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🌊🔥☀️ THE SUMMER WE BROKE PLAYLIST ☀️🔥🌊
☀️ The Way I Loved You — Taylor Swift
☀️ About You — The 1975
☀️ I Wanna Be Yours — Arctic Monkeys
☀️ Teenage Dream — Katy Perry
☀️ You Get Me So High — The Neighbourhood
☀️ Talk Too Much — COIN
☀️ I Miss You, I’m Sorry — Gracie Abrams
☀️ Good Looking — Suki Waterhouse
☀️ 505 — Arctic Monkeys
☀️ She’s So High — Tal Bachman
☀️ Steal My Girl — One Direction
☀️ Still Into You — Paramore
☀️ Just the Girl — The Click Five
☀️ Heartbreak Girl — 5 Seconds of Summer
## Capítulo 1
**Cora**
O problema com Noah Calloway é que eu já fui apaixonada por ele.
Está bem, talvez "já fui" seja um exagero, e "apaixonada" seja uma palavra pesada demais para o que foram, basicamente, três anos de sofrimento como um poeta vitoriano com febre. Mas o problema real e latente é que Noah Calloway existe. Se ele não existisse, eu não estaria sentada nesta cadeira de praia vagabunda, fazendo um esforço sobrenatural para fingir que ele não está sentado a menos de um metro de distância de mim. E, com certeza, eu não estaria perdendo uma briga humilhante e solitária contra um pote de picles.
— Quer ajuda com isso?
Fecho os olhos com força, soltando um suspiro que é oitenta por cento frustração e vinte por cento desespero. É claro. Tinha que ser ele. Nem me dou ao trabalho de olhar para cima; continuo girando, com os nós dos dedos brancos de tanto tentar forçar aquela tampa teimosa.
— Sinceramente? Preferia morrer — respondo entre dentes.
A tampa não se move. Nem sequer faz aquele barulho satisfatório de *pop*. Ela continua ali, tirando sarro da minha cara.
Noah se senta na cadeira vazia ao meu lado. O movimento é fluido, natural e perigosamente próximo. De repente, o ar ao meu redor fica carregado com o cheiro do protetor solar dele e o aroma marcante e limpo de água salgada. Ele está perto o suficiente para ser um incômodo real e perto o suficiente para o meu coração dar aquele solavanco estúpido e involuntário que sempre acontece quando ele entra na minha órbita.
— Você está brigando com esse pote há pelo menos cinco minutos, Cora. Desiste.
— Eu consigo — insisto, com a voz tensa.
— Não consegue.
— Consigo, sim.
— Você definitivamente não consegue.
Lanço um olhar para o pote com intensidade suficiente para derreter o vidro. A tampa continua selada. O pote ganha. Ele sempre ganha. Noah estende uma das mãos, com a palma para cima, esperando e sendo irritantemente paciente. Fico encarando a mão dele. É calejada, grande e firme — a mão de um homem que passa os dias tirando pessoas de prédios em chamas e os fins de semana me fazendo sentir uma idiota.
Então olho para ele, depois volto para o pote e, finalmente, para a mão dele.
— Não.
A boca dele se contrai, revelando um vestígio de sorriso. — Prefere morrer de fome em uma praia pública do que deixar eu te ajudar?
— Prefiro sofrer e manter minha dignidade.
— Esse é, literalmente, um dos seus traços de personalidade. E não é a vantagem que você pensa que é.
Grosso. Foi certeiro, mas incrivelmente grosso.
Finalmente empurro o pote na direção dele com um bufo de indignação. Ele pega, seus dedos roçam os meus por uma fração de segundo, e ele abre a tampa com um giro fácil do pulso. Ele me devolve o pote.
Eu o odeio. Odeio de verdade.
— Convencido — murmuro, arrancando o pote da mão dele.
Ele dá de ombros, parecendo nem um pouco incomodado. — Eu só abri um pote. É uma habilidade básica de sobrevivência.
— Convencido — repito, só para irritá-lo.
O canto da boca dele sobe e, por um segundo horrível e traiçoeiro, volto a ter dezesseis anos. Lembro exatamente por que passei aqueles anos de formação me humilhando por esse homem. Noah não sorri muito — ele geralmente está ocupado demais sendo estoico e heroico —, mas quando aquele sorriso torto e raro aparece? Acabou o jogo.
Felizmente, não sou mais aquela garota. Ou quase isso. Provavelmente. Talvez. Tanto faz. O ponto é que aprendi a lição. Aprendi anos atrás, quando eu tinha dezessete anos, era irremediavelmente estúpida e corria atrás do Noah como um retriever apaixonado. Na época em que a cidade inteira sabia que eu tinha uma quedinha por ele, e ele nunca, nem por uma única vez, fez nada para retribuir.
Agora, tenho vinte e quatro anos. Sou mais sábia. Sou madura. Estou completa e totalmente superada. Tão superada que nem tem graça. O homem mais gato de Sweetwater Cove poderia estar sentado bem aqui, e...
Não. Não vou terminar esse pensamento. Espeto um picles com um garfo de plástico, com meus movimentos movidos por uma agressividade totalmente desproporcional.
Noah me observa com o olhar focado. — Tudo bem?
— Fantástica — digo, colocando o picles na boca e mastigando com estalos altos e vingativos.
— Parece que você está pronta para começar uma briga.
— Estou.
— Comigo?
Dou outra mordida. *Croc.* — Talvez.
— O que eu fiz?
O olhar de confusão genuína no rosto dele quase me faz sair do personagem e rir. Quase. Essa é a experiência Noah Calloway: o cara não faz a menor ideia do que causa nas pessoas. Nunca fez. É até impressionante o quão desligado ele consegue ser na idade dele.
— Nada — digo, mantendo o tom seco.
— Cora.
— Noah.
Ele solta um suspiro longo e cansado. Ofereço a ele um sorriso doce e profundamente falso. Os olhos dele se estreitam, e eu estreito os meus de volta. É um impasse, uma guerra silenciosa de desgaste, e pretendo ser a última a ficar de pé.
De repente, uma voz grita mais adiante na praia. — CORA!
Viro a cabeça rapidamente. Saylor está perto das dunas, balançando os dois braços como se estivesse sinalizando para um avião de resgate. Ao lado dela, Beau está arrastando um cooler enorme para a areia e, atrás deles, Rhett já vem caminhando em nossa direção, sem camisa, apesar de serem quase dez da manhã.
Noah segue meu olhar, com a expressão relaxando um pouco. — Salva pelo grupo.
— Não sabia que precisava ser salva — retruco.
— Acredite, precisava.
Reviro os olhos e me levanto, com minha cadeira afundando cada vez mais na areia macia sob o peso da minha irritação. Noah se levanta também, e porque o universo está empenhado em tornar minha vida o mais difícil possível, ele está vestindo uma camiseta cinza ajustada que marca perfeitamente seu peito e ombros. Ele é bombeiro. É claro que é. Porque ser irritantemente capaz não bastava; ele tinha que virar um herói local também. A vida é claramente injusta.
Começo a caminhar em direção aos outros, e Noah entra no meu passo, suas passadas longas e leves acompanhando as minhas.
— Como está o trabalho? — ele pergunta.
A pergunta é tão comum, tão inesperada, que eu chego a piscar. — Bem. Por quê?
— Só perguntando. Você gosta?
Olho de lado para ele, instantaneamente desconfiada. — Por que está me entrevistando de repente? Aconteceu alguma coisa?
As sobrancelhas dele se arqueiam. — Estou puxando conversa, Cora. É um comportamento humano.
— Isso soa suspeito.
— Realmente não é.
— Tá bom — digo, sem me convencer.
Ele solta uma risada súbita e aguda — um som profundo e ressonante que faz coisas perigosas e estúpidas com meu coração. É uma sorte que eu já o tenha superado. Estou tão completamente superada por ele que é praticamente um milagre médico.
Saylor nos alcança primeiro, imediatamente enganchando o braço no meu como se pudesse sentir que estou à beira de um colapso. — Vocês estão atrasados.
— Não estamos atrasados, Say. É um dia de praia.
— Estão atrasados, sim — ela insiste.
— Estamos literalmente no horário. Noah, diz para ela.
Noah olha para mim, depois para Saylor, e sua lealdade muda num piscar de olhos. — Atrasados.
— Traidor — sibilou.
Saylor sorri triunfante. Beau envolve os ombros dela com um braço protetor e beija o topo da sua cabeça. A cena faz uma dor estranha e quente se instalar no meu peito — eles são insuportavelmente, enjoativamente felizes. É honestamente impressionante. E talvez, se eu estiver sendo generosa, um pouquinho adorável.
— Sabe — diz Rhett, aparecendo do nada como um espírito caótico —, vocês dois brigam como um casal de velhos casados. É perturbador.
Eu travo. Noah trava. Saylor começa a engasgar com sua limonada, num som de pânico e tosse. Beau fecha os olhos, se preparando, porque sabe exatamente o que vai acontecer.
— O quê? — respondo, minha voz atingindo uma nota alta e quebradiça.
Rhett olha entre mim e Noah, imperturbável. — Eu disse que vocês brigam como se estivessem casados há quarenta anos.
Aponto um dedo trêmulo para o peito dele. — Não.
— Não, o quê?
— Não. Ponto final.
— Por que você está tão na defensiva?
— Porque... — digo, com a voz perigosa.
O rosto dele se ilumina com uma travessura pura e sem filtros. — Meu Deus. Olha só você.
— Eu vou acabar com você, Rhett.
— Noah, me ajuda aqui — diz Rhett, olhando para ele.
Noah vira imediatamente nos calcanhares e começa a se afastar em direção à água.
*Covarde.* Covarde absoluto, sem espinha dorsal.
Rhett aponta para as costas dele, que se afastam. — Interessante.
Pego o picles meio comido da minha bandeja e o jogo na cabeça dele com precisão letal. Infelizmente, ele é um idiota profissional e o pega na mão.
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Horas depois, depois de termos jogado vôlei o suficiente para suar, passeado de barco e ficado sob o sol até a pele ficar repuxada, me vejo na beira do mar, com água até os tornozelos. As ondas chegam, puxando a areia debaixo dos meus pés, e a praia é uma tapeçaria vibrante de pessoas, música e aquele tipo de tarde dourada e nebulosa que é a especialidade de Sweetwater Cove.
— Ei.
Olho para cima. Ele voltou. Aparentemente, esse homem decidiu que o meu espaço pessoal é um serviço público hoje. Ele fica a poucos metros de distância, com as mãos enterradas nos bolsos, o cabelo em uma bagunça caótica e despenteada pelo vento. Sua expressão é ilegível, aquela máscara de calma estoica que ele usa para esconder tudo o resto.
— O que você quer, Noah?
As sobrancelhas dele se arqueiam, um brilho de diversão atravessando seu rosto. — Que tipo de saudação é essa?
— O tipo que você mereceu por ser uma presença irritante o dia todo.
— Eu abri um pote para você — ele aponta, sua voz caindo naquele tom baixo e uniforme.
Não consigo evitar o sorriso que puxa o canto da minha boca. — Ponto justo.
Ele parece satisfeito com isso, uma vitória pequena e sutil transparecendo no formato da sua boca. Mas então, a provocação desaparece. Algo no olhar dele escurece, a brincadeira sendo descartada. O oceano corre ao redor dos nossos tornozelos, o som do mundo girando atrás de nós, mas, por um momento, a praia parece congelada no tempo.
Noah olha para o horizonte, com o maxilar tenso. — Você esteve me evitando o dia todo.
Meu estômago afunda — não aquele afundar gracioso de borboletas na barriga, mas uma sensação pesada de queda que deixa meus joelhos fracos. A pior parte é que ele tem razão. Não estive apenas evitando-o; estive fugindo dele. E o fato de ele ter notado? Que ele se importa o suficiente para jogar isso na minha cara?
Isso pode ser o meu fim.