Commander Gareth Mace
O ar de novembro estava fresco e trazia um leve perfume de terra úmida e metal polido, enquanto a cerimônia do Domingo da Memória chegava ao fim no Cenotáfio. Coroas de papoulas pesavam sobre a pedra, seu escarlate em um contraste marcante com o céu cinzento de Londres. Ophelia Wesley estava um pouco afastada do pequeno grupo de representantes da St Ephraim’s University, seu vestido floral balançando suavemente com a brisa. Aos vinte e um anos, ela se sentia deslocada entre os dignitários e oficiais, seu cabelo ruivo captando a luz fraca do sol enquanto ela segurava seu programa com força. Ela tinha vindo representar o departamento de educação da universidade, mas, principalmente, veio porque sua mãe, Edith, insistiu que ficaria bem em seu currículo.
O Comandante Gareth Mace, esplêndido em seu uniforme de gala da Polícia Metropolitana e com medalhas brilhando em seu peito largo, observava a multidão se dispersar com o olhar afiado de um homem que passou décadas lendo salas e pessoas. Aos quarenta e cinco anos, ele tinha um porte imponente de quase dois metros, e seus olhos cor de avelã não perdiam nada. Ele a notou durante os dois minutos de silêncio: a garotinha quieta com o cabelo ruivo marcante e o jeito nervoso de manter o olhar baixo. Algo nela o atraiu. Tímida. Discreta. O oposto do mundo ambicioso e audacioso que ele comandava diariamente como Chefe do Crime Organizado.
Depois das fotos oficiais e apertos de mão, Gareth se aproximou, suas botas polidas batendo com confiança nas pedras do chão. Ophelia estava conversando — bem, na verdade, ouvindo — alguns colegas estudantes quando sua voz grave cortou o ambiente.
“Boa tarde, pessoal”, disse ele, com seu sotaque do East End rico e caloroso, o tipo de voz de alguém que subiu cada degrau da escada do jeito mais difícil. “Comandante Gareth Mace, Polícia Metropolitana. Que cerimônia, não é? Muito respeitosa.”
Os estudantes murmuraram cumprimentos educados, mas a atenção de Gareth estava fixada em Ophelia. Ela olhou para ele, seus olhos verdes se arregalando levemente com a presença do homem. Ele era mais velho, sim, mas havia uma certeza magnética nele que fez as bochechas dela corarem.
“Você é da universidade, então?”, continuou ele, virando o corpo levemente para incluí-la. “St Ephraim’s, é? Bom ver os jovens prestando homenagem. Muita gente esquece hoje em dia.”
Ophelia assentiu, com a voz mal passando de um sussurro. “Sim, senhor. Estou estudando educação infantil.”
“Senhor?”, Gareth riu, um som baixo e confiante. “Pode me chamar de Gareth, querida. Não precisa disso comigo. Qual é o seu nome?”
“Ophelia”, ela conseguiu dizer. “Ophelia Wesley.”
“Ophelia”, ele repetiu, como se saboreasse o nome. “Nome bonito para uma garota bonita. Você veio sozinha, Ophelia?”
Ela negou com a cabeça, gesticulando vagamente para seus amigos, embora eles tivessem começado a se afastar ao sentir a mudança na conversa. Gareth não pareceu se importar. Ele falava com facilidade, preenchendo o espaço que a timidez dela deixava. Perguntou sobre seus estudos, se ela gostava da vida em Londres, e compartilhou algumas histórias leves sobre seus primeiros dias na força — nada confidencial, apenas o suficiente para mostrar que ele era um homem que tinha visto de tudo e se tornado mais forte. Sua mão descansava casualmente no bolso, enquanto a outra gesticulava com autoridade natural.
Após quase vinte minutos, com a multidão diminuindo, Gareth se inclinou levemente, seus olhos cor de avelã travados nos dela com uma autoconfiança inabalável.
“Olha, Ophelia, eu não gosto de enrolação. Eu queria te levar para sair qualquer dia desses. Um encontro de verdade, nada dessa conversa furada. O que me diz? Me passa seu número e eu organizo algo legal.”
Ophelia piscou, com o coração disparado. Ele não podia estar falando sério. Um homem como ele — condecorado, poderoso, tão seguro de si — interessado em alguém como ela? Ela tinha certeza de que ele estava apenas sendo educado, ou talvez fosse uma brincadeira. Mas o olhar dele não vacilou. Engolindo em seco, com os dedos tremendo levemente enquanto pegava o celular, ela lhe passou o número.
Gareth salvou com um aceno satisfeito. “Boa garota. Vou entrar em contato logo, tá? Não vá desaparecer agora.”
Enquanto ele se afastava, com o uniforme impecável sob a luz do outono, Ophelia o observou, uma mistura estranha de lisonja e descrença rodopiando dentro dela. Ela não achava, nem por um segundo, que aquilo daria em algo.
Na semana seguinte, Ophelia estava sentada com as pernas cruzadas na cama, no pequeno apartamento que dividia com Addison, com o cabelo ruivo preso em uma trança frouxa e brincando com a barra da blusa. O apartamento estava silencioso, exceto pelo zumbido distante do trânsito de Londres lá fora. Ela vinha remoendo o encontro do Domingo da Memória em sua mente por dias, quase convencida de que tinha imaginado a intensidade nos olhos de Gareth Mace.
“Addison, você não vai acreditar no que aconteceu depois da cerimônia”, começou ela baixinho, com os olhos verdes incertos. “Tinha um comandante de polícia… Gareth. Ele veio falar comigo por um tempão. Pediu meu número e disse que queria me levar para sair.”
Addison Heath, jogada na cama ao lado com o cabelo castanho em um coque desarrumado, sentou-se rapidamente, sua expressão mudando de curiosidade para total desaprovação. Aos vinte e um anos, ela era a mais atrevida das duas, sempre rápida em dizer o que Ophelia apenas ousava pensar. “Um comandante? Tipo, um cara velho num uniforme chique? Quantos anos ele tem, exatamente?”
“Quarenta e cinco”, Ophelia admitiu, com as bochechas corando.
Addison bufou. “Você está de brincadeira. Vinte e quatro anos mais velho? Isso não é um encontro, Ophelia, é uma crise de meia-idade com distintivo. Ele parece muito arrogante, vindo andando como se fosse dono do lugar. Homens assim não correm atrás de garotas tímidas como você a menos que queiram alguma coisa. Acredite, ele é encrenca. Você não está pensando em ir, está?”
Ophelia deu de ombros, um lampejo de dúvida surgindo apesar do frio na barriga. “Ele pareceu legal. Confiante, sabe? Mas… eu não sei. Talvez você tenha razão.”
Enquanto isso, em seu escritório na Scotland Yard, o Comandante Gareth Mace se recostou em sua cadeira de couro, com a luz do fim da tarde lançando longas sombras sobre a mesa polida. A sala cheirava levemente a café e ao odor metálico de arquivos de segurança. Com alguns toques discretos em seu terminal seguro — nada que chamasse atenção, apenas verificações de rotina disponíveis para alguém em sua posição — ele puxou as poucas informações públicas sobre Ophelia Wesley.
Garota quieta. St Ephraim’s University, curso de educação infantil. Morava com a mãe, Edith Wesley, diretora da escola primária de St Ephraim’s. Sem ficha criminal, sem dramas em redes sociais, quase nenhum rastro digital. O tipo de vida simples que fez os instintos possessivos de Gareth despertarem. Ela era intocada pela feiura com a qual ele lidava diariamente — gangues de tráfico, os canalhas manipuladores que ele caçava. Ophelia representava algo puro, algo que ele poderia proteger. Algo que ele poderia manter.
Um sorriso lento e confiante surgiu em seu rosto enquanto ele salvava os detalhes dela. “Peguei você, querida”, murmurou para si mesmo com sua voz rouca do East End. “Não vou deixar essa escapar.”
Dois dias depois, a mensagem de Gareth chegou enquanto Ophelia estava entre as aulas: Quer vir a um pequeno evento de caridade da polícia amanhã à noite? Nada de especial, apenas uma homenagem aos oficiais que se foram. Seria bom te ver lá. Eu te busco. G.
Apesar dos avisos de Addison ecoarem em sua mente, Ophelia se viu concordando. Gareth chegou pontualmente em um carro preto elegante, saindo com um terno bem cortado em vez de seu uniforme, embora suas medalhas estivessem presas na lapela. Ele abriu a porta para ela com aquela confiança inabalável.
“Boa noite, Ophelia”, disse ele, com seu sotaque carregado, caloroso e seguro. “Você está linda. Não fique nervosa, tá? É só alguns dos rapazes e suas famílias. Quero que eles te conheçam.”
O evento foi realizado em um salão silencioso em Westminster, discreto, mas cheio de oficiais graduados, parceiros e alguns dignitários. Gareth circulava pela sala como se fosse o dono, sua mão descansando leve e possessivamente no baixo das costas de Ophelia enquanto a apresentava. “Esta é Ophelia Wesley”, ele dizia com orgulho. “Uma jovem brilhante estudando para ensinar a próxima geração. Fiquem de olho nela.”
Ela se sentiu especial sob o peso da atenção dele e do respeito sutil que os outros mostravam a ele. As conversas fluíam ao seu redor — histórias de serviço, brindes silenciosos aos que se foram — e Gareth nunca a deixou se afastar muito. Quando um colega oficial fez uma piada leve sobre sua “nova amiga”, os olhos cor de avelã de Gareth brilharam com algo mais sombrio por um segundo antes de ele rir. Ao final da noite, enquanto a levava para casa, Ophelia se sentia lisonjeada e levemente inquieta, como se tivesse entrado em uma corrente forte demais para nadar contra.
“Se divertiu?”, ele perguntou, olhando para ela com aquele sorriso confiante.
“Sim”, ela respondeu baixinho. “Obrigada.”
“Boa garota”, ele disse, satisfeito. “Faremos isso de novo em breve.”








