Chapter 1 - In Earnest
A ponta de um dedo deslizou suavemente pela linha do maxilar de Catherine, depois voltou para sua orelha. O polegar de Aidan desenhou pequenos círculos contra o músculo tenso. Ela soltou o ar, o som soando alto demais na escuridão. Não havia nem sinal de sono na voz dele — ele estivera acordado, exatamente como ela.
“O que foi, bean bheag?”
A mão dele se afastou da orelha dela. Ela se sentiu puxada para mais perto, com os dois braços dele a envolvendo. O corpo de Aidan irradiava um calor constante, e o toque contra sua pele fria a fez encolher-se ainda mais. Ela descansou o rosto no peito dele, e a respiração quente dele bagunçou seu cabelo. Seu coração acelerou um pouco.
A mão de Catherine roçou o braço dele, depois repousou sobre suas costelas. Isso arrancou dele um som abafado, a meio caminho entre um suspiro e uma risada. Seus olhos se arregalaram um pouco, e ela deixou apenas as pontas das unhas dançarem levemente sobre o mesmo lugar, fazendo seu marido se remexer.
“Você faz cócegas?”, ela perguntou, incapaz de esconder o divertimento na voz. Uma mão grande cobriu a dela, pressionando seus dedos contra o corpo dele.
“Sim”, ele concordou, enterrando o nariz no cabelo dela. “Isso não explica por que você não está dormindo. Você está tão tensa que estou com os músculos doloridos só de estar deitado ao seu lado.”
A respiração de Catherine falhou. O aperto dele ao redor dela aumentou, dando-lhe segurança. “Eles me odeiam”, ela comentou, tentando fazer soar casual. Como se fosse apenas uma observação e não algo pessoal. O peito dele, sob o rosto dela, expandiu-se. Ela continuou antes que ele pudesse responder.
“E eles fazem você sofrer por isso. Ele cuspiu. Em você. Aquele homem na praça do mercado.”
O suspiro vibrou sob a cabeça dela. “Ian”, ele murmurou, a voz ainda um ronco baixo quando continuou. “Eles fazem”, confirmou, sem tentar amenizar a situação. “Você é descendente das pessoas que resistimos há dois séculos, e você, especialmente, é a filha do Lorde que planeja quantos deles precisam morrer até se curvarem. E eu sou aquele que se rendeu e mostrou a barriga ao me casar com você.”
Catherine concordou com a cabeça contra ele. Sua voz estava tensa. “Por que você deixa que pensem assim, então?”
Os dedos de Aidan soltaram a palma da mão dela e, distraidamente, acariciaram seu braço. “O que quer dizer?”
Ela mudou de posição, virando-se de lado para que pudesse olhá-lo enquanto conversavam. O colchão afundou com seus movimentos. Seu joelho subiu, apoiando-se na coxa dele, com um braço estendido sobre o estômago dele enquanto ela se apoiava com o outro.
“Você quer que fiquemos unidos hoje — como se eu significasse algo para você.”
Um som de desaprovação veio do fundo da garganta dele. “Você significa tudo para mim. O mundo, mulher!”, ele interrompeu.
O calor subiu às bochechas dela. Ela enterrou brevemente o rosto no pescoço dele. “Não foi isso que eu quis dizer”, ela protestou. “Estou perguntando se não seria mais inteligente não estarmos unidos. Mostre a eles o que precisam ver para confiar em você de novo. A decisão política que você tomou — não a inimiga que roubou sua lealdade.”
As palavras saíram mais fracas do que ela pretendia. Aidan mudou de posição e virou-se para o lado, espelhando a postura dela. O dedo indicador dele prendeu o queixo dela, levantando-o até que olhassem nos olhos um do outro.
“Eles cresceram comigo, Catherine. Eles vão entender.”
De um jeito prático.
“E se não entenderem?”, insistiu Catherine.
Aidan passou a mão livre pelo rosto. “Eles vão.”
Ela estreitou os olhos para ele. “Aidan!”
Ele balançou a cabeça, todo o seu temperamento transparecendo no olhar.
“Não. Eu não vou jogar joguinhos em minhas próprias terras, Catherine. Não com eles. Não com você. Eles querem desprezar a mão que os alimenta? Ótimo, que tentem. Eles vão entender. Eles vão ver você da maneira que eu vejo. Porque eu digo. Porque eu sei disso.”
Ele silenciou o protesto dela com os lábios, engolindo qualquer coisa que ela pretendia dizer. Não foi um beijo carinhoso — era orgulho ferido e raiva, desafio, teimosia e algo mais profundo. Quando ele se afastou, a respiração de Catherine veio rápida e curta. Sua pele estava corada e seu coração martelava contra as costelas.
O canto da boca dela se contraiu. A sobrancelha de Aidan se ergueu. O rosto dele aproximou-se novamente, os lábios pairando sobre os dela como se realmente achasse que isso a assustaria. A pulsação dela ainda estava acelerada. Algo no olhar dele mudou silenciosamente. A mão dele levantou-se contra o pescoço dela. Dois dedos repousaram levemente no ponto onde o coração dela batia na garganta. Ele engoliu em seco.
“Nós ficaremos unidos. A decisão é sua, Aidan — eu confio nela”, a voz dela soou ofegante e aguda demais.
Ela fechou o espaço entre eles. Três palavras. Apenas um sussurro contra a pele dele.
“Eu confio em você.”
Desta vez, foi ela quem selou a boca dele com a sua.
. . .
O rosto de Catherine ainda estava levemente corado quando Aidan a ajudou com seu espartilho um tempo depois. Ela se apoiou na coluna da cama, sentindo o tecido prendê-la enquanto Aidan, com cuidado, apertava os cordões. Um sorriso surgiu. O grande Aidan levava muito mais tempo fazendo aquilo do que a pequena Mistress Murphy — sua criada — jamais levava.
O sol já tinha nascido. Seu marido vibrava de energia, e Catherine lutou rapidamente para colocar o resto de suas roupas. Os dedos dele entrelaçaram-se aos dela no caminho para fora, puxando-a pelas escadas com seu entusiasmo habitual. Ele subia dois degraus de cada vez, e os saltos de Catherine batiam contra a pedra desgastada em um esforço para acompanhá-lo.
Mistress Jones os cumprimentou com um sorriso. Aidan serviu-se de uma tigela de mingau, encostando-se no balcão de madeira quente para comer. A cozinheira lançou um olhar severo, depois balançou a cabeça em uma derrota silenciosa. Ela se voltou para Catherine.
“Anéis de aveia, minha Senhora? Adocei-os com um pouco de mel”, ela propôs, e Catherine concordou.
“Para as crianças?”, ela perguntou, e então agradeceu a Mistress Jones com um aceno. O anel ainda estava quente, o aroma tingido por uma leve doçura. Catherine dividiu-o ao meio, depois destacou um pedaço, saboreando o gosto.
A cozinheira deu de ombros. “Para as crianças grandes também”, ela bufou. “Ainda é uma festa — embora não pareça muito com uma este ano.”
Aidan engoliu o que estava comendo para responder, mas Mistress Jones balançou a cabeça.
“Não é sua culpa, Tiarna. Nós sabemos. Eles sabem. Quer gostem disso ou não.”
Aidan concordou e terminou sua tigela. “Por favor, me avise quando os Brennan chegarem, Mistress”, ele pediu educadamente. “Preciso falar com Seamus.”
Ele se virou para Catherine. “Você procure a Mistress Brennan. Fale com ela. Ela tem estado doente, quero saber como ela está se sentindo, entendeu?”
Antes que Catherine pudesse confirmar, ele já tinha deixado a cozinha — fazendo o que quer que um Lorde irlandês fizesse em Lunasa antes da chegada de seus inquilinos.









wow great first chapter!
Oh I hope you like it! My OG draft was wayyy more flowery than it is now so I hope it still reads as beautifully to everyone!
Rereading because this type of prose is my cup of tea <3