Prólogo
“Me dê um motivo porra para não te matar.” Arrepios subiram pela pele deles por causa do terror puro em sua voz. Não era a primeira vez que Helios fazia algo assim, mas eles nunca deixavam de ficar aterrorizados. Já tinham perdido a conta de quantas vezes o viram matar, mas sempre parecia a primeira vez.
“Vai se foder!” Droga, mais uma vida estava prestes a acabar ali. Com sorte, o Chefe mostraria um pouco de piedade, mas, pelo que os três podiam ver, o Chefe da Máfia não teria pena nem de um fio de cabelo dele.
“Resposta errada, seu merdinha!” Um tiro ensurdecedor ecoou dentro da casa. Helios não tinha motivos para se conter, especialmente porque sabia que todos os cômodos da mansão eram à prova de som.
Foi projetada para dar privacidade aos seus subordinados. Jax viu a mão do homem sangrando. Há poucos instantes, estava perfeitamente bem; agora, sua mão esquerda tinha um buraco de bala bem no meio.
“Não vou perguntar de novo, porra. Deixa eu te contar uma história”, rosnou Helios.
“Eu posso ficar de fora dessa? Definitivamente vou ter pesadelos com isso toda noite”, murmurou Jax para si mesmo. Atrás daquela fachada deslumbrante chamada Lev Helios Sokolov, havia um monstro que precisava ser acorrentado sempre que ficava com raiva.
“Era uma vez, quatro porquinhos horríveis que entraram na toca do Diabo.” Eles deveriam mesmo ouvir a história dele?
Eles sempre sabiam como as histórias dele terminavam. “Espera, não são os três porquinhos?”, perguntou o idiota do Leo ao lado de Jax. Ele perguntou bem no meio da história de Helios, e quem respondeu foi tão estúpido quanto.
“Não, mano, é a Chapeuzinho Vermelho e os sete anões.” Jax deu um tapa mental em si mesmo por causa dos dois idiotas ao seu lado. Nenhum dos dois tinha nem uma fração da sua inteligência, já que ambos estavam completamente errados.
Era a Branca de Neve e o Lobo que Helios estava contando, só que com uma reviravolta, disse Jax para si mesmo. Ainda bem que eles eram os únicos que podiam ouvir os sussurros, porque, caso contrário, o Chefe certamente os teria matado.
“Eles tentaram machucar a Rainha do Diabo; tentaram matar a sua Rainha.” Os homens à frente do Chefe engoliram em seco, tremendo incontrolavelmente. Era como se o medo que vinham sentindo o tempo todo estivesse finalmente atingindo-os de verdade.
O Chefe encarava a janela aberta na sala de estar, que oferecia uma visão clara do quintal da Propriedade Sokolov. No meio da noite, sob uma lua perfeitamente cheia, o único som era o farfalhar dos insetos. Os homens estavam tão aterrorizados que mal ousavam respirar.
“Você sabe o que aconteceu depois?” Ele se virou para o prisioneiro audacioso e perguntou. Se aquilo fosse um apocalipse zumbi, o coração de Jax teria fugido primeiro só para sobreviver.
Eles viram o mal puro em seus olhos — aquelas esferas escuras que encaravam a alma de uma pessoa. “Me responda!” Kolai quase caiu de choque quando Helios rugiu.
O babaca não respondeu ao diabo. Pela segunda vez, um tiro ecoou pelo cômodo. Era como se até os insetos entendessem o que estava acontecendo e ficassem em silêncio absoluto.
A bala atingiu o infeliz bem no olho. Esse parecia durão; ele nem gritou. Seu medo devia ser passageiro, porque ele realmente se atreveu a olhar Helios nos olhos novamente.
Ninguém conseguia sustentar o olhar de Helios por tanto tempo. Ele teve sorte de Helios ainda querer brincar com ele. O prisioneiro nem parecia notar os cadáveres ao seu lado. Os corpos de seus companheiros já estavam esfriando, mas ele estava ali, ainda se fazendo de durão.
“Os quatro porquinhos morreram. Eles foram comidos vivos.” Helios terminou sua história improvisada. Todos pensaram que o bastardo finalmente pediria clemência, mas, em vez disso, ele cometeu um erro grave. Ele riu. Riu na cara do diabo, do monstro em pessoa.
“Eu não dou a mínima para a sua história! Mesmo que você me mate agora, muitos outros virão para destruir a sua fraqueza! Eles vão adorar brincar com ela!” A voz do homem ecoou por todo o quarto, sua risada maníaca quase os deixando surdos.
Jax revirou os olhos. Se eles brincassem com a fraqueza do Chefe, o Chefe brincaria com eles também. Ele enterraria cada pessoa que se atrevesse a tocar na sua fraqueza, porque a sua fraqueza era também a sua força. Helios chutou impiedosamente as bolas do homem, quebrando seus ossos também. Ele fez isso sem um pingo de simpatia ou piedade. Não, não havia piedade nenhuma.
Ele mereceu. Helios se aproximou do homem. Ele forçou a boca do homem a abrir e atirou bem dentro dela. O homem gritou de agonia. Helios descarregou mais várias balas em sua garganta, continuando a atirar mesmo depois que o homem parou de respirar. Então, ele chutou o cadáver inútil.
O monstro olhou para os olhos do homem morto mais uma vez, os seus próprios completamente desprovidos de medo ou hesitação. A próxima coisa que souberam foi que o rato estava morto à frente deles, com os dois olhos arrancados e uma bala cravada bem no meio da testa.
Afinal, ele era o Chefe da Máfia mais temido — um monstro implacável e um filho da puta de sangue frio. Chame-o do que quiser, só não bloqueie o seu caminho, não atrapalhe seus negócios e não toque na sua preciosa propriedade. Porque, no momento em que alguém entrava no seu mundo perigoso, já tinha assinado a própria certidão de óbito.
Os homens de confiança de Helios soltaram um suspiro coletivo de alívio. Mas também foi um aviso para todos eles.
“Minha Rainha não é minha fraqueza; ela é minha solidez entre meus bens.”








