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Charlotte
O primeiro print não apareceu apenas na tela; ele me atingiu como uma colisão em alta velocidade, daquelas que deixam seus ouvidos zumbindo e o mundo girando em um eixo enjoativo.
Não era que eu não entendesse o que estava vendo. Era que eu entendia bem demais. O reconhecimento foi instantâneo, visceral — um caco de vidro rasgando meu estômago.
Brooke estava sentada na ponta da minha cama, com as pernas cruzadas e segurando o celular com as duas mãos como se fosse uma granada ativa. Ela estava com aquela expressão no rosto — aquela que as pessoas fazem quando estão prestes a arruinar sua vida e se odeiam por serem as portadoras da notícia. Do outro lado do quarto, Kayla era um borrão de fúria. Ela andava de um lado para o outro perto da minha mesa, com os braços cruzados sobre o peito, parecendo que ia explodir se eu não dissesse algo logo.
E eu?
Eu apenas olhei.
Olhei para o rosto com o qual acordei três dias atrás. O rosto do Nick. Ele sorria para mim em um perfil do Hinge que eu sabia, porra, que ele não deveria ter. Estávamos juntos há onze meses. Onze meses de noites estudando, nervosismo em jogos fora de casa e dividindo cada maldita parte das nossas vidas.
Pelo menos, eu achava que estávamos dividindo.
Meu estômago deu um nó, sentindo um enjoo, e as bordas do quarto ficaram cinzas. Tive que me sentar na beirada do colchão antes que minhas pernas cedessem de vez.
"Charlie", Brooke disse, sua voz mal passando de um sussurro. "Sinto muito."
Eu não respondi. O que havia para dizer? *Talvez eu esteja tendo uma alucinação? Talvez um dos jogadores de destaque mais conhecidos do campus tenha um irmão gêmeo mau, perdido por aí, com o mesmo maxilar, os mesmos olhos azuis e a mesma bio de babaca sobre como ele "nunca perde no cornhole"?*
Não. Era ele. Era inegável, dolorosamente ele.
E, de alguma forma, o perfil nem foi o golpe fatal. O polegar da Brooke deslizou pela tela, revelando o próximo print. E então o outro.
Uma sequência de mensagens.
Depois outra.
O tom era casual. Flertador. Descontraído. Eu assisti ao Nick entrando em conversas com outras garotas como se eu não existisse. Como se o último ano da minha vida fosse apenas um ruído de fundo para o ego dele. Fiquei olhando até que as palavras virassem formas sem sentido, com meu coração martelando um ritmo frenético e irregular contra minhas costelas.
"Então", disse Kayla, com a voz perigosamente calma — o tom que ela usava pouco antes de quebrar o nariz de alguém. "Ele está morto. Vamos enterrá-lo hoje à noite, certo?"
Brooke lançou a ela um olhar de aviso. "Kay, dá um tempo para ela."
"Dá um tempo para quê?", Kayla disparou, levantando as mãos. "Ele está em um aplicativo de namoro, Brooke. Acho que não precisamos de uma equipe forense para nos dizer que ele é um pedaço de merda."
Finalmente levantei o olhar, e o ar no quarto mudou. As duas ficaram paradas. Elas viram o momento exato em que o choque se transformou em algo muito mais tóxico: humilhação.
Isso não era uma "área cinzenta". Não era ele ficando bêbado demais em uma festa e dizendo alguma estupidez. Isso era uma traição calculada, digital. Era ele dando match em garotas entre as aulas. Dando match nelas enquanto eu estava sentada na arquibancada torcendo por ele.
Ele estava mandando mensagens para essas garotas enquanto dormia comigo. Enquanto me dizia que sentia minha falta. Enquanto comia batatas fritas do meu prato e perguntava se eu queria ir com ele para casa no feriado de Ação de Graças para conhecer os pais dele.
Minha garganta apertou tanto que parecia que ia quebrar. "Quando você conseguiu isso?"
Brooke se mexeu desconfortável no edredom. "Minha colega de quarto deu match com ele há duas noites. Ela me enviou isso hoje de manhã."
Há duas noites.
O quarto parecia estar diminuindo. Nick tinha dormido aqui há três noites. Eu estava usando a camiseta dele quando ele me deu um beijo de despedida na manhã seguinte, prometendo me mandar mensagem depois do treino. A bile subiu na minha garganta, quente e amarga.
Kayla viu a mudança na minha expressão e se agachou na minha frente, pegando minhas mãos. "Ei. Olha para mim."
Eu olhei, e foi aí que tudo acabou. Eu não chorei — ainda não —, mas senti a primeira rachadura enorme se abrir bem no centro do meu peito.
"Talvez seja antigo", sussurrei, as palavras soando patéticas até para os meus ouvidos. "Talvez ele nunca tenha deletado a conta e..."
"Charlie", Kayla disse suavemente, com os olhos cheios de uma pena que me deu vontade de gritar. "Olhe as mensagens. Olhe as datas."
Fechei a boca. Ela estava certa. Não havia brecha. Nenhum mal-entendido. Não existia um mundo onde isso fosse aceitável, e a parte mais devastadora era que, mesmo com a prova queimando minhas retinas, eu ainda queria que houvesse uma desculpa.
Brooke esticou a mão e bloqueou o celular, colocando-o virado para baixo na cama. "Você não precisa fazer nada agora mesmo. Só respire."
Uma risada curta e amarga escapou de mim. "Na verdade, preciso."
"Não, não precisa", insistiu Kayla.
"Sim, eu preciso." Levantei rápido demais, o mundo girando enquanto me apoiava na mesa. "Porque se eu ficar aqui sentada por mais cinco minutos, vou começar a fazer aquela coisa de sempre. Vou me convencer de que não é tão ruim assim. Vou me convencer de que ele estava apenas entediado ou que 'homens são assim mesmo'. E eu não posso fazer isso. Não desta vez."
Nenhuma das duas discutiu. Elas me conheciam. Sabiam que eu era especialista em suavizar as pontas afiadas da minha própria dor para facilitar a vida dos outros.
Hoje não.
Peguei meu celular. A tela de bloqueio era uma foto nossa no lago no outono passado — beijados pelo sol, rindo, inclinados um para o outro como se fôssemos duas metades de um todo. Senti um flash de ódio puro e verdadeiro pela garota na foto. Ela era tão estupidamente idiota.
Deslizei a tela e cliquei no contato dele.
"O que você está fazendo?", Kayla perguntou, levantando-se.
Não respondi. Apenas apertei o botão de chamada e coloquei no viva-voz. Ele atendeu no segundo toque.
"Oi, bebê", ele disse, com a voz quente e familiar.
Fechei os olhos, com a mão tremendo. Ouvir a voz dele tão normal — tão *intocada* — enquanto eu estava em meio aos destroços do nosso relacionamento parecia obsceno. Parecia um tapa na cara.
"Venha aqui fora", eu disse. Minha voz estava morta, plana.
Houve uma pausa. Um momento de silêncio onde a atmosfera do outro lado mudou. "O quê? Está tudo bem?"
"Você me ouviu, Nick. Fora do dormitório. Agora."
"Charlie..."
Desliguei antes que ele pudesse terminar.
Kayla já estava pegando suas botas, com o rosto marcado por uma expressão rígida. "Você não vai descer lá sozinha."
Eu queria dizer que estava bem. Queria ser a garota forte e independente que não precisava de reforços. Mas então pensei nos prints novamente — a facilidade com que ele mentia — e percebi que estava a um "sinto muito" de entrar em colapso.
"Tudo bem", sussurrei. "Vamos."
Nick estava esperando embaixo do carvalho enorme perto da entrada leste. Ele parecia exatamente o homem que eu amei por um ano: moletom cinza, boné puxado para baixo, mãos enfiadas nos bolsos. Ele parecia bonito. Parecia seguro.
Ele parecia uma maldita mentira.
A audácia de ele estar ali, parecendo casualmente perfeito, fez meu sangue ferver. Por um breve momento, meu cérebro tentou reconciliar as duas versões dele — o que me segurava enquanto eu chorava por causa das provas finais, e o que passava as viagens de ônibus para os jogos caçando minha substituta.
Enquanto nos aproximávamos, sua expressão mudou de curiosidade para uma preocupação ensaiada. Ele não parecia culpado. Ele parecia apenas estar se preparando para um ataque de humor.
"O que está acontecendo?", ele perguntou, seus olhos passando rapidamente por Kayla antes de pousarem em mim. "Sua voz parecia estranha no telefone."
Não perdi fôlego com preâmbulos. Desbloqueei meu celular, abri o primeiro print que Brooke me enviou e enfiei a poucos centímetros do rosto dele.
Observei seus olhos percorrerem a tela. Observei ele reconhecer o próprio rosto, as próprias palavras, a própria traição.
E lá estava. O detalhe. Ele não parecia chocado. Não parecia indignado. Ele parecia um homem que tinha acabado de perceber que deixou rastros.
"Você só pode estar de brincadeira, porra", eu disse, minha voz falhando na última palavra, apesar de todos os meus esforços.
Nick passou a mão pelo cabelo, mudando o peso do corpo. Ele desviou o olhar por um segundo, sondando o perímetro como se estivesse procurando uma saída. "Charlie, olha, deixa eu explicar."
O "explicar" foi o estopim. O pavio acendeu, e a raiva finalmente explodiu. "Explicar o quê, Nick? Explicar a parte em que você disse a essa tal de 'Brianna' que estava 'procurando alguém divertido' enquanto estava literalmente sentado no meu sofá? Explicar o timing? Porque os horários dizem que você estava mandando mensagem para ela enquanto eu estava na cozinha fazendo nosso jantar."
Kayla murmurou: "Babaca do caralho", baixinho.
Nick a ignorou, aproximando-se do meu espaço pessoal. Ele usou aquele olhar intenso e focado — o que costumava me fazer sentir como a única garota do mundo. Agora, apenas me fazia sentir caçada. "Não significou nada, Charlie. Foi só... foi só uma coisa de ego. Eu nunca encontrei ninguém. Foi só conversa."
Dei uma risada áspera. "Ah, foi só conversa? Bem, graças a Deus. Acho que os onze meses que passamos juntos também foram 'só conversa', então, certo? Porque, claramente, eu não significava o suficiente para você manter o seu maldito celular no bolso."
"Você está exagerando", ele disse, com a voz endurecendo. "Você nem sabe de quando são essas mensagens."
"Há duas noites", disparei. "A colega de quarto da Brooke. Há duas noites, Nick. Você saiu do meu quarto às 10:00 da manhã e estava dando match com ela ao meio-dia."
Ele ficou rígido. A mentira morreu na garganta, mas ele não pediu desculpas. Em vez disso, tentou me manipular. Tentou minimizar o dano até que tivesse um tamanho que ele pudesse lidar. "É um aplicativo, Charlie. Não é como se eu tivesse realmente traído. São apenas pixels na tela."
"É uma traição de tudo o que tínhamos", eu disse, minha voz baixando para um sussurro que parecia mais pesado que um grito. "E o fato de você estar aqui tentando discutir a definição de traição em vez de cair de joelhos me diz exatamente quem você é."
Olhei para ele e percebi que não teria o remorso de que precisava. Não recuperaria o "bom" Nick, porque essa versão nunca tinha existido.
"Acabou", eu disse.
Ele piscou, parecendo genuinamente atordoado. "O quê? Por causa disso? Charlie, seja sensata."
"Estou sendo sensata. Mais sensata do que jamais fui sobre nós." Dei um passo para trás, criando distância entre nós. "Você saiu procurando outra pessoa enquanto me tinha. Pode ficar com elas agora. Pode ficar com todas elas."
"Você está terminando comigo por causa de algumas mensagens?" Ele deu uma risada curta e descrente. "Você vai jogar fora um ano por causa de um aplicativo estúpido?"
Kayla deu um passo à frente, a mão tremendo como se estivesse pronta para bater. "Ela está terminando com você porque você é um mentiroso e um traidor. Coloca isso na sua cabeça de merda e sai da frente dela."
"Fica fora disso, Kayla!", ele latiu.
"Não", eu disse, passando por ela para encará-lo olho no olho. "Ela fica. Você vai embora. Não preciso de explicações. Não preciso de uma 'conversa'. Preciso que você suma."
Por um momento, ele apenas me encarou, seu rosto escurecendo com um lampejo de algo que parecia muito com ressentimento. "Beleza. Se quer fazer drama, faça drama. Mas não venha chorar para mim quando perceber que está exagerando."
"Não estou exagerando", eu disse, sentindo meu coração como uma pedra fria no peito. "Estou finalmente te vendo de verdade."
Virei as costas para ele. Foi a coisa mais difícil que já fiz — ir embora enquanto minha pele ainda arrepiava e meu coração implorava por uma razão para ficar.
"Charlie!", ele gritou atrás de nós.
Não parei. Não olhei para trás. Mantive meus olhos fixos nas portas de vidro pesado do dormitório.
Assim que entramos, o ar condicionado bateu no meu rosto, e as luzes fluorescentes deixaram tudo com um tom amarelado doentio. A adrenalina evaporou, deixando-me vazia e tremendo tanto que tive que me encostar nas caixas de correio.
Kayla se aproximou, me puxando para um abraço apertado e reconfortante. "Eu estou aqui", ela sussurrou. "Estou com você."
Enterrei o rosto no ombro dela, o primeiro soluço finalmente rompendo o gelo. Mas, através da dor, uma percepção fria e cortante se instalou nos meus ossos. Nick Mercer não era o tipo de cara que aceitava um 'não' como resposta, e ele definitivamente não era o tipo de cara que lidava bem com um fora.
Isso não tinha acabado. Nem de longe.