the interview
Ponto de vista da Lana
As portas do elevador se abriram com um bipe suave.
Saí, sentindo meus saltos baterem no chão de mármore polido do último andar com uma confiança que eu não sentia. Parecia que eu estava entrando direto na cova dos leões.
Tudo ali gritava poder. Paredes de vidro. Iluminação fria. Um silêncio que parecia caro.
Ajeitei a alça da minha bolsa e segui em frente.
"Nome?", a recepcionista perguntou sem desviar o olhar.
Seus dedos pausaram levemente sobre o teclado quando falei, como se o sistema já estivesse esperando por ele.
"Lana Chen. Estou aqui para a entrevista para a vaga de secretária."
Uma pausa.
Então ela finalmente olhou para mim — lentamente, como se estivesse verificando algo que já existia à sua frente.
Eu odiava aquele olhar. O tipo que decidia seu valor antes mesmo de você falar novamente.
"Pode entrar", ela disse após um momento, apontando para as portas duplas. "Ele está esperando."
Ele.
Meus dedos apertaram um pouco a pasta. Eu tinha lido sobre ele antes de vir aqui.
Rowan Volkov.
CEO da Volkov Enterprises. Bilionário. Impiedoso. Intocável. Um homem que não desperdiçava palavras... ou paciência.
E, aparentemente, um homem que também não perdia tempo com entrevistas.
Empurrei as portas.
O escritório era enorme.
E, no centro de tudo — atrás de uma mesa de madeira escura —, ele estava sentado.
Rowan Volkov.
Tão bonito como sempre.
Aqueles olhos verdes eram os mesmos que eu conhecia bem demais. De perto demais. O tipo de memória que não pertencia ao presente — mas que ainda sabia como surgir na pior hora possível.
Pare, Lana. Não vá por aí.
Forcei aquele pensamento para longe.
Porque agora havia algo mais duro nele. Mais afiado. Controlado de uma maneira que fazia o ar parecer mais pesado.
Seu olhar se levantou dos documentos à sua frente.
E pousou em mim.
Silêncio.
Não foi estranho.
Foi intencional.
Como se ele estivesse esperando exatamente este momento.
Forcei-me a seguir em frente.
"Bom dia, Sr. Volkov. Estou aqui para a entrevista de secretária."
Ele não respondeu imediatamente.
Não piscou.
Não se moveu.
Então —
"Você está atrasada."
Sua voz era calma. Calma demais.
Apertei minha pasta com mais força. "Disseram-me para chegar às dez. Agora são—"
"Eu sei que horas são", ele interrompeu.
Uma pausa.
Então, ele se recostou levemente na cadeira, com os olhos ainda fixos em mim.
"Sente-se."
Uma palavra.
Não foi um pedido. Foi uma decisão já tomada.
Hesitei por meio segundo antes de sentar.
Meu coração batia forte demais nos meus ouvidos.
O olhar de Rowan não deixou meu rosto. Nem por um segundo.
Como se ele estivesse confirmando algo que só ele podia ver.
Finalmente, ele pegou minha pasta.
Não a abriu.
Apenas a segurou.
Depois, colocou-a de volta sobre a mesa.
O silêncio se prolongou novamente.
Tentei estabilizar minha respiração.
Isso era apenas uma entrevista.
Apenas um emprego.
Mas algo naquela sala não parecia um processo comum.
Parecia um resultado.
Rowan inclinou-se levemente para frente.
"Lana Chen", ele disse lentamente, como se estivesse testando um nome que ele já conhecia.
"Sim", respondi.
Outra pausa.
Então —
"Você está contratada."
Por um segundo, meu cérebro travou. "Como disse?"
Ele se levantou.
Apenas o movimento mudou a atmosfera da sala.
"Eu disse", repetiu ele, com a voz mais baixa, "você está contratada."
Franzi a testa. "Sr. Volkov, acho que o senhor não está entendendo. Há outros candidatos. O senhor não me perguntou nada."
“Não existem outros candidatos.”
Aquilo me fez ficar estática.
“O quê?”
Os olhos dele permaneceram nos meus.
“Sua ficha foi a única que eu aprovei.”
Um calafrio percorreu o meu corpo.
“Não é assim que a contratação funciona.”
“Não”, ele concordou simplesmente. “Não para a maioria das pessoas.”
Levantei-me agora, recusando-me a deixar isso passar. “Eu não aceito isso.”
Algo mudou na expressão dele com aquilo.
Não foi surpresa.
Foi reconhecimento.
Como se ele estivesse esperando exatamente por essas palavras.
“Interessante”, ele disse calmamente.
“O quê é?”
Rowan inclinou a cabeça levemente.
E, pela primeira vez, sua voz mudou.
Não ficou mais suave.
Ficou mais pessoal.
“Continuando a fugir quando as coisas não saem do seu jeito.”
Meu estômago deu um nó.
Aquilo não parecia um CEO falando com uma candidata.
Aquilo parecia...
Não.
Afastei o pensamento imediatamente.
“Não sei do que você está falando”, eu disse cautelosamente.
Um sorriso fraco e sem humor tocou seus lábios.
“Não”, ele concordou. “Você não sabe.”
Silêncio novamente.
Mas este parecia mais pesado.
Ele caminhou de volta para sua mesa, pegou uma caneta e assinou algo sem desviar o olhar de mim.
“Seu contrato”, ele disse. “Secretária. Com efeito imediato.”
Eu o encarei. “Este não é o procedimento normal.”
“Não”, ele disse. “Não é para ser.”
Prendi a respiração por um instante. “Eu me recuso.”
Aquilo o fez parar de escrever.
Lentamente, ele pousou a caneta.
E olhou para mim de verdade.
Olhou para mim de verdade.
“Você veio aqui por um emprego”, ele disse.
“Eu vim aqui para uma entrevista”, corrigi.
Uma pausa.
Então...
“Você precisava de estabilidade”, ele disse calmamente. “Eu precisava de uma secretária. Problema resolvido.”
“Não é assim que as pessoas tomam decisões.”
Rowan deu um passo à frente.
Um passo.
Depois outro.
Até que o espaço entre nós parecesse estruturado demais para ser acidental.
“Você sempre costumava ser mais corajosa quando se tratava de me recusar.”
Aquela frase atingiu algo enterrado bem fundo.
Algo que eu tinha trancado a sete chaves e jurado não abrir.
Minha garganta apertou. “Acho que você está me confundindo com outra pessoa.”
Uma pausa.
A expressão dele vacilou — algo afiado passou por ela.
Então desapareceu.
“Você está contratada”, ele disse novamente, mais frio agora.
Eu balancei a cabeça. “Não vou aceitar isso.”
“Eu não dou opções às pessoas quando já sei o resultado.”
“Não é assim que o mundo funciona.”
Ele se virou levemente, com a voz baixa.
“No meu, funciona.”
O silêncio se estendeu entre nós.
Pesado.
Controlado.
Intencional.
Então ele colocou o contrato na ponta da mesa.
“Leia”, ele disse. “Assine. Ou não.”
Os olhos dele prenderam os meus.
“Mas você vai perceber muito rápido”, ele acrescentou, “que me recusar nunca mudaria o resultado.”
Meu pulso acelerou.
Porque, pela primeira vez desde que entrei...
Entendi que algo estava errado.
Não com o emprego.
Não com a entrevista.
Com o fato de que Rowan Volkov não estava decidindo nada hoje.
Ele estava confirmando.
E de alguma forma...
Eu já fazia parte da decisão dele muito antes de eu entrar nesta sala.









The story lines are quite good and you have nice thoughts through the chapter I really enjoyed 🙂
very nice start of the story
She really just walked into his cage! interesting i wanna read more!