Chapter One
Alyssa
Alyssa Dartman já tinha visto muitas coisas estranhas trabalhando na recepção do Catchucumun Inn. Dentaduras perdidas. Um furão vivo. E um incidente inesquecível envolvendo uma máquina de fazer waffles e um avaliador de seguros muito arrependido.
Mas o item que estava em cima do balcão na frente dela? Aquilo era novidade. Ela encarou o objeto e depois inclinou-se levemente para a esquerda. Como se um ângulo diferente pudesse, magicamente, torná-lo... menos o que quer que fosse.
Não funcionou.
“Jackie”, disse ela lentamente, sem tirar os olhos de cima daquilo, “preciso que venha ver isto antes que eu tome uma decisão que possa me fazer ser demitida.”
Do escritório dos fundos, a voz de Jackie surgiu imediatamente. “Ah, já estou interessada. Está vivo?”
“Não.”
“Deveria estar?”
Alyssa hesitou, estudando o objeto de perto. “Acho que não.”
Aquilo foi o suficiente.
Jackie apareceu ao lado dela em segundos, com o café na mão e a curiosidade a mil. Ela deu uma olhada no objeto sobre o balcão, depois outra. Então, colocou o café na mesa com muito cuidado.
“Bem”, disse Jackie. “Isso é ou uma peça de arte moderna muito dedicada... ou alguém está tendo uma estadia significativamente mais interessante do que a nossa.”
Alyssa soltou um suspiro lento. “Eu encontrei isso no quarto 214 depois do check-out.”
“Você tocou nisso?” Havia horror em sua voz.
Alyssa hesitou, depois deu de ombros. “Com uma toalha.”
“Bom. Não somos amadoras.”
As duas encararam o objeto novamente.
Era preto, parecia macio e ajustável. Tinha uma estrutura que sugeria que definitivamente tinha uma função no quarto. Uma função que Alyssa tinha uns noventa por cento de certeza que não entendia por completo.
“Sinto que deveria registrar nos achados e perdidos”, disse Alyssa, embora seus olhos tenham demorado um segundo a mais do que o estritamente necessário.
Jackie assentiu. “Ah, com certeza. Mas em que categoria? ‘Diversos’? ‘Arrependimento’? ‘Crescimento pessoal’?”
Alyssa bufou apesar de si mesma, então fechou a boca e olhou para o saguão. Vazio, graças a Deus.
Ainda assim, ela baixou o tom de voz. “O que você acha que é?”
Jackie olhou para ela. A provocação havia sumido de seu rosto. “Você realmente não sabe?”
O estômago de Alyssa deu um nó. Ou talvez fosse seu orgulho. “Eu criei quatro filhos, Jackie. Já vi de tudo. Eu só... não tinha visto isto.”
Jackie pegou o objeto com dois dedos, examinando-o como um joalheiro inspecionando uma pedra rara. “Hum. Certo. Bem, eu tenho uns oitenta por cento de certeza...”
A porta da frente tocou. As duas deram um pulo. Jackie largou o item de volta no balcão como se estivesse pegando fogo.
Alyssa endireitou-se instantaneamente, alisando a blusa, com o cérebro voltando ao modo profissional assim que um casal entrou arrastando malas atrás de si.
“Bem-vindos ao Catchucumun Inn”, disse ela, com a voz calma, treinada e completamente normal. Como se não houvesse um objeto misterioso a dois palmos de seu cotovelo, desmoronando silenciosamente o seu entendimento sobre... várias coisas.
O casal se aproximou do balcão, sorrindo.
Jackie inclinou-se, com a voz quase num sussurro. “Vamos terminar essa conversa”, murmurou ela.
“Ah, nós não vamos, não”, Alyssa rebateu baixinho.
Mas mesmo enquanto dizia isso... Ela se pegou olhando para baixo. Como é que aquilo funcionava? O pensamento não foi convidado, mas, sendo sincera, não era de todo indesejado.
Ela desviou o olhar rapidamente, focando nos hóspedes à sua frente. Nos horários de check-in, nas chaves dos quartos e nos sorrisos educados. Coisas normais. Coisas seguras.
Ainda assim, mais tarde naquela noite, quando estava em casa e o lugar estava silencioso, e não havia ninguém por perto para ouvir, ela teve a sensação de que faria uma pergunta que nunca tinha feito em vinte e cinco anos de casamento.
E, assim que o fizesse, ela suspeitava que a resposta não seria a única coisa de que ela estivera sentindo falta.


Interesting start to your story author. I can't wait to read more😊💕
Lovely opening chapter! [1027e6f1]