Ch 01 – Graduation
Sissi, pelo amor de Deus! Anda logo. Você não vai mesmo se atrasar para a sua própria formatura.
Resmungo baixinho, vestindo qualquer coisa que encontro ao sair do chuveiro. A Mandy está a dois segundos de invadir meu banheiro se eu não me apressar.
O resultado final? Pareço uma viciada que trocou qualquer coisa que presta pela próxima dose. Meu cabelo não está melhor. Mesmo assim, eu adoro esse corte assimétrico, com um lado raspado.
...Sério, Sissi. Como você consegue? Você parece que saiu de uma caçamba de lixo e, mesmo assim, continua arrasando.
Como se isso fosse novidade.
Tudo depende da atitude.
E de qualquer forma... vou cobrir tudo isso com uma beca, então quem se importa.

Acho que eu consegui.
Isso está acontecendo de verdade.
Quatro anos atrás, quando deixei o Canadá depois do incêndio, eu não estava buscando nada. Eu estava fugindo. Da dor. De uma cidade inteira que não sabia mais como respirar.
No fim das contas, não ter mais nada a perder te leva a lugares.
Fechei aquele capítulo. Levei tudo comigo. MBA incluso.
E hoje... é isso. O meu momento.
Estou... feliz. Mais do que pensei que estaria.
E com a Mandy aqui — minha sombra americana nos últimos quatro anos —, minha mente se distrai daqueles que não estão presentes.
A Mandy é meu oposto. Cheia de energia, barulhenta e impossível de ignorar. Eu? Eu me movo de um jeito diferente. Eu não escuto. Eu não pergunto. Eu apenas ajo.
Ela é formada em engenharia mecânica. Nunca vi ninguém tão apaixonada por passar os dias coberta de graxa e óleo de motor. Mas ela ama isso.
Eu? Escolhi algo prático. Sem vocação. Sem brilho. Apenas a sensação de que um diploma em administração pode ajudar um lugar como o meu a se reconstruir.
A cerimônia é... impressionante. Eles montaram tudo ao ar livre para que as famílias pudessem estar presentes. O gramado inteiro é um mar de becas pretas, todos nós esperando por nossos nomes.
Quando chamam o meu, subo ao palco — e não consigo evitar, eu rio.
Lá atrás, a Mandy faz uma rotina completa de líder de torcida.
Me recomponho e pego meu diploma sob aplausos educados.
Quando todos terminam, chega o momento que todos esperavam.
Capelos para o alto.
Tudo o que espero é não levar um bem no olho na descida. Esse tipo de coisa só acontece comigo... então sim, tomo cuidado.
Pego meu capelo, jogo para cima e imediatamente abaixo o olhar, esperando pelo impacto.
Nada.
Estou bem. Ainda viva.
Olho para cima.
A Mandy está ali, com os braços levantados, formando um escudo sobre mim.
Droga... eu amo essa garota.
Começamos uma dança da vitória. Pulando, levadas pela euforia ao nosso redor.
Acho que nunca me senti tão viva.
Mandy... nós conseguimos. Juntas.
Estou tão orgulhosa de nós. “Garota, nós arrasamos!”
Há um brilho nos olhos dela — intenso, feroz, impossível de não notar.
Vamos até a recepção preparada para a família e os amigos. Pego duas taças de Prosecco e entrego uma para a Mandy.
É loucura como toda essa emoção deixa a gente com sede.
Basicamente transformamos isso na nossa própria versão de Penetras Bons de Bico, circulando entre as bandejas de petiscos.
Estamos tão sincronizadas, tão vivas, que ninguém nem pensa em nos parar.
Até que eu dou de cara com uma jaqueta de couro.
E, de repente... eu travo.
Aquele perfume que eu quase tinha esquecido me atinge direto no peito.
A Mandy se vira instantaneamente, verificando se estou bem.
Eu não consigo me mover.
Ele está parado bem na minha frente.
Meu irmão. Bobby.
Eu não o vejo desde que vim para os Estados Unidos.
Ele já era grande naquela época.
Mas agora... o couro da White Ash com os emblemas. O porte sólido, a barba por fazer, o corte raspado nas laterais...
Tudo me atinge de uma vez.
Mesmo depois de todo esse tempo, ainda existe aquele mesmo toque de assimetria. A prova de que nada mudou de verdade.
Bobby...
Um sorriso se abre em suas feições marcantes e eu me jogo nos braços dele.
Ele me levanta, me gira como se fôssemos crianças de novo — e eu rio.
“Você veio. Você está aqui...”
As lágrimas vêm sozinhas.
Eu estou aqui.
Estou segurando a mão do meu irmão de um lado e a da Mandy do outro.
E isso significa... muito.
As duas pessoas que mais amo no mundo estão bem aqui comigo.
Quando finalmente volto a mim, apresento minha amiga ao meu irmão. Um olhar para o sorriso deles e, sim — eles gostam do que veem.
Encerramos o dia em uma hamburgueria que a Mandy reservou para a ocasião. Felizmente, em Nova York, adicionar mais uma cadeira não é problema quando se menciona o sobrenome Cooper.
Pelo jeito que eles se olham, percebo que estão aproveitando tanto quanto eu.
Eu não poderia ter pedido um jeito melhor de encerrar este capítulo.








