COURO E SANGUE 🖤🔪 (Um Dark Romance de MC)

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Resumo

"É isso que você ganha", ele rosnou, com a boca junto ao ouvido dela, seu corpo pressionado contra as nádegas nuas dela. "Por sussurrar coisas no meu ouvido na frente dos meus irmãos. Por me deixar excitado na mesa de guerra. Por chamar o comboio do meu clube de desfile." A mão dele desceu com força sobre as nádegas dela. O som ecoou pelo covil vazio — um estalo seco e satisfatório que a fez arfar e arquear as costas. "Essa é uma", ele disse. "Você está contando?" "Contando. Mantendo o registro. Cada vez que você chamar de desfile, eu adiciono mais uma." A chuva caía em vendaval quando o carro dela pifou na pior parte de Blackridge. A Dra. Maya Vossler saiu de sua Mercedes usando uma blusa de seda e uma saia lápis, o salto clicando contra o concreto molhado, seus olhos cor de tempestade varrendo a garagem dos Iron Vipers como se estivesse calculando exatamente quanto aquele inconveniente lhe custaria. Ela tinha trinta e cinco anos, era brilhante, intocável — uma professora de economia concursada que construiu muros tão altos que ninguém conseguia escalá-los. Então, Onyx saiu da baia. Um metro e noventa e seis de altura. Cento e vinte quilos de músculos e tatuagens. Presidente do MC Iron Vipers. Ele deu uma única olhada na blusa encharcada dela, colada em curvas que deixaram sua boca seca, e decidiu que ela seria dele. Ela o chamou de garotinho. Disse para ele procurar mulheres da sua própria idade. Pagou a conta integralmente e foi embora como se ele não fosse nada. Agora, ele não consegue parar de segui-la. Observá-la. Aprender seus padrões — as noites tardias corrigindo provas, as viagens solitárias, o jeito que ela bebe sozinha no carro porque não suporta entrar em seu apartamento vazio. Ela está escondendo algo. Sofrendo por algo. Carregando cicatrizes que fazem as mãos dele coçarem para segurá-la. Ele não se importa que ela seja mais velha. Não se importa que ela seja fria. Não se importa que ela tenha ameaçado matá-lo duas vezes. Ele vai se casar com ela. Ela só não sabe disso ainda.

Status
Completo
Capítulos
66
Classificação
4.9 15 avaliações
Classificação Etária
18+

DRENCHED

🖤🔪🏍️UM AVISO ANTES DE COMEÇAR🏍️🔪🖤

Esta não é uma história delicada.

Esta é a história de um homem que viu uma mulher na chuva e decidiu que ela era dele antes mesmo que ela dissesse uma única palavra.

Ele não é um herói. Ele não pode ser redimido. Ele não sente muito.

Ela não é frágil. Ela não está esperando para ser salva. Ela não é sua.

Esta é uma história sobre uma obsessão que não pede desculpas.

Isto é Leather and Blood. Isto é Onyx e Maya. Isto é o que acontece quando uma força imparável encontra um objeto inabalável—e nenhum dos dois pisca.

🖤Leia por sua conta e risco.🔪Apaixone-se no seu próprio ritmo.🏍️Mas saiba disto: uma vez que você entra em Blackridge, não sai a mesma pessoa.





ONYX

A chuva caía em bicas, martelando o telhado de metal corrugado da Iron Vipers Auto como mil punhos furiosos. Dentro da garagem principal, o ar estava denso com o cheiro de óleo de motor, fumaça de cigarro e couro molhado — o perfume permanente do Den. Luzes fluorescentes zumbiam acima, projetando sombras duras sobre o piso de concreto onde três motos estavam em diferentes estados de reparo.

Onyx estava perto da caixa de ferramentas, com os braços cruzados sobre o peito largo. Sua camisa térmica preta esticava sobre ombros capazes de bloquear portas, as mangas arregaçadas revelando antebraços cobertos por tinta escura — o motivo da serpente enrolada dos Vipers serpenteando por nuvens de tempestade abstratas. Com um metro e noventa e seis e cento e dezoito quilos de músculos endurecidos, ele era o tipo de homem que fazia os ambientes parecerem menores apenas por existir. O brasão de Presidente em seu colete refletiu a luz quando ele mudou o peso do corpo.

“O tempo está uma merda hoje à noite”, resmungou Knox da bancada de trabalho, limpando a graxa das mãos com um pano vermelho que já tinha visto dias melhores. O Vice-Presidente era mais magro que Onyx — ainda perigoso, ainda tatuado, mas com os olhos calmos e calculistas de um homem que aprendeu a ter paciência da maneira mais difícil. Aos trinta e quatro anos, Knox Calder era o braço direito de Onyx há seis, e ele nunca havia levantado a voz. Ele não precisava.

“O último carro que veio aqui parecia um rato afogado”, continuou Knox. “O carburador estava cheio de água. O moleque não sabia distinguir a própria bunda de uma vela de ignição.”

“O moleque é um idiota”, gritou Ronan do fundo, onde ele estava fazendo supino com o que parecia ser meia motocicleta. O irmão mais novo de Onyx foi feito do mesmo molde brutal — um metro e noventa, cento e cinco quilos, com um pavio mais curto e uma boca maior. Seu brasão de Sargento de Armas ainda era novo o suficiente para brilhar. “Deveria ter deixado ele ir a pé. Cria caráter.”

“Você foi a pé várias vezes”, disse Maddox, sorrindo de onde estava sentado, em cima de um tambor de óleo virado. Madd Kane — vinte e oito anos, barulhento, rápido com uma piada e mais rápido ainda com os punhos quando a situação exigia — era o tipo de irmão que te faria rir momentos antes de te ajudar a esconder um corpo. “Lembra daquela vez que sua moto morreu perto do rio e você teve que pegar carona com aquele velho fazendeiro?”

“Aquele fazendeiro era um psicopata do caralho”, grunhiu Ronan, guardando o peso. “Falou das cabras dele por quarenta minutos.”

“Você ama cabras agora”, retrucou Maddox.

“Eu tolero cabras. Existe uma diferença.”

Onyx os ignorou, com seus olhos escuros escaneando o monitor de segurança fixado na parede. As câmeras mostravam o pátio da frente — vazio, exceto pela chuva — e o beco lateral onde os aspirantes provavelmente estavam fumando no espaço seco sob o toldo. O movimento estava constante, apesar do tempo. As pessoas em Blackridge não paravam de quebrar apenas porque o céu decidia afogá-las. Na verdade, a chuva piorava as coisas. Alternadores queimavam. Motores inundavam. Idiotas dirigiam para dentro de poças que eram, na verdade, sumidouros.

Tate Wilder estava fazendo o turno da noite, mais quieto que os outros, como sempre. Com trinta e três anos, Tate era o que o clube tinha de mais próximo de um homem de família — guardava uma foto da mulher e do filho no quebra-sol da picape, não festejava tanto quanto os membros mais jovens, mas aparecia quando era preciso. Ele estava embaixo de um sedã agora, apenas as botas visíveis, soldando algo que soltava faíscas azul-esbranquiçadas na baia escura.

“Ei, Prez”, disse Maddox, acendendo um cigarro apesar das seis placas que proibiam. “Você vai ficar encarando essa tela a noite toda ou vai beber a cerveja que eu abri para você dez minutos atrás?”

Onyx olhou para a garrafa suando na bancada. “Já está quente.”

“Está na temperatura ambiente. Isso é elegante. Os europeus bebem assim.”

“Não estamos na Europa, seu merda.”

“Poderíamos estar. Você não conhece minhas aspirações.”

Elias Crowe entrou vindo do escritório dos fundos, carregando um tablet e com a expressão franzida de quem passou tempo demais olhando para planilhas. O Tesoureiro do clube tinha quarenta e um anos, era ex-contador e ainda parecia que ficaria mais confortável de gravata do que com um colete. Mas ele estava com os Vipers há doze anos, e os números dele eram mais limpos do que qualquer um que Onyx já tivesse conhecido.

“Prez”, disse Elias, tocando na tela. “O pedido de peças para a reforma do Jeep ficou abaixo do orçamento. Consegui um desconto na transmissão.”

“Quanto abaixo?”

“Oitocentos.”

“Bom. Coloque no fundo de contingência.”

Elias assentiu, fazendo uma anotação. “Ah, o Jax ligou. Ele está a umas duas horas daqui. A viagem foi tranquila.”

Jax Thorn — Capitão de Estrada, trinta e dois anos, carismático para caralho e duas vezes mais imprudente. Ele cuidava do transporte do lado legítimo do clube, carregando peças personalizadas de um fornecedor a dois estados de distância. As viagens na área cinzenta aconteciam com menos frequência hoje em dia, mas ainda aconteciam. Onyx confiava que Jax manteria a boca fechada e a cabeça no lugar.

“Diga a ele para se apresentar quando voltar”, disse Onyx. “O Brock está com ele?”

“Não, o Brock está resolvendo aquela parada no norte.”

Aquela parada. Onyx grunhiu. Brock Vale era o Executor do clube — um metro e noventa e oito, silencioso, construído como um muro de concreto e absolutamente aterrorizante quando precisava ser. Se Brock estava resolvendo algo, estava resolvido. Ponto final.

Finn Rourke apareceu da sala de tecnologia, esfregando os olhos. O Secretário tinha vinte e nove anos, era o membro mais novo com brasão, e ele tinha transformado um depósito em um esquema de vigilância que impressionaria a NSA. “Ei, Prez, consegui aquele antecedente que você queria sobre o vereador. Nada de loucura ainda, mas estou investigando.”

“Continue investigando.”

“Sempre.”

Os sensores da porta da garagem dispararam.

Todas as cabeças se viraram.

Faróis cortaram o temporal — luzes de LED brilhantes, limpas e caras que não pertenciam àquele distrito industrial. Um sedã de luxo preto e elegante, a engenharia alemã em seu auge de arrogância, entrou lentamente no pátio. Ele hesitou na entrada, como se o motorista estivesse repensando cada escolha de vida que a levara àquele momento, e então parou sob o toldo com um tranco lento.

O motor deu um último suspiro patético antes de morrer completamente.

Maddox soltou um assobio baixo. “Quem caralhos é essa?”

Onyx não respondeu. Ele já estava caminhando em direção à porta aberta da garagem, atraído como um ímã, a cerveja esquecida na bancada.

A chuva não tinha diminuído. Ela martelava o toldo, caindo das bordas em cortinas prateadas. Os limpadores de para-brisa do sedã tinham congelado no meio do movimento. Por um longo momento, nada aconteceu.

Então, a porta do motorista se abriu.

Um guarda-chuva transparente floresceu primeiro — delicado, impraticável, do tipo que existia mais pela estética do que pela proteção real. Então, uma perna longa e tonificada surgiu.

Salto agulha preto. O tipo de salto que custava mais do que o aluguel mensal de muita gente. Ele clicou contra o concreto molhado como um desafio.

A segunda perna seguiu.

Ela saiu do banco baixo com a graça de alguém que se recusava a ser incomodada pelo clima, pela quebra do carro ou pelo mundo em geral. Um metro e setenta com aqueles saltos, talvez um metro e sessenta descalça. A blusa de seda malva que vestia grudava nela como uma segunda pele, com as gotas de chuva tornando o tecido translúcido em partes onde o guarda-chuva não cobria. Esticava-se sobre seios cheios e altos que pressionavam os botões de pérola a cada respiração. Uma saia lápis preta sob medida abraçava seus quadris e bunda como se tivesse sido costurada em seu corpo, parando logo acima dos joelhos; a fenda atrás oferecia um vislumbre provocante de coxa macia e a borda de renda de uma meia a cada passo.

Seu cabelo azul-azeviche estava preso em um rabo de cavalo alto e elegante que balançava como seda líquida nas costas. A chuva já tinha começado a escapar da cobertura do guarda-chuva, colando mechas em suas têmporas e maçãs do rosto. Os óculos — armações pretas finas, de grife, que provavelmente custavam tanto quanto uma moto usada — pousavam em seu nariz, dando-lhe o ar de uma mulher que poderia declarar seu imposto de renda e arruinar sua vida simultaneamente.

E aquele rosto.

Maçãs do rosto afiadas que poderiam cortar vidro. Lábios cheios pintados de um vermelho profundo e caro — o tipo de vermelho que não borrava, não desbotava, não pedia desculpas. Pele pálida que parecia nunca ter visto um dia de trabalho braçal na vida. Olhos cinza-esverdeados tempestuosos, semicerrados, pesados, o tipo de olhar que fazia homens esquecerem o próprio nome.

Ela escaneou a garagem com uma precisão entediada, passando da caixa de ferramentas para as motos e para os homens reunidos, catalogando tudo e descartando tudo no mesmo suspiro. Como se já estivesse calculando quanto aquele inconveniente lhe custaria em tempo e aborrecimento. Como se todos fossem apenas linhas em um relatório de despesas.

Onyx sentiu aquilo lá no fundo. Um soco de luxúria crua tão repentino e violento que seu pau latejou forte contra a frente de seu jeans.

“Puta que pariu”, resmungou Ronan em algum lugar atrás dele. “Aquilo não é uma mulher. Aquilo é um problema do caralho.”

“Cala a boca”, disse Onyx, sem olhar para trás.

Ela fechou o guarda-chuva com um estalo seco e caminhou em direção a eles, os saltos clicando com confiança apesar do concreto escorregadio pela chuva. A água formava gotas em sua pele pálida e deslizava pela coluna elegante de sua garganta, desaparecendo sob a gola da blusa. Cada centímetro dela gritava dinheiro, classe e gelo tão espesso que poderia cortar vidro. Ela andava como se fosse dona de cada ambiente em que entrava — e como se soubesse, com absoluta certeza, que aquela garagem e todos ali eram inferiores a ela.

No entanto, ali estava ela. Na pior parte de Blackridge. Na chuva. Em um carro que claramente tinha desistido da vida.

“Boa noite”, disse Onyx, dando um passo à frente na chuva, o suficiente para que gotas começassem a escorrer por seu cabelo preto curto e pela tinta em seu pescoço. Sua voz saiu mais rouca do que o pretendido, raspando o peito. “Parece que você escolheu uma noite do inferno para quebrar, querida.”

O olhar dela subiu para o rosto dele.

Lentamente. Deliberadamente. Aqueles olhos de sereia viajaram desde suas botas — pesadas, com biqueira de aço, marcadas por anos de abuso — até o topo de sua estrutura massiva. Eles pararam por um segundo breve no brasão de Presidente costurado em seu colete, depois na serpente dos Vipers enrolada em seu antebraço e, finalmente, se fixaram em seu rosto com um distanciamento clínico.

Ela arqueou uma sobrancelha perfeitamente esculpida.

“Estou ciente”, disse ela, sua voz suave como uísque gelado, curta e precisa. “O carro deixou isso bem óbvio quando parou de funcionar.”

Sem medo. Sem sorriso nervoso. Sem cílios trêmulos ou risadinhas ofegantes. Apenas palavras frias e desdenhosas envoltas em veludo.

Atrás de Onyx, Maddox engasgou com alguma coisa — provavelmente a própria língua.

Onyx sorriu, lento e predatório. O tipo de sorriso que geralmente fazia as pessoas recuarem. Ela não recuou. “Meu nome é Onyx. Esta é minha garagem. Iron Vipers Auto.” Ele apontou o polegar para a baia. “Tragam ela para dentro, rapazes. Vamos ver com o que estamos lidando.”

Os rapazes não se moveram imediatamente. Eles ainda estavam encarando.

“Agora”, Onyx acrescentou, e o corte em sua voz fez com que eles se apressassem.

Ela não se moveu em direção à garagem. Em vez disso, ela o estudou novamente, aqueles olhos semicerrando-se levemente atrás das armações caras. A chuva escorria pelo guarda-chuva que ela tinha colocado sob o braço, pingando em seus sapatos — sapatos que provavelmente custavam mais do que o alternador que ela estava prestes a precisar.

“Quanto tempo?” perguntou ela.

“Depende do que houver.” Onyx limpou as mãos no pano enfiado no cinto, um movimento que tensionou cada músculo de seus antebraços. “Pode levar trinta minutos. Pode levar algumas horas. Você pode esperar lá dentro. Se secar.” Ele deixou o olhar cair deliberadamente — primeiro para a boca dela, depois mais baixo, demorando-se na forma como a seda molhada grudava em seus seios, e então arrastando-o de volta para encontrar os olhos dela. “Vou cuidar muito bem de você.”

Um minúsculo sorriso condescendente curvou aqueles lábios vermelhos. Não chegou aos olhos. “Encantador. De verdade. Mas esperarei perto do carro.”

Ela se virou, descartando-o com tanta facilidade como se ele fosse um aspirante que esqueceu de encher a cafeteira.

Knox deu uma risadinha por baixo da respiração. Um som baixo e conhecedor.

Maddox riu alto. “Puta merda”, ele sibilou. “O Prez acabou de ser—”

“Termine essa frase”, disse Onyx, sem olhar para ele, “e você estará limpando a armadilha de graxa com uma escova de dentes.”

Maddox se calou.

Onyx deu um passo à frente, invadindo o espaço dela o suficiente para testá-la. Ela tinha aberto o capô e estava olhando para o motor como se soubesse do que estava falando. De perto, ela cheirava a jasmim frio e algo mais escuro — vetiver, talvez, terroso e caro. Viciante. A chuva tinha colado algumas mechas daquele cabelo azul-azeviche na nuca dela, e uma gota estava escorrendo, desaparecendo sob a gola.

Ele observou o caminho com um foco faminto. Suas mãos coçavam para segui-la.

“Tem certeza?” ele perguntou, a voz baixando. “Tenho café lá dentro. Uísque também, se a chuva te deixou com frio. O aspirante faz um sanduíche decente.”

“Estou bem.” Ela não desviou o olhar do motor. “É improvável que as habilidades do seu aspirante em fazer sanduíches me tentem.”

“Minha cama está quente.”

As palavras pairaram no ar. Cruas. Diretas. Um teste.

Ela se endireitou lentamente, empurrando os óculos no nariz com um dedo elegante. O movimento foi preciso, professoral, e de alguma forma mais devastador do que qualquer sedução que ele já tinha visto. Aqueles olhos semicerrados encontraram os dele sem hesitar.

“Se isso pretende me impressionar”, disse ela friamente, “você precisará se esforçar consideravelmente mais. Ou melhor ainda, não se esforce. Apenas conserte meu carro.”

A risada de Ronan ecoou pela oficina. “Ela está te destruindo, Prez!”

Onyx lançou ao irmão um olhar que prometia violência mais tarde. Depois, voltou-se para ela, inabalável. Na verdade, a rejeição o deixou ainda mais excitado. “Dra. Vossler”, ele disse com lentidão, saboreando o título. Ele tinha notado o adesivo de estacionamento da universidade no para-brisa dela — corpo docente, vaga privilegiada, o tipo que vinha com a estabilidade no cargo. “Você não é daqui, não é?”

“O que te deu essa ideia?” ela perguntou com ironia, apontando para sua blusa de seda arruinada e o carro de luxo. “O fato de eu claramente não estar vestida para uma oficina de desmanche?”

“Isso não é uma oficina de desmanche”, ele corrigiu, com a voz mais grave. “Isso é um negócio legítimo.” Uma pausa. “Na maior parte.”

Os lábios dela contraíram-se — o mais próximo de um sorriso real que ele tinha visto. Desapareceu num instante, mas ele tinha notado. “Que tranquilizador.”

Ela pegou o celular para ver as horas. O movimento fez seu rabo de cavalo balançar, espesso e sedoso, e Onyx imaginou enrolar aquele cabelo em seu punho enquanto a curvava sobre o capô do próprio carro. A imagem era tão vívida que ele precisou mudar de posição.

“O alternador fritou”, anunciou Tate, emergindo debaixo do capô. Ele estava fazendo o diagnóstico em silêncio enquanto Onyx estava ocupado bancando o idiota. “A fiação está toda comida. Provavelmente um roedor. Parece que já está assim há um tempo.”

Ela suspirou — uma expiração pequena e controlada que, de alguma forma, transmitia mais exasperação do que gritar teria feito. “Eu tinha notado os barulhos.”

“E você não... mandou verificar?” Maddox perguntou, incrédulo.

“Eu estava ocupada.”

“Ocupada fazendo o quê? Cirurgia cerebral?”

“Dando aula de econometria avançada”, ela disse secamente. “O que, eu garanto a vocês, exige mais precisão do que diagnosticar um problema com roedores.”

Maddox piscou. “Econo-o quê?”

“Matemática”, Elias explicou da porta, ainda segurando seu tablet. “Matemática complicada. Com gráficos.”

“Obrigada pela tradução”, ela disse, e desta vez o tom foi tão seco que praticamente absorveu a umidade do ar.

Elias pareceu vagamente satisfeito. Onyx lhe lançou um olhar que dizia não se acomode.

“Quanto tempo para consertar hoje?” Onyx perguntou a Tate.

Tate limpou a testa, deixando uma mancha de graxa. “Trocar o alternador é rápido. A fiação vai demorar mais. Uma hora, talvez duas se eu tiver que refazer o chicote.”

“Faça.”

“Eu tenho outros carros—”

“Faça agora”, disse Onyx, e seu tom não deixou espaço para discussão. Tate deu de ombros e começou o trabalho.

Ela observou a troca com aqueles olhos cinza-esverdeados indecifráveis. “Eu não pedi atendimento prioritário.”

“Não precisou.”

“Não vou pagar a mais por isso.”

“Não pedi que pagasse.”

Ela o estudou por um longo momento. Ele sentiu isso como um peso físico — toda a força da atenção dela, fria e calculista. Então ela tirou a carteira, um acessório de couro preto elegante que combinava com o carro, e extraiu um cartão de crédito. Preto. O tipo sem limite.

“Vou pagar agora”, ela disse. “Preço cheio. Sem favores, sem descontos.”

“Doutora—”

“Dra. Vossler”, ela corrigiu, deslizando o cartão para a mão dele. Os dedos dela não rocaram os dele. Deliberadamente, ele suspeitou. “Não aceito coisas de homens. Nem elogios. Nem favores. E certamente não descontos. Guarde sua caridade, Onyx.”

Ela disse o nome dele como se estivesse provando algo desconhecido. Não necessariamente desagradável. Apenas... estranho.

Onyx processou o cartão, principalmente para poder observá-la enquanto Elias terminava a operação. Ela estava parada perto do carro, com os braços cruzados sob os seios — uma pose que não escondia nada do quão espetaculares eles eram — e encarava a chuva. Sua expressão era indecifrável, mas seus ombros estavam tensos. Cansados.

Ela parecia uma mulher que não relaxava há anos.

“Recibo?” ele perguntou.

“Mande por e-mail.”

“Preciso do seu e-mail.”

Ela o ditou rapidamente sem olhar para ele. Endereço da universidade. [email protected]. É claro.

O conserto levou uma hora e quarenta minutos. Tate trabalhou com eficiência, trocando o alternador e remendando o chicote onde os roedores tinham roído o isolamento. O resto do clube voltou para suas tarefas, mas continuavam roubando olhares para ela. Ela tinha tirado um tablet da bolsa — de couro, caro, provavelmente italiano — e rolava algo que parecia planilhas, ignorando-os completamente.

Onyx não conseguia parar de olhar para ela.

Ela tinha se posicionado contra a parede, logo dentro da baia, onde a chuva não podia alcançá-la. As luzes fluorescentes pegavam o brilho azulado-escuro de seu cabelo. Sua blusa tinha secado em manchas, mas a seda ainda estava amarrotada pela chuva, colando-se em suas curvas toda vez que ela se mexia. A fenda na saia lápis abria levemente quando ela cruzava os tornozelos, revelando mais daquela meia de renda.

A certa altura, ela olhou para cima e o pegou encarando-a.

“Viu algo que gostou?” ela perguntou, sem tirar os olhos do tablet.

“Talvez.”

“Então você tem um gosto excelente e pouco controle de impulsos.”

Ronan engasgou com a cerveja do outro lado da oficina. Maddox deu um tapa no joelho. Até Knox deu um sorriso genuíno.

Onyx desencostou da parede e foi até ela. Parou perto — perto demais para ser educado, perto demais para ser seguro — e olhou para ela. Ela teve que inclinar a cabeça para trás para encontrar seus olhos, e fez isso sem um pingo de intimidação.

“Sabe”, ele disse, com a voz baixa e áspera, “a maioria das mulheres na sua posição ficaria grata pela ajuda. Talvez até facilitasse um pouco as coisas.”

“Eu não sou a maioria das mulheres.”

“É. Eu notei.”

Ela sustentou o olhar dele por três segundos inteiros. Então disse, com total indiferença: “Se comporte, garotinho. Você deveria estar atrás de mulheres da sua idade.”

A garagem ficou em silêncio.

Um silêncio absoluto e cortante. Até a chuva pareceu pausar.

Maddox quebrou primeiro. Ele se curvou, ofegante, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ronan bateu na caixa de ferramentas com tanta força que ela chacoalhou. Elias parecia ter engolido a própria língua. Tate teve que parar de soldar porque estava rindo demais para segurar o maçarico firme.

Knox apenas balançou a cabeça lentamente, um sorriso puxando o canto da boca. “Prez”, ele disse, quase com pena. “Você caiu direitinho nessa.”

Onyx olhou para ela, atordoado pela primeira vez em anos. “Garotinho?” Ele deu um passo ainda mais próximo, perto o suficiente para que ela tivesse que esticar o pescoço para trás. Ele era um bom tanto mais alto que ela de salto — uma montanha de músculos, tatuagens e agressividade mal contida. “Quantos anos você acha que eu tenho, Doutora?”

Ela deu de ombros, completamente despreocupada. “Vinte e cinco? Vinte e seis?”

“Tenho trinta.”

“Parabéns.” Aquele sorrisinho condescendente estava de volta, curvando seus lábios vermelhos. “Tenho trinta e cinco. Tente acompanhar.”

Trinta e cinco.

Cinco anos mais velha que ele.

O pau de Onyx latejou tão forte que ele precisou mudar de posição. Sua mente foi inundada por imagens — ela curvada sobre sua moto, ela espalhada em sua cama, ela cavalgando devagar enquanto aqueles olhos semicerrados permaneciam frios e desafiadores. Ela era mais velha. Mais inteligente. Mais fria que a porra da chuva. E olhando para ele como se fosse um filhote divertido que acabara de aprender um truque novo.

Ele nunca tinha desejado foder alguém tanto em toda a sua vida.

“Você está mentindo”, ele disse.

“Por que diabos eu mentiria?” Ela ajeitou os óculos novamente, um gesto que ele estava começando a reconhecer como pontuação. “Você acha que ganho benefícios fiscais por alegar ser mais velha do que pareço? Não tem desconto de idoso em alternadores.”

“Ela tem razão”, disse Maddox, ainda ofegante.

“Cala a boca, Madd.”

“Só estou dizendo—”

“Vou te rebaixar para prospect. Vou te fazer limpar banheiros com uma escova de dentes. Eu vou—”

“Prez.” A voz de Knox cortou, calma e firme. “O carro está quase pronto.”

Onyx forçou-se a dar um passo atrás. Por pouco.

Ela observou o recuo dele com aqueles olhos indecifráveis, depois voltou sua atenção para o tablet como se ele nunca a tivesse interrompido. Seus polegares se moviam pela tela, abrindo o que parecia ser um critério de notas. Ele teve um vislumbre de nomes de alunos e colunas de porcentagem.

“Você está corrigindo provas”, ele disse, incrédulo. “Agora mesmo. Em uma garagem. Às onze da noite.”

“Prazos não respeitam falhas automotivas.”

“Você é louca.”

“Tenho estabilidade”, ela corrigiu. “Há uma diferença.”

Tate anunciou que o conserto estava concluído alguns minutos depois. Ele tinha trocado o alternador, remendado a fiação e até completado o fluido do limpador porque ele era um ser humano decente. Ela inspecionou o trabalho brevemente, assentiu uma vez e deslizou para o banco do motorista.

O movimento ergueu sua saia lápis, revelando as pontas de renda de suas meias e um lampejo de coxa pálida. O maxilar de Onyx travou tanto que seus dentes doeram.

Ela abaixou a janela. O motor ronronou, suave e perfeito.

“Obrigada pelo conserto”, ela disse, educada e distante. Seu olhar passou pelo emblema de Presidente no colete dele e voltou ao rosto dele. “Boa noite, Onyx.”

“Boa noite, Dra. Vossler.”

O carro partiu, as lanternas traseiras brilhando em vermelho através da chuva. Eles observaram até que as luzes desaparecessem na esquina, engolidas pelo labirinto de fábricas e armazéns do distrito industrial.

Onyx ficou parado na garoa muito depois de ela ter ido embora. A chuva encharcou seu colete, sua blusa térmica, seu jeans. Ele não se moveu.

Knox apareceu ao seu lado, batendo a mão em seu ombro. “Prez... você está em muita, muita merda com aquela ali.”

“Ela tem trinta e cinco anos”, disse Onyx, ainda encarando a rua vazia.

“Eu ouvi.”

“Ela me chamou de garotinho.”

“Também ouvi isso.”

“Ela olhou para mim como se eu não fosse nada. Como se eu fosse uma mancha de graxa no sapato dela.”

Knox suspirou. “Onyx—”

“Eu vou me casar com ela.”

Silêncio.

Então Maddox, de algum lugar atrás deles: “Eu avisei. Dez dólares, Ronan. Acerta aí.”

“Eu não fiz essa aposta!”

“Você deu a entender. Apostas implícitas são vinculativas.”

Knox apertou o ombro de Onyx. “Você não vai se casar com ela. Você vai persegui-la por três meses, ela vai te estripar com essa língua afiada, e só então você vai se casar com ela. Existe um processo.”

Onyx finalmente se virou para longe da rua vazia. Seus olhos escuros estavam queimando, fixos em alguma distância que só ele podia ver. “Finn.”

Finn materializou-se ao seu cotovelo como um fantasma prestativo. “Sim, Prez?”

“Dra. Maya Vossler. Universidade Blackridge. Departamento de economia. Quero tudo. Onde ela mora, onde trabalha, o que dirige quando este carro está na oficina, o que bebe, o que come, com quem fala. Cada porra de detalhe.”

“Isso é... uh...” Finn hesitou. “Isso é meio invasivo, Prez.”

Onyx se virou para olhar para ele.

Finn engoliu em seco. “Tudo. Entendido. Me dê vinte e quatro horas.”

“Doze.”

“Doze. Sim. Estou nisso.”

Finn correu de volta para sua caverna de vigilância. Onyx pegou o celular, já abrindo o diretório de professores da universidade. O rosto dela apareceu na tela — foto profissional, os mesmos óculos, a mesma expressão afiada. Dra. Maya Vossler. PhD em Economia. Estável. Publicou em quatorze periódicos. Horário de atendimento às terças e quintas.

“Prez”, disse Ronan, aparecendo do seu outro lado. Seu tom era incomumente sério. “Tem certeza disso? Ela não é exatamente... amigável.”

“Ela é perfeita.”

“Ela é assustadora.”

“É.” A boca de Onyx se curvou num sorriso sombrio. “Ela é.”

Ele caminhou de volta para a garagem, a chuva pingando de seu colete no chão de concreto. Os rapazes abriram caminho ao redor dele, trocando olhares. Eles já tinham visto Onyx interessado antes. Já o tinham visto transar, brigar, beber e enfurecer-se. Nunca o tinham visto assim.

Quieto. Focado. Obcecado.

Knox encontrou Elias perto da máquina de café. “Vamos precisar de um bolão de apostas.”

“Em quê?”

“Quanto tempo até ela ou entrar com uma ordem de restrição ou se apaixonar por ele.”

Elias considerou isso. “Pode ser os dois?”

“Provavelmente.”

“Vou montar. Probabilidades padrão?”

“Não, faça as apostas arriscadas valerem a pena. Essa vai ser uma jornada e tanto.”

Na sala de tecnologia, Finn já estava puxando registros de propriedade, contas de redes sociais e bancos de dados do Detran. A vida da Dra. Maya Vossler espalhava-se por suas telas em linhas digitais organizadas. Endereço no Riverfront Terrace. Cobertura. Sem antecedentes criminais. Sem infrações de trânsito. Ex-marido — um advogado chamado Damien Hale, grande acordo de divórcio três anos atrás. Uma irmã, Mila. Pais em Connecticut.

“Ela é limpa”, Finn murmurou para si mesmo. “Limpa demais. Qual é o seu problema, Dra. Vossler?”

Ele continuou cavando.

Na baia principal, Onyx pegou a cerveja morna que Maddox tinha aberto para ele uma hora atrás. Deu um longo gole, ainda sentindo o sabor frio de jasmim e vetiver no fundo da garganta.

Trinta e cinco. Mais velha que ele. Mais inteligente que ele. Mais cruel que ele.

E ela tinha olhado para ele como se ele não fosse nada.

Ele ia fazer com que ela olhasse para ele de um jeito diferente. Ele ia quebrar aquele gelo e descobrir o que havia por baixo. Ele ia fazê-la gritar seu nome até que sua voz se esgotasse.

“Em breve, Doutora”, ele murmurou para a garagem vazia, com a chuva ainda batendo no telhado acima. “Muito em breve.”