhecê-lo desapareceu com os anos. Tornou-se fácil ignorar o lugar vazio à mesa, até mesmo a ausência que ela sentia na noite da dança anual de pai e filha.

A mamãe abaixou o volume das músicas do momento e começou a ler as placas das ruas até que viram a Kutchenmatcher Rd.

Surpreendentemente, a venda da casa no Missouri foi rápida e rendeu dinheiro suficiente para comprarem uma casa melhor em Abita Springs, devido à população — ou à falta dela. O banco local contratou a mamãe sem problemas, não se importando com o incidente do sanduíche, ou talvez ela tenha omitido essa parte.

A casa de tijolos de um andar ficava mais recuada da rua que as vizinhas, com um quintal cercado e uma garagem para um carro. A animação da mamãe era visível quando ela estacionou e saltou do carro.

Era melhor que a casa anterior, que tinha teto de zinco e varanda telada. Esta parecia de subúrbio, com telhas escuras e revestimento branco. Até as persianas azul-escuras pareciam recém-pintadas.

O ar úmido da Louisiana tirou o fôlego de Leah. Como era início de agosto, o calor formou suor na linha do cabelo, escorrendo por suas costas e ensopando sua camiseta.

A temperatura levaria um tempo para acostumar, assim como a população e o choque cultural. Lagostins e pântanos eram coisa séria aqui.

Droga, se Leah soubesse qual era a grande vantagem de qualquer um dos dois.

A mamãe correu para a varanda como uma criança. Isso era parte da rotina dela após tomar uma decisão impulsiva; ela decidia tirar o melhor de tudo. Certa vez, ela resolveu virar herbalista, passou todo o tempo livre na floresta e voltou com hera venenosa, apenas para dizer que ajudava seu sistema imunológico.

Leah pegou sua bolsa a tiracolo e o celular, jogou os fones de ouvido no pescoço e correu até a mamãe. Ela segurou os ombros de Leah. “Vamos fazer isso juntas”, disse ela.

Ela ajudou a abrir a porta; um cheiro de produto de limpeza e velas antigas passou por elas. O piso de madeira brilhava sob o luar que entrava pelas portas de vidro, e uma cozinha de bom tamanho ficava à esquerda, com uma ilha que a mamãe sempre quis.

A mamãe passou pela sala com lareira e disparou para o seu quarto principal e o banheiro com banheira de hidromassagem. “Uau”, disse ela, girando no meio do espaço vazio. “Isso é incrível.”

Leah concordou e caminhou em direção ao seu quarto, observando cada canto do lugar. O segundo quarto ficava no fundo da casa, com um banheiro no corredor estreito.

Um conjunto de portas de correr ficava na parede oposta em vez de uma janela, abrindo-se para o quintal.

Caminhando em direção ao closet, ela imaginou onde tudo ficaria assim que os caminhões de mudança chegassem.

Ela passou a palma da mão pelas paredes cinza-claras, com os olhos varrendo o quintal espaçoso. Leah sentiu um toque de dedos roçando seu pescoço e descendo por sua espinha.

Deve ser o nervosismo passando, mas, estranhamente, parecia que ela não estava sozinha no quarto.

“Adorei”, disse a mamãe da porta. “Você viu a lareira? Tem um quintal cercado; talvez devêssemos pegar um cachorro.”

Leah riu, jogando a bolsa no canto do quarto. “Não precisamos de um cachorro.”

“Para proteção”, disse a mamãe, erguendo o queixo.

“Contra o quê? Caipiras raivosos?”

Ela fez um estalo com a língua. “Me ajude a colocar o colchão inflável aqui dentro. Temos um grande dia pela frente.”


Os carregadores bateram na porta às sete da manhã seguinte, o que não incomodou Leah, já que ela não tinha conseguido dormir. A mamãe insistiu que dormissem juntas no colchão inflável no quarto dela, não que tivessem outra escolha, já que ela despachou o outro colchão no caminhão.

Apesar dos roncos leves da mamãe e do silêncio sinistro da casa, algo mais mantinha Leah acordada. Ela não conseguia identificar o sentimento; era novo, como agulhas batendo na base do seu crânio.

Ela imaginou que fosse o início de uma enxaqueca por causa da viagem. Talvez um analgésico resolvesse.

Ou talvez fosse o último ano chegando e a sala de aula cheia de gente que ela encontraria no primeiro dia.

Gemendo, Leah puxou os cobertores de seu corpo suado, observando a mamãe caminhar em direção à porta da frente. Três homens fortes começaram a trazer caixas e móveis minutos depois.

Ela tomou seu tempo no banho e se trocou com a pequena mala que trouxera na noite anterior.

Leah se vestiu e decidiu ajudar a pegar algumas de suas coisas que estavam no fundo do caminhão.

A rua parecia diferente sob o sol da manhã, com algumas outras casas suburbanas ao longo da longa estrada deserta. Ciprestes estavam espalhados pelos quintais dos vizinhos e na borda da floresta que os cercava, com suas folhas finas balançando ao vento úmido.

Alguns vizinhos observavam das varandas, vestindo roupões, com as mãos sobre a testa, enquanto viam eles descarregarem suas vidas em um lar desconhecido.

Leah caminhou pela lateral da casa em direção a uma árvore que ficava do lado de fora da janela do seu quarto. Ela tinha notado na noite anterior; as flores de cerejeira pendiam desordenadas nos galhos, iluminando a pequena passagem para o quintal.

“Árvore bonita.”

Leah deu um grito alto e recuou contra a parede da casa. Uma garota estava atrás dela. Ela usava jeans rasgados com um logotipo de Nova Orleans em uma camiseta encardida. Tinha uma beleza natural, sem maquiagem, e o cabelo descolorido preso em tranças nagô que caíam pelas costas. Com a pele clara, o cabelo descolorido deveria deixá-la pálida, mas, curiosamente, combinava com ela.

Especialmente com aqueles olhos azul-gelo.

“Você deve ser a nova vizinha. Eu sou a Hattie.”

Lentamente, Leah apertou a mão estendida, notando seus inúmeros braceletes e anéis. “Leah.”

Ela sorriu, mascando chiclete. “Minha mãe é a corretora de imóveis que ajudou vocês a comprar a casa. Sabíamos que vocês viriam, e agora estão aqui. Você vai para o último ano?”

Leah olhou para a mamãe, que conversava com os carregadores. A mamãe ergueu uma sobrancelha para ela, e Leah respondeu com um encolher de ombros.

Ela precisava de amigos, ou pelo menos de alguém para lhe mostrar o campus e impedi-la de surtar.

“É, e você?”

“Também”, disse ela.

“Hattie!”

A mãe dela gritou da caixa de correio, acenando para que voltasse para casa.

“Vai ter uma trilha na lama hoje à noite para marcar o fim do verão. Você quer ir?”

Leah não conseguia imaginar nada menos divertido. Andar na lama na garupa de um quadriciclo de alguém que ela nem conhecia? Com lama nos olhos e na roupa?

Hattie sorriu diante da expressão de nojo de Leah. “Não fique tão enojada. Todos os nossos colegas estarão lá, e você pode conhecer alguns deles, assim não vai ser estranho no seu primeiro dia.”

Isso era verdade.

Leah ajeitou o cabelo escuro. “Ok, preciso perguntar à mamãe, mas acho que tudo bem.”

Hattie estalou o chiclete. “Vamos lá perguntar a ela.”

Elas caminharam até onde tentavam tirar um pufe do caminhão. A mamãe enxugou a testa e olhou para Hattie com um sorriso enorme. Uma mãe típica torceria o nariz para o cabelo selvagem e as roupas hipster de Hattie, mas não a mamãe.

Era uma das coisas que Leah amava nela; ela nunca julgava um livro pela capa.

“Mamãe, essa é a Hattie; ela mora do outro lado da rua.”

“Olá, Hattie. É um prazer conhecer você.”

Elas se cumprimentaram.

“A Hattie me convidou para uma trilha na lama hoje à noite.”

O sorriso da mamãe não vacilou. “Parece divertido. Você quer ir?”

“Claro”, disse Leah com a voz trêmula.

Querer ir não era exatamente sua primeira opção, mas Leah precisava conhecer pessoas antes que as aulas começassem.

“Então vá”, disse sua mãe, dispensando-as com a mão. “Quando é?”

“Começa por volta das seis. Você pode ir comigo.” A mãe dela chamou novamente. Ela olhou por cima do ombro. “É melhor eu ir antes que ela tenha um ataque. Te vejo às seis.”

Leah observou enquanto ela corria para casa.

“O que se veste para uma trilha na lama?”

A mamãe riu. “Droga, se eu sei, Leah. Me ajuda com isso, e a gente resolve depois.”

Leah ajudou a mamãe a levantar o pufe e elas caminharam em direção à casa.

Levou quase o dia todo para os carregadores trazerem tudo. A empolgação de Leah cresceu conforme ela pendurava seus pôsteres e organizava suas velas e recordações de infância. Nada melhor do que colocar suas coisas em um espaço novo.

O sol baixou além das colinas, refletindo na caixa de joias de família que estava na cômoda e atingindo seus olhos.

O nervosismo percorreu sua espinha quando o relógio marcou cinco horas. Ela podia sentir o cheiro da famosa caçarola da mamãe pela porta do quarto entreaberta. Ela tinha ido ao mercado mais cedo, rindo da lojinha pequena que eles consideravam um mercado.

“Leah! Venha comer; você precisa jantar antes de sair.”

Leah foi até a porta e olhou para seu novo quarto. Com tons de branco e cinza, o espaço extra o deixava melhor do que o quarto apertado que ela tinha no Missouri.

A mamãe serviu seu prato enquanto Leah subia no banco da bancada. “Então”, disse ela, com a boca cheia. Entregando o celular para Leah, ela sorriu. “É isso que se veste para uma trilha na lama.”

Leah engasgou com o chá gelado. A garota na tela usava shorts curtíssimos, botas de borracha e uma camiseta curta escrito “Coors Light”.

“Nem ferrando, mamãe.”

“Lave essa boca. Você precisa ser uma respeitável dama do sul agora, Leah. Nada de palavras feias.”

“Mas pode se vestir como uma Kardashian?”

“Foi uma piada, mais ou menos.”

Ela deslizou o celular de volta pela bancada. “Vou usar aqueles shorts jeans e uma camiseta velha. Vai ficar bom.”

A mamãe deu de ombros. “Quem sabe você não encontra seu namoradinho do ano?”

“Namoradinho? Agora voltamos aos anos 50?”

“Minha mãe sempre me dizia que os rapazes do sul eram bons. A maioria é habilidosa e acostumada ao trabalho duro. Claro, eu acabei com o seu pai, que era daqui. Obviamente, esse é um conselho duvidoso.”

“O papai é da Louisiana?”, perguntou Leah.

O rosto da mamãe ficou sério, o que não acontecia com frequência, e ela deu de ombros antes de dar outra garfada. “Em algum lugar da Louisiana. Não aqui, per se.”

Mordendo o lábio, Leah tentou ler a expressão dela, mas não conseguiu, então desistiu.

Leah colocou seus pratos na pia e foi ao closet. Ela pegou os shorts jeans, vestiu uma camiseta velha do show da banda Five Seconds of Summer e prendeu seu cabelo escuro em um rabo de cavalo.

Os tênis velhos que ela usava estavam mais do que acabados; sem contar que um deles tinha um buraco no dedão. Leah não era de incomodar a mamãe com coisas triviais, sabendo que ela não podia pagar sapatos novos todo ano. Para Leah, não importava usar coisas velhas.

Às seis em ponto, Hattie bateu na porta. O estômago de Leah revirou. A mamãe estava na entrada da cozinha, encostada no batente, chupando um picolé. “Preciso passar as regras ou você dá conta?”

Leah soprou a franja, o que era seu hábito quando estava nervosa. “Estou bem. Fique com seu celular caso haja uma emergência.”

“Você planeja se afogar na lama?”

Leah sorriu. “Quem sabe, talvez eu conheça meu namoradinho hoje e a gente comece a fazer bebês.”

“Certifique-se de que ele seja bonito”, disse ela, caminhando para o quarto. “Quero netinhos bonitos.”

Nota do autor:

Aqui está meu novo lançamento no Inkitt. É um romance sobrenatural Young Adult ambientado no Sul. Está terminado, mas estou editando e publicando um capítulo por dia até revisar tudo e publicar! Meu herói, que tem seus próprios capítulos, fala um pouco de francês Cajun. Então, postarei o significado de suas falas no final de seus capítulos! Espero que gostem!