Depois do Apito

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Resumo

Evan Hayes foi recrutado para ser o futuro do time — rápido, talentoso e completamente incapaz de seguir ordens. Jasper Laaksonen é o capitão. Calmo. Controlado. O tipo de jogador que não perde a cabeça — porque ele nunca precisa. Quando os treinadores colocam Evan na linha de Jasper, a intenção é ensiná-lo a ter controle. Em vez disso, transforma-se em algo totalmente diferente. Treinos tarde da noite. Correções particulares. Um tipo de disciplina que não tem nada a ver com hóquei.

Status
Completo
Capítulos
45
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+

The Rookie - Jasper

O garoto entrou como se fosse o dono do lugar.

Essa foi a primeira coisa que Jasper notou. Não o rosto — embora o rosto fosse um problema que ele deixaria para depois, obrigado — mas o andar. Queixo erguido. Ombros relaxados. Olhos fazendo uma varredura lenta pela sala, como se estivesse catalogando ameaças e possibilidades na mesma medida.

Os novatos não andavam assim.

Os novatos entravam de cabeça baixa, com as mãos enterradas nos agasalhos e as vozes num tom cuidadosamente educado, tudo um sim senhor, um obrigado por me receberem e um farei o que o time precisar. Eles se encolhiam. Eles se faziam pequenos. Eles entendiam, instintivamente, que ainda não tinham conquistado o direito de ocupar espaço.

Evan Hayes estava ocupando todo o espaço.

Jasper recostou-se no banco, com um patim meio amarrado no colo, e observou os olhos do garoto pousarem nele. Pousarem, registrarem, fixarem.

Não desviou o olhar.

Hum.

“Rapazes.” A voz do técnico Maxwell cortou o zumbido baixo da sala. “Este é Evan Hayes. Ele veio de Hartford. Vai patinar com Laaksonen esta noite, então façam-no sentir-se bem-vindo. Hayes—”

E o garoto já estava se movendo. Atravessou a sala como se a apresentação fosse apenas uma formalidade que ele já tinha absorvido, a mão já estendida, e Jesus Cristo, aquele sorriso — meio torto, pura malícia, o tipo de sorriso que provavelmente o colocou em todas as brigas de bar de sua carreira na AHL e não o livrou de absolutamente nenhuma.

“Capitão.” Voz calorosa. Aperto de mão firme. Vogais americanas redondas como moedas. “Ouvi muito sobre você.”

“Hayes.” Jasper não se levantou. Não precisava. Manteve o rosto na neutralidade educada que usava desde os dezenove anos, quando um jornalista finlandês lhe ensinou que estoico soava melhor impresso do que exausto. “Bem-vindo a Nova York.”

“Obrigado.” Aquele sorriso de novo. “Na verdade, faz tempo que eu queria jogar com você.”

Aposto que queria, pensou Jasper, e imediatamente quis se afogar no cooler de Gatorade mais próximo porque — o quê? Não. Definitivamente não. O garoto estava falando de hóquei. O garoto estava falando de química de linha. O garoto estava falando de assistir a vídeos e aprender com um veterano. O garoto não quis dizer nada do que seu cérebro tinha acabado de tentar fazer com aquela frase.

Ele estava em Nova York há tempo demais. A cidade estava apodrecendo-o.

“Veremos como você patina”, disse Jasper suavemente, voltando aos seus cadarços.

Ele podia sentir Hayes ainda parado ali. Pairando. Analisando-o.

Hayes riu. Baixo. Entre dentes. Como se Jasper tivesse acabado de confirmar algo que ele já suspeitava.

“É, Cap”, disse Hayes. “Veremos.”

E foi embora.

Jasper não o viu ir embora.

Ele não viu.

Ele absolutamente não reparou na linha dos ombros do garoto sob aquela camisa polo nova demais do time, ou no jeito como o cabelo ainda estava molhado de onde quer que ele tivesse tomado banho antes de dirigir até lá, ou no fato de ele ter a estrutura específica de um provocador — compacto, centrado, enganosamente forte nos quadris — o tipo de corpo que entrava embaixo da pele dos defensores e ficava lá como uma farpa.

Jasper tinha visto as gravações dele.

Claro que tinha. Esse era o trabalho. O time o ligara três dias atrás — atenção, estamos trazendo Hayes, pense na linha — e Jasper passara duas noites com uma cerveja e seu iPad, assistindo a cada turno que Hayes jogou em Hartford este ano. Cada disputa. Cada gol. Cada incidente.

E houve incidentes.

O garoto provocava. Constantemente. Relentamente. Ele fez o banco de Hartford rir em três clipes diferentes que Jasper conseguia lembrar de cabeça, e fez o banco adversário querer pular as bordas e matá-lo em pelo menos quatro. Ele partia para cima de caras duas vezes maiores que ele. Ele arrastava defensores estrelas para penalidades estúpidas só por existir perto deles. Ele tinha opiniões sobre os juízes, e essas opiniões eram altas, e essas opiniões eram extremamente engraçadas para um caralho quando não custavam ao time um power play.

Ele era, por todos os critérios, o tipo de companheiro de equipe que Jasper não queria.

Jasper gostava de homens quietos. Gostava de homens profissionais. Gostava dos que chegavam cedo, saíam tarde, diziam por favor e obrigado para o pessoal do equipamento e não tornavam seu trabalho como capitão mais difícil do que já era. Ele gostava de Antti. Gostava de Brännström. Gostava do garoto russo que mal falava inglês e se comunicava inteiramente através de acenos furiosos.

Historicamente, ele não gostava de provocadores.

Mas—

Mas Nova York estava sangrando na zona neutra. Tinha sido assim a temporada toda. Eles estavam sendo empurrados por times que sabiam que eles não revidariam, e o técnico vinha murmurando sobre identidade em cada discurso pós-jogo há seis semanas, e a diretoria começara a usar palavras como pestinha, vantagem e maldade em suas chamadas de prazo final de trocas.

E lá estava Evan Hayes. Vinte e quatro anos. Finalmente recebeu o chamado. Com fome o suficiente para comer a porta do vestiário na entrada.

Jasper entendia, objetivamente, por que ele estava ali.

Ele também entendia, objetivamente, que o garoto seria um trabalhão do caralho.

“Laaksonen.” O técnico, ao seu lado. Voz num tom baixo. “Uma palavra.”

Jasper colocou o patim no chão e o seguiu para fora.

Maxwell o levou até o corredor fora da sala, parou e cruzou os braços. Não perdeu tempo com preâmbulos. Ele nunca perdia. Era uma das coisas que Jasper gostava nele.

“Você vai trabalhar perto dele.”

“Imaginei.”

“Não apenas no gelo.” Os olhos de Maxwell voltaram para a porta. “Ele é um bom garoto. Inteligente. Trabalha duro. Mas ele tem sido a maior personalidade em todas as salas por onde passou desde os juniores, e esta é a primeira vez que isso vai jogar contra ele. Eu quero ele sob sua tutela.”

Jasper não reagiu àquela escolha de palavras.

“Entendido”, disse ele.

“Ele é talentoso, Jasper.” A voz de Maxwell suavizou ligeiramente, o que era o mais próximo que o homem chegava de sentimentalismo. “Sinceramente. Do tipo talentoso que me deixa nervoso, porque vi o que esta cidade faz com garotos assim. Eu preciso que você...” ele fez um gesto vago, frustrado com seu próprio inglês, do jeito que ele ficava às vezes quando tentava dizer algo que realmente queria expressar. “Cuide dele. Mantenha-o como uma pessoa. Você entende?”

Jasper olhou para ele.

Maxwell estava na liga há trinta anos. Tinha treinado quatro capitães antes de Jasper. Tinha enterrado dois de seus próprios jogadores, em momentos diferentes, por razões diferentes, e nunca — nem uma vez, nos cinco anos em que trabalharam juntos — pediu a Jasper para cuidar de alguém.

“Sim”, disse Jasper baixinho. “Eu entendo.”

“Bom.” Max deu um tapinha em seu ombro. “Exija bastante dele no treino hoje. Veja do que ele é feito. E Laaksonen—”

“Sim?”

“Não deixe ele provocar o Brännström ainda. Dê uma semana.”

Jasper quase sorriu.

Ele voltou para o vestiário, e Hayes já estava no lugar que lhe haviam dado — bem ao lado do de Jasper, o que não podia ser coincidência — tirando o equipamento da bolsa com o foco de um homem que tinha feito aquela mala vinte vezes nos últimos dois anos para vinte chamados, reuniões e realocações diferentes, além de quartos de hotel.

O garoto olhou para cima quando Jasper passou.

Aquele sorriso de novo. Menor, desta vez. Quase íntimo.

“Cap.”

“Hayes.”

Jasper sentou-se de volta em seu lugar. Pegou seu patim. Amarrou-o lenta e metodicamente, do jeito que tinha amarrado seus patins dez mil vezes antes.

E pensou: isso vai ser um problema.