O Acordo do Namoro

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Resumo

Hannah Reed tem um plano. Fazer com que Ethan Cross a note. Deixar de ser a garota invisível das anotações coloridas e da paixonite sem esperança. Finalmente se tornar o tipo de garota que é escolhida, em vez de ignorada. Nate Wilder tem um problema. Depois de um escândalo público a mais, a estrela do hóquei de Northwood está oficialmente na corda bamba. Seu treinador quer alguém limpo. Estável. Respeitável. O que é uma infelicidade, considerando que a reputação de Nate é construída em festas, más decisões e nunca levar a mesma garota para casa duas vezes. Então, quando Nate percebe que Hannah quer a atenção de Ethan, e Hannah percebe que Nate precisa de uma namorada de fachada para salvar sua imagem, eles fazem um acordo. Ela o ajudará a parecer um playboy do campus reformado. Ele a ajudará a fazer Ethan sentir ciúmes. Sem sentimentos. Sem complicações. Sem cruzar linhas que não podem ser descruzadas. Simples o suficiente. Até que encontros falsos começam a parecer reais. Até que Nate se torna aquele que ensina Hannah a ser tocada, desejada e a ter confiança. Até que o garoto que nunca namora começa a olhar para ela como se ela fosse a única coisa no campus pela qual vale a pena arriscar o coração. Hannah queria que Ethan finalmente a visse. Ela nunca planejou que Nate fosse aquele que não conseguiria tirar os olhos dela.

Gênero
Romance
Autor
Lynn Fair
Status
Completo
Capítulos
61
Classificação
5.0 12 avaliações
Classificação Etária
18+

1

Nate

O treinador Rawlings tem três veias bem marcadas na testa.

Eu sei disso porque elas só aparecem quando ele me olha como se eu fosse o principal culpado pelo aneurisma causado pelo estresse que vai matá-lo antes dos cinquenta anos. Hoje, as três estão pulsando em um ritmo assustador e sincronizado.

Isso nunca é um bom sinal.

Fecho a porta pesada do escritório atrás de mim, o clique ecoando no espaço pequeno. A sala tem um cheiro que mistura café velho, cera de chão industrial e o rastro fraco de equipamentos de hóquei usados — a colônia oficial do departamento de esportes da Northwood University. As paredes estão cobertas por fotos emolduradas de glórias passadas: caras vestindo uniformes azul-marinho e rosa, com os braços nos ombros uns dos outros, rostos corados e bocas abertas no meio da comemoração.

Eu apareço em algumas dessas fotos. Pareço mais feliz nelas. Ou talvez estivesse apenas mais bêbado.

"Sente-se, Wilder."

Rawlings não eleva a voz. Ele não precisa. Ele tem um jeito de falar baixo e rouco que faz cada sílaba soar como se tivesse sido arrastada sobre brasas quentes.

Eu me jogo na cadeira de couro à frente da mesa dele, esticando as pernas e tentando parecer casual, algo que definitivamente não estou sentindo. "Bom dia, treinador. O senhor está particularmente… vibrante hoje."

O olhar dele não se desvia. Nem por um segundo.

Puxo as pernas devagar e me sento direito. Certo. Então é *esse* tipo de reunião.

O treinador se recosta, a cadeira rangendo sob seu peso, e desliza o celular pela mesa de mogno com um dedo. Eu já sei o que tem nele. Não preciso olhar. Faço isso mesmo assim, principalmente porque, pelo visto, tenho um desejo subconsciente de andar sobre cacos de vidro só para ver o quanto dói.

A foto ocupa a tela inteira.

Foi tirada na noite de sábado, bem na frente da Sigma Chi, depois que a festa da vitória do time de futebol americano se espalhou para a rua. Alguém me pegou em cima do capô da caminhonete do Carter, com a camisa entreaberta, uma garrafa de champanhe na mão direita e uma garota de vestido vermelho rindo ao meu lado. Tem uma mancha de batom rosa no meu maxilar, e meu cabelo parece um desastre natural que, de alguma forma, ganhou uma bolsa de estudos.

Acima da foto, a página de fofocas *Northwood Tea* colocou a legenda:

**NATE WILDER: A MÁ DECISÃO FAVORITA DE NORTHWOOD ATACA NOVAMENTE.**

Abaixo dela, o número de comentários subia para quase mil. Alguns eram emojis de coração. Alguns eram "goals". Um era de uma garota chamada Brielle, que escreveu: *Ele ainda está com meus brincos.*

Eu não me lembro de nenhuma Brielle. E também não estou com os brincos dela. Provavelmente.

O treinador bate na tela. "É você?"

Pisco para ele, tentando aquele sorriso charmoso que geralmente funciona com os professores. "O quê, estamos brincando de adivinhação? Tem algum prêmio?"

"Nate."

O sorriso morre. Eu fecho a boca.

O uso do meu primeiro nome sempre pesa mais do que o sobrenome. Quando ele me chama de Wilder, ele está puto. Quando ele me chama de Nate, ele está tentando não se decepcionar. E, meu Deus, como eu odeio decepcionar. Lidar com o cara puto é fácil — é só um tempo na geladeira. Decepcioná-lo faz com que eu me sinta pequeno demais na minha própria pele.

Inclino-me para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. "É. Sou eu."

"Fico feliz que tenhamos esclarecido isso."

"Em minha defesa", acrescento, porque uma parte perturbada de mim nunca encontrou um silêncio que não quisesse estragar, "eu não estava dirigindo."

O maxilar do treinador tensiona. Definitivamente, não era a defesa certa.

"Além disso", continuo, "minha camisa estava tecnicamente no corpo. A maioria dos botões estava firme."

Rawlings fecha os olhos. Por um longo segundo, me pergunto se vou ver um homem adulto ascender diretamente ao céu só para se livrar de mim. Quando ele os abre, o aço sem humor está de volta.

"Nate, você tem ideia de quantas ligações eu recebi hoje de manhã?"

Eu me recosto devagar. "Quatro?"

"Sete."

"Sempre fui um cara popular."

"De ex-alunos", ele diz, contando nos dedos. "Do Diretor de Esportes. Do seu orientador acadêmico. De dois patrocinadores que aparentemente têm tempo livre demais para monitorar páginas de fofoca de calouros." Ele faz uma pausa, seu olhar perfurando o meu. "E da sua mãe."

Meu estômago cai no chão. Tento manter o rosto neutro, mas Rawlings percebe tudo.

"Minha mãe ligou para o senhor?"

"Ela queria saber por que o filho dela estava seminu na internet com champanhe escorrendo pelo peito. Ela parecia… preocupada."

Passo a mão pelo rosto, sobre a boca. Ótimo. Fantástico. Adoro isso. Minha mãe não grita quando está brava; ela fica quieta. Ela manda mensagens de uma palavra só com pontuação agressiva. A última que recebi foi às 8h da manhã.

*Nathaniel.* Apenas meu nome completo e um ponto final, como uma faca pressionada suavemente contra as costelas.

"Eu ia ligar para ela", murmuro.

"Quando?"

"Depois da aula."

"Você não tem aula às segundas antes do meio-dia."

Olho para o relógio na parede. São 10h08. "Depois que eu me preparasse emocionalmente para a aula."

Nada. Nem um puxão de lábio. Esse homem está destruindo meu melhor material. Ele pega o celular e o coloca virado para baixo na mesa, como se a foto fosse estúpida demais para continuar olhando.

"Isso não tem graça, Nate."

"Eu sei."

"Sabe mesmo?"

A sala fica silenciosa ao nosso redor, parecendo ter a metade do tamanho. Do lado de fora do escritório, consigo ouvir o som distante dos patins raspando no concreto — provavelmente um calouro indo para a pista com os protetores de lâmina, parecendo um filhote de cervo em meio à guerra.

O treinador cruza as mãos sobre a mesa. "Você é um dos jogadores mais talentosos que já treinei. Você sabe disso."

Geralmente, isso soaria como um elogio. Hoje, parece um elogio fúnebre.

"Obrigado."

"Não agradeça", ele corta. "Você é rápido, lê o jogo melhor do que qualquer um neste time quando usa a cabeça, e tem mãos pelas quais muitos caras sacrificariam um rim. E, por alguma razão, parece determinado a fazer as pessoas falarem de tudo sobre você, menos do seu jogo."

Olho para os meus nós dos dedos. Há um hematoma desaparecendo sobre o da mão direita, do fim de semana passado. Não da festa — do fim de semana anterior. Um cara do time de lacrosse decidiu que tinha problemas com o fato de eu estar conversando com a ex dele, e eu decidi que tinha problemas com ele colocando as mãos no meu peito. Todo mundo tinha problemas. A segurança do campus tinha burocracia.

"Os olheiros estão de olho em você este ano", diz o treinador, sua voz baixando para um tom que faz meu cabelo arrepiar. "Você entende isso? Esta é sua janela de elegibilidade para o draft. Este é o ano que decide se você é um profissional ou um 'e se'."

"Eu sei", digo, minha voz finalmente perdendo o tom debochado.

"Não acho que saiba. Você quer jogar depois de Northwood?"

Minha boca seca. Ele sabe a resposta. Eu quero a NHL desde os seis anos de idade, dormindo com um mini-stick na cama porque meu pai dizia que jogadores de verdade tratam seus equipamentos como se fossem um membro do corpo. Eu queria isso antes mesmo de entender o quão raro era, ou que uma má reputação poderia grudar em mim mais forte do que uma temporada de vinte gols.

"O senhor sabe que sim", respondo.

"Então comece a agir como tal. Você está se fazendo parecer um problema, Nate. Não só para este time, mas para qualquer um que queira apostar em você nas grandes ligas. O talento te abre a porta, mas o caráter te mantém na sala."

"Eu não sou um problema no gelo."

"Não", ele concorda, e o jeito que ele diz isso é o corte mais afiado de todos. "No gelo, você é um ativo. Fora dele, você é um problema. E não me importa quantos gols você marque — problemas são gerenciados."

Meus dedos apertam os braços da cadeira. "Gerenciados como?"

O olhar dele prende o meu. Sem piscar. "Se mais um incidente público cruzar minha mesa, você vai para o banco."

Não me mexo. Algo frio escorre por baixo das minhas costelas. "O senhor vai me tirar do jogo?"

"Estou te avisando. Considere que você está pisando no gelo mais fino possível."

Solto uma risada seca. "Qual é, treinador. Foi só uma festa."

"Foi um padrão", ele rebate. "A festa, a briga no lacrosse, o vídeo de você correndo com carrinhos de supermercado pelo centro estudantil à meia-noite, a garota chorando fora do seu apartamento, as reclamações de barulho. Chega, Nate."

Pressiono a língua contra o interior da bochecha. Ele tem razão, e é isso que dói. Tenho tratado a faculdade como se fosse uma volta olímpica de quatro anos em vez de uma entrevista de emprego.

"Eu não preciso da perfeição", diz o treinador, sua voz suavizando apenas uma fração. "Preciso de responsabilidade. Preciso que você pare de ganhar as manchetes pelos motivos errados. Se as pessoas estão falando de você, que seja porque você marcou dois gols na sexta-feira à noite."

"Eu consigo fazer isso", digo baixinho.

"Eu sei que consegue. É por isso que ainda não te expulsei do time." Ele se inclina para frente, com a expressão séria. "Não estou pedindo para você se tornar outra pessoa. Estou pedindo para parar de sabotar a pessoa que você diz querer ser."

Não há nada de engraçado a dizer sobre isso. Nenhuma tirada que faça a verdade parecer mais leve. Eu apenas aceno.

"Treino às quatro", diz o treinador, me dispensando. "Seja pontual."

"Eu sou sempre pontual."

"Você se atrasou na terça."

"O trânsito estava—"

"Nate."

"Pontual. Entendido."

Levanto-me, sentindo as pernas um pouco bambas. Antes que eu chegue à porta, ele me chama pelo nome uma última vez.

"Você é bom demais para se tornar uma história de advertência, garoto. Não deixe o barulho abafar o seu talento."

Não olho para trás, mas aceno com a cabeça uma vez.

O corredor lá fora está mais frio do que eu lembrava. Caminho em direção ao vestiário, com meu celular vibrando no bolso. Puxo-o para ver uma mensagem de Carter Grey, meu melhor amigo, colega de linha e o homem que estava dirigindo a caminhonete na qual eu estava em cima.

**Carter:** *Tá vivo? Se o treinador te matou, posso ficar com sua vaga de estacionamento?*

Solto um suspiro que é metade risada, metade gemido.

**Nate:** *Não morri. Mas a vaga continua sendo minha. Estou em condicional.*

**Carter:** *Merda. Vestiário. Agora.*

Encontro Carter sentado em seu banco, já meio vestido com seu traje de treino. Ele parece o garoto-propaganda da "energia de Golden Retriever" — loiro, atlético e sempre com um sorriso que sugere que ele acabou de se safar de algo.

"Quão ruim foi?", ele pergunta enquanto me sento no banco ao lado dele.

"Nível banco de reservas", murmuro, encarando meus patins. "Mais um 'incidente' e estou fora. Ele mencionou os olheiros. Mencionou minha mãe. Ele me chamou pelo primeiro nome, Carter. Ele usou *ênfases*."

Carter solta um assobio baixo. "Ok, então nada de banho de champanhe em cima de caminhonetes por um tempo."

"Nada de nada", digo, com o peso da reunião finalmente se assentando. "Tenho que ser 'responsável'. 'Estável'. 'Respeitável'."

Carter sorri, os olhos brilhando. "Nate Wilder respeitável? Isso vem com um suéter e uma carteirinha de biblioteca? Porque não tenho certeza se os estudantes estão preparados para isso."

"Cala a boca", digo, mas não consigo evitar um pequeno sorriso. "Estou falando sério, cara. Não posso estragar tudo."

"Eu sei", diz Carter, sua voz tornando-se inusitadamente séria por um breve momento. Ele bate no meu ombro. "Então vamos ficar na nossa. Focar na temporada. Sem festas, sem drama, sem garotas de batom e vestidos vermelhos."

"Certo. Fácil."

"Com certeza", Carter concorda, embora ambos saibamos que 'fácil' não está exatamente no nosso vocabulário. "Agora, vamos para o gelo antes que Rawlings decida vir aqui checar nossos batimentos cardíacos em busca de sinais de travessura."

Levanto-me, pegando meu equipamento. A tensão no meu peito não desaparece, mas muda de lugar. Não posso mudar o que já está na internet, mas posso mudar o que acontece a seguir. Chega de manchetes. Chega de decepções. Só hóquei.

Pelo menos, esse é o plano.