1: A Catedral da Ganância
O silêncio no tribunal era absoluto, um peso pesado e reverente que Javante Wyatt vestia como uma capa de seda feita sob medida. Ao terminar sua alegação final, ele não precisou esperar pelo veredito; podia vê-lo nos olhos do júri e na firmeza estoica do queixo do juiz. Ele havia vencido.
Internamente, um sorriso cínico, afiado e frio, tocou sua alma. Ele pegou o caso da acusação — um apelo confuso e emocional pelas "vítimas" — e o estraçalhou com precisão cirúrgica.
O promotor parecia fisicamente doente, com o rosto azedado pela percepção de que o ego de Javante agora era oficialmente à prova de balas. Quando o juiz finalmente pronunciou as palavras — Não Culpado — foi o selo final em uma obra-prima de manipulação jurídica.
Seu cliente, o Sr. Richard, era um homem que havia usado subornos e força bruta para demolir moradias populares e abrir caminho para um complexo de apartamentos de luxo. Ele merecia dez anos em uma jaula; em vez disso, graças a Javante, estava saindo pela porta da frente.
"Vocês são caros, Wyatt", disse o Sr. Richard, dando um tapinha pesado no ombro de Javante com a mão cheia de anéis ao saírem do tribunal. "Mas gosto de como você presta esses serviços caros. Até a próxima."
Javante fez uma reverência respeitosa, com a máscara de profissional sempre presente. "Sempre um prazer, Sr. Richard."
Quando Javante pisou nos degraus do tribunal, a atmosfera mudou. Um pequeno grupo de famílias estava perto da base das colunas. No centro, uma senhora idosa chorava, com a voz fraca e trêmula. "Como minha neta encontrará o caminho de volta se eles derrubarem nossa casa?", ela lamentava, com as mãos trêmulas.
O grupo se virou em uníssono ao ver Javante. Xingamentos foram sussurrados; olhos cheios de um ódio puro e justificado acompanharam sua descida pelas escadas.
Javante não recuou. Para ele, a pobreza não era uma tragédia — era um pecado. Era uma punição que Deus reservava para suas pessoas menos favoritas, uma podridão que ele provou uma vez na juventude e jurou nunca mais tocar. Ele saiu da lama por pura força de vontade, aprendendo a adorar aos pés da elite até se tornar um deles. Entregar ouro aos abençoados pisando nos pobres não era apenas seu trabalho; era o desejo de sua vida.
Ele alcançou seu elegante carro esportivo prateado — uma máquina que custava mais do que a vida inteira daquela mulher que chorava. Ele deslizou para o interior de couro, o aroma de luxo resfriando sua pele. Ele ajeitou seus óculos Gucci, captou o olhar de um dos manifestantes e deu uma piscadela lenta e debochada antes que o motor rugisse.
Esta vitória era mais do que apenas um salário. Era seu ingresso. Luther Johnson III havia lhe prometido uma sociedade no escritório se ele vencesse este caso.
Javante Wyatt estava finalmente intocável. Ou era o que ele pensava, enquanto se afastava das sombras do tribunal, sem saber que o sol estava prestes a se pôr sobre seu império para sempre.
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O edifício Luther Johnson III era um arranha-céu de vidro e ambição fria, uma agulha de aço perfurando o horizonte da cidade. Quando Javante atravessou as portas, o saguão entrou em festa. O som de taças de champanhe de cristal tilintando e os aplausos de seus colegas ecoavam nas paredes de mármore.
Havia um bolo com seu nome em glacê dourado, uma caixa de presente e — o mais importante — um conjunto de cartões de acesso prateados. Naquele escritório, sua sala era seu reino. Os advogados menores, aqueles que ainda não tinham provado ser lobos, definhavam em cubículos compartilhados com assistentes comuns.
Mas Javante havia subido de nível. Ele não era mais um soldado com salário; ele era sócio. Ele teria uma parte dos lucros, um voto na diretoria e uma voz que carregava o peso do legado da firma. Para ele, aquilo não era apenas uma promoção — era sua salvação.
Ele encontrou seu novo escritório já preparado. Sua secretária e seu assistente moveram seus pertences para uma suíte que espelhava sua personalidade: elegante, afiada e intimidadora. Ele passou o dedo sobre a placa de identificação na mesa de mogno: SÓCIO: JAVANTE WYATT.
A satisfação era uma droga, correndo por suas veias enquanto ele se dirigia ao último andar — o escritório do Presidente.
Luther Johnson III sentava-se atrás de uma mesa que parecia ter sido esculpida a partir dos ossos de seus inimigos. Aos sessenta anos, ele era o coração do poder da cidade. Rumores diziam que Luther não apenas debatia casos; ele mesmo escrevia as sentenças e as entregava aos juízes para que lessem.
"Sob o meu comando, nenhum caso é perdido", era seu lema.
Ao redor dele estavam os guardiões: seu secretário de olhos frios, Charles; seu filho, Chad; sua filha, Johanna; e os outros três sócios seniores que detinham os segredos mais sombrios da firma.
Luther não ofereceu um aperto de mão. Ele ofereceu um relógio — uma peça pesada de ouro rosé, idêntica às usadas por todos os homens na sala. Era uma marca, um sinal de posse. Javante desabotoou seu Rolex sem pensar duas vezes, deixando o novo peso pressionar seu pulso. Parecia uma algema de ouro.
"Bem-vindo ao círculo íntimo, Javante", disse Luther, com uma voz de ameaça baixa e melódica. "Cuide para que você permaneça digno do cargo."
A reunião passou rapidamente para os negócios. Luther deslizou uma lista de nomes sobre a mesa — candidatos para as entrevistas de amanhã. "A maioria deles é apenas para preencher espaço", notou Luther, com os olhos se estreitando. "Mas há dois nomes nesta lista que jamais pisarão nesta firma. Marquei-os com um X."
Javante olhou para baixo. A tinta vermelha sangrava pelo papel sobre dois nomes: Anna Martin e Logan Barrett.
"Anna Martin é filha daquele repórter imprudente que não sabe quando manter a boca fechada", cuspiu Luther. "E Logan Barrett..." Luther pausou, um sorriso cruel tocando seus lábios. "Ele é o filho de um homem que foi descartado. Não precisamos desse tipo de bagagem aqui."
Javante encarou o nome. Logan Barrett. O nome parecia uma queimadura. Logan, o homem que sempre fora a sombra para a luz de Javante. O homem que ele tentara destruir anos atrás. Agora, Logan tentava entrar no reino de Javante, sem saber que o portão já estava trancado.
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A comemoração seguiu para o lounge, mas Javante se retirou para o santuário de seu novo escritório. Ele se sentou na cadeira de couro de encosto alto, o aroma de cera de piso cara e sucesso enchendo seus pulmões, mas sua mente estava em outro lugar.
Ele reabriu o arquivo. No canto superior direito do currículo, uma fotografia o encarava de volta.
Logan Barrett.
O nome parecia uma maldição em sua boca. Logan sempre fora o garoto de ouro, aquele que seguia pela vida com uma graça pela qual Javante teve que matar. Enquanto Javante era um estudante bolsista trabalhando em três empregos e pulando refeições para comprar livros, Logan era filho de um juiz influente e de uma mãe celebridade — uma mulher que deslizava por galas de caridade em vestidos brancos que, para Javante, pareciam um deboche de sua própria luta.
Ela mimava Logan, tratando-o como o sol em torno do qual seu mundo inteiro girava.
Javante não sabia exatamente quando seu ressentimento se transformou em um ódio sombrio e sufocante. Talvez fossem as feições naturalmente bonitas de Logan, das quais ele nunca parecia se desfazer, ou aquela personalidade cativante que fazia todos se aglomerarem ao redor dele como crianças em um caminhão de sorvete.
Por uma cruel ironia do destino, eles foram sombras um do outro por uma década. O mesmo colégio de elite. A mesma faculdade. A mesma faculdade de direito. Javante se esforçou ao máximo para manter sua posição, enquanto Logan fazia o mínimo necessário e, de alguma forma, sempre terminava com as mesmas conquistas.
Mas era mais do que apenas notas. Eram as pessoas.
Toda vez que Javante encontrava alguém de quem realmente gostava — alguém que ele realmente desejava — essa pessoa acabava na órbita de Logan. Naomi, a brilhante vice-presidente do conselho acadêmico, que Javante admirava, tornou-se namorada de Logan. O garoto tímido e quieto que Javante um dia quis proteger acabou sendo a sombra de Logan, chamando-o de "melhor amigo" com uma devoção que fazia o sangue de Javante ferver.
Javante apertou a pasta, o papel amassando sob a pressão de seus dedos. Ele quase podia sentir a garganta de Logan sob sua mão.
Então, um sorriso lento e predatório se espalhou pelo seu rosto.
"Olhe para você agora, Logan", ele sussurrou para a sala vazia e silenciosa. "Sem a armadura de seus pais, você é apenas um nome em uma página. Apenas um homem que posso descartar com um movimento do meu pulso."
Ele se recostou, seus olhos queimando com uma expectativa sombria.
"Quero ver essa sua cara bonita quando nos encontrarmos. Quero ver o momento exato em que a luz se apaga de seus olhos enquanto eu finalmente, finalmente te esmago."
Ele fechou o arquivo com um estalo seco e final, e sorriu.
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Nota da Autora:
Muito obrigado por clicar no primeiro capítulo de Heated Desire! Esta história será uma jornada intensa, e estou muito animado para compartilhar a trajetória de Javante e Logan com vocês.
O que vocês acharam da abertura até agora? Adoraria ouvir suas teorias!
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